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quarta-feira, 2 de julho de 2014
Malévola, o Mal e a Liberdade
Semana passada a minha filha Letícia, de 6 anos, começou a falar comigo do personagem de contos de fada que estreiou recentemente no cinema, numa releitura do conto popular. Trata-se da Malévola, personagem interpretado pela atriz Angelina Jolie. A minha filha não assistiu ao filme, mas comentou o que ouviu dos amigos na escola, que o assistiram. A Letícia me disse o seguinte:
- "Papai, a Malévola não é malvada, pois ela era uma linda fada que teve as suas asas arrancadas pelos pais da Bela Adormecida. Ela não é má, pois só jogou o feitiço na Bela Adormecida porque eles é que fizeram o mal para ela!".
Esta mensagem reflete os valores da sociedade de hoje. Para auxiliar a minha filha na reflexão, fiz a ela algumas perguntas:
- "Filha, o que fizeram com Jesus?"
- "Bateram nele, prenderam, colocaram uma coroa de espinhos e prenderam Jesus para morrer na cruz", respondeu ela.
- "Isso é uma coisa boa ou ruim?"
- "Muito ruim", ela respondeu. Então, perguntei:
- "E como foi que Jesus reagiu?". Ela ficou em silêncio. Então eu respondi:
- "Jesus orou ao Pai e disse: ´Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem´" (Lc 23.34).
Então, perguntei novamente para ela:
- "Filha, a Malévola pagou o mal com o bem ou com o mal?"
- "Com o mal", ela respondeu. Então perguntei:
- "E Jesus, pagou o mal com o bem ou com o mal".
- "Com o bem!", respondeu ela. Então eu disse:
- "Quem recebe o mal e paga com o mal, foi vencido pelo mal. Quem paga o mal com o bem, mostra que o bem venceu em sua vida. Jesus é bom, por isso ele retribui o mal com o bem, e ensina que a gente deve fazer o mesmo".
A Letícia não assistiu ao filme. No filme, a "Malévola", a vilã do conto de fada, se torna a nova heroína. Ao final do filme, é dito: "No final, o reino foi unificado não por um herói ou um vilão, como previra a lenda, mas por alguém que era tanto herói como vilão. E seu nome era Malévola". E eis que, na nossa cultura, os vilões estão se tornando os novos heróis!
No Evangelho segundo João, Jesus ensina o seguinte:
"Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João 8.34,36).
Só é livre quem não é escravo do pecado, da injustiça, da maldade. Jesus é livre. E só alguém que é verdadeiramente livre pode nos libertar. Ele foi o único que, tendo sido tentado em todas as coisas, jamais pecou (Hebreus 4.15). E é poderoso para nos libertar! (Hebreus 2.18).
Para a Letícia, que não assistiu ao filme, o diálogo que tive com ela, registrado acima, continua válido, pois a informação que ela tinha era a seguinte: a Malévola lançou um feitiço contra a Aurora, mas não é má, pois apenas se vingou do mal que sofreu. Eu não havia assistido ao filme quando conversei com ela. Após o diálogo, assisti ao filme. A mensagem do filme pode ser avaliada na perspectiva do arrependimento, do perdão e do amor verdadeiro, temas legitimamente cristãos. Mas ainda me incomoda profundamente a apropriação de símbolos "malévolos" como expressão de heroismo, virtude e justiça!
Que Jesus Cristo, pelo seu amor demonstrado na cruz, pelo poder da sua ressurreição e pelo exemplo de sua vida irrepreensível de amor, graça e misericórdia, nos liberte, nos livre do mal e nos dê a verdadeira liberdade!
Liberdade é poder: poder de pagar o mal com o bem!
Fonte da imagem: http://imguol.com/c/entretenimento/2014/03/10/malevola-com-angelina-jolie-ganha-novo-cartaz-nacional-1394473284642_749x1100.jpg
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Qual é o Culto que agrada ao SENHOR? (Isaías 66.1-4)
Texto: Isaías 66.1-4 (Tradução de Almeida, Revista e Atualizada - ARA - SBB)
1 Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés;
que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso?
2 a. Porque todas estas coisas, a minha mão fez e todas vieram a existir, diz o SENHOR,
b. mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra.
3 a. O que imola um boi é como o que comete homicídio;
o que sacrifica um cordeiro, como o que quebra o pescoço a um cão;
o que oferece uma oblação, como o que oferece sangue de porco;
o que queima incenso, como o que bendiz a um ídolo.
b. Como estes escolheram os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações,
4 assim eu lhes escolherei o infortúnio e farei vir sobre eles o que eles temem;
porque clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram; mas fizeram o que era mau perante mim e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer.
INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar, vamos estudar o nosso texto de acordo com o seu contexto histórico, seu lugar no livro de Isaías, sua estrutura literária, bem como o seu lugar na literatura bíblica (contexto literário).
Contexto Histórico. O livro de Isaías está dividido em 3 grandes blocos: o primeiro, dos capítulos 1 a 39, traz profecias no contexto do reino dividido do Sul, do Reino de Judá, nos dias de Uzias, Jotã, Acaz e Ezequias, reis de Judá (século VIII a.C.). Os profetas Amós e Oséias, no Reino de Israel (Norte) e o profeta Miquéias, no Reino de Judá (Sul), são contemporâneos de Isaías. Os capítulos 40 a 55 trazem profecias que apontam para o contexto do Exílio na Babilônia (Século VI a.C.). Os capítulos 56 a 66 trazem profecias que apontam para o período do pós exílio, ou seja, do período em que o templo e a cidade de Jerusalém estavam sendo reconstruídos (aproximadamente final do Século VI a.C. - a partir de cerca de 520 a.C.).
Estrutura Literária. Nosso texto apresenta a seguinte estrutura:
A - O Criador não descansa em edifícios feitos por homens (vv. 1-2a)
B - O Criador olha para os humildes que temem a Palavra de Deus (v. 2b)
A´ - Aos que escolheram seus próprios maus caminhos e não o que agrada ao SENHOR, Deus escolherá o que é mau e desagradável (vv. 3-4).
Aqui, estamos estabelecendo uma relação entre os vv. 1-2a e vv. 3-4, em contraste com o v. 2b, em relação aos personagens do texto. Enquanto os vv. 1-2a e vv. 3-4 tratam daqueles que escolheram seus próprios caminhos, que não agradam ao SENHOR, caminhos que incluem a edificação de uma casa ao SENHOR como lugar do seu descanso e o sistema de sacrifícios deste mesmo templo, o v. 2.b trata daqueles que são humildes, oprimidos, mas que temem a Palavra de Deus - ou ainda, daquilo que agrada ao SENHOR. A estrutura aponta para um contraste claro entre o templo (juntamente com seus sacrifícios) e a Palavra de Deus enquanto caminho para o culto verdadeiro, o culto que agrada ao SENHOR.
Contexto Literário. Segundo J. Severino Croatto [1], a estrutura literária de Isaías 56-66 aponta para um centro, ou seja, o capítulo 61. Cada letra no início da linha apresenta o tema (ou eixo semântico) dos pares de textos e do texto central.
A Is 56-58 (se liga a) Is 65-66 ("críticas")
B Is 59.1-14 (se liga a ) Is 63.7-64.11 ("oração/salvação")
C Is 59.15-21 (se liga a) Is 63.1-6 ("fragmentos apocalipticos")
D Is 60 (se liga a) Is 62 ("Jerusalém e sua glória")
X Is 61 ("mensagem de libertação")
O nosso texto, Is 66.1-4, faz parte do eixo "A", "críticas", em que o profeta denuncia os pecados do povo, principalmente sobre a falta de fidelidade aos mandamentos justos e misericordiosos de Deus, as práticas idólatras, a opressão e a violência contra os fracos (56-58), bem como a denuncia contra a rebeldia do povo contra Deus e a falsa religião, alvo do juízo de Deus (65-66). Este é o contexto do nosso texto: crítica contra os pecados do povo, em específico, críticas contra a falsa religião!
Isaías 66.1-4 é citado algumas vezes no Novo Testamento: Mt 5.34-35 (v. 1); At 7.49-50 (vv. 1-2).
1) QUE CASA EDIFICAREIS PARA O MEU DESCANSO? (vv. 1-2a) - Eixo A.
Os judaítas que saíram da Babilônia agora estavam buscando edificar o templo e a cidade de Jerusalém. Neste contexto, a profecia de Isaías vem falar ao coração do povo de Deus.
"Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR" (vv. 1-2a).
Lembra as palavras de 1Reis 8.27, na qual o rei Salomão ora ao SENHOR quando da consagração do templo de Jerusalém, dizendo:
"Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei".
O profeta denuncia a ideia equivocada de que o templo de Jerusalém é a morada do SENHOR. Deus não está preocupado com edifícios, mas com a vida. O que agrada ao SENHOR não é o edifício do templo, que fora construído por Salomão, destruído pelos Babilônios em 587 a.C. e reconstruído a partir de cerca de 520 a.C.
Nos livros de Ezequiel e de Daniel, o trono do SENHOR tem rodas, para demonstrar que a glória de Deus não ficou restrita ao território de Israel, ou a cidade de Jerusalém (destruída nos dias de Ezequiel) ou mesmo ao templo (também destruído nos dias de Ezequiel). O trono do SENHOR tem rodas para demonstrar que a sua glória continua com o seu povo, mesmo no exílio, mesmo na angústia e debaixo da opressão e da violência! Ora,
"Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente" (Daniel 7.9).
Nem mesmo o universo pode conter a Deus de forma plena. Não é Deus quem está em algum lugar no universo, mas é o universo que está na palma da mão de Deus! O Criador é maior que a sua criação! Mesmo o universo inteiro não pode contê-lo! Todas as coisas foram criadas por Ele, por meio dEle e para Ele!
Portanto, o primeiro eixo descarta a ideia de que o templo de Jerusalém seja a verdadeira habitação do SENHOR, onde Ele pode descansar. Em outras palavras, não é no templo de Jersalém que está o prazer do SENHOR, não é no edifício feito por mãos o lugar da sua habitação!
2) AOS QUE ESCOLHERAM SEUS PRÓPRIOS MAUS CAMINHOS E NÃO O QUE AGRADA AO SENHOR, DEUS ESCOLHERÁ O QUE É MAU E DESAGRADÁVEL (vv. 3-4) - Eixo A´.
Está presente no capítulo 66 o contraste entre os que temem ao SENHOR e os que odeiam os que temem ao SENHOR, como pode ser observado no v. 5:
"Ouvi a palavra do SENHOR, vós, os que a temeis: Vossos irmãos, que vos aborrecem e que para longe vos lançam por causa do vosso amor ao meu nome e que dizem: Mostre o SENHOR a sua glória, para que vejamos a vossa alegria, esses serão confundidos"
Os vv. 1-2a apresentam uma ideia errada acerca do SENHOR: que Ele habita no edifício do templo. Mas quem pensa assim? O v. 3 denuncia o vazio dos sacrifícios oferecidos no templo de Jerusalém, como expressões imundas e idolátricas. Em outras palavras, o templo de Jerusalém e seu sistema de sacrifícios não expressam o verdadeiro culto ao SENHOR, mas são um caminho de falsa segurança religiosa. Mas por que? O v. 3 explica: "estes escolheram os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações". Os sacrifícios são tratados como idolatria abominável.
Vamos fazer uma pausa para refletir sobre os sacrifícios no Antigo Testamento. Ao mesmo tempo que estes sacrifícios são, por vezes, ordenados e valorizados (Levítico 23.37-38; Deuteronômio 12.1-31), outras vezes são descartados e denunciados como expressão de injustiça e idolatria (Jeremias 7.21-28). Mas por que? Por um lado, eles tem o seu valor, mas por outro são vazios. Uma afirmação não nega a outra, mas a complementa. Mas como? O Novo Testamento, em Hebreus 10.1-10, ensina o seguinte:
"1 Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. 2 Doutra sorte, não teriam cessado de ser oferecidos, porquanto os que prestam culto, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados? 3 Entretanto, nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos, 4 porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados. 5 Por isso, ao entrar no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste; antes, um corpo me formaste; 6 não te deleitaste com holocaustos e ofertas pelo pecado. 7 Então, eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade. 8 Depois de dizer, como acima: Sacrifícios e ofertas não quiseste, nem holocaustos e oblações pelo pecado, nem com isto te deleitaste (coisas que se oferecem segundo a lei), 9 então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo. 10 Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas".
Há um velho ditado que diz o seguinte: "o dedo aponta para a lua, mas ai daquele que olha para o dedo e não para a lua". Uma vez que o dedo está apontando para a lua, o objetivo é olhar para a lua, e não para o dedo! Do mesmo modo, Hebreus afirma que o templo de Jerusalém e o sistema sacrificial do templo eram como que um dedo apontando para Cristo. É por isso que, ao mesmo tempo que o sistema sacrifricial do Antigo Testamento é valorizado, enquanto "o dedo que aponta para uma realidade superior", este sistema é também denunciado como vazio, pois não é nele que a salvação é realizada! É por isso que Isaías relaciona o sistema sacrificial do templo e o próprio templo com a ideia de abominação e caminhos próprios (dos injustos). E aqueles que escolheram o que é mau, receberão o que é mau; quem escolheu o que aborrece ao SENHOR, receberá do SENHOR o que aborrece a si próprio!
O templo e seus sacrifícios não são o caminho de Deus e não agradam ao SENHOR. O prazer do SENHOR não está no templo e nos sacrifícios. Um culto que consiste simplesmente em lugares e rituais sagrados não é caminho para alegrar ao SENHOR, o Criador de todas as coisas. Então, qual é o Culto que agrada ao SENHOR? Qual é o verdadeiro culto? Uma primeira pista está ainda no início do v. 4:
"assim eu lhes escolherei o infortúnio e farei vir sobre eles o que eles temem; porque clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram". Ou seja, o que agrada ao SENHOR é algo que Ele diz, diz respeito ao seu clamor dirigido ao seu povo. Mas o que seria isso? É o que veremos a seguir:
3) O Criador olha para os humildes que temem a Palavra de Deus (v. 2b) - Eixo B.
O caminho que agrada ao SENHOR não é o templo ou os sacrifícios do templo. O caminho que agrada ao SENHOR é a Sua Palavra! (Veja Salmo 50; Isaias 1.10-20; Jeremias 7.21-28). Ora, "mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra" (v. 2b).
Em outras palavras, o SENHOR não habita em edifícios feitos por mãos humanas, mas Ele está com o "aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra". A sua alegria não está na carne e no sangue dos sacrifícios, mas sim na fidelidade daqueles que ouvem e obedecem a Sua Palavra, como fica claro no v. 4: "clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram".
O SENHOR, através de Isaías, ensina ao povo que o culto verdadeiro não está em um lugar ou em ritos externos vazios de legitimidade própria, mas sim na vida daqueles que, apesar das angústisas, provações e opressões, se mantém fiéis a Palavra de Deus, ou seja, no caminho da justiça, da misericórdia e do perdão.
Este é o ensino de Jesus:
"Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (João 4.19-24).
Jesus também ensina o seguinte:
"Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (João 14.15).
O local do culto verdadeiro não é um edifício feito por mãos, mas é a própria vida! O sacrifício a ser oferecico não é o sangue de touros ou de bodes, mas a própria vida submissa a vontade de Deus!
Jesus Cristo, o Filho de Deus, foi enviado pelo Pai ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. Jesus foi o único ser humano que, tendo sido tentado, jamais pecou, e sem pecado morreu na cruz, assumindo sobre si a condenação dos nossos pecados. Mas ele venceu e ressuscitou ao terceiro dia, vencendo a morte, o pecado, o mundo e o diabo. Após a ressurreição, Jesus enviou o Espírito Santo aos nossos corações, o qual nos transforma, de glória em glória, para o culto que deve ser celebrado não num lugar específico, não um culto restrito a ritos externos, mas o culto verdadeiro, no Espírito, na vida! Adoramos a Deus uno e trino no Espírito, pela graça do Pai em Cristo Jesus.
CONCLUSÃO
O Culto que agrada ao SENHOR é a adoração em espírito e em verdade. É a expressão de um povo que ama ao SENHOR, que ama a Sua Palavra, e que busca sempre crescer na fidelidade a Palavra de Deus, pela graça de Deus.
Hoje há "igrejas" construindo réplicas do templo de Jerusalém, réplicas da arca da aliança, tocando seus sophares e mergulhando em rituais externos e caducos de sentido, de vida. Precisamos fazer a oração do Pai Nosso, e aprender com Nosso Senhor a orar: "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu..." (Mateus 6.9-10). Não precisamos do templo de Jerusalém, dos sacrifícios de animais ou da arca da aliança, pois Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio ao mundo como a verdadeira arca da aliança, o verdadeiro tabernáculo de Deus entre os homens. Ao ressuscitar, envia sobre nós o Espírito Santo, de modo que o santuário de Deus entre os homens não são réplicas caducas de objetos sagrados, mas é o povo de Deus, homens e mulheres que se tornaram filhos e filhas de Deus em Cristo, discípulos de Jesus, nos quais Deus habita pelo seu Espírito. Ao vivermos guiados pela Palavra de Deus e orientados pelo Espírito Santo, numa vida de justiça, misericórdia e perdão, adoramos a Deus em espírito e em verdade. E viver assim, guiados pela Palavra e No Espírito, é possível apenas em Cristo. Jesus é o verdadeiro templo, o grande Sumo Sacerdote, o sacrifício único e suficiente para o perdão de todo pecado. NEle somos feitos povo de Deus no Espírito.
Que Deus nos abençoe e tenha misericórdia de nós, para a Sua glória!
BIBLIOGRAFIA
J. Severino CROATTO. Isaías - A palavra profética e sua releitura hermenêutica - vol. III: 56-66. Petrópolis: Vozes, 2002.
F. DAVIDSON (org.). O Novo Comentário da Bíblia - vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1963.
L. Alonso SCHÖKEL, J. L. SICRE DIAZ. Profetas I. São Paulo: Paulus, 1988.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Salmo 126: A Alegria, o Clamor e o Chamado da Salvação
Texto do Salmo 126 (tradução Almeida Revista e Atualizada - ARA)
1 Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha.
2 Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles.
3 Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.
4 Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe.
5 Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.
6 Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.
INTRODUÇÃO
O Salmo 126 é um cântico de romagem, ou cântico das subidas, ou seja, um cântico que os judeus cantavam enquanto se dirigiam alegremente ao Templo em Jerusalém.
O Salmo 126 foi escrito durante o período da dominação Persa, por judeus que vieram do exílio na Babilônia. A monarquia havia chegado ao fim; os babilônios haviam destruído o Templo e a cidade de Jerusalém, e levado cativos a liderança política, religiosa e militar de Jerusalém que havia sobrevivido aos conflitos.
Conforme a narrativa bíblica, o SENHOR chamou a Abração para fazer dele uma grande nação. De Abraão veio Isaque, de Isaque, Jacó, de Jacó vieram 12 filhos e uma filha. Dos filhos de Jacó vieram as 12 tribos de Israel. Os filhos de Israel foram escravizados no Egito por 400 anos, mas libertados pelo SENHOR através de Moisés, que conduziu o povo pelo deserto por 40 anos, tempo em que o SENHOR entregou a sua Lei (Torá - instrução) e manifestou a sua presença. Josué, servo de Moisés, conduziu o povo para a conquista da terra de Israel, período seguido pelos juízes, ou libertadores. Após o estabelecimento da monarquia, cujos primeiros reis foram Saul, Davi e Salomão, o reino foi dividido ao meio: o reino do norte, Israel, cuja capital era Samaria e cujo primeiro rei foi Jeroboão, por um lado, e por outro lado o reino de Judá, cuja capital era Jerusalém e o primeiro rei, Roboão, filho de Salomão. O reino do norte, Israel, foi destruído pelos Assírios em 722 a.C., e o reino do sul, Judá, chegou ao fim em 587 a.C., pelos Babilônios, liderados por Nabucodonozor.
O SENHOR havia feito um chamado claro para Israel:
Antes de subir ao Monte Sinai, para receber as tábuas da Lei, o SENHOR ordenou que Moisés dissesse aos filhos de Israel: "Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel" (Ex 19.5-6).
Jeremias, que profetizou no final da monarquia e viveu nos dias em que Jerusalém foi destruída pelos babilônios, afirma: "Naquele tempo, diz o SENHOR, serei o Deus de todas as tribos de Israel, e elas serão o meu povo. (...) Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (Jr 31.1,32-33).
Diante da infidelidade do povo, que segundo afirma Jeremias não foi fiel ao seu chamado, tendo anulado a aliança feita com o SENHOR, Deus não deixou de agir com misericórdia, graça e salvação para com o povo de Israel.
1) A ALEGRIA DA SALVAÇÃO (vv. 1-3)
Na Babilônia, os exilados suspiravam por Jerusalém: "Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do SENHOR em terra estranha?" (Sl 137.1-4).
Quando Ciro, o persa, conquista a Babilônia, ele autoriza o retorno dos judeus para a terra de Israel (Ed 1.1-4).
O livro do profeta Isaías falou acerca do persa Ciro: "Eu, na minha justiça, suscitei a Ciro e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade e libertará os meus exilados, não por preço nem por presentes, diz o SENHOR dos Exércitos" (Is 45.13).
Uma grande alegria tomou conta dos exilados na babilônia que, agora, podiam voltar para a terra de Israel: "Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles. Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres" (Sl 126.1-3). Foi como a volta do filho prógido, ou a devolução da posse da terra para a família no ano do jubileu! A alegria da salvação, o júbilo pela ação de Deus na vida do seu povo, trazendo restauração! O povo havia caído na idolatria contra Deus e na injustiça contra o próximo, mas a graça e a misericórdia de Deus são maiores que a sua ira (Dt 5.6-10!).
Como os exilados, que voltaram para a terra de Israel, precisamos aprender a nos alegrar com a ação de Deus na nossa história. Deus é vivo e age hoje na história. E nós, cristãos, temos muito maior motivo para a alegria: o SENHOR não apenas nos livrou da opressão da terra estrangeira, mas em Cristo nos fez cidadãos do Reino de Deus! Cristo morreu pelos nossos pecados, ressuscitou para a nossa salvação, derrotou todos os inimigos de Deus, e está agora a direita do Pai, reinando e intercedendo por nós, até Aquele Dia, tão aguardado por nós, quando Ele virá e fará novas todas as coisas e enxugará dos olhos toda lágrima! Esta tão grande salvação deve renovar em nós a alegria que não depende de circunstâncias, as quais mudam a todo instante, deve nos levar a confiar na graça de Deus, que nos conduz a uma vida de justiça e de resistência a toda forma de opressão e violência! " Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos" (Fl 4.4).
2) O CLAMOR POR SALVAÇÃO (v. 4)
Se o SENHOR havia manifestado sua ação salvadora para os judeus que voltaram do exílio, por que eles clamam novamente por salvação? Ora,
"Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe" (Sl 126.4).
Compare o verso 4 com o verso 1: "Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha" (Sl 126.1).
Os exilados voltaram para a terra prometida, mas a cidade e o templo estavam destruídos. Ora, algo semelhante acontece conosco! Não cremos que a graça de Deus nos livra de todos os problemas, ou que, a partir da graça, sejamos autosuficientes e não precisemos mais de Deus! Muito pelo contrário! Quem crê em Deus conforme o ensino e o testemunho das Escrituras sabe e reconhece que a nossa vida pertence a Deus e que somos dependentes de Deus, que precisamos da graça e da misericórdia de Deus a cada dia (Lm 3.21-24). Este sentimento deve produzir em nós compaixão e humildade! A compaixão e a humildade da dependência de Deus devem nos conduzir a ter compaixão do próximo!
O salmista clamara ao SENHOR, para que a sorte do povo fosse restaurada, como as torrentes do Neguebe. O Neguebe é uma região desértica, na qual os rios secam nas estações das secas, mas brotam de forma maravilhosa e surpreendente na estação das chuvas, enchendo a paisagem de vida e beleza. O salmista não esqueceu o que afirmara no verso 1, mas nos lembra que quem um dia conheceu a graça e a misericórdia de Deus continua dependente de Deus. E o SENHOR é poderoso para nos surpreender com a sua bondade, como as águas do Neguebe!
Em Cristo, cremos que somos perdoados, amados e aceitos por Deus. No entanto, durante toda a nossa vida continuamos precisando a cada dia da graça, do amor, da misericórdia e do perdão de Deus. É um processo no qual buscamos fazer não a nossa própria vontade, mas a vontade de Deus. Enquanto a vida cristã prossegue em direção a santificação, ou seja, a uma vida nova em Cristo, guiados pela Palavra e no poder do Espírito Santo, somos transformados por Deus, de glória em glória, e o caráter de Cristo é formado em nós. A salvação é uma caminhada, um processo, que já teve início com a fé em Cristo, mas só estará completa na ressurreição, quando, nas palavras do Apóstolo Paulo, "agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido" (1Co 13.12). Assim, durante a sua vida, o cristão faz suas as palavras do salmista: "Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes do Neguebe"!
3) O CHAMADO DOS SALVOS (vv. 5-6)
Todo aquele que conhece a graça e a misercórdia de Deus, do Deus amoroso que é poderoso para escrever uma página nova na história da nossa vida, apesar dos nossos erros e pecados, é também alguém chamado por Deus. Não somos chamados por Deus apenas para desfrutar da salvação, da ação generosa de Deus na nossa história, mas também para nos tornarmos seus servos, seus cooperadores (1Co 3.9).
Israel tinha consciência do seu chamado, de ser luz para as nações (Is 51.4). Israel falha na sua missão, mas o Messias, Jesus Cristo, "filho de Davi, filho de Abraão" (Mt 1.1), veio ao mundo para que a graça e a misericórdia de Deus alcançassem as nações. Hoje, o Corpo de Cristo, que é a sua Igreja, ou seja, os filhos e filhas de Deus espalhados por toda a terra, tem o chamado de seguir a Jesus, no caminho da cruz que conduz à glória de Deus.
"Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes" (Sl 126.5-6).
Quem traz consigo a alegria da salvação e o clamor contínuo por salvação é chamado pelo SENHOR da seara para tomar a cruz da semeadura e, assim, participar da colheita gloriosa! Os que voltaram do exílio agora se tornaram agentes da reconstrução daquilo que foi destruído. Neste momento novo, nesta nova etapa, precisavam da graça de Deus para reconstruir a cidade e o templo. O salmista tem consciência de que a semeadura precisava ser realizada, em meio a muitas dificuldades (lágrimas), pois houve muita oposição contra a reconstrução de Jerusalém e do templo (Ed 4.24-5.4; Ne 5.1-5). Mas o salmista tem também a fé de que o SENHOR auxiliaria o seu povo, para que Seus propósitos fossem realizados. Seu trabalho, debaixo da graça de Deus, não seria vão, mas teria como resultado a alegria da colheita!
Em Cristo, aqueles que são alvo do amor, da graça, da misericórdia e do perdão de Deus são chamados por Cristo:
"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt 28.19-20).
A alegria da salvação e a ação contínua do salvador nos conduzem para a missão que Deus confiou ao seu povo, pela graça de Deus Pai, em Cristo e no poder do Espírito Santo. Nossa preocupação hoje não deve ser com edifícios (Jerusalém, Templo), mas o edifício novo, a Igreja de Cristo, homens e mulheres que são edificados sobre a Pedra Angular, que é Cristo. Chamados a semear a Palavra de Deus num mundo hostil a Deus e a Seu Filho Jesus Cristo.
CONCLUSÃO
Os exilados tinham consciência da sua história: um povo chamado por Deus para ser luz para as nações, para testemunhar a graça e a misericórdia de Deus, mas que, na sua caminhada, tropeçou na idolatria e na injustiça. Mas os pecados do povo não afastaram a fidelidade de Deus, que age em favor do mesmo povo para restaurar a sua sorte, trazendo para a terra de Israel novamente os que foram cativos na babilônia. Na terra de Israel, o povo continua passando por lutas e dificuldades, expressando a contínua dependência da provisão de Deus. Ao mesmo tempo que desfruta da graça e da misericórdia, o povo é chamado também para servir a Deus com alegre consagração, na reconstrução da cidade santa e do templo.
Somos cristãos, participamos da graça de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. Hoje não estamos preocupados em reconstruir Jerusalém ou o seu templo, que foi destruído desde 70 d.C., mas na vida das pessoas, na edificação do Corpo de Cristo. Nosso Senhor nos trouxe amor e perdão, continua renovando e transformando a nossa vida, mas nos chama para o serviço no Reino de Deus: obedecer a Palavra de Deus, anunciar o Evangelho do Reino, fazer discípulos de Cristo entre as nações, ensinando a Palavra de Deus para que o povo de Deus seja "capacitado para toda boa obra" e, enfim, conduzindo aqueles que abraçaram a fé em Cristo ao batismo (Mt 28.19-20).
A graça de Deus que traz perdão e a alegria da salvação é a mesma graça que nos transforma e conduz a uma nova vida em Cristo, assim como é a mesma graça na qual somos chamados para sermos discípulos de Jesus, homens e mulheres que tomam a sua cruz, que semeiam com lágrimas, para participar da alegria da grande colheita, no Reino de Deus!
Que Deus, o Pai, nos abençoe, para sermos encontrados na graça do Seu Filho Jesus Cristo, servindo com fidelidade no poder do Espírito Santo!
Fonte da imagem: https://asahihair.files.wordpress.com/2011/09/alegriaaa.jpg
terça-feira, 27 de maio de 2014
Tiradas da Letícia VI - se não houvesse o casamento
Eu estava preparando a Letícia para dormir. Então, a pérola:
- "Papai, se você e a mamãe não tivessem se casado, eu seria filha de outra pessoa?".
Ela já a fez esta pergunta aos 6 anos!
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Tiradas da Letícia V - as 3 coisas mais difíceis do mundo!
A Letícia está com 6 anos.
Hoje eu a levei para a cama, conversei com ela, ela contou uma história da Bíblia (Noé), eu contei uma história da Bíblia (Jonas), oramos, agradecendo a Deus pela nossa família, e então eu saí. Fui para a sala com a Cris um pouco. Fui para a cozinha e, de repente, surge a Letícia dizendo:
- "Você sabe quais são as 3 coisas mais difíceis do mundo?".
- "Eu não", respondi, curioso.
Ela respondeu, incisiva:
- "Subir uma montanha, passear com animais selvagens e... dormir!".
A 01h30m da madrugada, a gente não sabe se ri ou se chora!
- "Vai deitar que o papai já vai prá lá...".
Pois é, se me dão licença, lá vou eu. Vim escrever esta história agora para não perder nenhum detalhe!
Um grande abraço.
Hoje eu a levei para a cama, conversei com ela, ela contou uma história da Bíblia (Noé), eu contei uma história da Bíblia (Jonas), oramos, agradecendo a Deus pela nossa família, e então eu saí. Fui para a sala com a Cris um pouco. Fui para a cozinha e, de repente, surge a Letícia dizendo:
- "Você sabe quais são as 3 coisas mais difíceis do mundo?".
- "Eu não", respondi, curioso.
Ela respondeu, incisiva:
- "Subir uma montanha, passear com animais selvagens e... dormir!".
A 01h30m da madrugada, a gente não sabe se ri ou se chora!
- "Vai deitar que o papai já vai prá lá...".
Pois é, se me dão licença, lá vou eu. Vim escrever esta história agora para não perder nenhum detalhe!
Um grande abraço.
domingo, 18 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Tiradas da Letícia IV - o novo cheiro!
Estávamos no carro, da igreja para casa, na terça feira a noite, depois da Escola de Líderes. A Letícia, então, afirma:
- "Estou sentindo 'cheiro de precisamos chegar em casa agora´".
- "Que cheiro maluco é esse, Letícia?" - perguntamos eu e a Cris.
- "Oras, vocês vivem dizendo que estão sentindo ´cheiro de sapequice´, quando não estão sentindo cheiro nenhum! Então inventei este cheiro, o 'cheiro de precisamos chegar em casa agora´!" - respondeu a menina de olfatos e argumentos aguçados.
Todos riram, menos o Miguel, que não pode sentar na cadeirinha do carro que já está dormindo!
- "Estou sentindo 'cheiro de precisamos chegar em casa agora´".
- "Que cheiro maluco é esse, Letícia?" - perguntamos eu e a Cris.
- "Oras, vocês vivem dizendo que estão sentindo ´cheiro de sapequice´, quando não estão sentindo cheiro nenhum! Então inventei este cheiro, o 'cheiro de precisamos chegar em casa agora´!" - respondeu a menina de olfatos e argumentos aguçados.
Todos riram, menos o Miguel, que não pode sentar na cadeirinha do carro que já está dormindo!
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Tiradas da Letícia III - os bombons
Depois do leite com chocolate e pão com manteiga, a Letícia fez um pedido singelo:
- "Me dá um bombom?".
Percebendo que foi fácil demais, ela pensou um pouco melhor e pediu novamente:
- "Me dá um ou dois bombons... e no máximo ONZE?".
... No máximo onze!
- "Me dá um bombom?".
Percebendo que foi fácil demais, ela pensou um pouco melhor e pediu novamente:
- "Me dá um ou dois bombons... e no máximo ONZE?".
... No máximo onze!
segunda-feira, 5 de maio de 2014
O que é aquilo?
Sobre pais e filhos...
O pai até parece um pouco o meu amigo Carlos Klein!
Ando meio emocional...
O pai até parece um pouco o meu amigo Carlos Klein!
Ando meio emocional...
Você reconheceria seus familiares na rua?
Você reconheceria a Jesus Cristo na rua?
Eu reconheceria a Jesus Cristo na rua?
(Mateus 25.40)
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Feliz descanso do dia do trabalho!
É justo não trabalhar no dia do trabalho? É sim! A primeira coisa que a Bíblia narra que aconteceu depois da primeira jornada de trabalho foi o descanso (Gn 2.1-2). A coroação do trabalho é o descanso. O descanso não significa "fazer nada", mas se dedicar aquilo que é importante e que tem prá nós significado (Deus, família, amigos). Feliz descanso do dia do trabalho!
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Deus não é um homem branco...
Em tempos de trocloditas e bananas, é sempre bom lembrar que Deus não é um homem branco.
Indicação dos amigos Lincoln Pinesso e Isis.
Indicação dos amigos Lincoln Pinesso e Isis.
sábado, 19 de abril de 2014
O segundo dia do início da minha vida
Dizem que a vida começa aos 40. Sendo assim, hoje para mim é um dia muito especial, entre outros, pelos seguintes motivos:
a) Hoje celebramos a Páscoa, a celebração da vitória da vida sobre a morte, através da cruz e da ressurreição de Jesus Cristo, nosso Senhor;
b) Hoje é o segundo dia do início da minha vida!
a) Hoje celebramos a Páscoa, a celebração da vitória da vida sobre a morte, através da cruz e da ressurreição de Jesus Cristo, nosso Senhor;
b) Hoje é o segundo dia do início da minha vida!
sexta-feira, 18 de abril de 2014
As 7 palavras da cruz
A Páscoa é o coroamento da semana da Paixão, fundamento do Evangelho: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Corintios 15.3-4).
Antes de morrer pelos nossos pecados e ressuscitar para a nossa salvação, Cristo, na cruz do Calvário, pronunciou sete palavras, ou frases, que expressam de maneira maravilhosa quem é Ele e qual a missão para a qual Deus Pai o enviou ao mundo (João 3.17). Vamos agora meditar sobre as sete palavras da cruz.
INTRODUÇÃO
As autoridades religiosas tramaram contra Jesus, incitando a multidão a pedir a sua crucificação. A multidão clamou: “Crucifica-o, crucifica-o”. Pressionaram também Poncio Pilatos, que ao invés de agir de acordo com a justiça, cedeu a pressão das massas (opinião pública) – ver Mc 15.6-15. E alguns ainda dizem que “a voz do povo é a voz de Deus!”. Jesus foi, então, condenado injustamente a morte de criminosos, morte de cruz, morte maldita segundo a Lei de Deus (Deuteronômio 21.23). Paulo nos ensina que “Cristo nos remiu da maldição da Lei tornando-se maldição por nós”. (Gálatas 3.13).
Ao contrário do que vemos em quadros ou esculturas, na época do Novo Testamento os crucificados eram presos nus no madeiro. Além de todo o sofrimento físico, havia a dor da vergonha, além da dor da opressão e da violência que ferem o coração. Jesus, na cruz, sofreu com toda a intensidade de todas as maneiras imagináveis.
A cruz tem um duplo aspecto: humano e divino. No aspecto humano, foi a maior tragédia de injustiça que já aconteceu, pois o único ser humano que jamais pecou (Hebreus 4.15) foi condenado a morte de cruz. Nunca houve e nunca jamais haverá injustiça tão grande sobre a terra! A cruz é o testemunho claro de que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). A cruz é um espetáculo horrendo da nossa injustiça e pecado! No aspecto divino, no entanto, a cruz revela o amor e a soberania de Deus. Deus é tão poderoso e tão maravilhoso que Ele é capaz de canalizar mesmo os atos de injustiça e maldade das pessoas para que os seus planos de paz, bem e salvação sejam realizados. Assim como o ser humano consegue canalizar o leito de um rio para que corra numa nova direção, a fim de que algum plano seja realizado, Deus canalizou o pecado e a maldade das pessoas contra o Seu Filho para que fosse comprido o seu desígnio de amor, misericórdia, graça e perdão! Sendo assim, no aspecto divino, a cruz é a maior manifestação de amor que já existiu, na qual “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8). É claro que Deus é bom, não se alegra com o mal e não pode ser responsabilizado pelo mal. No entanto, Ele é poderoso para canalizar o mal para que os seus desígnios de salvação sejam realizados.
A cruz aponta para a Trindade:
"O Pai deixa o Filho imolar-se através do Espírito. O Pai é o amor, que crucifica; o Filho é o amor crucificado; o Espírito é a força invencível da cruz. A cruz está colocada no meio da Trindade" (1)
Feitas estas considerações iniciais, vamos agora meditar sobre as sete palavras que Jesus disse, pregado na cruz!
PRIMEIRA PALAVRA:
"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23.34).
A primeira palavra é a palavra do perdão. Jesus clamou ao Pai por aqueles que fizeram o mal contra ele mesmo: as autoridades judaicas, que manipularam a multidão e pressionaram Poncio Pilatos para que o condenasse; as multidões, que num momento clamaram “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” (Mateus 21.9), estavam clamando logo depois “Crucifica-o” (Marcos 15.14); os discípulos, que o abandonaram quando foi preso e, depois, o “seguiram de longe” (Lucas 23.49).
A Páscoa nos lembra que Cristo veio para nos trazer perdão; por isso, devemos perdoar aqueles que nos fizeram mal. Enquanto não perdoamos, ficamos acorrentados com a pessoa que nos ofendeu. Quando perdoamos, somos libertados para cultivar uma nova relação, uma nova ligação: laços de amor, de comunhão!
Páscoa é perdão!
SEGUNDA PALAVRA:
"Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso" (Lucas 23.43).
Curiosamente estas palavras foram ditas a um “malfeitor” crucificado. As palavras deste malfeitor arrependido são impressionantes: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino” (Lucas 23.42). Nesta simples frase o malfeitor expressa uma profunda fé em Jesus. Vejamos:
a) “lembra-te de mim”. Ele confiou em Jesus, em sua misericórdia, em sua missão de salvador.
b) “quando vieres”. Jesus estava crucificado e haveria de morrer em poucos instantes! E o malfeitor creu que Jesus haveria de vir novamente! É uma afirmação impressionante de que Jesus haveria de ressuscitar e voltaria para o seu povo!
c) “no teu reino”. Jesus é o Cristo, o Messias, ou seja, o rei prometido da descendência de Davi (Mateus 1.1), que haveria de trazer salvação para Israel. O malfeitor expressa, portanto, a fé de que Jesus é o Messias prometido para trazer salvação; é o Salvador!
A este malfeitor, que demonstra arrependimento e fé em Jesus Cristo, que confia a Cristo a sua vida, Jesus diz estas palavras tão lindas e tão benditas: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23.43). É salvação pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo Jesus! (Efésios 2.8-10).
A Páscoa nos lembra que Jesus não veio condenar o pecador, mas trazer perdão, nova vida, enfim, salvação! “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3.17). A Páscoa é tempo de esperança para o pecador que se arrepende dos seus pecados e se entrega ao único Senhor e Salvador, Jesus Cristo!
Páscoa é boa nova aos quebrados e arrependidos!
TERCEIRA PALAVRA:
"Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa" (João 19.26-27).
Diante de tanta dor e sofrimento, Jesus continuou cuidando das pessoas! Se importou com a sua mãe, Maria, que era viúva e não tinha na época condições de viver dignamente sozinha. Vivemos uma sociedade que incentiva o egoísmo, o consumismo, o hedonismo. Precisamos aprender com Jesus a olhar para o próximo, mesmo nos momentos em que nós mesmos estamos sofrendo. Sofrimento não é desculpa para parar de amar e de agir em favor do outro! Precisamos aprender com Jesus a olhar para a família, que tem sido tão atacada pela violência e pela infidelidade dentro da própria família!
A Páscoa nos lembra que é tempo de amar, de ajudarmos uns aos outros, mesmo em meio a dor e ao sofrimento próprio. É tempo de ajudar inclusive quem não tem mais condição de nos ajudar no nosso sofrimento! É tempo graça! É tempo de misericórda! É tempo de amor!
Páscoa é tempo de solidariedade!
QUARTA PALAVRA:
"Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mateus 27.46 e Marcos 15.34).
Alguns ficam escandalizados quando ouvem estas palavras de Jesus. Mas estas palavras são maravilhosas! Elas expressam, ao mesmo tempo, a dor e a esperança de Jesus! Expressam a dor porque, na cruz, Jesus tomou sobre si toda forma de sofrimento humano, inclusive o sentimento de ser abandonado por Deus. Quantas vezes clamamos e parece que Deus não ouve a nossa oração? No entanto, estas palavras expressam também a confiança de Jesus no Pai, pois são uma citação de um salmo muito interessante da Bíblia, o Salmo 22, que diz o seguinte:
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido? Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego. Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel. Nossos pais confiaram em ti; confiaram, e os livraste. A ti clamaram e se livraram; confiaram em ti e não foram confundidos” (Salmo 22.1-5).
Já nos primeiros versos, fica claro que o salmista está passando por um momento muito difícil da vida, em que “parece” que Deus não está ouvindo a oração. No entanto, o salmista deixa claro que Deus é Rei, é Santo, e é digno de confiança, pois salvou o seu povo no passado e certamente não mudou! Isso fica ainda mais claro no decorrer do salmo até o seu fim, no qual o salmista declara a sua confiança no Senhor. O Salmo termina falando do reinado de Deus sobre as gerações que virão!
A Páscoa é tempo de lembrar que, apesar de toda a dor e sofrimento que possamos passar, apesar dos momentos em que “parece” que Deus está distante e não nos ouve e nem age, cremos que Deus está presente e continua agindo em nosso favor, assim como aconteceu com o povo de Deus no passado.
A Páscoa é tempo de esperança, mesmo em meio a dor e ao sofrimento; é tempo da solidariedade de Deus em meio ao nosso sofrimento!
QUINTA PALAVRA:
"Tenho sede". (João 19.28)
Quando eu era garoto eu gostava muito de uma música que dizia o seguinte: “Você tem sede de que? Você tem fome de que?” (“Comida”, de Arnaldo Antunes/Sérgio Brito/Marcelo Fromer).
Jesus disse o seguinte a mulher samaritana: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4.13-14). Jesus, a água da vida, aquele que é poderoso para saciar a nossa sede, padeceu necessidade por amor de nós. Nós não fomos capazes de saciar a sua sede, mas Ele é poderoso para saciar a nossa sede. Ele sofreu sede por nós, para que pudéssemos ser saciados, assim como provou por nós a morte, para que pudéssemos viver a sua vida.
Páscoa não é chocolate, não é coelho, não é presente. A Páscoa não é carro, não é casa nova, não é iate, não é TV, notebook, ipad... O mercado procura nos iludir com o seu show de marketing, prometendo mas não entregando saciedade. Só na graça de Deus encontramos verdadeira satisfação, verdadeira saciedade. É só em Cristo que podemos matar a nossa fome e matar a nossa sede.
A Páscoa é tempo de refletir sobre a ilusão do consumismo, pois somente em Cristo podemos saciar a nossa fome e a nossa sede no coração!
SEXTA PALAVRA:
"Está consumado!" (João 19.30)
A salvação é uma obra de Deus, uma realização divina, e não humana. Na cruz Jesus foi, ao mesmo tempo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e o sumo sacerdote da nossa confissão, que entrega o cordeiro em sacrifício. Jesus realizou um único e suficiente sacrifício pelo pecado, não pelo derramamento do sangue de touros e bodes, mas pelo derramamento do próprio sangue. E, na cruz, Jesus afirma: “está consumado”. Na cruz Jesus consumou o sacrifício de justiça pelos nossos pecados. Ora, “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés”(Hb 10.12-13).
A Páscoa é tempo de segurança na graça de Deus, pois o sacrifício pelos pecados, único e suficiente, já foi realizado por Cristo.
SÉTIMA PALAVRA:
"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!". (Lucas 23.46)
A última palavra de Cristo na cruz é uma palavra de fé, de entrega, de confiança. O Filho de Deus confiou no Pai, e se fez homem segundo a Sua Vontade. Então “o Verbo se fez carne e habitou entre nós...”. Jesus, durante toda a sua vida, apesar de todas as lutas, sofrimentos e perseguições, se manteve fiel ao Pai, mesmo em face da própria morte. Assim, do início ao fim, Jesus nos dá um exemplo de fé, de confiança em Deus Pai.
A segurança de Cristo diante da morte deve ser também a nossa própria segurança, pois “Cristo é as primícias dos que dormem”, o que significa que depois dele muitos outros ressuscitarão dentre os mortos. Quem dará a última palavra sobre o povo de Deus não é a morte, mas é o próprio Deus! Sendo Deus digno de nossa fé, de nossa entrega, de nossa esperança, nossa atitude diante de todas as coisas, inclusive da morte, será de entrega a Deus!
A Páscoa é tempo de lembrar que Deus é digno da nossa confiança e que devemos confiar em Deus.
_______________________________________________________________________________
(1) MOLTMANN, Jürgen. Trindade e Reino de Deus. São Paulo: Loyola, p. 95.
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Qual a diferença entre a Bíblia Protestante (ou Evangélica) e a Bíblia Católica Romana?
Cânon da Bíblia (ou lista de livros sagrados)
A Bíblia foi escrita em hebraico no Antigo Testamento, com alguns versículos em aramaico (língua parecida com o hebraico, assim como o português e o espanhol), e em grego no Novo Testamento.
O Novo Testamento de Protestantes e Católicos Romanos tem os mesmos 27 livros.
Há uma pequena diferença no Antigo Testamento entre Protestantes e Católicos Romanos.
a) Antigo Testamento Protestante ou Evangélico.
Na antiquidade, os judeus reconheceram que a Bíblia corresponde a Bíblia Hebraica (BH), dividida em três partes: Lei, Profetas e Escritos (ver Lc 24.44 - "Salmos" é o primeiro livro dos Escritos). Daí o acrônimo (palavra formada pelas letras ou sílabas iniciais de outras palavras) Tanak, derivada de Torá (Lei), Neviim (Profetas) e Ketuvim (Escritos).
A Lei de Moisés, ou Torá, é também chamada de Pentateuco ("cinco rolos/livros"), e é formada por Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
Na Bíblia Hebraica, os Profetas são divididos em dois grupos: Profetas Anteriores e Profetas Posteriores.
Profetas Anteriores: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis.
Profetas Posteriores: São divididos em profetas maiores e menores (quanto ao tamanho do livro).
Os 3 profetas maiores - Isaías, Jeremias, Ezequiel;
Os 12 profetas menores - Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
Os Escritos correspondem aos seguintes livros: Salmos, Provérbios, Jó, Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras-Neemias, 1 e 2 Crônicas.
O Antigo Testamento protestante corresponde a Bíblia Hebraica, mas distribuído não em Lei, Profetas e Escritos, mas em Lei, Históricos, Poéticos e Sapienciais e Profetas. Esta divisão foi herdada da Septuaginta, que veremos abaixo.
b) Antigo Testamento Católico Romano.
Com as conquistas de Alexandre, o Grande, o "mundo da Bíblia" é submetido aos gregos, que impoem a língua, a cultura e os valores gregos aos povos dominados (o chamado "helenismo"). Neste contexto, em que muitos judeus espalhados pelo império não compreendiam a língua hebraica, judeus da cidade de Alexandria, no Egito, traduziram a Bíblia Hebraica para a língua grega. Esta tradução recebeu o nome de Septuaginta, ou Setenta (LXX), em razão de uma lenda, segundo a qual 72 tradutores judeus (6 de cada tribo) fizeram, cada um por si mesmo, a tradução da Bíblia Hebraica, tendo chegado cada um a mesma tradução.
A Septuaginta, além de traduzir os livros da Bíblia Hebraica, incluiu novos livros e acréscimos de livros, a saber:
- Novos Livros: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (também chamado Sirácide ou Ben Sirá ) e Baruc (ou Baruque).
- Acréscimos a Livros: Acréscimos aos livros de Daniel e Ester, como segue:
Acréscimos a Daniel: Dn 3.24-90, "Cântico de Azarias na fornalha"; Dn 13.1-64, "Susana e o julgamento de Daniel"; Dn 14.1-42, "Bel e o Dragão".
Acréscimos a Ester: Et 3.13a-g, "Texto da Carta escrita por Hamã e aprovada por Assuero"; Et 4.17a-z, "Oração de Mardoqueu e oração de Ester"; Et 8.12a-v, "Decreto de Habilitação"; Et 10.3a-k, "Palavras de Mardoqueu". Esta numeração diferente dos versículos, incluindo letras, consta nas atuais edições críticas da Septuaginta (LXX), bem como na Bíblia de Jerusalém.
A Septuaginta (LXX) organizou os livros de forma diferente da Bíblia Hebraica. O conjunto de livros acrescentados a Septuaginta é normalmente chamado pelos protestantes de "apócrifos", e pelos Católicos Romanos de "deuterocanônicos". Aqui, vamos chamá-los de deuterocanônicos.
Convém lembrar que os Deuterocanônicos só foram mesmo reconhecidos pela Igreja Católica Romana no Concílio de Trento (a partir de 1545), portanto depois da Reforma Protestante. Aliás, é por isso que eles são chamados "deuterocanônicos", termo que significa "canônico de uma segunda época" - referência ao Concílio de Trento.
c) Informações Complementares.
Quando Jerônimo traduziu a Bíblia para o latim (tradução chamada Vulgata), ele colocou os deuterocanônicos no final, por reconhecer que estes livros eram inferiores em relação aos livros da Biblia Hebraica. A Vulgata manteve a organização dos livros da Septuaginta. Lutero, na Reforma Protestante do Século XVI, quando traduziu a Bíblia para o alemão, também anexou os deuterocanônicos ao final da Bíblia, assim como Jerônimo. Segundo Lutero, os deuterocanônicos são "leitura edificante", e portanto poderiam ser lidos com proveitos pelos cristãos, mas, não sendo inspirados por Deus, não deveriam ser utilizados como fundamento de doutrina. Hoje, as Bíblias protestantes não apresentam os deuterocanônicos.
Quando um católico romano lê uma Bíblia protestante, ele não vai encontrar sequer um versículo que esteja fora de sua Bíblia. Um protestante pode ler uma Bíblia católica romana com tranquilidade, pois os deuterocanônicos são, nas palavras de Lutero, "leitura edificante". Além disso os deuterocanônicos são uma fonte importante de conhecimento da cultura e religião judaica do período, além de representantes importantes da literatura judaica próxima do Novo Testamento.
RESUMINDO.
Novo Testamento: É o mesmo para Protestantes e Católicos Romanos, formado por 27 livros.
Antigo Testamento. O AT protestante corresponde a Bíblia Hebraica, formado por 39 livros.
O AT católico romano corresponde a Septuaginta ou a Vulgata, sendo formado por 46 livros, em razão da inclusão dos sete deuterocanônicos do AT, além dos acréscimos de novos capítulos aos livros de Daniel e Ester.
Assim, a Bíblia é formada por 66 livros para os protestantes e por 73 livros para os católicos romanos.
CONCLUSÃO. Seja uma Bíblia Protestante ou uma Bíblia Católico Romana, o importante é ler a Bíblia e, assim, cultivar o amor a Deus, aos seres humanos e a criação de Deus. A Bíblia é palavra inspirada de Deus para a humanidade e é testemunha de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Por isso, "ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!" (Rm 16.27).
CONCLUSÃO. Seja uma Bíblia Protestante ou uma Bíblia Católico Romana, o importante é ler a Bíblia e, assim, cultivar o amor a Deus, aos seres humanos e a criação de Deus. A Bíblia é palavra inspirada de Deus para a humanidade e é testemunha de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Por isso, "ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!" (Rm 16.27).
terça-feira, 15 de abril de 2014
Como baixar vídeos do Youtube sem instalar novos programas?
Fácil, simples e rápido! Assista este vídeo e aprenda. Muito bom! Encontrei e gostaria de compartilhar com vocês. Testei e funciona.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Tiradas da Letícia II - os súditos
Ontem a Letícia soltou a sua mais nova pérola! Eu e a Cris estávamos conversando, enquanto a Letícia e o Miguel estavam quietinhos, no carro (um momento de raro prazer). De repente, do nada, a Letícia diz o seguinte:
- "Eu queria ter súditos".
- "O que?", perguntamos eu e a Cris, sem saber exatamente se havíamos entendido o que ela disse.
- "Eu queria ter súditos", respondeu novamente a humilde menininha.
- "Para que você quer ter súditos, Letícia?", perguntei.
- "Para não ter que sair do lugar", respondeu ela, deixando claro que, sim, nós havíamos entendido direito desde o início!
Eu e a Cris rimos. Então, ela disse:
- "Não é uma piada. Eu falei sério!".
- "Eu queria ter súditos".
- "O que?", perguntamos eu e a Cris, sem saber exatamente se havíamos entendido o que ela disse.
- "Eu queria ter súditos", respondeu novamente a humilde menininha.
- "Para que você quer ter súditos, Letícia?", perguntei.
- "Para não ter que sair do lugar", respondeu ela, deixando claro que, sim, nós havíamos entendido direito desde o início!
Eu e a Cris rimos. Então, ela disse:
- "Não é uma piada. Eu falei sério!".
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Passeando pela Bíblia - Gênesis a 1Samuel 10
Você está começando a ler a Bíblia, mas está achando muito difícil? Não consegue entender a narrativa? Quer uma ajuda? Então vamos dar um passeio rápido pela Bíblia, ou ainda, um passeio rápido pela narrativa bíblica. Este passeio não será suficiente para que você conheça as árvores, mas te ajudará a conhecer a floresta. Você está pronto? Então vamos lá...
Origens: Criação, Queda, Dilúvio, Babel (Gênesis 1-11)
No princípio, era Deus, em sua comunhão plena e perfeita consigo mesmo: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Mas Deus é amor, e por isso Ele resolveu criar algo que não fosse Ele mesmo, para amar. Então Ele criou o universo, na palma de sua mão. E, no universo, criou o ser humano a sua imagem e semelhança.
Deus se alegrava com o ser humano, na comunhão, na companhia, no diálogo... e estabeleceu com o homem e a mulher uma relação de liberdade e responsabilidade: "E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2.16-17). Ao invés de ouvir a Palavra do Deus de amor, deu ouvidos a palavra mentirosa da serpente, o que bagunçou a relação do ser humano com Deus, consigo mesmo, com o próximo e com o restante da criação. Deus julga a todos com justiça e expulsa o ser humano do jardim, mas, antes, prepara para eles uma roupa adequada para cobrir a nudez, demonstrando seu cuidado e amor, mesmo depois do pecado! Expulsos do jardim, Adão e Eva tem filhos, mas o pecado continua afetando as relações humanas: Caim mata Abel e foge. A população cresce junto com a injustiça. Deus resolve enviar o juízo através do Dilúvio, mas envia a Noé, seu mensageiro, para anunciar a necessidade de arrependimento e a preservação da vida, pela fé e a obediência na Palavra de Deus. Mas a maioria das pessoas não dão crédito a Palavra de Deus, não entram na arca que Deus ordenou Noé a construir, mas entram apenas 8 pessoas: Noé, seus filhos Sem, Cam e Jafé, e as suas mulheres. Depois do dilúvio, Deus faz uma aliança de preservação da vida, cujo sinal é o arcoiris. Mas a população continua a crescer, junto com a injustiça e os projetos de orgulho e vaidade, como a torre de Babel. Deus então espalha os homens, confundindo a sua linguagem.
Os Patriarcas (Gênesis 12-50)
Mas Deus chama um homem, para firmar com ele uma aliança, prometendo uma terra e uma descendência. Deus promete também que todas as famílias da terra seriam abençoadas nele. Abrão peregrina na terra de Canaã, que o SENHOR prometera para a sua descendência. Apesar da idade avançada de Abrão e de sua mulher, Deus dá a eles um filho, chamado Isaque, logo depois que muda os seus nomes para Abraão e Sara. Abraão amou mais a Deus que ao seu próprio filho, e obedeceu a Deus cegamente, pois cria que Ele cumpriria a Sua Palavra. Isaque cresceu e se casou com Rebeca, com quem teve dois filhos, Esaú e Jacó. O mais novo engana o pai e o irmão mais velho, e por isso foge do irmão. Casa-se com duas irmãs, Raquel e Lia, e tem com elas e suas concubinas 12 filhos. Um deles, José, foi vendido pelos seus irmãos como escravo para mercadores, que o venderam para o Egito, onde se torna servo de um homem chamado Potifar. Após se tornar o braço direito de seu senhor, a mulher de Potifar tenta seduzi-lo, mas ele foge dela e é acusado de tentativa de estupro. No cárcere, se torna o braço direito do carcereiro e interpreta corretamente o sonho de dois servos do faraó, sendo que um morre e o outro volta a servir seu rei. Diante de um sonho do faraó que ninguém consegue interpretar, José é chamado a sua presença e interpreta o sonho, vindo depois a ser promovido pelo próprio faraó como governador de todo o Egito. Nos 7 anos de fartura (vacas gordas), o Egito acumulou comida para os 7 anos de miséria (vacas magras). Jacó envia seus filhos para comprar comida no Egito, quando José encontra seus irmãos, manda chamar o seu pai Jacó, e toda a família tem a vida preservada pela providência divina, pois Deus, em sua soberania, é capaz de cumprir seus desígnios mesmo diante da injustiça e maldade das pessoas. Depois que aquela geração morre, é levantado um faraó que passa a oprimir os descendentes dos patriarcas, os hebreus. Esta é a origem da família dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó.
O Êxodo (Êxodo ao Deuteronômio)
Depois de 400 anos de escravidão, Deus levanta um homem chamado Moisés, um hebreu que escapou da morte sendo adotado ainda bebê pela filha do faraó, que o encontrou em um cesto no rio Nilo, acompanhado pela sua irmã Mirian, que atendeu a ordem da filha do faraó para encontrar uma ama de leite para o menino - a própria mãe hebreia. Até os 40 anos, criado no palácio, Moisés pensava que "tudo podia", até que matou um egípcio que maltratava um hebreu e foi descoberto. Dos 40 aos 80 anos, passou a achar que "nada podia", tendo fugido para o deserto, onde se casou com a filha de um sacerdote de Midiã chamado Jetro ou Reuel. Quando tinha 80 anos, viu uma sarça pegando fogo, sem ser consumida pelas chamas. O SENHOR Deus, então, se revela a Ele e o chama para libertar Seu povo da escravidão no Egito, junto com seu irmão Arão. Moisés começa a aprender que "Deus pode". O faraó resiste, mesmo diante de 9 pragas enviadas ao Egito da parte de Deus. Então Deus ordena a celebração da Páscoa, em que o cordeiro pascal era comido e seu sangue aspergido nas umbreiras da porta dos hebreus, para que o anjo da morte não os visitasse na 10a praga, a da morte dos primogênitos, após a qual o faraó ordena a saída dos hebreus do Egito. Faraó muda de ideia e envia seus soldados contra os hebreus. Moisés e os hebreus, entre o mar, as montanhas e os soldados do faraó, atravessam o mar, aberto pelo poder de Deus diante de Moisés, que levanta o seu cajado. Mas as águas se fecham sobre os soldados do faraó, que padecem no mar.
Moisés conduz o povo ao Sinai, onde recebe a Lei de Deus. Apesar da idolatria, da murmuração e da falta de fé do povo, Moisés conduz o povo a obediência a Lei de Deus, estabelecendo o sacerdócio levítico, construindo o tabernáculo e a arca da aliança, que foi colocada no Santo dos Santos, a parte mais interior do tabernáculo. Na inauguração do tabernáculo, a glória de Deus (Shekhiná) se revela na nuvem e na coluna de fogo, que orientavam os hebreus na caminhada pelo deserto, em direção a terra prometida, a terra de Canaã, onde peregrinaram os patriarcas. Prosseguindo em direção a terra da promessa, Moisés envia 12 espias para conhecer a terra, mas apenas 2 deles, Josué e Calebe, procuram animar o povo a entrar na terra prometida, conforme a promessa do SENHOR, enquanto os 10 demais falam apenas no tamanho dos gigantes e das dificuldades. O povo dá ouvidos as palavras dos 10 espias, e não a Palavra de Deus testemunhada por Josué e Calebe. Por isso, toda aquela geração peregrina 40 anos no deserto, morrendo todos no deserto, com exceção de Josué, Calebe e os descendentes daquela geração incrédula. As portas da terra prometida, morrem Arão, sumo sacerdote e irmão de Moisés, e o próprio Moisés, nas campinas de Moabe. Antes de morrer, Moisés relembra no Deuteronômio os mandamentos do SENHOR. Esta é a origem da nação de Israel.
A Confederação das Tribos - Conquista, distribuição e vida na terra da promessa (Josué a 1Samuel 10).
Josué, servo de Moisés, conduz o povo na conquista da terra de Canaã. Mas algumas regiões não são conquistadas, o que levou as 12 tribos conviverem ainda em Canaã com seus inimigos. Após a divisão da terra entre as tribos, Josué leva o povo a uma renovação da aliança com o SENHOR, morrendo depois disso na sua própria terra.
Uma vez estabelecidos na terra, o povo continua a demonstrar a sua dureza de coração. Após um período de paz, o povo desviava o seu coração do SENHOR e caía na idolatria e na sua filha predileta, a injustiça. O SENHOR, então, desviava os olhos de Israel, e seus inimigos triunfavam e o oprimiam. Em aperto, o povo clamava ao SENHOR, que enviava um juiz, que libertava o povo da opressão do inimigo. Mas, morrendo o juiz, o povo caia na idolatria e na injustiça. O SENHOR, então, desviava os olhos de Israel, e seus inimigos triunfavam e o oprimiam. Em aperto, o povo clamava ao SENHOR, que enviava um juiz, que libertava o povo da opressão do inimigo...
Um dos juízes foi Sansão, cuja força não estava no cabelo, mas em sua consagração a Deus: ele era nazireu, havia quebrado os dois primeiros votos (não comer uva ou beber vinho e não tocar em coisa imunda), mas ainda restava o terceiro, a saber, não cortar o cabelo. Quando seu cabelo foi cortado, o terceiro voto foi quebrado, e a sua força, que estava na sua consagração, se esvaiu. Mas ele orou ao SENHOR, que renovou as suas forças, podendo derrubar as colunas que sustentavam o templo do falso deus, no qual estavam os seus inimigos filisteus. Neste período viveu Rute, uma estrangeira que decidiu continuar com sua sogra Noemi, mesmo diante da morte dos maridos de ambas. Voltando a Israel, casou-se com Boaz, vindo a ser ancestral do rei Davi e de Jesus Cristo. O último juiz foi Samuel, que ungiu os dois primeiros reis de Israel, Samuel e Davi. Mas este já é outro passeio...
(Em breve, postaremos a continuação, se Deus quiser...)
Origens: Criação, Queda, Dilúvio, Babel (Gênesis 1-11)
No princípio, era Deus, em sua comunhão plena e perfeita consigo mesmo: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Mas Deus é amor, e por isso Ele resolveu criar algo que não fosse Ele mesmo, para amar. Então Ele criou o universo, na palma de sua mão. E, no universo, criou o ser humano a sua imagem e semelhança.
Deus se alegrava com o ser humano, na comunhão, na companhia, no diálogo... e estabeleceu com o homem e a mulher uma relação de liberdade e responsabilidade: "E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2.16-17). Ao invés de ouvir a Palavra do Deus de amor, deu ouvidos a palavra mentirosa da serpente, o que bagunçou a relação do ser humano com Deus, consigo mesmo, com o próximo e com o restante da criação. Deus julga a todos com justiça e expulsa o ser humano do jardim, mas, antes, prepara para eles uma roupa adequada para cobrir a nudez, demonstrando seu cuidado e amor, mesmo depois do pecado! Expulsos do jardim, Adão e Eva tem filhos, mas o pecado continua afetando as relações humanas: Caim mata Abel e foge. A população cresce junto com a injustiça. Deus resolve enviar o juízo através do Dilúvio, mas envia a Noé, seu mensageiro, para anunciar a necessidade de arrependimento e a preservação da vida, pela fé e a obediência na Palavra de Deus. Mas a maioria das pessoas não dão crédito a Palavra de Deus, não entram na arca que Deus ordenou Noé a construir, mas entram apenas 8 pessoas: Noé, seus filhos Sem, Cam e Jafé, e as suas mulheres. Depois do dilúvio, Deus faz uma aliança de preservação da vida, cujo sinal é o arcoiris. Mas a população continua a crescer, junto com a injustiça e os projetos de orgulho e vaidade, como a torre de Babel. Deus então espalha os homens, confundindo a sua linguagem.
Os Patriarcas (Gênesis 12-50)
Mas Deus chama um homem, para firmar com ele uma aliança, prometendo uma terra e uma descendência. Deus promete também que todas as famílias da terra seriam abençoadas nele. Abrão peregrina na terra de Canaã, que o SENHOR prometera para a sua descendência. Apesar da idade avançada de Abrão e de sua mulher, Deus dá a eles um filho, chamado Isaque, logo depois que muda os seus nomes para Abraão e Sara. Abraão amou mais a Deus que ao seu próprio filho, e obedeceu a Deus cegamente, pois cria que Ele cumpriria a Sua Palavra. Isaque cresceu e se casou com Rebeca, com quem teve dois filhos, Esaú e Jacó. O mais novo engana o pai e o irmão mais velho, e por isso foge do irmão. Casa-se com duas irmãs, Raquel e Lia, e tem com elas e suas concubinas 12 filhos. Um deles, José, foi vendido pelos seus irmãos como escravo para mercadores, que o venderam para o Egito, onde se torna servo de um homem chamado Potifar. Após se tornar o braço direito de seu senhor, a mulher de Potifar tenta seduzi-lo, mas ele foge dela e é acusado de tentativa de estupro. No cárcere, se torna o braço direito do carcereiro e interpreta corretamente o sonho de dois servos do faraó, sendo que um morre e o outro volta a servir seu rei. Diante de um sonho do faraó que ninguém consegue interpretar, José é chamado a sua presença e interpreta o sonho, vindo depois a ser promovido pelo próprio faraó como governador de todo o Egito. Nos 7 anos de fartura (vacas gordas), o Egito acumulou comida para os 7 anos de miséria (vacas magras). Jacó envia seus filhos para comprar comida no Egito, quando José encontra seus irmãos, manda chamar o seu pai Jacó, e toda a família tem a vida preservada pela providência divina, pois Deus, em sua soberania, é capaz de cumprir seus desígnios mesmo diante da injustiça e maldade das pessoas. Depois que aquela geração morre, é levantado um faraó que passa a oprimir os descendentes dos patriarcas, os hebreus. Esta é a origem da família dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó.
O Êxodo (Êxodo ao Deuteronômio)
Depois de 400 anos de escravidão, Deus levanta um homem chamado Moisés, um hebreu que escapou da morte sendo adotado ainda bebê pela filha do faraó, que o encontrou em um cesto no rio Nilo, acompanhado pela sua irmã Mirian, que atendeu a ordem da filha do faraó para encontrar uma ama de leite para o menino - a própria mãe hebreia. Até os 40 anos, criado no palácio, Moisés pensava que "tudo podia", até que matou um egípcio que maltratava um hebreu e foi descoberto. Dos 40 aos 80 anos, passou a achar que "nada podia", tendo fugido para o deserto, onde se casou com a filha de um sacerdote de Midiã chamado Jetro ou Reuel. Quando tinha 80 anos, viu uma sarça pegando fogo, sem ser consumida pelas chamas. O SENHOR Deus, então, se revela a Ele e o chama para libertar Seu povo da escravidão no Egito, junto com seu irmão Arão. Moisés começa a aprender que "Deus pode". O faraó resiste, mesmo diante de 9 pragas enviadas ao Egito da parte de Deus. Então Deus ordena a celebração da Páscoa, em que o cordeiro pascal era comido e seu sangue aspergido nas umbreiras da porta dos hebreus, para que o anjo da morte não os visitasse na 10a praga, a da morte dos primogênitos, após a qual o faraó ordena a saída dos hebreus do Egito. Faraó muda de ideia e envia seus soldados contra os hebreus. Moisés e os hebreus, entre o mar, as montanhas e os soldados do faraó, atravessam o mar, aberto pelo poder de Deus diante de Moisés, que levanta o seu cajado. Mas as águas se fecham sobre os soldados do faraó, que padecem no mar.
Moisés conduz o povo ao Sinai, onde recebe a Lei de Deus. Apesar da idolatria, da murmuração e da falta de fé do povo, Moisés conduz o povo a obediência a Lei de Deus, estabelecendo o sacerdócio levítico, construindo o tabernáculo e a arca da aliança, que foi colocada no Santo dos Santos, a parte mais interior do tabernáculo. Na inauguração do tabernáculo, a glória de Deus (Shekhiná) se revela na nuvem e na coluna de fogo, que orientavam os hebreus na caminhada pelo deserto, em direção a terra prometida, a terra de Canaã, onde peregrinaram os patriarcas. Prosseguindo em direção a terra da promessa, Moisés envia 12 espias para conhecer a terra, mas apenas 2 deles, Josué e Calebe, procuram animar o povo a entrar na terra prometida, conforme a promessa do SENHOR, enquanto os 10 demais falam apenas no tamanho dos gigantes e das dificuldades. O povo dá ouvidos as palavras dos 10 espias, e não a Palavra de Deus testemunhada por Josué e Calebe. Por isso, toda aquela geração peregrina 40 anos no deserto, morrendo todos no deserto, com exceção de Josué, Calebe e os descendentes daquela geração incrédula. As portas da terra prometida, morrem Arão, sumo sacerdote e irmão de Moisés, e o próprio Moisés, nas campinas de Moabe. Antes de morrer, Moisés relembra no Deuteronômio os mandamentos do SENHOR. Esta é a origem da nação de Israel.
A Confederação das Tribos - Conquista, distribuição e vida na terra da promessa (Josué a 1Samuel 10).
Josué, servo de Moisés, conduz o povo na conquista da terra de Canaã. Mas algumas regiões não são conquistadas, o que levou as 12 tribos conviverem ainda em Canaã com seus inimigos. Após a divisão da terra entre as tribos, Josué leva o povo a uma renovação da aliança com o SENHOR, morrendo depois disso na sua própria terra.
Uma vez estabelecidos na terra, o povo continua a demonstrar a sua dureza de coração. Após um período de paz, o povo desviava o seu coração do SENHOR e caía na idolatria e na sua filha predileta, a injustiça. O SENHOR, então, desviava os olhos de Israel, e seus inimigos triunfavam e o oprimiam. Em aperto, o povo clamava ao SENHOR, que enviava um juiz, que libertava o povo da opressão do inimigo. Mas, morrendo o juiz, o povo caia na idolatria e na injustiça. O SENHOR, então, desviava os olhos de Israel, e seus inimigos triunfavam e o oprimiam. Em aperto, o povo clamava ao SENHOR, que enviava um juiz, que libertava o povo da opressão do inimigo...
Um dos juízes foi Sansão, cuja força não estava no cabelo, mas em sua consagração a Deus: ele era nazireu, havia quebrado os dois primeiros votos (não comer uva ou beber vinho e não tocar em coisa imunda), mas ainda restava o terceiro, a saber, não cortar o cabelo. Quando seu cabelo foi cortado, o terceiro voto foi quebrado, e a sua força, que estava na sua consagração, se esvaiu. Mas ele orou ao SENHOR, que renovou as suas forças, podendo derrubar as colunas que sustentavam o templo do falso deus, no qual estavam os seus inimigos filisteus. Neste período viveu Rute, uma estrangeira que decidiu continuar com sua sogra Noemi, mesmo diante da morte dos maridos de ambas. Voltando a Israel, casou-se com Boaz, vindo a ser ancestral do rei Davi e de Jesus Cristo. O último juiz foi Samuel, que ungiu os dois primeiros reis de Israel, Samuel e Davi. Mas este já é outro passeio...
(Em breve, postaremos a continuação, se Deus quiser...)
sábado, 5 de abril de 2014
A Estrutura do Pentateuco aponta para o Messias
Os cinco primeiros livros da Bíblia são chamados de vários nomes: Torá ("instrução"/"lei"), Lei de Moisés, Pentateuco (ou cinco rolos/livros), etc.
No hebraico, os nomes dos livros do Pentateuco são diferentes dos nomes em português:
Nome em Português Nome Hebraico Significado do nome hebraico
Gênesis "Bereshit" "No Princípio"
Êxodo "Shemot" "Nomes"
Levítico "Vaiicrá" "Ele Chama"
Números "Bemidbar" "No Deserto"
Deuteronômio "Devarim" "Palavras"
O Pentateuco narra a Criação, a Queda, ou origem do pecado humano, o Dilúvio e Babel (Gn 1-11).
A partir de Gênesis 12 até o final do livro, a narrativa trata dos Patriarcas (Abraão, Isaque, Jacó, José e seus onze irmãos).
De Êxodo ao Deuteronômio, temos o Êxodo e a peregrinação no deserto, até a morte de Moisés, as portas da terra prometida.
Assim,
Gênesis 1-11 (Criação, Queda, Dilúvio, Babel);
Gênesis 12-50 (Patriarcas);
Êxodo a Deuteronômio (Êxodo e peregrinação no deserto).
Do ponto de vista dos temas e dos lugares descritos nas narrativas, temos o seguinte esquema:
A Gênesis Criação e promessa da terra
B Êxodo Do Egito pelo deserto ao Sinai
C Levítico NO SINAI
B Números Do Sinai pelo deserto a Moab (à divisa da terra prometida)
A Deuteronômio Instruções para a vida na terra da promessa
Fica claro que o centro da estrutura acima aponta para o Levítico, conforme abaixo (1):
Vamos aprofundar um pouco mais a estrutura (1):
Em outras palavras, Gênesis se liga ao Deuteronômio sob o tema da terra da promessa: em Gênesis a terra é criada e prometida aos patriarcas e em Deuteronômio a descendência dos patriarcas recebe instruções para a vida na terra da promessa.
Êxodo se liga a Números, tanto pela natureza majoritariamente narrativa dos textos, quanto pelos temas que estruturam ambos os livros da mesma maneira, inclusive em relação as ameaças, além das seis notícias de partida em cada livro.
Levítico, o livro central, também tem um centro, definido a partir das extremidades do texto: Sacrifícios (1-7; 23.26-27); Sacerdotes (8-10;21-22); Leis sobre o cotidiano (11-15; 18-20), chegando ao centro do livro, ou seja, a Reconciliação do Yom Kippur (dia do perdão), no qual eram feitos os sacrifícios expiatórios. De forma surpreendente, no centro do Pentateuco está o sacrifício expiatório do dia do perdão! Por isso o profeta Jeremias vai afirmar que a Aliança entre o SENHOR e Israel foi quebrada por Israel, que não foi fiel em sua história, se desviando da ética da lei e da adoração exclusiva do SENHOR no Culto. Por isso, Jeremias vai afirmar uma NOVA ALIANÇA do SENHOR, em que o PERDÃO DOS PECADOS está no CENTRO da ALIANÇA:
"O Senhor Deus diz:
— Está chegando o tempo em que farei uma nova aliança com o povo de Israel e com o povo de Judá. Essa aliança não será como aquela que eu fiz com os antepassados deles no dia em que os peguei pela mão e os tirei da terra do Egito. Embora eu fosse o Deus deles, eles quebraram a minha aliança. Sou eu, o Senhor, quem está falando. Quando esse tempo chegar, farei com o povo de Israel esta aliança: eu porei a minha lei na mente deles e no coração deles a escreverei; eu serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Sou eu, o Senhor, quem está falando. Ninguém vai precisar ensinar o seu patrício nem o seu parente, dizendo: “Procure conhecer a Deus, o Senhor.” Porque todos me conhecerão, tanto as pessoas mais importantes como as mais humildes. Pois eu perdoarei os seus pecados e nunca mais lembrarei das suas maldades. Eu, o Senhor, estou falando" (Jr 31.31-34 - NTLH - grifo acrescentado).
Conforme ensina Hebreus:
"O Senhor Deus diz:
— Está chegando o tempo em que farei uma nova aliança com o povo de Israel e com o povo de Judá. Essa aliança não será como aquela que eu fiz com os antepassados deles no dia em que os peguei pela mão e os tirei da terra do Egito. Embora eu fosse o Deus deles, eles quebraram a minha aliança. Sou eu, o Senhor, quem está falando. Quando esse tempo chegar, farei com o povo de Israel esta aliança: eu porei a minha lei na mente deles e no coração deles a escreverei; eu serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Sou eu, o Senhor, quem está falando. Ninguém vai precisar ensinar o seu patrício nem o seu parente, dizendo: “Procure conhecer a Deus, o Senhor.” Porque todos me conhecerão, tanto as pessoas mais importantes como as mais humildes. Pois eu perdoarei os seus pecados e nunca mais lembrarei das suas maldades. Eu, o Senhor, estou falando" (Jr 31.31-34 - NTLH - grifo acrescentado).
Conforme ensina Hebreus:
"Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados; Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, guardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo; porquanto, após ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei, acrescenta: Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades, para sempre. Ora, onde há remissão destes, já não há oferta pelo pecado. Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima" (Hebreus 10.11-25).
Concluindo, a Lei de Moisés, o conjunto mais antigo e de maior autoridade no Antigo Testamento (ver Mt 22.34-40), a partir do qual todo o restante do Antigo Testamento (ou Bíblia Hebraica) está fundamentado, tem como centro o dia da expiação (Lv 16-17). E o dia da expiação, conforme ensina o livro de Hebreus no Novo Testamento, aponta para o sacrifício único e suficiente de Cristo pelos nossos pecados.
Assim como os Evangelhos se concentram e encontram o seu clímax na Semana da Paixão, centrada na Cruz e na Ressurreição de Jesus (em que Cristo faz expiação pelos nossos pecados), assim como o Novo Testamento aponta para a cruz e para ressurreição de Jesus Cristo, o Pentateuco também aponta para o Dia da Expiação e, assim, dá testemunho de Cristo.
A estrutura do Pentateuco aponta para o Messias, Jesus Cristo!
Concluindo, a Lei de Moisés, o conjunto mais antigo e de maior autoridade no Antigo Testamento (ver Mt 22.34-40), a partir do qual todo o restante do Antigo Testamento (ou Bíblia Hebraica) está fundamentado, tem como centro o dia da expiação (Lv 16-17). E o dia da expiação, conforme ensina o livro de Hebreus no Novo Testamento, aponta para o sacrifício único e suficiente de Cristo pelos nossos pecados.
Assim como os Evangelhos se concentram e encontram o seu clímax na Semana da Paixão, centrada na Cruz e na Ressurreição de Jesus (em que Cristo faz expiação pelos nossos pecados), assim como o Novo Testamento aponta para a cruz e para ressurreição de Jesus Cristo, o Pentateuco também aponta para o Dia da Expiação e, assim, dá testemunho de Cristo.
A estrutura do Pentateuco aponta para o Messias, Jesus Cristo!
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(1) Fonte das tabelas: Erich ZENGER (org.). Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Loyla, 2003.
quinta-feira, 20 de março de 2014
O Bálsamo de Gileade e a Bíblia - parte II
A postagem mais acessada e comentada do nosso Blog é "O Bálsamo de Gileade e a Bíblia", que comenta a fundamentação bíblica muito ruim do cântico "O Bálsamo de Gileade", de autoria de Ana Paula Valadão. O link do texto anterior está no final deste post. Diante da quantidade de comentários e da necessidade constante de responder as observações dos leitores do blog, vou procurar apresentar as nossas observações sobre o cântico de forma mais clara e objetiva. A argumentação fundamental continua a do post anterior. Aqui vou aclarar melhor algumas afirmações.
3) Gileade é terra de bálsamo ou de assassinos?
A letra da música está em Oséias 6.1-11, ou mais especificamente Oséias 6.1-2 (a maior parte da letra) e Oséias 6.8 (onde há referência a Gileade). No entanto, o verso 8 nada diz sobre bálsamo ou médico, mas sim que "Gileade é a cidade dos que praticam a injustiça, manchada de sangue". Como é que a letra da música transformou a cidade dos que praticam a injustiça e está manchada de sangue na terra do bálsamo e do médico que curam - ao contrário do que dizem todos os textos bíblicos?
Por favor, antes de comentar este post, leia atentamente os textos bíblicos e responda a seguinte pergunta: "segundo as referências bíblicas, o bálsamo e o(s) médico(s) de Gileade são capazes de trazer cura?". Depois pergunte a si mesmo: "Seria correto afirmar que Jesus corresponde ou é simbolizado por um bálsamo ou um médico impotentes, incapazes de curar?". Respondendo a estas perguntas, eu terei o maior prazer em ler e responder as suas observações.
Sobre a referida música, é citado quase literalmente o texto de Oséias 6.1-2, cuja sequencia (v. 8) faz referência a Gileade como "cidade dos que praticam a injustiça, manchada de sangue". Neste sentido, a questão fundamental que se levanta é a seguinte: Como é que a referência a Gileade, a "cidade dos que praticam a injustiça, manchada de sangue" (Os 6.8), se transforma em referência ao "Bálsamo de Gileade" e ao "médico de Gileade" que, na interpretação da música, são figuras de Cristo? Há algum problema nesta interpretação? Vamos responder de forma resumida:
1) Quais são os únicos textos na Bíblia que falam sobre "Bálsamo e médico de Gileade"? São os seguintes: Gênesis 37.25, Jeremias 8.22 e Jeremias 46.11, os quais vamos transcrever abaixo:
"Ora, sentando-se para comer pão, olharam e viram que uma caravana de ismaelitas vinha de Gileade; seus camelos traziam arômatas, bálsamo e mirra, que levavam para o Egito" (Gênesis 37.25);
"Acaso, não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo?" (Jeremias 8.22);
"Sobe a Gileade e toma bálsamo, ó virgem filha do Egito; debalde multiplicas remédios, pois não há remédio para curar-te" (Jeremias 46.11).
2) O que os textos bíblicos afirmam sobre o Bálsamo de Gileade e o médico de Gileade?
a) Os ismaelitas traziam bálsamo de Gileade para comercializar no Egito (Gênesis 37.25);
b) O bálsamo de Gileade e os médicos de Gileade SÃO IMPOTENTES, POIS NÃO SÃO CAPAZES DE CURAR O POVO" (Jeremias 8.22; 46.11).
3) Gileade é terra de bálsamo ou de assassinos?
A letra da música está em Oséias 6.1-11, ou mais especificamente Oséias 6.1-2 (a maior parte da letra) e Oséias 6.8 (onde há referência a Gileade). No entanto, o verso 8 nada diz sobre bálsamo ou médico, mas sim que "Gileade é a cidade dos que praticam a injustiça, manchada de sangue". Como é que a letra da música transformou a cidade dos que praticam a injustiça e está manchada de sangue na terra do bálsamo e do médico que curam - ao contrário do que dizem todos os textos bíblicos?
Para justificar a letra, recorre-se a toda uma "apresentação do contexto da época", fala-se sobre o famoso bálsamo de Gileade, etc. etc. etc. É o tipo de "apresentação do contexto" que não esclarece o texto bíblico. No entanto, os textos bíblicos que falam do Bálsamo ou do(s) médico(s) de Gileade afirmam simplesmente que ELES NÃO SÃO CAPAZES DE TRAZER CURA!
Agora, RELACIONAR JESUS COM UM BÁLSAMO QUE NÃO PODE CURAR E UM MÉDICO QUE NÃO PODE TRATAR AS FERIDAS DO POVO É UMA PROFUNDA FALTA DE RESPEITO.
Por favor, antes de comentar este post, leia atentamente os textos bíblicos e responda a seguinte pergunta: "segundo as referências bíblicas, o bálsamo e o(s) médico(s) de Gileade são capazes de trazer cura?". Depois pergunte a si mesmo: "Seria correto afirmar que Jesus corresponde ou é simbolizado por um bálsamo ou um médico impotentes, incapazes de curar?". Respondendo a estas perguntas, eu terei o maior prazer em ler e responder as suas observações.
O texto anterior pode ser lido na íntegra a partir do link abaixo.
Um grande abraço. Que Deus nos abençoe a todos, para a Sua glória.
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