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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Salmo 126: A Alegria, o Clamor e o Chamado da Salvação


Texto do Salmo 126 (tradução Almeida Revista e Atualizada - ARA)
1 Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha.
2 Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles.
3 Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.
4 Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe.
5 Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.
6 Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.

INTRODUÇÃO
O Salmo 126 é um cântico de romagem, ou cântico das subidas, ou seja, um cântico que os judeus cantavam enquanto se dirigiam alegremente ao Templo em Jerusalém.
O Salmo 126 foi escrito durante o período da dominação Persa, por judeus que vieram do exílio na Babilônia. A monarquia havia chegado ao fim; os babilônios haviam destruído o Templo e a cidade de Jerusalém, e levado cativos a liderança política, religiosa e militar de Jerusalém que havia sobrevivido aos conflitos.
Conforme a narrativa bíblica, o SENHOR chamou a Abração para fazer dele uma grande nação. De Abraão veio Isaque, de Isaque, Jacó, de Jacó vieram 12 filhos e uma filha. Dos filhos de Jacó vieram as 12 tribos de Israel. Os filhos de Israel foram escravizados no Egito por 400 anos, mas libertados pelo SENHOR através de Moisés, que conduziu o povo pelo deserto por 40 anos, tempo em que o SENHOR entregou a sua Lei (Torá - instrução) e manifestou a sua presença. Josué, servo de Moisés, conduziu o povo para a conquista da terra de Israel, período seguido pelos juízes, ou libertadores. Após o estabelecimento da monarquia, cujos primeiros reis foram Saul, Davi e Salomão, o reino foi dividido ao meio: o reino do norte, Israel, cuja capital era Samaria e cujo primeiro rei foi Jeroboão, por um lado, e por outro lado o reino de Judá, cuja capital era Jerusalém e o primeiro rei, Roboão, filho de Salomão. O reino do norte, Israel, foi destruído pelos Assírios em 722 a.C., e o reino do sul, Judá, chegou ao fim em 587 a.C., pelos Babilônios, liderados por Nabucodonozor.
O SENHOR havia feito um chamado claro para Israel:
Antes de subir ao Monte Sinai, para receber as tábuas da Lei, o SENHOR ordenou que Moisés dissesse aos filhos de Israel: "Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel" (Ex 19.5-6).
Jeremias, que profetizou no final da monarquia e viveu nos dias em que Jerusalém foi destruída pelos babilônios, afirma: "Naquele tempo, diz o SENHOR, serei o Deus de todas as tribos de Israel, e elas serão o meu povo. (...) Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (Jr 31.1,32-33).
Diante da infidelidade do povo, que segundo afirma Jeremias não foi fiel ao seu chamado, tendo anulado a aliança feita com o SENHOR, Deus não deixou de agir com misericórdia, graça e salvação para com o povo de Israel.

1) A ALEGRIA DA SALVAÇÃO (vv. 1-3)
Na Babilônia, os exilados suspiravam por Jerusalém: "Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do SENHOR em terra estranha?" (Sl 137.1-4).
Quando Ciro, o persa, conquista a Babilônia, ele autoriza o retorno dos judeus para a terra de Israel (Ed 1.1-4).
O livro do profeta Isaías falou acerca do persa Ciro: "Eu, na minha justiça, suscitei a Ciro e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade e libertará os meus exilados, não por preço nem por presentes, diz o SENHOR dos Exércitos" (Is 45.13).
Uma grande alegria tomou conta dos exilados na babilônia que, agora, podiam voltar para a terra de Israel: "Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles. Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres" (Sl 126.1-3). Foi como a volta do filho prógido, ou a devolução da posse da terra para a família no ano do jubileu! A alegria da salvação, o júbilo pela ação de Deus na vida do seu povo, trazendo restauração! O povo havia caído na idolatria contra Deus e na injustiça contra o próximo, mas a graça e a misericórdia de Deus são maiores que a sua ira (Dt 5.6-10!).
Como os exilados, que voltaram para a terra de Israel, precisamos aprender a nos alegrar com a ação de Deus na nossa história. Deus é vivo e age hoje na história. E nós, cristãos, temos muito maior motivo para a alegria: o SENHOR não apenas nos livrou da opressão da terra estrangeira, mas em Cristo nos fez cidadãos do Reino de Deus! Cristo morreu pelos nossos pecados, ressuscitou para a nossa salvação, derrotou todos os inimigos de Deus, e está agora a direita do Pai, reinando e intercedendo por nós, até Aquele Dia, tão aguardado por nós, quando Ele virá e fará novas todas as coisas e enxugará dos olhos toda lágrima! Esta tão grande salvação deve renovar em nós a alegria que não depende de circunstâncias, as quais mudam a todo instante, deve nos levar a confiar na graça de Deus, que nos conduz a uma vida de justiça e de resistência a toda forma de opressão e violência! " Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos" (Fl 4.4).

2) O CLAMOR POR SALVAÇÃO (v. 4)
Se o SENHOR havia manifestado sua ação salvadora para os judeus que voltaram do exílio, por que eles clamam novamente por salvação? Ora,
"Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe" (Sl 126.4).
Compare o verso 4 com o verso 1: "Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha" (Sl 126.1).
 Os exilados voltaram para a terra prometida, mas a cidade e o templo estavam destruídos. Ora, algo semelhante acontece conosco! Não cremos que a graça de Deus nos livra de todos os problemas, ou que, a partir da graça, sejamos autosuficientes e não precisemos mais de Deus! Muito pelo contrário! Quem crê em Deus conforme o ensino e o testemunho das Escrituras sabe e reconhece que a nossa vida pertence a Deus e que somos dependentes de Deus, que precisamos da graça e da misericórdia de Deus a cada dia (Lm 3.21-24). Este sentimento deve produzir em nós compaixão e humildade! A compaixão e a humildade da dependência de Deus devem nos conduzir a ter compaixão do próximo!
O salmista clamara ao SENHOR, para que a sorte do povo fosse restaurada, como as torrentes do Neguebe. O Neguebe é uma região desértica, na qual os rios secam nas estações das secas, mas brotam de forma maravilhosa e surpreendente na estação das chuvas, enchendo a paisagem de vida e beleza. O salmista não esqueceu o que afirmara no verso 1, mas nos lembra que quem um dia conheceu a graça e a misericórdia de Deus continua dependente de Deus. E o SENHOR é poderoso para nos surpreender com a sua bondade, como as águas do Neguebe!
Em Cristo, cremos que somos perdoados, amados e aceitos por Deus. No entanto, durante toda a nossa vida continuamos precisando a cada dia da graça, do amor, da misericórdia e do perdão de Deus. É um processo no qual buscamos fazer não a nossa própria vontade, mas a vontade de Deus. Enquanto a vida cristã prossegue em direção a santificação, ou seja, a uma vida nova em Cristo, guiados pela Palavra e no poder do Espírito Santo, somos transformados por Deus, de glória em glória, e o caráter de Cristo é formado em nós. A salvação é uma caminhada, um processo, que já teve início com a fé em Cristo, mas só estará completa na ressurreição, quando, nas palavras do Apóstolo Paulo, "agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido" (1Co 13.12). Assim, durante a sua vida, o cristão faz suas as palavras do salmista: "Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes do Neguebe"!

3) O CHAMADO DOS SALVOS (vv. 5-6)
Todo aquele que conhece a graça e a misercórdia de Deus, do Deus amoroso que é poderoso para escrever uma página nova na história da nossa vida, apesar dos nossos erros e pecados, é também alguém chamado por Deus. Não somos chamados por Deus apenas para desfrutar da salvação, da ação generosa de Deus na nossa história, mas também para nos tornarmos seus servos, seus cooperadores (1Co 3.9).
Israel tinha consciência do seu chamado, de ser luz para as nações (Is 51.4). Israel falha na sua missão, mas o Messias, Jesus Cristo, "filho de Davi, filho de Abraão" (Mt 1.1), veio ao mundo para que a graça e a misericórdia de Deus alcançassem as nações. Hoje, o Corpo de Cristo, que é a sua Igreja, ou seja, os filhos e filhas de Deus espalhados por toda a terra, tem o chamado de seguir a Jesus, no caminho da cruz que conduz à glória de Deus.
"Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes" (Sl 126.5-6).
Quem traz consigo a alegria da salvação e o clamor contínuo por salvação é chamado pelo SENHOR da seara para tomar a cruz da semeadura e, assim, participar da colheita gloriosa! Os que voltaram do exílio agora se tornaram agentes da reconstrução daquilo que foi destruído. Neste momento novo, nesta nova etapa, precisavam da graça de Deus para reconstruir a cidade e o templo. O salmista tem consciência de que a semeadura precisava ser realizada, em meio a muitas dificuldades (lágrimas), pois houve muita oposição contra a reconstrução de Jerusalém e do templo (Ed 4.24-5.4; Ne 5.1-5).  Mas o salmista tem também a fé de que o SENHOR auxiliaria o seu povo, para que Seus propósitos fossem realizados. Seu trabalho, debaixo da graça de Deus, não seria vão, mas teria como resultado a alegria da colheita!
Em Cristo, aqueles que são alvo do amor, da graça, da misericórdia e do perdão de Deus são chamados por Cristo:
"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt 28.19-20).
A alegria da salvação e a ação contínua do salvador nos conduzem para a missão que Deus confiou ao seu povo, pela graça de Deus Pai, em Cristo e no poder do Espírito Santo. Nossa preocupação hoje não deve ser com edifícios (Jerusalém, Templo), mas o edifício novo, a Igreja de Cristo, homens e mulheres que são edificados sobre a Pedra Angular, que é Cristo. Chamados a semear a Palavra de Deus num mundo hostil a Deus e a Seu Filho Jesus Cristo.

CONCLUSÃO
Os exilados tinham consciência da sua história: um povo chamado por Deus para ser luz para as nações, para testemunhar a graça e a misericórdia de Deus, mas que, na sua caminhada, tropeçou na idolatria e na injustiça. Mas os pecados do povo não afastaram a fidelidade de Deus, que age em favor do mesmo povo para restaurar a sua sorte, trazendo para a terra de Israel novamente os que foram cativos na babilônia. Na terra de Israel, o povo continua passando por lutas e dificuldades, expressando a contínua dependência da provisão de Deus. Ao mesmo tempo que desfruta da graça e da misericórdia, o povo é chamado também para servir a Deus com alegre consagração, na reconstrução da cidade santa e do templo.
Somos cristãos, participamos da graça de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. Hoje não estamos preocupados em reconstruir Jerusalém ou o seu templo, que foi destruído desde 70 d.C., mas na vida das pessoas, na edificação do Corpo de Cristo.  Nosso Senhor nos trouxe amor e perdão, continua renovando e transformando a nossa vida, mas nos chama para o serviço no Reino de Deus: obedecer a Palavra de Deus, anunciar o Evangelho do Reino, fazer discípulos de Cristo entre as nações, ensinando a Palavra de Deus para que o povo de Deus seja "capacitado para toda boa obra" e, enfim, conduzindo aqueles que abraçaram a fé em Cristo ao batismo (Mt 28.19-20).
A graça de Deus que traz perdão e a alegria da salvação é a mesma graça que nos transforma e conduz a uma nova vida em Cristo, assim como é a mesma graça na qual somos chamados para sermos discípulos de Jesus, homens e mulheres que tomam a sua cruz, que semeiam com lágrimas, para participar da alegria da grande colheita, no Reino de Deus!
Que Deus, o Pai, nos abençoe, para sermos encontrados na graça do Seu Filho Jesus Cristo, servindo com fidelidade no poder do Espírito Santo!



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