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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Meditação sobre a Parábola do Administrador Infiel (Lucas 16.1-13)


Lucas 15.3-32 traz 3 das parábolas mais conhecidas da Bíblia: a parábola da ovelha perdida, a parábola da dracma perdida e a parábola do filho perdido. Em Lucas 16.1-13, Jesus encerra o ciclo com uma quarta parábola, a do Administrador Infiel. Durante muito tempo eu não entendi direito a parábola do administrador infiel. Mas, para contar esta parábola, precisamos começar em Lucas 15.1-2, que é a introdução e o motivo das 4 parábolas, e encerrar com a sua conclusão, Lucas 16.14-17. Em resumo:
Introdução: Lucas 15.1-2 (motivo das parábolas)
Desenvolvimento (4 parábolas): Ovelha perdida (Lucas 15.3-7); Moeda perdida (Lucas 15.8-10); Filho perdido (Lucas 15.11-32); Administrador Infiel (Lucas 16.1-13).
Conclusão: Lucas 16.14-17.

Introdução (Lucas 15.1-2)
Aqui temos o motivo das 4 parábolas: Jesus Cristo veio trazer algo novo. Ele é o enviado do Pai para trazer o Reino de Deus sobre nós. Ele veio para nos reconciliar com o Pai, e nesta obra de reconciliação "aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir" (Lc 15.1). Jesus atraía publicanos e pecadores para ele! Mas por que? Será que Jesus andava no caminho de injustiça e pecado dos publicanos e pecadores? Não! Jesus veio reconciliá-los com o Pai, através de amor, paz e perdão! Ele comia com os pecadores e publicanos, ou seja, demonstrava que os acolhia, respeitava e amava!
A atitude de Jesus não era compreendida pelos escribas e fariseus: "E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles" (Lc 15.2). Escribas e fariseus eram homens religiosos, que conheciam a Lei de Deus e que eram criteriosos nos mandamentos. Mas a sua religião legalista, pautada na Lei mas sem amor e compaixão, os impedia de enxergar o que Jesus estava realizando. Ele veio incluir os pecadores, incluir os desprezados, marginalizados, doentes, imorais, injustos, no Reino de Deus. Isso, obviamente, não significa que Jesus passava a mão na cabeça dos pecadores, como que dizendo: "meu filho, seu pecado não tem problema, pois o amor de Deus é incondicional". De modo algum. A atitude de Jesus é outra: "meu filho, esta vida de injustiça e de pecado não vale a pena. Deus te ama e te espera de braços abertos; Ele está disposto a perdoar todos os seus pecados, te tomar pela mão e te guiar numa nova vida de justiça, alegria e paz!".
Os escribas e fariseus pensavam que eram superiores aos publicanos e pecadores, mas não eram. Diante da atitude dos escribas e fariseus, Jesus dirige a eles as 4 parábolas, nas quais ensina, resumidamente: a) Deus ama os pecadores e os convida para o Seu Reino; b) A religião legalista não conduz ao Reino de Deus e, portanto, religiosos legalistas não são melhores que publicanos e pecadores; c) Jesus é o enviado de Deus Pai para trazer aos homens o Reino de Deus, Reino de amor, perdão, alegria e paz!

1. As parábolas do capítulo 15 (Ovelha, Moeda e Filho perdidos)
As 3 parábolas tem algumas coisas em comum:
a) Algo se perdeu (ovelha, moeda, filho);
b) Quem perdeu, foi ao encontro do que estava perdido e o encontrou;
c) Houve uma festa, onde quem encontrou o que procurava se alegrou com amigos e vizinhos;
d) Há uma conclusão, sobre a alegria no céu por um pecador que se arrepende.
É curioso que na primeira e na terceira, quem perde e encontra é um homem, mas na segunda, é uma mulher. Leia a respeito (http://marcio-marques.blogspot.com.br/2010/05/face-materna-de-deus.html).
Mas a parábola do filho perdido tem elementos diferentes das duas primeiras.
Se a parábola do filho perdido terminasse no v. 24, ela teria a mesma estrutura das outras duas, mas ela não acaba aí! Os versos 25-32 trazem algo novo, que não estava nas outras parábolas: o diálogo do Pai com o filho mais velho! O filho mais velho estava trabalhando no campo do seu pai, quando é surpreendido pela música e pela dança (v. 25). Chamando um dos servos de seu pai (v. 26), descobre o motivo: seu irmão, que havia desonrado o seu pai ao pedir a herança em vida, que havia deixado claro que não amava o pai, mas apenas os seus bens, que disperdiçou a herança com uma vida irresponsável e imoral, havia voltado, e o pai, ao invés de renegá-lo e expulsá-lo, o recebe com festa!
O que o filho mais velho não consegue enxergar é que, ao recusar participar da festa, ele estava também desonrando o seu pai!
O pai, então, foi ao encontro do filho mais velho, para conciliá-lo consigo. Então, o motivo do rompimento fica claro: os bens! O mais velho diz:
"Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgerdir uma ordem tua, e NUNCA ME DESTE um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que DESPERDIÇOU OS TEUS BENS com meretrizes, tu MANDASTE MATAR PARA ELE O NOVILHO CEVADO" (vv. 29-30).
O mais velho não amava o Pai e não amava o irmão, a quem chama com desprezo de "esse teu filho". Se o mais velho amasse ao menos o seu pai, ele se alegraria com a alegria dele e participaria da festa. No fundo, ele também não amava o pai, mas apenas o patrimônio. Queria usar o pai para alcançar o alvo, os bens do pai. No fundo, apesar de ser disciplinado, de ter uma conduta moral, de ser trabalhador, o mais velho era igual ao mais novo: só queria os bens do pai! Mas, agora, havia uma diferença: o mais novo voltou à casa do pai por necessidade, mas foi constrangido pelo seu amor, e se arrependeu, enquanto o mais velho, apesar de sempre ter permanecido na casa do pai, estava perdido! O mais novo estava reconciliado, enquanto o mais velho estava perdido! Tão perto, mas tão longe!
As palavras do Pai confirmam o amor do mais velho aos bens: "Meu filho, tu sempre estás comigo; TUDO O QUE É MEU É TEU"(v. 31). E o pai faz o convite para a conciliação, o convite para a festa, o convite para o Reino de Deus: "Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado" (v. 32). Mas a parábola termina de repente, com uma questão em aberto: o filho mais velho se reconciliaria com o pai?
Na verdade, o filho perdido não é o mais novo, pois "esse teu irmão ESTAVA MORTO E REVIVEU, ESTAVA PERDIDO E FOI ACHADO" (v. 31). O filho perdido era o que sempre permaneceu na casa do pai, é o que se recusou a honrar o seu pai, a se alegrar na alegria do seu pai, a entrar na festa do Pai. O filho perdido é o mais velho!
O legalismo é uma desgraça, pois traz uma ilusão brutal: quem cumpre regras religiosas frequentemente acha que é seu próprio Senhor (e, por isso, quer dar ordens a Deus) e seu próprio Salvador (pois suas qualificações no cumprimento das regras é que são a causa da sua salvação, e não a graça de Deus em Cristo). O mais velho foi tomado por orgulho, mas não era diferente do mais moço no tempo da rebeldia! Enquanto o mais novo foi reconciliado, o mais velho estava perdido!

2) A parábola do administrador infiel (Lc 16.1-13)
Chegamos, aqui, à parábola final. Houve um movimento nas 3 primeiras parábolas, pois as duas primeiras deixam claro o motivo da festa de amor e aceitação de Jesus para com os publicanos e pecadores: a alegria do Reino de Deus por um pecador que se arrepende! O Reino de Deus é o Reino da inclusão de pecadores arrependidos! É a festa do perdão, da reconciliação, da aceitação, da restauração, da graça! A terceira parábola destaca a loucura do irmão mais velho (escribas e fariseus) ao pensar que era melhor que o filho mais novo, pois enquanto o mais novo se reconciliou com o pai e participou da sua festa, o mais velho desonrou o pai e o desprezou, não aceitando o convite para a festa.
A parábola do administrador infiel tem um sentido muito claro, lida em seu contexto. Havia um homem rico, que havia confiado os seus bens a um administrador. Mas o administrador estava em falta! Ele foi desmascarado pelo homem rico: "Então, mandando-o chamar, lhe disse: Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela" (Lc 16.2). O administrador foi desmascarado, pois, afinal, ele estava em falta! O mesmo que acabou de acontecer na parábola do filho perdido, em que Jesus deixa claro que o filho mais velho, que havia afirmado que "nunca transgrediu uma ordem do pai" (Lc 15.29), era o filho perdido e em falta com seu pai! O filho mais velho expressa o que são os escribas e fariseus.
Mas qual foi a atitude do administrador infiel? Vendo que estava perdido, uma vez que ele administrava os bens de seu senhor, ele teve uma ideia:
"Que farei, pois o meu senhor me tira a administração? Trabalhar na terra não posso; também de mendigar tenho vergonha. Eu sei o que farei, para que, quando for demitido da administração, me recebam em suas casas. Tendo chamado cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu patrão? Responde ele: Cem cados de azeite. Então disse: Toma a tua conta, assenta-te depressa e escreve cinquenta" (Lc 16.3-6).
Ou seja, o administrador infiel era desonesto e, portanto, estava em falta com seu senhor. Nesta situação, ele tem uma ideia: diminui o peso da dívida dos devedores do seu patrão, pois, afinal, estavam todos na mesma condição - e, assim, teria, ao menos, a gratidão e a solidariedade daqueles que tiveram a sua dívida reduzida. Mas os escribas e fariseus não agiam assim, pois não enxergavam que eram administradores infiéis, e portanto estavam em dívida com seu Senhor tanto quanto os publicanos e pecadores, e, por esta razão, impunham sobre eles o peso da culpa e da condenação, não sabendo que, ao condenarem os devedores de seu Senhor, condenavam a si mesmos. O administrador infiel da parábola era mais sábio que os escribas e fariseus; ele representa o que eles deveriam ser!
O elogio do senhor ao administrador infiel na parábola não é o elogio da desonestidade, mas o elogio da solidariedade: o culpado não condenou os outros culpados, mas diminuiu a sua dívida! Do mesmo modo, os escribas e fariseus deveriam ser mais tolerantes e complacentes não com o pecado e a injustiça, mas com as pessoas culpadas - pois, afinal, estão todos no mesmo barco!
Ao final, uma conclusão para o filho mais velho: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas" (Lc 16.13).

Conclusão 
"Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e o ridiculizavam. Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus. A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele. E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei"(Lc 16.14-17).
Uma vida no pecado não agrada a Deus. Uma vida religiosa sem amor não agrada a Deus. O Reino de Deus é o Reino da Graça, do Amor, do Perdão, da Alegria da Salvação, da Compaixão. Sem amor, não somos nada! (1Co 13.1-3). Jesus afirma que "a Lei e os Profetas vigoraram até João", pois a partir de João, algo novo aconteceu: a vinda do Reino de Deus na pessoa de Jesus Cristo. Ele não veio para anular a Lei, mas para cumpri-la, e uma vez que Jesus cumpriu a lei, "o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê" (Rm 10.4; veja Mt 5.17-18). Uma vida religiosa firmada em justiça própria é uma vida tomada pelo orgulho, na qual o Senhor e o Salvador são a própria pessoa - uma terrível ilusão. Jesus veio, para deixar claro que todos pecaram e carecem da glória de Deus, que todos estão no mesmo barco, que ninguém é superior ou inferior ao outro, que todos são chamados ao arrependimento dos pecados, a abandonar a injustiça e o pecado, para uma vida de amor, misericórdia e perdão.
Não seja tolo: ao invés de condenar as pessoas, de querer enviar todo mundo para o inferno, ao invés de colocar fardos pesados nos ombros de pessoas já destruídas pela culpa, pelo ódio e pela desesperança, anuncia a graça de Deus, tira o peso dos ombros dos oprimidos, revelando que em Jesus Cristo, todos somos amados por Deus e convidados graciosamente ao seu banquete, à Festa do Reino de Deus.

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