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segunda-feira, 19 de julho de 2021

LIVE do Culto - 18/07/2021 - Mateus 1.1-17 (Série "Para Entender o Evangelho do Reino de Deus")

    Jesus vem trazer um novo tempo, o tempo da graça, a inauguração do Reino de Deus. 

    O Exílio da humanidade e de Israel só chega ao fim no Messias!



sábado, 3 de abril de 2021

Meditações sobre a Semana da Paixão 2021 - Jesus está morto no sábado (Mc 16.1)

 Amanhã celebramos o domingo de Páscoa. Amanhã. Mas hoje é sábado. Meu convite prá você hoje é refletir e orar sobre o sábado de Jesus e dos discípulos na semana da Paixão. Só podemos nos surpreender e nos alegrar com a maravilha do domingo de Páscoa se encararmos a angústia e o horror do sábado da sepultura!

Aquele sábado foi terrível, um dia de sonhos frustrados, medo, angústia e insegurança. Mas, afinal, o que se passava no coração dos discípulos? Os discípulos seguiram a Jesus e depositaram nele toda a sua fé e esperança. E como Jesus era extraordinário! Jamais houve alguém como Ele!

Jesus foi enviado pelo Pai para trazer o Reino de Deus sobre nós. João Batista testemunhou sobre Jesus e o batizou no rio Jordão. O Pai enviou o Seu Espírito sobre Jesus, testificando que Ele é o seu Servo, seu Filho Amado, o Messias. Jesus é conduzido ao Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo, mas ao contrário do que aconteceu com Adão e Eva no lindo Éden, Jesus resiste sozinho à tentação no deserto. Então Jesus começa o seu ministério: Ele anuncia que está trazendo sobre nós o Reino de Deus!

Como ele é maravilhoso! Ele transforma água em vinho num casamento, multiplica pães e peixes para dar de comer à multidão faminta, acalma tempestades, expulsa demônios, cura doentes, ressuscita mortos, mas vai além. Perdoa pecadores, livra pecadores de apedrejamento, como e bebe com gente desprezada e quebrada, ama, perdoa, acolhe, dá voz, dá ouvidos, abre o coração! Ele paga o mal com o bem, curando até mesmo a orelha do soldado que foi prendê-lo! Tem uma vida extraordinária de oração, uma sabedoria sem comparação, uma sensibilidade sem igual! Jamais houve alguém como Ele! E em tudo o que ele faz e diz se manifesta a verdade da sua pregação: Ele veio trazer sobre nós o Reino de Deus! Ele é o Rei! Ele é o Messias de Deus!

Os judeus, inclusive os discípulos, aguardavam o Messias, que iria salvar Israel. Mas Jesus não é Rei apenas para Israel. Ele veio realizar a missão que Deus confiou a Israel, mas que Israel falhou: ser uma nação abençoada por Deus para abençoar todas as nações da terra. Os judeus estavam esperando um Messias só para eles, que venceria pela espada as nações. Jesus veio como Rei da paz para todas as nações. 

Quando Jesus entra em Jerusalém no domingo de ramos, saudado pela multidão em festa, em meio às palmeiras e capas no caminho e os hinos de louvor a Deus, parecia que o sonho estava se realizando. Era bom demais para ser verdade. Agora sim, deveriam pensar os discípulos! Agora tudo vai valer a pena! Estamos seguindo a Jesus todos esses anos, mas agora ele vai reinar sobre Israel! Jerusalém é a cidade do Rei! É a cidade do Messias! Jesus vai reinar e tudo vai se consertar! E nós vamos reinar com Ele!

Mas o sonho é frustrado. Jesus deixa claro que não era o Rei da Guerra, que iria derrotar o Império Romano para a glória de Israel. Ele é o Rei da Paz, que veio para reunir no seu Reino todas as nações. Ele veio para todos. Ele veio para trazer um Reino de Paz! Ele confronta todo o judaísmo no episódio do templo. O templo deveria ser, de acordo com a Missão de Deus para Israel, uma casa de oração para todas as nações. Mas o templo se tornou símbolo da esperança dos judeus de vencer a guerra contra as nações. Israel foi escolhido e chamado para abençoar as nações e não para a guerra contra elas. Ao amaldiçoar a figueira Jesus declara simbolicamente o juízo de Deus sobre aquele templo e sobre o que ele representava: um reino de violência e morte. Depois do episódio do templo, o sonho dos discípulos dá lugar ao pesadelo. Os líderes dos partidos judaicos entram em polêmica com Jesus na terça, e fazem um pacto de traição com Judas na quarta. Na quinta Jesus é preso pelo tribunal judaico e condenado por blasfêmia, após ser traído por Judas, negado por Pedro e abandonado pelos demais. Na sexta, das 06h00m às 09hh00m, é condenado diante do governador Pôncio Pilatos à morte de cruz e torturado violentamente. Das 09h00m às 15h00m é crucificado, vindo a morrer na cruz. Por volta das 18h00m Jesus é sepultado. Durante todo o sábado, Jesus está morto na sepultura. 

Você consegue sentir a dor dos discípulos, a confusão, a angústia e o medo? Eles tinham uma grande expectativa com Jesus. Mas eles não entenderam que tipo de Rei Jesus era, que tipo de Reino ele veio trazer, que tipo de mudança ele estava realizando. 

Hoje em dia tem muita gente confusa em relação a Jesus, como os discípulos naquele sábado. Muita gente não entendeu que tipo de Rei é Jesus. Alguns, ao invés de crerem em Jesus, creem em uma figura imaginária, fruto da própria imaginação, e não no Jesus verdadeiro. Alguns acham que Jesus é um tipo de guru, um mero mestre, que veio apenas para ensinar coisas boas. Se Jesus é só isso, ele continua um homem morto! Alguns acham que Jesus é algum tipo de gênio da lâmpada: "se eu for fiel à ele e servi-lo, ele é obrigado a fazer o que estou pedindo/determinando". Alguns acham que Jesus foi mais um fundador de religião, ou um filósofo, ou um líder revolucionário. Tem tanta gente que não entende até hoje quem é Jesus! Para todos esses, Jesus ainda é um homem morto!

Jesus é muito mais que tudo isso. Jesus é maior que Israel jamais sonhou. Jesus é maior do que os discípulos jamais imaginaram. A sua cruz e ressurreição mudaram tudo! Mas, naquele sábado, os discípulos ainda não haviam entendido nada! Eles estavam confusos e desorientados, como muitos entre nós!

Talvez você também esteja confuso em relação à Jesus. Onde está Jesus agora? Onde está Jesus em meio à pandemia, à crise econômica, à morte? Afinal, a Páscoa é uma notícia realmente tão boa assim? Claro que é, mas esse é o assunto da nossa meditação para amanhã. Amanhã quero refletir com você como a Páscoa mudou tudo, mudou a história, mudou o mundo! Mas esse é o assunto de amanhã. Hoje, a sepultura de Jesus e a tristeza dos discípulos nos convidam a olhar para as sombras do nosso coração, para a nossa angústia, para as nossas expectativas erradas sobre Jesus e para nos deixar confrontar com o seguinte: Quem é Jesus para mim? Ele é o Rei que mudou tudo, ou uma pessoa querida que permanece morta?

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Meditações sobre a Semana da Paixão 2021 - Jesus morre na Cruz numa Sexta Feira (Mc 15.1-47)

 No Evangelho segundo Marcos a Sexta-feira é o dia registrado com maior cuidado. Sabemos até mesmo o horário em que tudo acontece: 

Entre as 06h00m e as 09h00m, Jesus é condenado à pena de morte por crucificação (Mc 15.1-20).

Às 09h00m Jesus é crucificado (Mc 15.25). 

Entre as 12h00m e as 15h00m houve trevas (Mc 15.33). 

Às 15h000m Jesus morre na cruz (Mc 15.33-37) e é SEPULTADO próximo às 18h00m (Mc 15.42-47). 


Mas qual é o significado da Cruz de Cristo? Por que Ele morreu na Cruz numa sexta-feira? 


A CRUZ COMO SÍMBOLO HORRÍVEL E INSTRUMENTO DE SUBMISSÃO E MORTE. Em primeiro lugar, precisamos entender o que era a cruz no mundo antigo. A cruz era um símbolo horrível de dominação e morte. Era um símbolo político. O Império Romano se utilizava da condenação à morte por crucificação para constranger, humilhar, dominar e garantir a chamada Paz Romana (submissão e ordem). Nos acostumamos com a cruz como algo "bonitinho" ou "religioso", fazemos bijuterias com a cruz, mas quando alguém contemplava uma cruz na época do mundo antigo a visão era de assombro, medo, pavor! A cruz era uma instrumento de dominação do poder romano, que trazia um sofrimento extremo, uma humilhação extrema, uma morte horrível. Surgiu até uma palavra para expressar o horror da cruz: "excruciante". O processo de crucificação é tão horrível que foi necessário criar uma palavra nova para expressar todo sofrimento que ela traz. Os Romanos se utilizavam da cruz para sujeitar as pessoas, para acabar com revoltas e rebeliões contra o Império. Quando Jesus era menino, na Galiléia, os romanos haviam crucificado milhares de judeus rebeldes, que queriam a independência judaica. Quando os judeus se rebelaram contra Roma no ano 70 d.C., milhares de judeus novamente foram crucificados. A crucificação era um grande símbolo de poder, de dominação, de opressão e violência. Hoje, quando meditamos na cruz de Jesus, precisamos nos lembrar disso. 

LÍDERES JUDEUS, PILATOS E JESUS. Jesus é o Rei, o Messias, mas não era o Messias que os judeus aguardavam. Por isso o Sinédrio, o tribunal judaico, condena Jesus por blasfêmia, mas com implicações políticas. Os lideres judeus entendiam que Jesus era um tipo de falso profeta que estava conduzindo o povo ao erro, principalmente em relação ao Templo de Jerusalém, pois as palavras e ações de Jesus indicavam que o Templo era alvo do juízo de Deus. A atitude de Jesus em relação ao templo estava ligado à identidade de Jesus como Messias. Quando Jesus afirma que é o Cristo, os líderes judaicos encontram não uma blasfêmia, mas um motivo para condenar Jesus diante dos Romanos. Qualquer um que se declarasse Rei estaria se levantando contra os Romanos. E aí algo curioso acontece: a história deixa claro que os judeus estavam sempre envolvidos em revoltas contra Roma. Jesus é o Rei, mas seu reinado não trilha o caminho da violência e da guerra armada. No entanto, os judeus levam Jesus diante do governador romano Pôncio Pilatos, sob a acusação de que Jesus afirmou ser o Messias, justamente para que fosse condenado à morte pelos Romanos. Na época da Páscoa era comum os judeus se inflamarem e realizarem revoltas contra os romanos. Tudo o que Pôncio Pilatos queria era evitar confusão. Ironicamente, Barrabás, um judeu revolucionário que havia matado um homem num motim, é solto, mas Jesus é condenado à morte de cruz! 

DEUS E A CRUZ. Mas precisamos entender a cruz não apenas do ponto de vista do Império Romano, mas do ponto de vista do que Deus estava realizando. A cruz é a expressão mais clara, impressionante e maravilhosa de quem é Deus. Deus é Amor. Por isso, o Pai envia seu Filho Amado, no poder do Espírito Santo, para nos salvar. Mas como Deus faz isso? O Filho de Deus se fez homem e recebeu o nome de Jesus. Ele atraiu todo o mal, todos os poderes do pecado, da morte e da violência contra si mesmo, para triunfar sobre eles. Ele tomou o lugar dos traídos, abandonados, injustiçados, cansados, sobrecarregados, tristes e abatidos. Ele sofreu a violência dos poderes políticos, religiosos e econômicos, sendo condenado à morte de cruz por Roma. Ele tomou sobre os próprios ombros a culpa pelo pecado do mundo inteiro na cruz. Para trazer salvação Deus deveria executar juízo sobre o mal, o que é feito na cruz. Mas ao invés de Deus punir o mal nos pecadores, Deus pune o mal em si mesmo, na cruz. Todos nós pecamos contra Deus e contra o próximo, mas ao invés de derramar a sua ira sobre nós, Deus toma a ira sobre si, como um pai que se joga diante do filho e recebe um tiro em seu lugar. Jesus tomou sobre si nosso pecado, maldição, culpa, sofrimento e morte na cruz, para que pudesse derramar sobre nós do seu perdão, bênção, restauração, vida e alegria. Deus transformou um instrumento de horror e morte num instrumento de amor, perdão e paz! A cruz de Jesus é a expressão mais horrível do pecado dos homens, que condenaram o único justo ao sofrimento terrível e à morte. Mas ao mesmo tempo a cruz é a expressão mais maravilhosa do amor de Deus, que nos acolhe, ama e perdoa através da justiça realizada na Cruz. Em Jesus nossos pecados foram punidos e nós fomos perdoados, reconciliados, aceitos e feitos filhos de Deus pela graça! Jesus trouxe à cruz um significado completamente diferente! Ele tornou o instrumento de horror e morte em instrumento de amor, graça e perdão! 


Mas não podemos esquecer o quanto tudo isso custou. Estamos vivendo tempos difíceis de doença, crise financeira, morte, angústia e depressão. Mas quando olhamos para Jesus contemplamos o peso insuportável que ele carregou sobre si na cruz por amor de nós. Jesus sofreu de uma maneira que jamais vamos entender. E ele não precisava passar por nada disso. Ele conhece a nossa dor e o nosso sofrimento, nos conhece pelo nome e é poderoso para nos fortalecer, consolar e sustentar. A Cruz de Jesus deve trazer luz à nossa vida. O sacrifício único e suficiente de Jesus na Cruz demonstra que somos amados, perdoados e aceitos por Deus em Cristo. O mal e o sofrimento são reais, mas o amor de Deus e a sua graça são muito maiores, além de qualquer comparação. 


Aquele que foi crucificado por amor a nós é o Rei. Ele vai dar a última palavra na nossa vida. Por isso confie nEle, espere no seu amor e saiba que Ele é soberanos e está no controle. "No dia alegre Deus é bom e é digno de ser louvado. No dia triste Deus é bom e é digno de ser louvado". 


ORAÇÃO. "Senhor Jesus, obrigado pelo seu sacrifício único e suficiente na cruz. Obrigado por vir ao nosso encontro e tomar sobre si nosso pecado, culpa, sofrimento e morte, para que o Senhor derrame sobre nós do seu amor, perdão, alegria e graça. Te louvamos pois o Senhor transformou a cruz, um instrumento horrível de sofrimento e morte, numa instrumento do Seu amor, perdão e graça. Te louvamos pelo alto preço que o Senhor pagou, para o nosso perdão e salvação. Que nestes dias difíceis que estamos vivendo possamos encontrar no Senhor, no seu sacrifício de amor, a alegria, a esperança e a paz que precisamos. Que toda honra, toda glória e todo louvor sejam dados a ti, nosso amado Senhor e Salvador. Oramos agradecidos em teu nome. Amém!"

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Meditações sobre a Semana da Paixão 2021 - Pavor e Angústia, Traição e Prisão - mas com um sinal de esperança - a Quinta-feira de Jesus (Mc 14.12-72)

Há muita morte e tristeza nos nossos dias. Muitos mortos, doentes, desempregados. Muitos se sentindo sozinhos, deprimidos e sem esperança. Parecia que a pandemia estava acabando, mas em 2021 ela começa de novo, pior e mais forte. Tempos difíceis. Mas olhar para Jesus naquela quinta-feira da Semana da Paixão pode mudar tudo na nossa vida, dar um novo rumo ao nosso coração quebrado. 

O clima era pesado e de morte. Dava para sentir a tensão no ar. Os líderes judaicos, juntamente com Judas, há haviam feito um pacto contra Jesus. E Jesus anuncia profeticamente que será traído por um dos discípulos (vv. 17-21). 

Mas surge um sinal de esperança. Jesus celebra a Páscoa com os seus discípulos. A Páscoa judaica celebrava a libertação de Israel da escravidão do Egito. Mas, ao celebrar a Ceia da Páscoa com os seus discípulos, algo novo acontece. O pão e o vinho não estão apontando mais para o antigo significado judaico, mas para o corpo e o sangue de Jesus. Em meio à todo perigo, tensão e angústia daquela hora, Jesus estabelece uma Ceia que aponta para aquilo que ele estava fazendo, ao estabelecer uma Nova e Eterna Aliança, através da sua cruz e ressurreição. Jesus já havia anunciado antecipadamente a sua cruz e ressurreição (Mc 8.31-33), mas o faz agora de uma maneira nova, instituindo um sacramento, uma refeição em que Ele manifesta a Sua presença: a Ceia do Senhor. A Ceia revela que tudo aquilo que está acontecendo (perseguição pelas autoridades, traição de Judas, negação e abandono pelos discípulos, condenação pelo tribunal judaico, morte na cruz) está debaixo da soberania de Deus. O Senhor está orquestrando tudo, inclusive o que as pessoas fazem de certo ou errado, para que o Reino de Deus se estabeleça, através do sacrifício de amor na cruz e da vitória da ressurreição! Nada estava fora da soberania de Deus! E Jesus afirma que, apesar do anúncio da própria morte, beberá o vinho novo no Reino de Deus, pois a morte não poderá derrotá-lo. 

Mas a quinta feira não terminou! Jesus já havia indicado que um dos discípulos o trairia. Agora anuncia que, diante da sua morte tão próxima, os discípulos ficariam perdidos e atordoados - e o próprio Pedro o negaria. Pedro e os demais discípulos afirmaram que Jesus estava enganado, que eles jamais o abandonariam ou negariam. Sempre erramos feio quando não ouvimos a voz do Senhor!

A seguir Jesus vai com seus discípulos ao Getsêmani, para orar. Ele já sabia tudo o que iria acontecer e já o havia anunciado aos seus discípulos antecipadamente. Jesus já sabia o que o aguardava: traição, negação, abandono, perseguição, tortura, humilhação, injustiça, condenação injusta e uma morte longa e dolorosa que chegava através de um longo processo por asfixia, resultando num ataque cardíaco. Era o peso de suportar todo mal e toda culpa do mundo sobre si, para nos salvar. Apesar de saber há tanto tempo o que o aguardava, é apenas no Getsêmani que Jesus é tomado de angústia, o que demonstra um extraordinário equilíbrio! Em tempos de tanta ansiedade como os que vivemos, é impressionante perceber como Jesus vivia um dia de cada vez e não permitiu que a ansiedade tomasse conta do seu coração e da sua vida! No Getsêmani Jesus ora ao Pai, expressa o seu desejo de não passar pela dor e sofrimento insuportáveis que o aguardavam, mas se entrega à vontade do Pai - e não ao próprio desejo. Jesus está vulnerável, sofrendo, mas está pronto para encarar a sua hora, por amor ao Pai e para a nossa salvação! Jesus encontra os discípulos dormindo, esgotados diante de toda angústia daquele momento. Jesus vigiou e orou. Os discípulos não. Jesus se levanta, firme, após orar ao Pai, para encarar a sua hora. 

Judas chega com um grande número de soldados armados e trai Jesus com um beijo - o sinal  que indicaria aos soldados quem deveria ser preso. Jesus é levado ao Sinédrio, ao tribunal judaico, que procura condená-lo de alguma maneira, mas os depoimentos não eram coerentes. Em resposta ao sumo sacerdote, Jesus afirma a verdade: Ele é o Cristo, o Filho do Deus bendito, o Filho do Homem (vv. 61-62). Ele é condenado por blasfêmia, por dizer a verdade. Então todos passam a maltratá-lo, insultarem  e a cuspir nele, dizendo: "profetize"! Mas ele já havia profetizado!

Os discípulos não vigiaram e oraram no Getsêmani. Jesus resiste à tentação e se mantém fiel à vontade do Pai. Já os discípulos falharam: traíram, abandonaram e negaram a Jesus. Felizmente a história não dependia do fracasso dos discípulos, mas da vitória de Jesus. 

Todos pecaram, todos falharam, menos Jesus. Jesus não tapou o sol com a peneira, não fez de conta que a dor, o sofrimento, o mal, a traição e a morte não fossem reais. Mas ele encarou tudo com confiança no Pai e por amor de nós. Todos os demais fracassaram, pecaram e falharam. Mas Jesus não nos abandonou. Ele não deixou de nos amar. Na verdade, ele não precisava sofrer nada daquilo, mas sofreu por amor a todos nós. 

Nesses dias de doença, morte, crise e angústia precisamos olhar para Jesus e para os discípulos. Quem definiu a história não foi o fracasso dos discípulos, mas a vitória de Jesus. Como na Ceia, Jesus continua manifestando sua presença entre nós, para encher o nosso coração de fé e esperança. Devemos vigiar, orar, confiar em Deus e viver na sua presença. Mas, mesmo quando vacilamos, erramos ou falhamos, Jesus continua o mesmo, continua sendo Rei, continua sendo salvador, continua a manifestar a sua presença nossa vida. Quem define a história  não é o sofrimento, a morte ou mesmo nossas próprias falhas, pecados e fraquezas. Quem define a história é Jesus! Ele continua manifestando sobre nós a sua presença real e trazendo esperança em meio à tanta dor e sofrimento. 

ORAÇÃO. "Senhor Jesus, não há quem possa ser comparado a ti. Obrigado por nos amar de tal maneira que o Senhor tomou sobre si nossa angústia, sofrimento e morte, para derramar sobre nós da sua alegria, do seu amor e da sua vida. Como é bom saber que o Senhor nos ama, mesmo nos momentos em que nos encontramos fracos, cansados e desanimados. Como é bom saber que o Senhor não nos entrega ao desespero, mas nos oferece da Sua Presença, que renova o nosso coração e a nossa mente para uma viva esperança em ti. Tu és digno de toda honra e toda a glória, pois tudo o que o Senhor sofreu foi por amor de nós e em nosso favor. Louvamos o teu nome em amor e gratidão, em esperança e fé. Amém". 

quarta-feira, 31 de março de 2021

Meditações sobre a Semana da Paixão 2021 - Conspiração, Unção e Pacto e Traição - a Quarta-feira de Jesus (Mc 4.1-11)

 Como foi a quarta-feira de Jesus, na Semana da Paixão? Este dia é apresentado em Mc 14.1-11. O texto destaca três grupos de personagens importantes em relação a Jesus: os principais sacerdotes e os escribas, uma mulher que ungiu a Jesus com óleo, e Judas Iscariotes, um dos discípulos de Jesus. São personagens interessantes! 

Os principais sacerdotes e os escribas eram pessoas moralmente corretas ("pessoas de bem"), religiosas, conhecedoras da Bíblia, gente que orava, jejuava, participava das celebrações semanais, ajudava os necessitados. Apesar de todas essas credenciais, queriam prender e matar a Jesus! Não há nada mais triste que religião sem Deus! É muito triste ver gente que se diz religiosa, mas que não ama, não crê e não se entrega a Jesus Cristo, o verdadeiro Rei de todas as coisas! Os principais sacerdotes e escribas trocaram o Rei Jesus Cristo por um projeto de poder que envolve religião, política e dinheiro. Hoje em dia tem muita gente orando, indo ao culto, ajudando os necessitados, tendo boas iniciativas, mas mesmo assim rejeitando Jesus como o Rei, como o centro da vida, como o único Senhor e Salvador. 

O texto destaca também "uma mulher", que ungiu a Jesus com um perfume caríssimo (valia aproximadamente um ano inteiro de salário!). Os judeus, por causa da fé na ressurreição, tinham o costume de muitos cuidados na preparação dos corpos para a sepultura. Jesus sabia que morreria em breve e, apesar de haver avisado antecipadamente os discípulos algumas vezes, eles parecem não entender o que está para acontecer. Aquela mulher também não sabia que Jesus morreria em alguns dias, mas foi usada por Deus para fazer uma boa ação a Jesus, preparando seu corpo para o sepultamento, que haveria de ocorrer no sábado. Mas a ação da mulher trouxe indignação aos discípulos, que consideraram aquele ato um grande desperdício - afinal, todo aquele dinheiro poderia ser dado aos pobres. Jesus sempre ensinou o amor e o cuidado com o próximo, mas ele elogia o que a mulher fez: mesmo de maneira instintiva, mesmo sem compreender exatamente o que ela estava fazendo, seu gesto pelo Rei foi extraordinário e está registrado várias vezes nos Evangelhos. Aquela mulher amava a Jesus e demonstrou a sua grande gratidão. E o Rei honrou aquela mulher! Ela fez a coisa certa em relação ao Rei naquele dia!

Finalmente temos o Judas Iscariotes. Judas resolve trair a Jesus. Talvez por achar que o caminho do Reino de Deus fosse o caminho dos partidos judaicos: guerra, violência, revolução armada, tomada do poder, o templo como símbolo de que Deus exaltaria Israel para humilhar as nações... Judas percebe que Jesus não é o Messias que ele esperava. Então Judas resolve um grande problema para os principais sacerdotes e escribas: numa cidade cheia de quebradas e vielas, em que as multidões estavam em todo lugar e considerava Jesus um profeta, como prenderiam Jesus sem realizar uma grande confusão e tumulto, atraindo inclusive a ira dos romanos? Judas, um dos discípulos, decide entregar Jesus por algumas moedas! Como Judas, hoje em dia muitos traem a Jesus por decepção, pelo fato de que Jesus não é como eles queriam. Jesus não é um ídolo que eu possa manipular. Ele é o verdadeiro Rei, Senhor e Salvador! 

A Quarta-feira nos apresenta estes três grupos de personagens: as "pessoas de bem" religiosas, que queriam prender e matar a Jesus, a mulher que amou e honrou o Rei o ungindo com um perfume preciosíssimo e o discípulo traidor. Nesta quarta feira, você está próximo de quem?

ORAÇÃO. "SENHOR, graças te damos pela Tua Palavra. Tem compaixão de nós, para que não vivamos uma religião vazia, sem a tua presença e sem teu reinado sobre nós, como fizeram os principais sacerdotes e escribas. Tem compaixão de nós para que não sejamos como Judas, que te traiu porque Tu És o Rei verdadeiro, que não se deixa manipular pelas nossas paixões e ideologias, e veio inaugurar um Reino de amor, perdão e paz, e não de dominação e guerra. Nos abençoe para que sigamos o bom exemplo daquela mulher, que simplesmente te amou e foi grata a ti, te honrando como o verdadeiro Rei. Que Teu Espírito e a tua graça nos renovem, e nos conduzam ao teu amor e à tua vontade. Amém".

terça-feira, 30 de março de 2021

Meditações sobre a Semana da Paixão 2021 - O Confronto entre Jesus e os partidos judaicos na terça-feira (Mc 11.20-13.37)

 A semana havia começado bem. Jesus entra em Jerusalém e o povo o recebe com alegria e entusiasmo, em meio à expressão de celebração e festa, reconhecendo os temas do Reinado de Deus. Jesus reivindica o reino ao entrar em Jerusalém, e tudo termina bem naquele domingo de ramos. Mas o que aconteceu na segunda vai marcar a semana. 


Jesus desmascara a idolatria, a violência e a injustiça judaicas. O povo que Deus chamou, para ser uma benção para todas as famílias das nações, se aparta de Deus e da sua Missão no decorrer da sua história. O templo, ao invés de Casa de Oração para todas as nações, se torna um covil de salteadores, um lugar em que judeus revolucionários se voltam contra as nações. Assim, tanto o Império Romano pagão quanto Israel se tornam faces da mesma moeda, marcados pela disputa pelo poder, pela violência, opressão e morte. Não há grande diferença entre os religiosos judeus e os pagãos! Apesar das orações, da moralidade, dos dízimos, das esmolas, das escrituras e do culto, Israel estava tão distante de Deus quanto os pagãos! A prova maior da distância entre Israel e Deus é a rejeição do Messias. O namoro acabou na segunda. Na terça os vários partidos judaicos (saduceus, fariseus, escribas, herodianos, etc) entram em polêmicas com Jesus. 


Mas será que não poderia ser diferente? Jesus não poderia ter passado a mão na cabeça dos judeus, para que houvesse paz? NÃO! Jesus não veio trazer uma falsa paz baseada na mentira e na falsidade. Jesus é a favor de todos, mas ao confrontar Israel com sua idolatria, com o abandono do chamado de Deus de ser benção a todas as nações, ao confrontar o pecado, a violência e a opressão dos partidos judaicos, Jesus se mostra à favor de Israel, chamando ao arrependimento e à submissão ao Reinado de Deus. 


Em todas as polêmicas Jesus deixa claro que Ele é o Messias, o verdadeiro Rei, aquele que tem autoridade não apenas sobre Israel, mas sobre todas as nações. Mas, diante do episódio do templo na segunda, como ensina a parábola dos lavradores maus, os vários partidos judaicos continuam a fazer o que Israel fazia durante a sua história: não apenas maltrataram e mataram os profetas enviados por Deus, mas agora intentavam contra o próprio Filho de Deus, para que o Reino pudesse pertencer a eles - como se isso fosse possível. O Reino pertence a Jesus. Por isso ninguém fica indiferente diante de Jesus. O Rei chama a todos ao arrependimento e à vigilância, à oração e à adoração, à justiça, à misericórdia e ao perdão. 


O episódio do templo traz à luz uma triste realidade: a diferença entre o verdadeiro Messias, Jesus Cristo, e o falso Messias da imaginação judaica. Enquanto o chamado de Deus para Abraão e Israel era para abençoar todas as famílias de todas as nações, Israel começa a achar que a bênção não era para as nações, mas apenas para Israel. Israel não compreende a eleição: O povo de Deus é eleito não para excluir os outros, mas para incluir as pessoas no Reino de Deus. O Templo, que deveria ser Casa de Oração para todas as nações, se torna centro de revolucionário de luta contra as nações. Hoje, infelizmente, muitas pessoas tem deixado o verdadeiro Jesus por um falso Messias, fruto da própria imaginação. Alguns vêem Jesus como um tipo de gênio da lâmpada, que deve fazer o que queremos. Outros pensam em Jesus como um conservador sempre disposto a apedrejar pecadores - como faziam os fariseus. Outros ainda pensam em Jesus como um progressista, que prega um tipo de liberdade em que cada um faz e vive como bem entende, de acordo com os próprios desejos, preferênias e paixões. Mas Jesus continua o mesmo. Ele não é um mero guru ou mestre que ensina coisas bonitas, mas Ele é o Rei do Universo! Ele continua nos confrontando com a nossa idolatria, injustiça e violência, continua nos chamando ao arrependimento e nos acolhendo com amor, graça e perdão. Ele é o Rei que não fica nos jogando uns contra os outros, mas nos chama a vivermos em amor, justiça e paz através do Seu Reinado sobre todos nós. Jesus é o verdadeiro Rei, o único Senhor, o único Salvador. 


Jesus rejeitou as ideologias que colocam uns contra os outros (judeus contra gentios, ricos contra pobres, escravos contra livres) denunciando o pecado de todos e chamando a todos ao arrependimento. Hoje a igreja precisa entender também quem é que tem autoridade: O Messias Jesus Cristo ou os falsos messias e ideologias que insistem em jogar uns contra os outros. Jesus disse: "o que, porém, digo a vocês, digo a todos: vigiem!" (Mc 13.37). 


ORAÇÃO. "SENHOR, obrigado pela tua graça e pelo teu amor, pela tua justiça e perdão. Tem compaixão de nós para que não sejamos como os judeus que, apesar de orar, jejuar, auxiliarem o necessitado, lerem a tua Palavra e demonstrarem uma vida moralmente correta, mesmo assim se afastaram do Senhor e do teu chamado. Mesmo sendo tão religiosos rejeitaram o teu Reino e quiseram edificar o seu próprio reino, baseado na exclusão, na violência e na opressão. Senhor, tem compaixão de nós, para que vivamos como teus discípulos, no poder do teu Espírito, seguindo os passos do Senhor. Que pela tua graça, a nossa vida seja para a tua glória e para abençoar aqueles que estão ao nosso redor, inclusive os nossos inimigos, pois quando éramos teus inimigos o Senhor nos amou e se entregou para a nossa salvação. A ti a nossa gratidão e louvor, e a nossa oração em teu Nome. Amém!"

segunda-feira, 29 de março de 2021

Meditações sobre a Semana da Paixão 2021 - JESUS E O TEMPLO (Mc 11.12-19)

 O que acontece naquela segunda-feira, quando Jesus entra no Templo de Jerusalém, é um dos pontos altos da Semana da Paixão. Mas você entende o que Jesus realmente fez? Jesus vai na segunda de manhã para o templo, mas antes passa por uma figueira e a amaldiçoa, pois não havia fruto nela (não era tempo de figueira dar fruto). No dia seguinte Jesus e os discípulos passam pela figueira e ela está seca! 

TEMPLO. Para entendermos a passagem, em primeiro lugar, vamos relembrar o que é o TEMPLO. O Rei Davi quis edificar um templo ao SENHOR, mas o SENHOR não o permitiu. Mas Davi recebeu promessas da parte do SENHOR: a) o descendente/filho de Davi (Messias) estabelecerá o Reino para sempre; b) o Messias edificará o verdadeiro Templo ao SENHOR; c) O Messias será filho de Deus (2Sm 7.12-16). Quando Salomão edifica o Templo de Jerusalém, fica claro que aquele não é o templo definitivo. Na oração de Salomão, quando a Arca da Aliança é levada ao Templo (ao Santo dos Santos), Salomão diz: "Mas será que, de fato, Deus poderia habitar na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, muito menos este templo que eu edifiquei. Atenta, pois, para a oração de teu servo  e para a súplica, ó SENHOR, meu Deus, ouvindo o clamor e a oração que faz hoje o teu servo diante de ti" (1Rs 8.27-28). A Arca da Aliança expressava a Presença, o Perdão e o Poder de Deus, e ficava dentro do Santo dos Santos. Mas, nos dias do Profeta Jeremias (citado por Jesus - Jr 7.11), o Templo de Jerusalém e a própria cidade foram destruídos pelos Babilônios, ocasião em que a Arca da Aliança desapareceu (Jr 3.16). E de fato, aquele templo era uma realidade transitória. O Profeta Jeremias denuncia o erro de achar que o Templo protegeria o povo, mesmo diante da idolatria, da violência, da opressão e da injustiça do povo e seus governantes (Jr 7.1-15). 

OS PECADOS DO TEMPLO. E havia muito pecado envolvendo o Templo. Jesus afirmou, citando o Profeta Jeremias: "Não é isso que está escrito: 'A minha casa será chamada de 'Casa de Oração' para todas as nações'? Mas vocês fizeram dela um covil de salteadores" (Mc 11.17).

O que Jesus quer dizer com "covil de salteadores"? Na época do Novo Testamento a expressão apontava principalmente para os "revolucionários" judaicos, que queriam trazer o Reino de Deus a partir da força e do poder da violência. Isso aconteceu porque Israel se perdeu da sua Missão. O chamado de Deus para Abraão e, portanto, para Israel, era para ser uma bênção à todas as famílias da terra, bênção para todas as nações. A eleição é um chamado para abençoar todas as nações, mas Israel começou a pensar que a eleição era um privilégio exclusivo, algo só para ela mesma. À medida que Israel se afasta de Deus e do seu chamado de ser luz às nações, a idolatria, a injustiça e a violência avançam na vida do povo, levando à tragédia do Exílio e da dominação dos impérios pagãos. Na época do Novo Testamento muitos grupos revolucionários queriam trazer o Reino de Deus através da violência, das armas, da guerra. Essa é a visão dos salteadores. Mas Jesus é o Rei verdadeiro, que não veio trazer o Reino a partir da violência, da opressão ou da morte, mas do amor, da justiça e do perdão. 

Quando Israel perdeu o seu sentido de Missão, de ser uma bênçãos a todas as nações, começou a achar que eleição é excluir os outros. Mas eleição, segundo Jesus, é incluir os outros no amor, no perdão e na graça de Deus. 

Ao mesmo tempo que Israel se perde em relação ao chamado de Deus, se perde em relação ao Templo, que passa a ser também instrumento do enriquecimento de algumas classes de pessoas e de "central revolucionária", para aqueles que queriam derrotar o poder do Império Romano. 

A FIGUEIRA. A passagem da figueira, neste sentido, é uma ação simbólica, ou seja, Jesus anuncia, através da figueira que amaldiçoou, que aquele templo transitório estava com os dias contados. Não havia bom fruto no templo. De fato, no ano 70 d.C. os Romanos destruíram o templo, diante de um movimento de revolucionários judeus que lutaram contra o Império. 

O TEMPLO DEFINITIVO. Mas aquele templo não era o definitivo. Quem traria o verdadeiro templo é o Messias, o Rei Jesus Cristo. No Evangelho segundo João, lemos: "Então os judeus lhe perguntaram: - Que sinal você nos mostra para fazer essas coisas? Jesus lhes respondeu: - Destruam este santuário, e em três dias eu o levantarei. Os judeus responderam: - Este santuário foi edificado em quarenta e seis anos, e você quer levantá-lo em três dias? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, os discípulos dele se lembraram que ele tinha dito isso e creram na Escritura e na palavra de Jesus" (Jo 2.18-22). Em outras palavras, Jesus afirmou que o verdadeiro templo não é o templo de Jerusalém, mas o seu próprio corpo! A presença, o perdão e o poder de Deus não vem à nós através da Arca da Aliança (que desapareceu desde o exílio na Babilônia), muito menos do templo, mas do próprio Messias, do Rei Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado! Ao amaldiçoar a figueira, Jesus declara o fim do templo de Jerusalém e aponta para o verdadeiro templo, seu próprio corpo!

Quando Jesus ressuscita dentre os mortos, ordena aos seus discípulos que permaneçam em Jerusalém até que fossem revestidos do Espírito Santo. Ao enviar o Seu Espírito sobre nós, nos tornamos santuário do Espírito Santo, Corpo de Cristo. O lugar sagrado não são os edifícios das igrejas, mas o nosso corpo, habitação de Deus no Espírito!

No domingo, Jesus entrou em Jerusalém, reivindicando o seu reinado sobre Jerusalém. Na segunda ele não apenas purifica o templo, mas declara o juízo sobre ele e sobre o que ele se tornara: ao invés de Casa de Oração para todas as nações, de acordo com a Missão de Deus para Israel, o templo se fechou para as nações e passou ser usado para lutar contra as nações, no erro que achar que a eleição era um privilégio exclusivo para Israel. 

Hoje, Jesus continua reivindicando o seu Reino sobre cada um de nós e sobre todos nós. Hoje o Rei continua nos chamando ao arrependimento, a abandonar a ideia que a benção é só para nós. Somos chamados a nos entregarmos ao amor, à justiça e ao perdão do Rei e sermos instrumentos para abençoar e incluir as pessoas. Somos chamados a ser o verdadeiro templo, habitação de Deus no Espírito, a entender que o Poder, a Presença e o Perdão de Deus não estão nos edifícios, mas em Jesus, que nos chama a viver como seu corpo vivo, abençoando todas as famílias da terra, abençoando todas as nações, através da Boa Notícia do Evangelho do Reino de Deus. 


ORAÇÃO: "Senhor Jesus, louvamos o teu santo nome, pois tu és o Rei sobre todas as coisas. Te louvamos porque a presença, o perdão e o poder de Deus vem à nós através de ti, através do seu amor revelado na sua vida sem pecado, na morte na cruz pelos nossos pecados e na tua ressurreição, na qual o Senhor já derrotou todos os teus inimigos. Enche a nossa vida com a tua graça para que não confiemos em mentiras ou ilusões, mas que a nossa alegria, nossa paz e nossa esperança estejam em ti, o verdadeiro templo, o verdadeiro Rei, o único Senhor e Salvador. Oramos agradecidos em teu nome. Amém!


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