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terça-feira, 27 de agosto de 2019

Oração Que Leva à Vontade de Deus (Uma Meditação a partir de Mt 26.36-46)

Em Mateus 26 Jesus está com os discípulos em Jerusalém, prestes a ser preso, condenado e crucificado. Jesus leva consigo três dos seus discípulos (Pedro, Tiago e João) para orar. A oração de Jesus no Getsêmani nos ensina muito sobre oração.
1) ORAÇÃO É COMUNHÃO QUE CONDUZ À MISSÃO. Jesus está no seu momento mais terrível. Ele sempre soube que sua Missão era o Evangelho: viver por nós, sofrer por nós, morrer por nós e ressuscitar para a nossa salvação. Mas, antes da ressurreição estava a cruz! Antes de começar o seu ministério, Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo (Mt 4.1-11). O diabo oferece à Jesus glória sem cruz (vv. 8-9), mas Jesus recusa. Mas a hora da cruz havia chegado! E diante de tão grande sofrimento, Jesus busca a presença do Pai em oração. Orar não é falar com Deus; é conversar, é não apenas falar, mas ouvir a Sua Voz. Jesus ora em três momentos (vv. 39, 42 e 44). No v. 39 Jesus diz: “Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice! Contudo, não seja como eu quero, e sim como tu queres”. Jesus revela o seu desejo ao Pai, mas afirma que a sua vontade não é o seu próprio desejo, mas a vontade do Pai! E o v. 42 deixa claro que Jesus ouviu a voz do Pai: “Meu Pai, se não é possível que este cálice passe de mim sem que eu o beba, faça-se a tua vontade”. Impressionante é que, no v. 44, ele repete as mesmas palavras do v. 42. Mas para que? Para expressar ao Pai seu amor e adoração, se entregando à vontade do Pai completamente! No jardim do Éden o primeiro casal não confiou em Deus num belo dia cheio de vida, e resolveu fazer a própria vontade. No Getsêmani, numa noite terrível de agonia e sofrimento, Jesus confiou completamente no Pai e se entregou à sua vontade. E a vontade do Pai, para a qual o Filho se entrega, é o Evangelho: a reconciliação da criação com o Seu Criador na Cruz e na Ressurreição do Filho de Deus!
2) ORAÇÃO É PESSOAL E COMUNITÁRIA. Jesus não ora ao Pai apenas sozinho, mas chama Pedro, Tiago e João, seus discípulos mais chegados, para orarem junto. Jesus nos ensina que a oração é tanto pessoal como comunitária. Quando Jesus, no Sermão do Monte, chama a atenção dos hipócritas sobre “orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças”, a crítica não era para a oração pública, mas para a oração que era feita “para serem vistos pelos homens” (Mt 6.5). A oração deve ter como alvo Deus e a Sua glória, e não ser glorificado pelos homens, não contar vantagem porque ora. A oração deve ser uma prática tanto pessoal quanto comunitária, pois nela o povo de Deus conhece melhor a Deus, conhece melhor a vontade de Deus e é movido pelo Espírito de Deus a se entregar à vontade de Deus. E a vontade de Deus é o Evangelho no qual os salvos são perdoados, aceitos e recebidos por Deus como seus filhos e filhas, por causa da cruz e da ressurreição de Jesus.
3) ORAÇÃO É VIGILÂNCIA. Jesus estava diante da sua maior provação. Mas Jesus vigiou em oração e não caiu em tentação. Pedro, Tiago e João não vigiaram, e caíram em tentação. Nos vv. 31-35 Pedro é avisado que iria trair a Jesus, mas Pedro não acredita em Jesus. Nos vv. 47-56 Jesus é preso, e “todos os discípulos o deixaram e fugiram”. Todos fracassaram. Mas Pedro, além de abandonar a Jesus, o negou (vv. 69-75). Sem comunhão com Deus em oração somos incapazes de ouvir a voz de Deus, de conhecer a vontade de Deus e de fazer a vontade de Deus.

terça-feira, 9 de julho de 2019

A Contribuição como Expressão da Graça Generosa de Deus (uma meditação a partir de 2Co 8.1-15)



O que a Nova Aliança em Cristo tem a dizer sobre dízimos e ofertas? Em 2Co 8.1-15, Paulo apresenta a doutrina da contribuição segundo o Evangelho. Nos vv. 1-7, Paulo fala da generosidade dos macedônios , que, apesar de sua pobreza, ofertaram generosamente para socorrer a igreja irmã da Judeia, até mesmo “acima das suas posses”. No nosso texto, Paulo incentiva os coríntios a contribuir também. Mas é muito interessante perceber os argumentos que Paulo utiliza para que os coríntios contribuam.

1) CONTRIBUIR NÃO POR LEGALISMO, CHANTAGEM EMOCIONAL OU SUBORNO RELIGIOSO (v. 8a). “Não vos falo na forma de mandamento”. Os fariseus eram religiosos. Eles davam o dízimo até da horta! (Mt 23.23). Mas Jesus os chama de hipócritas, de atores. Religiosos que buscam na lei a sua salvação não entenderam a graça de Deus. Os fariseus entregavam o dízimo de tudo, mas negligenciavam a justiça, a misericórdia e a fé. Paulo não trata da contribuição como lei, nem como chantagem emocional. Ele não diz: “pensem nas criancinhas, nos velhinhos, nos famintos, que estão sofrendo tanto...”. Paulo também não faz “suborno religioso”, dizendo: “dá dez que Deus dá cem, dá cem que Deus dá mil”. Paulo não usa de chantagem emocional, nem suborno religioso!

2) CONTRIBUIR POR AMOR (v. 8b).  “[vos falo...] para provar (...) a sinceridade do vosso amor”. A contribuição não garante que a fé seja saudável, como vimos no caso dos fariseus. Mas está presente numa fé saudável! Deus é amor (1Jo 4.8) e a natureza do amor é a doação. O amor nunca pergunta “em quem eu vou mandar?” ou “o que eu terei?”, mas sim “a quem eu vou servir?” e “o que eu darei?”. Quem conhece a Deus, que é amor, vai demonstrar generosidade em sua vida, pois estará sensível tanto à vontade de Deus quanto à necessidade daqueles a quem Deus ama. O amor é provado na generosidade! E o amor a Deus acima de todas as coisas deve se manifestar em todas as coisas, inclusive nas finanças.

3) CONTRIBUIR COMO EXPRESSÃO DA VIDA DO DISCÍPULO (v. 9). Por que os macedônios foram generosos? A igreja da macedônia conhecia a Jesus, tinha intimidade com Jesus, seguia a Jesus. Segundo o v. 9, o Evangelho é o fundamento da generosidade cristã, pois Jesus, sendo rico, se fez pobre para nos enriquecer pela sua graça. E Jesus fez isso na Cruz e na Ressurreição! A graça não nos leva contra a vontade de Deus expressa na lei, mas sim a fazer a vontade de Deus. Jesus nunca amenizou os mandamentos da lei, mas os radicalizou (Mt 5.17-48). Do mesmo modo, sobre o mandamento do dízimo, na Nova Aliança não entregamos à Deus 10%, mas sim 100%! O dízimo na Nova Aliança não é o máximo, mas o mínimo! É por isso que, na igreja primitiva, os discípulos vendiam suas propriedades e compartilhavam todas as coisas (At 2.42-47). Em Mt 23.23 Jesus não afirma que o dízimo é opcional, mas ao contrário: “vocês deveriam fazer estas coisas [a justiça, a misericórdia e a fé] sem omitir aquelas [dízimos]”. Por isso, o dízimo não é o “teto”, mas o “piso”. Oferta é o que vai além do dízimo. Há religiosos que contribuem sem amor a Deus. Mas quem ama a Deus é levado pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo a contribuir com alegria. A graça de Deus é mais eficaz que a Lei. Devemos buscar atender as necessidades de uns para com os outros, para que não falte para ninguém (vv. 11-15). Amar a Deus acima de todas as coisas é honrar a Deus com o que temos, para o bem das pessoas e para o avanço do Evangelho.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Vamos Entrar na Dança? (Uma Meditação a partir de Jo 15.26-27; 17.1-21; Mt 12.30-32)

Deus afirma através da Bíblia que Ele é um Deus único (Dt 6.5), mas revela também que o Pai de Jesus é Deus, que Jesus é Deus e que o Espírito Santo é Deus. Portanto, Deus se revela à nós assim: o único Deus verdadeiro é, desde antes da criação, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. À esta doutrina chamamos doutrina da Santíssima Trindade. A Igreja Ortodoxa Grega costuma falar da Trindade através de uma Parábola Poética, chamada “Pericorese”. Imagine o seguinte: três crianças se amam, e tem consigo mesmas uma relação de liberdade e alegria, na qual costumam brincar de dançar de roda. De tempo em tempo, cada uma das crianças vai para o centro da roda e glorifica as que estão fora, elogiando e demonstrando seu amor por elas. Deus é assim consigo mesmo. Esta relação de Deus consigo mesmo pode ser percebida através de toda a Bíblia.

A RELAÇÃO DE DEUS CONSIGO MESMO. O Espírito e o Pai dão testemunho do Filho e glorificam ao Filho. A Antes que houvesse mundo, a glória do Pai e do Espírito era também a glória do Filho (Jo 15.26; 17.1,4-5). O Filho e o Espírito Glorificam o Pai (Jo 17.1,4), pois são enviados pelo Pai para a Sua glória. O Pai e o Filho glorificam o Espirito, pois a blasfêmia contra o Pai e contra o Filho podem ser perdoadas, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não tem perdão (Mt 12.30-32). Na dança de Deus, se busca a glória do outro, se serve ao outro, se ama ao outro.

A RELAÇÃO DE DEUS CONOSCO. Deus nos criou por amor. Mesmo após o pecado, Ele não deixou de nos amar. E a expressão maior do amor de Deus por nós é a Vida, a morte e a ressurreição de Jesus, na qual Deus entrega tudo por amor de nós. O Pai entrega o Seu Filho amado. O Filho a si mesmo se entrega. O Espírito se doa e vem habitar em nós. Não devemos buscar a nossa glória, pois é Deus quem busca a nossa glória.

A NOSSA RELAÇÃO COM DEUS. Deus quer que nós entremos na sua Dança amor, liberdade, alegria e entrega. Agora que cremos n’Ele, agora que cremos no Seu Amor revelado no Evangelho da Cruz e da Ressurreição, somos chamados a glorificá-lo, a entregar tudo à Ele, a reconhecer que toda a honra, toda a glória e todo louvor são devidos à Ele. Seu Amor nos dá tudo, mas exige tudo. Deus nos criou para participarmos da Sua Dança: se esvaziar de tudo para glorificar a Deus, que nos amou primeiro (Jo 15.27; 17.10,13,18,21). E quanto cremos n’Ele, quando confiamos n’Ele, quando nos entregamos totalmente ao seu Amor, nos entregando à Ele, é Ele quem nos enche da Sua glória. O Pai enviou o Filho ao mundo. O Filho enviou o Espírito à nós. E o Espírito em nós nos envia ao mundo, para que possamos CRER no Evangelho, VIVER de acordo com o Evangelho e ANUNCIAR o Evangelho. Deus te chama para entrar na dança dEle. Ele deu os primeiros passos e está disposto a nos ensinar a dançar, através do Discipulado, de uma vida que confia em Jesus para a salvação e para a ação. Vamos entrar na Dança?

Segue-me (Uma Meditação a partir de Mt 9.9)

Nosso texto de hoje é bem curto: “Quando Jesus saiu dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e lhe disse: ´Siga-me´” (Mt 9.9). Vamos entender o nosso texto.

JESUS CURA, LIBERTA E CHAMA PARA SEGUI-LO. Depois do anúncio do seu nascimento e de seus primeiros 30 anos (capítulos 1 e 2), do batismo por João Batista e o início do ministério (capítulos 3 e 4), Jesus prega o sermão do Monte (5-7) e, ao descer do monte, encontra um mundo doente, para o qual ele veio trazer cura (8-9). Nosso texto está no contexto de uma série de relatos de cura e exorcismos. Jesus manifesta que veio trazer o Reino de Deus em sua pessoa, suas obras e suas palavras. Mas algo curioso acontece nos relatos de cura e libertação: seu poder para perdoar pecados (9.1-7) e o chamado ao discipulado (8.1; 8.18-23; 9.9). Isso significa que Jesus veio curar o mundo libertando do poder da morte, do demônio, da carne (pecado), e esta libertação passa pelo chamado ao discipulado, ao chamado para seguir a Jesus! MAS SEGUIR A JESUS PARA ONDE? No Evangelho segundo Mateus, Os 30 primeiros anos de Jesus são narrados nos capítulos 1 e 2. Cerca de três anos são narrados nos capítulos 3 a 20. E uma semana (a semana da cruz e da ressurreição) é narrada nos capítulos 21 a 28. Jesus estava caminhando em direção à vontade de Deus para reconciliar todas as coisas na sua cruz e ressurreição. Jesus estava caminhando para a agonia da cruz e para a vitória da ressurreição! Seguir a Jesus é negar a própria vontade para se render ao Evangelho, para seguir a Jesus, para trilhar esta vida de cruz (rendição à vontade de Deus) e ressurreição! Jesus veio dar cumprimento ao chamado do povo de Israel, desde Abraão: “em ti todas as famílias da terra serão abençoadas”. Jesus não apenas cura e expulsa demônios, mas perdoa pecados e chama a todos para se tornarem seus discípulos. A cura do mundo está ligada ao chamado do povo de Deus em seguir a Jesus, em viver como ele viveu (rendição total à vontade de Deus e pregação das Boas Novas do Evangelho do Reino de Deus) e confiar apenas em Jesus para a reconciliação com Deus.

MATEUS, O PUBLICANO. Mas havia gente pecadora, como Mateus, o publicano. Um publicano era um cobrador de impostos pelo Império Romano, que enriquecia cobrando impostos para si. Ser publicano rendia muito dinheiro, mas era exigido do publicano muita responsabilidade. Mateus, ao invés de contratar funcionários para a coletoria de impostos (local onde os impostos eram recolhidos), exercia a função pessoalmente, sob o olhar de condenação dos judeus. Mas, um dia, Jesus, aquele que estava sendo seguido por multidões, aquele que curava, expulsava demônios e perdoava pecados, passou pela coletoria, e disse: “Segue-me”. Seguir a Jesus significava abandonar aquele “emprego” desonesto e que trazia miséria na vida das pessoas. Seguir a Jesus significava que ele perderia a função de publicano e não poderia recupera-la nunca mais! Seguir a Jesus significava que a sua vida seria dedicada a viver de acordo com Jesus e viver para anunciar o Evangelho do Reino de Deus. E Mateus se levantou da cadeira, deixou tudo para seguir a Jesus! E Jesus recebeu Mateus e vários pecadores em sua própria casa, para um banquete, para escândalo dos religiosos!

O CHAMADO DE JESUS HOJE. O chamado de Jesus não mudou. Ele não chama para sentar e esperar “ir para o céu”, mas para abandonarmos uma vida em que EU seja o senhor para uma nova vida, na qual Jesus Cristo é o Senhor. Jesus deseja continuar o seu ministério de cura às nações, através dos seus discípulos, de homens e mulheres que se levantam para fazer a sua vontade, para crer no Evangelho da cruz e da ressurreição, para viver de acordo com o Evangelho e para anunciar o Evangelho! Portanto, levante-se e siga à jesus!!! Jesus nos chama sair da cadeira e pregar o Evangelho para todos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Panorama da Bíblia (em uma página)



A história das criaturas tem como pano de fundo a história do Criador com a totalidade da criação. Esta é a verdadeira história narrada nas Escrituras em vários capítulos. Vamos contar esta história acompanhados das afirmações do "Credo Apostólico", Credo aceito tanto por Católicos Romanos quanto por Protestantes (Evangélicos).

1) CRIAÇÃO (Gn 1-2).
"Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, criador do céu e da terra".
O SENHOR Deus cria todas as coisas, e cria tudo “muito bom” (Gn 1.31). O SENHOR cria o ser humano à sua imagem e semelhança, para que expressasse a imagem e semelhança de Deus no governo da criação. O SENHOR nos criou em total harmonia: teológica (com Deus), psicológica (consigo mesmo), sociológica (com o próximo), ecológica (com toda a criação). O dever do ser humano no governo concedido por Deus na criação é desfrutar e proteger a criação (Gn 2.15), tendo como alvo não apenas o bem estar do ser humano e de todas as demais criaturas, mas acima de tudo a GLÓRIA DE DEUS. O próprio domínio do ser humano deve ser a expressão do REINADO DE DEUS sobre todas as coisas, para a GLÓRIA DE DEUS.

2) QUEDA (Gn 3-11).
"Creio... [na remissão dos] pecados".
O ser humano foi criado por Deus, tinha comunhão com Deus e ouviu a Palavra de Deus, cujo mandamento era simples: “não coma do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal”. Mas a serpente despertou no ser humano a incredulidade (não confiar em Deus e na Sua Palavra), que teve como fruto a desobediência (pecado). Nós caímos na fé em Deus (incredulidade), e precisamos levantar de onde caímos. O pecado foi a porta de entrada para todas as crises da humanidade: teológica (com Deus), psicológica (consigo mesmo), sociológica (com o próximo), ecológica (com toda a criação). É por isso que, de modo geral, as pessoas sabem que há algo de errado com o mundo, mas não conseguem explicar exatamente o que. O domínio de ricos sobre pobres, a desigualdade de gênero, a opressão étnica (“raças”), os distúrbios mentais e emocionais, enfim, todas estas crises tem como origem a crise fundamental na relação com o Deus Criador, que teve origem na incredulidade e na consequente desobediência.

3) ISRAEL (Gn 12-Ml 4).
"Creio em ... Cristo [/Messias]".
O Deus Criador é Amor (1Jo 4.8). Por isso, não abandonou a sua criação ao mal. O SENHOR é o Rei e nunca deixou de sê-lo. Por isso, o projeto do Reino de Deus é um projeto de Amor, de Restauração, de Justiça e de Paz. O ser humano pecou, e Deus chama o ser humano para ser seu colaborador na missão do próprio Deus, de restaurar todas as coisas. Por isso, Deus chama Abraão (Gn 12.1-3). O chamado de Deus para Abraão inclui a criação de uma grande nação (Israel), para que todas as famílias da terra fossem abençoadas. Abraão gera Isaque, que gera Jacó, que gera José e seus irmãos, que dão origem às 12 tribos de Israel, que ao final do Gênesis estão vivendo no Egito. O SENHOR liberta Israel da escravidão no Egito por meio de Moisés, e, confirmando a aliança com Abração, faz com Israel uma aliança, na qual Israel se compromete a adorar somente o SENHOR (culto) e a viver de acordo com a ética do reino de Deus (lei) (Ex 19). De Ex 19 a Nm 10.10 (Perícope do Sinai), Deus dá à Israel tudo o que precisa para viver na sua presença e cumprir o seu chamado: os mandamentos de Deus (ética), o tabernáculo (que abrigava a Arca da Aliança), o sacerdócio e os sacrifícios (culto). Com a Aliança no Sinai, o Israel assume o SENHOR como seu Rei. Após conquistar a terra prometida, o povo pede para si um rei, o que desagradou ao SENHOR (1Sm 8), e após dar ao povo um rei segundo o coração do povo (Saul), Deus concede à Israel um rei segundo o seu coração (Davi). O SENHOR promete à Davi um descendente que seria chamado de Filho de Deus, que reinaria para sempre e que edificaria um templo ao SENHOR (2Sm 7). Mas Israel não andou segundo a vontade do SENHOR, conforme denunciaram todos os profetas, tendo o reino de Israel, após ser dividido (Israel ao Norte e Judá ao Sul), foi destruído no Norte pelos Assírios (722 a.C.) e no Sul pelos Babilônios (587 a.C.). Israel fracassou no chamado e quebrou a aliança com o SENHOR (Jr 31.31-34). Assim termina o Antigo Testamento: no Exílio, expressão das crises trazidas pelo pecado do próprio povo de Israel.

4) JESUS (Mt-Jo).
"Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao céu; está sentado à direita de Deus Pai, Todo-poderoso".
Mas a história de Israel é conduzida à vitória por meio de Jesus de Nazaré, filho de Abraão, filho de Davi, Filho de Deus (Mt 1.1; Mc 1.1). O Filho de Deus se fez homem (encarnação), viveu uma vida perfeita de amor, perdão e justiça, completamente sem pecado (Hb 4.15), morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa salvação (1Co 15.1-4). Ele é o verdadeiro tabernáculo, o verdadeiro Sumo-Sacerdote, o Sacrifício Perfeito. Ele é a Palavra de Deus encarnada. Ele é o filho de Davi que reinaria para sempre, seria chamado Filho de Deus e edificaria a casa de Deus. Nele, todas as promessas de Deus encontram o seu SIM, a sua confirmação, o seu cumprimento. Ele não veio apenas para salvar almas, mas para reconciliar consigo todas as coisas. Após a sua morte na cruz do Calvário e a sua Ressurreição ao terceiro dia, Ele sobe aos céus, se assenta à direita do Pai para reinar, e intercede juntamente com o Espírito Santo pelo povo de Deus, que Ele mesmo constitui como Santuário de Deus.

5) IGREJA (At 1-Ap 20).
"Creio no Espírito Santo; na santa igreja universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados".
Após subir aos céus, Jesus envia aos seus discípulos o Espírito Santo, durante a festa judaica do Pentecostes, que acontecia 50 dias depois da Páscoa. Ao enviar o Espírito Santo aos discípulos, Jesus edifica a Igreja, seu Corpo, seu santuário. A Igreja é a comunidade de discípulos chamada por Deus para a Missão de Deus. Jesus chama a sua Igreja: “Toda a autoridade me foi dada no  céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.18-20). Nosso chamado é sermos discípulos de Jesus que fazem discípulos de Jesus. Estamos entre o Pentecostes e a Nova Criação. Na cruz e na ressurreição de Jesus, todos os inimigos de Deus já foram derrotados por Cristo, mas ainda não foram destruídos. Este é o período em que a igreja, como comunidade de discípulos de Jesus, é chamada a pregar o Evangelho, a Boa Nova da Salvação em Cristo Jesus, a todas as nações.

6) NOVA CRIAÇÃO (Ap 21-22).
"Creio em Jesus Cristo... que há de vir para julgar os vivos e os mortos... na ressurreição do corpo; na vida eterna".
Quando Jesus voltar, os mortos em Cristo ressuscitarão e, juntamente com os vivos em Cristo, serão todos levados diante de Deus (1Ts 4.13-18). Deus então vai julgar os vivos e os mortos (o que exclui a Igreja – Jo 3.16-18)), e trará Novos Céus e Nova Terra, em que habitam a justiça (Ap 21.1-22.5). Quando tudo estiver consumado, Deus será tudo em todos! (1Co 15.28).


Para saber mais:

BARTH, Karl. Credo - comentário ao Credo Apostólico. São Paulo: Novo Século, 2003.
BARTHOLOMEW, Craig G. e GOHEEN, MICHAEL W. O Drama das Escrituras: encontrando nosso lugar na história bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2017.
CARRIKER, Timóteo. A Visão Missionária na Bíblia: uma história de amor. Viçosa: Ultimato, 2005.
CMI (Conselho Mundial de Igrejas). A Confissão da fé apostólica. São Paulo: Conic/Ciências da Religião, 1993.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Chamados para manifestar o domínio de Cristo em tudo (Meditação em Hb 2.5-9)

Jesus domina sobre todo o universo, e não apenas sobre a alma das pessoas. A igreja é o povo de Deus chamado para manifestar visivelmente este reinado no mundo, até o dia em que o Rei voltar e destruir todo o mal que já derrotou. 

Deus é o Criador de todas as coisas. O Reino de Deus é o reinado de Deus sobre todos e sobre tudo. Não é um reinado apenas sobre a alma das pessoas ou sobre a sua religião. É um reinado sobre todo o cosmos! O pecado é a rebelião contra este Reino de Deus, pecado que se espalhou por todas as coisas, não apenas na vida das pessoas, mas em toda a criação.
JESUS REINA SOBRE TODAS AS COISAS (v. 8ab). Na sua encarnação, vida sem pecado, morte e ressurreição, Jesus trouxe o reinado de Deus, pois Ele se submeteu ao Pai de forma perfeita, sem pecado. Jesus viveu o Reinado de Deus e trouxe o reinado de Deus. Na cruz e na ressurreição Jesus venceu todos os inimigos de Deus, e sendo levado ao Pai, já reina hoje, sentado à direita do Pai. Jesus Reina hoje sobre todas as coisas, sobre os que creem e sobre os que não creem. Mas, por que não vemos este reinado de Cristo em todas as coisas?
“AINDA NÃO VEMOS TODAS AS COISAS A ELE SUJEITAS (v. 8c). Jesus derrotou todo o mal, (o mundo, a carne, o poder do diabo, o pecado, a morte), mas ainda não os destruiu. Quando Jesus voltar, destruirá os inimigos que já derrotou, porá fim à toda rebelião que ainda existe contra o seu Reino, e trará novos céus e nova terra, onde habitam justiça. Mas, até aquele dia chegar, “ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (v. 8c). Esta é a situação do mundo em que vivemos: apesar da vitória do Rei, apesar do Reinado de Cristo ser real e sobre todas as coisas, ainda há rebelião contra o reinado de Deus. Mas, apesar de haver batalhas ainda a ser travadas, a guerra já foi vencida pelo Rei na Cruz e na Ressurreição. Jesus já venceu! E, em breve, quando Ele voltar e destruir o mal que já derrotou, Ele estabelecerá completamente o Reino sobre todos e todas as coisas!
A IGREJA É O POVO DE DEUS CHAMADO A MANIFESTAR O REINADO DE CRISTO SOBRE TUDO. Os discípulos de Jesus Cristo são aqueles que reconhecem que Ele é o Rei, é o Senhor. Jesus Cristo é o Senhor e o Salvador, pois só Ele derrotou o mal completamente, na sua vida sem pecado, na morte na cruz pelos nossos pecados e na sua ressurreição. E como discípulos de Jesus, devemos viver o seu reinado, o seu senhorio, em tudo e em todas as coisas. O Reino de Deus não tem relação apenas com oração, leitura da Bíblia, jejum e culto, mas com o resultado da fé e das práticas espirituais que a Palavra de Deus ensina na vida. Jesus Cristo é o Senhor de tudo, e o seu reinado deve ser manifesto pelo povo de Deus na universidade, nas escolas, economia, na política, nas repartições públicas, na ação social, na cooperação com homens e mulheres de boa vontade neste mundo. A igreja de Jesus Cristo é a comunidade de discípulos que crê no Evangelho, vive de acordo com o Evangelho e anuncia o Evangelho. O Evangelho é a Boa Notícia que o Rei veio para nos salvar na sua cruz e ressurreição, e que hoje reina sobre todas as coisas. Nosso chamado é expressar este reinado em tudo, para a glória de Deus.



quarta-feira, 23 de maio de 2018

De Jerusalém sairá a lei que atrairá as nações ao SENHOR da Paz (Meditação em Is 2.2-5)

Em Babel, a língua dos homens foi confundida, e as pessoas se espalharam de Babel para as várias nações, com suas muitas línguas e seus vários costumes e leis. A arrogância humana levou à divisão e à distância dos povos. Isaías afirma que Babel chegará ao fim, em outra cidade: Jerusalém. Esta cidade será elevada e se tornará o centro de encontro, para a qual as nações subirão (vv. 2-3c), será o ponto de partida da verdadeira Torá (instrução) de Deus (vv. 3dg), e nela o Rei exercerá a sua função de Juiz das nações, trazendo a paz ao transformar espadas em arados e lanças em podadeiras (v. 4). Esta palavra se realiza em outro capítulo da Bíblia: At 2, o Pentecostes!

1) Jerusalém é a partida: Nos últimos dias, a Lei de Deus partirá dela. Torá significa lei, instrução, ensino. Isaías profetizou no século  VIII a.C., séculos depois que o SENHOR entregara a Lei aos hebreus. Mas, se a Lei de Moisés já fora dada, por que Isaías afirma que “de Sião SAIRÁ a lei, e a palavra do SENHOR de Jerusalém”? (v. 3). Qual será a razão da exaltação de Jerusalém “nos últimos dias”? O tema da Jerusalém elevada entre as nações, da Lei que sairá dela, da Palavra do Senhor que partirá de Jerusalém, está relacionado ao capítulo 2 de Atos dos Apóstolos: Jesus ressuscitado, o novo templo, ordena a seus discípulos que permaneçam em Jerusalém até que sejam revestido de poder, através do dom do Espírito Santo. O EVANGELHO é a LEI que sairá de Jerusalém. É o Deus encarnado que morreu na Cruz pelos nossos pecados, ressuscitou para a nossa salvação, e enviou o seu Espírito Santo. E o Espírito Santo que veio habitar nos discípulos testemunha de Jesus Cristo e do Evangelho. Não há avivamento sem a Lei de Deus que parte de Jerusalém, onde Jesus foi crucificado e ressuscitado e pregado pelos discípulos após o Pentecostes. Não há avivamento sem a Boa Nova do Evangelho de Jesus Cristo.

2) Jerusalém é a chegada: As nações subirão à Jerusalém para aprender a verdadeira Torá. Por isso, os povos subirão à Jerusalém, e se converterão ao Deus de Jacó, através do Evangelho de Jesus Cristo. Não apenas Israel, mas todas as nações. Em At 1.8, Jesus afirma: “E recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra”. Quando os discípulos recebem o Espírito Santo, a primeira coisa que eles fazem é SAIR e PREGAR O EVANGELHO aos judeus espalhados entre as nações, que foram à Jerusalém para adorar na Festa do Pentecostes. E Jesus já havia deixado claro que Jerusalém era só o início: o Evangelho alcançaria “os confins da terra” (At 1.8). O Espírito Santo nos leva a PREGAR a Palavra de Deus a todas as nações! Não há avivamento sem pregação do Evangelho.

3) O Juíz da Paz, crucificado e ressuscitado, julgará as nações para trazer a paz. Isaías fala de alguém (“Ele” – v. 4), que julgará (portanto, é Juiz – função dos reis no Antigo Testamento). Ele vem trazer a paz, ao converter espadas em arados (não veio para trazer violência, mas para matar a nossa fome). A luz que brilha é a Sua luz. “Ele” é o próprio SENHOR (v. 5). Jesus veio para renovar toda a criação, a partir do seu povo, dos seus discípulos. O Rei e Juiz veio para endireitar nossos caminhos, para que deixemos a guerra e o mal e nos convertamos à paz e ao bem. Jesus Cristo é o Emanuel, o Deus conosco! A sua presença traz conversão a Deus, pois Ele veio para nos reconciliar com Deus. Não há avivamento sem a presença de Jesus, sem a presença do Espírito, que traz renovação de vida!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Natal: nasceu o Emanuel - o "Deus conosco" (Mt 1.22-23) - ou "Você já esteve com alguém que não estava com você?"


"Ora, tudo isto aconteceu para se cumprir o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta: 'Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel' (Emanuel significa: 'Deus conosco')" (Mt 1.22-23).

VOCÊ JÁ ESTEVE COM ALGUÉM QUE NÃO ESTAVA COM VOCÊ?
É tão triste sofrer ingratidão e injustiça! Você já amou alguém que não te amava? Já esteve com alguém que não estava com você? Já sentiu que ninguém estava ligando prá você na sua própria festa de aniversário? Já se sentiu esquecido e usado? É muito triste sentir a ingratidão e a injustiça contra nós. Mas como será que o próprio DEUS sente a ingratidão e a injustiça, diante de todo o Seu Amor por nós?

DEUS É DEUS POR NÓS, CONOSCO E EM NÓS!
Jesus é o "Emanuel", o "Deus conosco"! Deus nos ama e se importa conosco.
Jesus é o Filho de Deus, e Ele revela que Deus é bom e está a nosso favor, e não contra nós. Nenhum de nós consegue compreender a Deus ou entender a Deus.  Mas este Deus misterioso se revela a nós e a plenitude da Sua Revelação é a pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus que se fez homem e habitou entre nós. O auge da revelação de Deus em Cristo é a Cruz. Na Cruz podemos contemplar que Deus é amor: Deus Pai é Deus por nós, Deus a nosso favor, pois envia o Filho ao mundo para trazer salvação, para nos reconciliar com Ele. Deus Filho é Deus conosco, Deus que se faz humano para assumir a nossa história de dor, sofrimento e pecado, para redimir esta história através da sua cruz e ressurreição. Jesus é Deus assumindo a nossa miséria, dor, maldição e pecado (na cruz), para nos dar a sua vida eterna e gloriosa (na ressurreição). Deus Espírito Santo é Deus em nós. Ele é enviado pelo Filho aos nossos corações, é o penhor da nossa salvação e testifica nos nossos corações que somos filhos de Deus. O Espírito Santo não apenas inspira as Escrituras mas as ilumina aos filhos e filhas de Deus.
Eu não entendo o sofrimento, a dor e a morte. Entendo alguma coisa sobre, mas não tenho todas as respostas. Mas uma coisa eu sei: Deus é amor, Deus é por nós, conosco e em nós, e esta revelação foi feita na Cruz e na Ressurreição de Jesus Cristo, o Emanuel! Eu não entendo a Deus, mas eu creio em Deus, confio em Deus, me entrego a Deus; e esta confiança eu tenho no "Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2.20). Na cruz eu contemplo perplexo e maravilhado um Deus que me ama a ponto de Deus Pai enviar o Seu Filho único para nos reconciliar com Ele. Na cruz eu contemplo extasiado e sem palavras um Deus que me ama a ponto de Deus Filho a si mesmo se entregar por nós! Na cruz eu contemplo pleno de alegria o amor do Espírito, que após a dor da separação da cruz, levanta o Filho glorioso e vitorioso dentre os mortos! Na Cruz eu contemplo o Deus que me ama na humilhação da manjedoura, no sofrimento da vida perfeita e sem pecado, no horror da morte, na vitória da ressurreição!

VOCÊ ESTÁ COM DEUS?
O SENHOR é Deus conosco! Mas e nós, somos com Deus? Deus é por nós, mas nós somos por Ele? Ele nos amou na criação, nos amou apesar do pecado, nos amou na cruz e ressurreição de Jesus, nos ama hoje e em breve vai renovar toda a sua Criação. E nós, o amamos com o amor que Ele nos  amou primeiro? Como você sente a ingratidão e a injustiça das pessoas contra você? Como será que o SENHOR se sente com a ingratidão e a injustiça das pessoas contra Ele? Sabe como? Na graça que Ele está oferecendo na Cruz e na Ressurreição daquele que nasceu na manjedoura.

FELIZ NATAL! Que o amor de Deus por nós, revelado no nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, encha de alegria e paz a nossa vida, para que o SENHOR seja exaltado e glorificado!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O Sonho da Casa Própria - que não cai (Meditação em Mateus 7.24-27)



O Sermão do Monte (capítulos 5 a 7 do Evangelho segundo Mateus) reúne a essência do ensino de Jesus sobre a nova vida no Reino de Deus. É a apresentação da ética do Reino de Deus, a maneira como Jesus viveu e chama os seus discípulos a viver. A nossa cultura, nosso sistema econômico, a mídia, a opinião dos amigos (=mundo), nossos sentimentos e desejos (=carne), enfim, tudo nos pressiona a viver diferente do ensino de Jesus. Seguir a Jesus é andar na contramão.
Jesus nos ensina a fazer as coisas sem buscar a própria glória (inclusive orar, jejuar e ajudar o próximo), para buscar a glória de Deus; Jesus nos ensina a amar os inimigos (fazer o bem, ajudar), a não se vingar, a dar a outra face, a caminhar a segunda milha, a perdoar incondicionalmente, a se importar mais com o Reino de Deus que com as coisas passageiras desta vida, a não julgar os outros, a vencer o mal pela prática do bem, enfim, Jesus nos convida à um caminho apertado, difícil de se caminhar. É muito fácil viver contra o Evangelho e, mesmo assim, ser evangélico, frequentar igreja, continuar vivendo no ódio, no ressentimento, na indiferença. Em Mt 7.24-27 Jesus ensina ainda algo surpreendente: é esta vida diferente, é esta vida no Espírito, cheia da graça de Deus, é esta vida de cruz, de consagração a Deus, enfim, é esta vida firmada em Cristo a única que pode nos sustentar, nos edificar, nos fazer suportar todo tipo de adversidade. Sim, pois em breve, quando encontrarmos o último inimigo, a morte, apenas aqueles que estiverem em Cristo vão continuar.
Todo este maravilhoso, lindo e duro discurso de Jesus se encerra no nosso texto, Mt 7.24-27, em que Jesus nos ensina o seguinte:
1) Devemos ouvir a tudo o que Jesus ensinou
Hoje as pessoas tem como que coceira no ouvido: só querem ouvir aquilo que é agradável, que dá friozinho na barriga, que emociona. O Evangelho é maravilhoso, pois revela o amor tão maravilhoso de Deus. Por outro lado, o Evangelho também é duro, pois revela quem nós somos e as exigências de Deus em relação a nós. O Evangelho não é “caixinha de promessa” ou “mensagem de auto-ajuda”. Ele é a revelação de quem é Deus, de quem somos, e do único caminho de reconciliação com Deus: a Cruz e a Ressurreição de Jesus Cristo.
2) Devemos praticar a tudo o que Jesus ensinou
Somos bons em responder perguntas. Às vezes ouvimos coisas do tipo: “Ah, mas isso é muito fácil. Eu queria ouvir coisas mais profundas sobre a Bíblia”. Às vezes, corremos o risco de ser como o Herodes, que ouvia a João Batista com mente aberta, mas jamais reteve a mensagem do Reino de Deus pregada pelo profeta (Mc 6.20). Devemos praticar o que ouvimos da Palavra de Deus. O Evangelho da Cruz e da Ressurreição não é teoria, mas NOTÍCIA daquilo que Deus fez para se reconciliar conosco, pela sua graça. Por isso, devemos crer no Evangelho, viver o Evangelho, e não ter apenas precisão doutrinária sobre ele.
3) Qual a diferença de quem ouve e de quem ouve a pratica?
Quem ouve a Palavra de Deus e a não a pratica é semelhante a alguém que edificou a sua casa em terreno instável, sem o devido alicerce. Quem ouve a Palavra de Deus e pratica é semelhante a alguém investiu em alicerces firmes. Ou seja, é a PRÁTICA da Palavra de Deus, e não a mera audição, que nos dá alicerces firmes! Se alguém não conhece a Bíblia e pratica algum princípio dela na vida, vai colher seus frutos desta prática. Se alguém conhece a Bíblia e não pratica algum princípio, não vai colher seus frutos. No dia da tribulação, da adversidade, dos ventos contrários, só a casa de quem ama a Deus e pratica a sua Palavra é que ficará de pé, pela graça de Deus. Todos querem a casa própria. Mas só permanece de pé a casa de quem edifica a casa sobre a Rocha. Que a sua vida esteja edificada na verdade do Amor de Deus, revelado no Evangelho de Jesus Cristo, manifestado na Cruz e na Ressurreição de Jesus!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Você tem fome de quê? - ou "Creia no Pão da Vida e Farás as Obras de Deus" (Meditação em Jo 6.22-40)


CONTEXTO: Após o milagre da partilha, em que Jesus multiplicou os pães e os peixes (vv. 1-15), Jesus se retira se retira para o monte e seus discípulos descem para o Mar da Galiléia (vv. 15-16). Jesus se encontra com seus discípulos andando sobre as águas (vv. 16-21) e chega à outra margem. As multidões vão atrás de Jesus (vv. 22-24) e o encontram. Jesus estabelece, então, um diálogo com aquela multidão de judeus.
1) VOCÊS ME PROCURAM POR INTERESSES EGOÍSTAS (vv. 25-27). Não há nada de errado em querer matar a fome. Não há nada de errado em desejar ser curado. Não há nada de errado em querer algo bom (emprego, casa, família, etc.). O problema é procurar a Deus APENAS POR CAUSA dessas coisas, ou mesmo EM PRIMEIRO LUGAR por causa dessas coisas. Fomos criados por Deus e para Deus, para a glória de Deus. Jesus morreu e ressuscitou por nós não para que continuemos a viver de maneira egoísta, mas para que possamos viver para Ele! (2Co 5.15). Devemos viver (trabalhar) não apenas para as coisas desta vida, não apenas para a comida que perece, mas pela verdadeira comida que é para a VIDA ETERNA.
2) COMO FAZER PARA REALIZAR AS OBRAS DE DEUS? (vv. 28-29). Se não devemos trabalhar apenas para o "aqui e agora" (“pão desta vida”), devemos trabalhar para aquilo que é Eterno. Mas, afinal, como fazer para realizar as obras que Deus deseja que façamos? Como fazer a vontade de Deus? Jesus responde com clareza: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (v. 29). Jesus afirma que “somente a fé” nEle é suficiente! Se é assim, por que tanta gente vive uma vida sem esperança, sem amor, sem boas obras, fruto? A resposta é simples: Precisam crescer na FÉ EM CRISTO! NÃO É APENAS ACREDITAR em JESUS, mas sim CONFIAR NELE de TODO O CORAÇÃO. É agir por AMOR E GRATIDÃO! A fé em Cristo liberta e traz renovação. Cresça em conhecer e experimentar aquilo que Deus fez, está fazendo e fará em tua vida através de Jesus, e as obras de Deus vão fluir em sua vida. Não são as obras que te conduzem a Jesus, mas é a fé e a confiança em Jesus e no amor dEle por ti que vão te conduzir às obras de Deus. As obras de Deus em nós são fruto da GRAÇA, mediante a FÉ em JESUS. Creia em Jesus, e as obras de Deus serão feitas na tua vida, para a glória de Deus!
3) JESUS, O PÃO DA VIDA, NOS SACIA E DÁ VIDA ETERNA (vv. 30-40). Você tem sede de que? Você tem fome de que? O que você precisa para ser feliz? O que você precisa para ser SACIADO? Os judeus viram sinais e não estavam satisfeitos: queriam mais sinais! Nunca está bom o suficiente! Eles queriam mais pão, queriam o Maná, o pão do céu (vv. 30-34). Mas Jesus afirma que ele mesmo é o PÃO DO CÉU, que mata a fome e a sede, que SACIA COMPLETAMENTE! Mas os judeus, que liam a bíblia, oravam e acreditavam em Deus, não criam de verdade em Jesus! Sem Jesus, o mundo inteiro não é capaz de matar a fome, de saciar a sede, de trazer satisfação. Crer em Jesus nos traz satisfação, nos traz convicção do nosso valor, de que Deus nos ama, perdoa, e tem reservado o melhor para nós. Deus abençoa hoje, mas tem a VIDA ETERNA reservada para nós. Em Cristo somos saciados no mais profundo do coração. Ele te convida hoje a se entregar completamente à Ele, a confiar nEle, a se satisfazer nEle! Só Ele pode salvar a tua vida – neste mundo e no porvir!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A Cruz só é boa notícia por causa da Ressurreição (Meditação em 1Co 15.12-20)


A ressurreição é o tema fundamental da doutrina cristã da salvação. A salvação que Deus realiza em Cristo não é uma mera “salvação da alma”, mas é salvação da pessoa inteira: o interior (alma/espírito) e o exterior (corpo). Não temos um corpo ou uma alma: Nós somos o corpo, a alma e o espírito!!! Na doutrina bíblica da ressurreição, o fundamento de tudo é a ressurreição de Jesus Cristo. Na ENCARNAÇÃO, o Filho de Deus se identifica com a humanidade; no BATISMO, se identifica com os PECADORES; na CRUZ, com as VÍTIMAS. Na RESSURREIÇÃO, o Filho de Deus não apenas nos salva, mas nos chama a que nos identifiquemos com ELE na NOVA VIDA de FILHOS DE DEUS.
Na Igreja de Corinto, alguns questionavam a ressurreição, assim como, lamentavelmente, hoje em dia alguns “cristãos” afirmam que acreditam em REENCARNAÇÃO – negando, assim, a RESSURREIÇÃO de JESUS. A Ressurreição de Cristo é o fundamento da ressurreição de todos os salvos e, consequentemente, o fundamento da doutrina bíblica da salvação! Negar a ressurreição é negar que Deus deu apenas uma resposta ao pecado: o EVANGELHO, a sua ação salvadora através de Jesus Cristo, na sua vida sem pecado, sua morte na cruz pelos nossos pecados e a sua ressurreição.
Porque cremos em Jesus Cristo e na sua ressurreição, sabemos que Jesus JÁ venceu todos os inimigos de Deus: o mundo, a carne, o diabo, o pecado e a morte! A ressurreição é a vitória de Cristo sobre todos os inimigos de Deus.
Porque cremos em Jesus Cristo e na sua ressurreição, cremos que Deus também nos ressuscitará – ou seja, quem vai dar a última palavra sobre nós não é o sofrimento, o pecado ou a morte, mas é Deus, que nos ama e nos salva pela sua graça em Cristo Jesus.
Porque cremos em Jesus Cristo e na sua ressurreição, sabemos que a esperança triunfa, inclusive sobre a própria morte! Nada pode derrubar a esperança firmada naquele que por nós viveu, morreu e ressuscitou!
Porque cremos em Jesus Cristo, sabemos que, um dia, todos aqueles que amam a Deus estarão para sempre juntos, em plenitude de alegria e paz, em Cristo!
A ressurreição de Jesus é a maior e a melhor de todas as notícias!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Colhemos apenas o que plantamos? (Meditação a partir de Lc 13.1-9)


Em Lucas 13.1-9, Jesus ensina seus discípulos sobre a “Teologia da Retribuição”, ou seja, a doutrina que afirma que tudo o que acontece conosco é consequência do que nós mesmos fazemos. Ou seja, todo o mal e o bem que eu recebo só chega até mim porque eu o fiz por merecer, tanto o bem quanto o mal. Apesar de “parecer” bíblica, não é o que a Bíblia ensina.
O livro de Jó contesta o tempo todo a doutrina de retribuição. Vamos conferir o que Jesus está
ensinando.
1. Cada um carrega a sua própria culpa. Ninguém jamais será culpado pelos pecados dos outros. Deus não julgará os pais pelos pecados dos filhos, nem julgará os filhos pelos pecados dos pais. “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.20). Em Gálatas, Paulo afirma: “O que o homem semear, isso também colherá” (Gálatas 6.7). Em resumo: Cada um carrega a culpa pelo próprio pecado. Ninguém será condenado pelo pecado do outro.
2. As consequências do pecado são sentidas pelos outros. No entanto, a carta de Paulo aos Gálatas não está ensinando que colhemos APENAS o que semeamos! Jesus dá o exemplo dos Galileus mortos por Pilatos (provavelmente numa revolta) e pelos 18 homens que morreram com a torre de Siloé que desabou: Estes homens que morreram não eram nem melhores e nem piores que aqueles que permaneceram vivos! Eles não morreram porque eram piores ou melhores que os outros! A Bíblia dá o exemplo de Caim e Abel: quem pecou, cometendo assassinato (pecado, culpa), foi Caim, mas quem morreu (consequência) foi Abel! A Bíblia ensina que ninguém será condenado por causa do pecado que o outro cometeu, mas ao mesmo tempo, ela ensina que as consequências do pecado são sentidas também por quem não pecou! Ou seja:
As consequências do pecado podem ser sentidas não apenas por quem pecou, mas também pelos demais.
3. O que acontece ao nosso redor serve para nos ensinar. Depois que Jesus falou dos Galileus mortos por Pilatos e pelos 18 que morreram com o desabamento da torre de Siloé, Jesus disse a mesma frase: “se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lc 13.3,5). Ou seja, aquilo que acontece ao nosso redor deve servir de lição para nós. Imagine a queda de um avião que leva à morte de várias pessoas. Todos cheios de planos, de alegrias, de objetivos, mas mortos de repente. O que acontece ao nosso redor deve servir de lição para nós. Vamos nos arrepender do mal, se voltar ao amor de Deus e amar uns aos outros!
4. Em Cristo, colhemos o bem que não semeamos! Tem gente que questiona: “mas é justo que a gente sofra a consequência do que os outros fazem?" Ora, em primeiro lugar, também desfrutamos do bem que os outros fizeram. Você já ganhou alguma herança? Alguém já cuidou de você, já te ajudou? Alguém compartilhou contigo o Evangelho? Do mesmo modo, nós não somos salvos por nosso próprio mérito, mas pelo mérito de Cristo. Jesus realizou a justiça que nos conduz à Deus, e não nós mesmos! Em Cristo, colhemos o que nós não plantamos, mas que Cristo plantou! A parábola que Jesus contou também nos ensina isso: somos a figueira do Senhor. Vamos deixar o mal prá trás e dar fruto, para a glória de Deus! Por isso, vamos deixar o mal prá trás, vamos nos arrepender do mal, e vamos viver uma vida de amor, perdão e comunhão – ou seja, vamos andar de acordo com a Palavra de Deus e o Espírito de Deus, e dar fruto para a glória de Deus, pois em Cristo recebemos o perdão e o poder para uma nova vida, pela graça de Deus!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Quem não é limpo pelo Rei não tem parte com Ele (Meditação em Jo 13.1-20)


Jesus lava os pés dos discípulos. Mas o que isso significa?
Jesus é o Rei dos reis, o Filho de Deus, o Senhor de toda a criação. Mas ele veio ao mundo, e apesar de ser o Filho de Deus, por meio de quem tudo o que existe foi criado, Ele se fez homem. E Ele se fez homem para nos salvar de uma vida sem presença de Deus, sem perdão de Deus, sem poder de Deus. No “lava-pés”, Jesus veste os trajes de um escravo/servo (v. 4), e assume a atitude de um escravo: lava os pés dos discípulos! Jesus queria nos ensinar algumas coisas muito importantes:
1) Quem não é limpo por Ele não tem parte com Ele (v. 8). Jesus não é apenas um mestre, mas é “o” Salvador. Quando alguém está se afogando, não adianta jogar um manual de natação. Do mesmo modo, de nada adianta tentar ensinar alguém a nadar antes que o salvemos do afogamento. Jesus primeiro nos salva do afogamento, e só depois nos ensina a nadar. Ele é mais que um mestre: é um salvador. E ele nos salva nos lavando dos nossos pecados, através da sua morte na cruz e da sua ressurreição! Não adiante tentar imitar as atitudes de Jesus se não estamos purificados. O instrumento do médico só serve depois de esterilizado. O talher é útil se estiver limpo. Só podemos servir após recebermos o serviço do mestre, nos purificando! Quem não aceita ser lavado por Ele, que não crê na salvação que Ele realiza na cruz e na ressurreição, não tem parte com Ele! Só tem parte com Jesus quem é limpo por Jesus!
2) Antes de imitá-lo, precisamos aceitar o seu serviço! É necessária muita humildade para servir ao outro, mas também é necessária humildade para ser servido, pois reconhecemos a nossa fraqueza e a nossa necessidade. Antes de servir a Cristo precisamos entender que precisamos que Ele faça algo fundamental por nós: nos limpar. É necessária humildade para servir, mas igualmente é necessária humildade para ser servido. Primeiro, precisamos de purificação, de salvação, de graça de Deus. É só depois que aceitamos (cremos) aquilo que Jesus fez por nós que estamos capacitados, pela sua graça, a servi-lo. Se você não se humilhar e reconhecer que precisa ser servido por Ele, não será capaz de servi-lo! Só se torna seu discípulo quem recebe com humildade o serviço do Rei na cruz e na ressurreição!
3) Uma vez servidos pelo Rei, servimos ao Rei servindo aos outros (vv. 15,20). O Rei nos serviu. O Rei vestiu trajes de servo para servir aqueles que eram menores do que Ele. Se o nosso Rei fez assim, uma vez limpos por Ele, devemos imitar as suas obras. Jesus nos chama à purificação, através da cruz e da ressurreição, e nos chama a, uma vez purificados, andarmos segundo o seu exemplo de serviço, amando a todos, inclusive aos nossos inimigos. Uma vez purificados, nos tornamos servos de Deus, tendo como exemplo maior o nosso Rei e Salvador Jesus Cristo. Servos de Deus são chamados a servir aos outros, assim como Deus, em Cristo, nos serviu nos limpando!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O Evangelho muda as relações de Poder (Meditação em Mc 10.35-45)


De acordo com a Bíblia, o Evangelho não é apenas a doutrina inicial que os cristãos devem crer. O Evangelho não é apenas o “ABC”, mas é o “A à Z” da vida cristã. Tudo na vida deve ser regido pelo Evangelho, inclusive as RELAÇÕES DE PODER. Mas como é o poder à luz do Evangelho? Vamos refletir sobre o tema a partir de do texto bíblico de Mc 10.35-45, que nos ajuda a discernir o padrão de Jesus (Evangelho), o padrão da religião legalista, bem como nos ajuda a entender o padrão do secularismo.
1) A RELIGIÃO: PODER COMO DOMÍNIO. Os discípulos eram todos judeus que conviviam há séculos com o poder, mas infelizmente não aprenderam algumas lições da Palavra de Deus. No jardim Deus criou homem e mulher como livres e iguais entre si: este é o padrão de Deus. No entanto, o pecado trouxe uma desarmonia nas relações de poder, pois a partir do pecado, o macho domina sobre a fêmea, o rico sobre o pobre, o forte sobre o fraco.... Este não é o padrão da criação, mas é o padrão da queda. Com Caim e Abel, tem início o domínio do mais forte sobre o mais fraco, levando, inclusive, à morte! No mundo antigo, a religião tinha como função legitimar o poder de quem governava. Na Bíblia, Deus sempre instruiu o seu povo a um novo padrão de relação de poder, como podemos ver na Confederação das Tribos (período dos juízes), mas a monarquia abandonou este projeto de Deus para um outro, no qual o abuso do poder foi frequente, como podemos ver nas denúncias dos profetas. O profetismo sempre denunciou o poder quando se converte em fonte de dominação e violência! Hoje em dia, tem inclusive políticos ditos evangélicos que estão procurando dar legitimidade a este ou aquele programa político de dominação. O único projeto de poder que não é de dominação é o Reino de Deus! Tiago e João queriam domínio, mandar nos outros, e isso no contexto do Reino de Deus! Não entenderam o Reino de Deus!
2) O SECULARISMO: PODER COMO DEMOCRACIA. Democracia significa “poder do povo”. Pelé disse certa vez: “A voz do povo é a voz de Deus”. A Bíblia não concorda. Segundo a Bíblia, o povo gritou: “Crucifica-o, crucifica-o!”. Todos pecaram e foram corrompidos pelo pecado. O mesmo povo que clama por justiça é o povo que pratica injustiça. Wiston Churchill, estadista e escritor britânico, disse certa vez: “A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que tem sido tentadas de tempos em tempos”. A democracia é a “menos pior” das formas de poder deste mundo, mas tanto ela quanto todas as demais formas foram corrompidas pelo pecado humano. Na democracia há relações de poder de pessoas corruptas, com interesses egoístas e ideologias destruidoras. Se o povo é o critério de todas as coisas, o que fazer quando o próprio povo é corrupto e pratica a exploração do semelhante em todos os níveis (econômico, social, religioso)?
3) O EVANGELHO: PODER COMO SERVIÇO. Jesus inverte as relações de poder. O padrão de poder de Jesus é o padrão de poder do Evangelho: não DOMÍNIO, mas SERVIÇO. No Reino de Deus, o verdadeiro poder não é o DOMÍNIO, mas o SERVIÇO. E onde encontramos este padrão? Em Jesus, no Evangelho: “o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). O Filho de Deus, mediante quem tudo o que existe foi criado, se fez homem e veio ao mundo, não como rico, não como rei, não como dominador, mas como pobre, servo, marginalizado. Ele veio para amar, para servir. Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, e se nós somos seus discípulos, vamos seguir o caminho do mestre: no Reino, o amor é o verdadeiro poder; por isso, poder é serviço. O caminho de Jesus é tirar o ego do trono da nossa vida e entronizar o único que é Rei, que sendo Rei, se fez servo de todos! Discípulo de Jesus não procura poder e glória para si, mas para Deus – e por isso toma a sua cruz. O Evangelho é poder como serviço para a glória de Deus!
Como discípulos de Jesus, todas as áreas da nossa vida dizem respeito à nossa espiritualidade, e por isso tudo na nossa vida deve revelar a relação de poder do Evangelho: PODER É SERVIÇO, para a glória de Deus.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Não invalide a Palavra de Deus pela Tradição (Meditação em Mt 15.1-20)


Todas as igrejas tem tradição, quer reconheçam, quer não. Jesus nos ensina que há tradição boa e ruim, e estabelece o critério para julgar as tradições.
1) A PALAVRA DE DEUS ESTÁ ACIMA DAS TRADIÇÕES (vv. 3-6). Na perspectiva da Igreja Romana na época de Lutero, havia 3 fontes de doutrina: a Bíblia, a Tradição e o Magistério. A única intérprete autorizada da Bíblia seria a Tradição, e quem mantém e cria Tradição é o Magistério - e assim a Bíblia se torna refém da Tradição e do Magistério! Vamos dar um exemplo: "Oração e Culto". Segundo a Bíblia, somente Deus pode receber oração (Mt 6.9ss) e culto (Dt 6.13; Mt 4.10; Ap 19.10). Mas, se é assim, por que a Igreja Romana na época do Lutero autorizava oração aos santos e à Maria? Por causa não da Bíblia, mas da Tradição. Jesus afirma que A TRADIÇÃO SÓ TEM LEGITIMIDADE QUANDO ESTÁ CONCORDANDO COM A BÍBLIA, E NÃO O CONTRÁRIO! A Bíblia é maior que a Tradição e é a Bíblia quem deve definir a Tradição. Temos tradições, mas elas constantemente devem ser submetidas à Bíblia, às Escrituras!
2) SOMENTE A ESCRITURA PODE NOS CONDUZIR À VERDADEIRA ADORAÇÃO (vv. 7-9). Todo despertamento e avivamento duradouro são fruto da fidelidade à Palavra de Deus. Adorar a Deus é reconhecer que somente o SENHOR é Deus, é Criador, é o sustentador da criação; somente o SENHOR é dono de tudo e de todos; somente o SENHOR é o Rei dos reis e Senhor dos senhores; somente o SENHOR É SALVADOR. O nome “Jesus” significa “o SENHOR é SALVAÇÃO”. Adoração é se entregar a Deus por ser Ele quem É e fazer o que faz, através da cruz e da ressurreição de Jesus. Jesus ensina que SOMENTE A ESCRITURA PODE CONDUZIR A NOSSA ADORAÇÃO. Adoração não é modismo ou definida pelo tipo da música ou forma de liturgia do culto. Adoração é definida por uma vida alcançada pela GRAÇA DE DEUS, justifica em Cristo, santificada no Espírito, e tudo isso é possível SOMENTE NA ESCRITURA. Quando pautamos a nossa vida em preceitos de homens (filosofias, autoajuda, tradições que contradizem as Escrituras) adoramos a Deus em vão, pois, na verdade, não o adoramos em Espírito e em Verdade! Além disso, quando a adoração não está de acordo com as Escrituras, ela se torna adoração de um ÍDOLO, mesmo que você o chame de Senhor. Só podemos entregar a Deus aquilo que Ele nos deu primeiro, e só podemos adorá-lo fundados na graça, na nova relação com Deus em Cristo, e isso só é possível se estamos de acordo com as Escrituras. Devemos adorar a Deus com sinceridade, mas não é a sinceridade que nos conduz a Deus, pois uma pessoa sincera e errada está sinceramente errada. A graça conduz à sinceridade, mas a sinceridade nem sempre conduz à graça!
3) PRECISAMOS DA ESCRITURA PARA A SANTIFICAÇÃO DE UM CORAÇÃO CORRUPTO (vv. 10-20). A purificação do coração não pode ser realizada por tradições humanas, mas apenas pela Palavra de Deus! Jesus orou ao Pai, dizendo: “Santifica-os na verdade. A Tua Palavra é a verdade” (Jo 17.17). A Palavra revela quem é Deus e quem nós somos, revela o amor de Deus na cruz e na ressurreição de Jesus e, assim, nos revela o Evangelho. A Palavra de Deus é inspirada pelo Espírito Santo e iluminada pelo mesmo Espírito, que testifica de Cristo e atualiza em nós o poder da Ressurreição do Senhor. Sem a Palavra de Deus não há santificação, não há discipulado, não há transformação de vida.
Há tradições que dão testemunho da Palavra de Deus, como o Credo Apostólico ou o Credo Niceno-Constantinopolitano. O critério de julgamento de uma tradição é a Palavra de Deus, revelada de forma plena em Jesus Cristo. Por isso, nunca podemos esquecer a repreensão de Jesus aos fariseus: "invalidastes a Palavra de Deus por causa da vossa tradição".

A Exaltação daquele que se humilhou (Meditação em Fp 2.5-11)


Texto: Filipenses 2.5-11

Na época do Lutero, a igreja afirmava que somos salvos por causa da justiça de Cristo, dos santos e da nossa própria. Lutero afirmou que a salvação é somente por Jesus Cristo. Nossa justiça e nossas boas obras nunca são a CAUSA da SALVAÇÃO, mas são a CONSEQUÊNCIA. Somente Jesus Cristo é Salvador. O nome de Jesus significa: "O SENHOR é SALVAÇÃO".
Mas por que somente Cristo?

1) JESUS É DEUS - É EXALTADO (v. 6).
Ele é o Deus Filho Único (Jo 1.18), nosso grande Deus e Salvador (2Pedro 1.1). Tudo foi criado por meio dEle (Jo 1.1-3). O Pai enviou seu Filho para nos salvar. E este Filho é um com o Pai (Jo 10.30); Jesus é Deus. Não há ninguém maior ou melhor que Jesus! E, sendo tão grande, Ele te ama! Ele veio ao mundo por você!
2) JESUS SE HUMILHOU POR NÓS - FOI HUMILHADO (v. 7-8).
Imagine, o próprio Filho de Deus se humilhou, se rebaixou a ponto de se fazer homem! Ele não deixou de ser Deus, mas não agiu no seu direito divino! E ele se humilhou mais, pois se fé, homem de dores, pobre, desprezado! E ele se humilhou mais: se fez SERVO de TODOS! Às vezes reclamamos: ninguém me valoriza! Jesus sofreu muito mais, se humilhou muito mais, e o de, por amor de nós, por amor de ti! Mas ainda não é tudo: Ele se  humilhou  até a MORTE, e morte de malditos, morte de Cruz! Ninguém se humilhou como Ele. Ele se humilhou por nós, por amor! Ele é digno de que nos humilhe nos por amor dEle!
3) JESUS FOI EXALTADO ACIMA DE TODOS (v. 9-11)
O Exaltado que se humilhou foi novamente Exaltado acima de tudo e de todos! Deus Pai exaltou ao Deus Filho o ressuscitando dentre os mortos, e o colocando sobre Rei de tudo e de todos! Está chegando o dia em que todo joelho vai se dobrar, e toda língua vai confessar que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai!
Quem se humilhar diante dEle será exaltado, mas quem se exaltar será humilhado!
Crentes e não crentes, cristãos e não cristãos, vai se prostrar diante dEle e confessar que Ele é o Senhor Deus Exaltado!

Toda a Glória a Deus! (Meditação em Rm 11.33-36)


O centro da carta aos Romanos é o Evangelho. Paulo a escreve a carta para manter contato com a igreja de Roma, visando seu projeto de uma sua viagem missionária à Espanha, na qual pretendia pregar o Evangelho até o “fim do mundo conhecido”. Por outro lado, toda a carta aos Romanos trata do Evangelho: os caps. 1 a 11 apresentam a mensagem do Evangelho, enquanto os caps. 12-16 trazem aplicações práticas do Evangelho na vida pessoal e comunitária. Ao final da exposição do Evangelho no cap. 11, Paulo encerra com uma doxologia (uma “palavra de louvor”), uma expressão de adoração a Deus, nos vv. 33-36, onde exalta a riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus, que são elevados demais para que possamos compreender! Então, Paulo faz a seguinte afirmação: “Porque dele, por meio dele e para ele são todas as coisas; a Ele, pois, a glória eternamente. Amém” (v. 36).
1) TUDO PERTENCE A DEUS! O Salmo 24.1 diz: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam”. Tudo pertence a Deus! Toda a criação está na palma da sua mão! Nosso planeta pertence a Ele, os oceanos, as florestas, os animais, todos os seres humanos! Os que creem pertencem a Deus; os que não creem igualmente pertencem a Deus! Por isso, nossa vida deve glorificar a Deus, e não a nós mesmos! Toda a glória deve ser dada à Ele, pois tudo pertence a Ele!
2) TUDO É POR MEIO DE DEUS! O Evangelho de João afirma: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava desde o princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.1-3). Tudo pertence a Deus, pois tudo foi criado por Deus. O Pai cria todas as coisas por meio do Filho e dá vida pelo Espírito; O Pai nos salva através do Seu Filho, que envia sobre nós o Seu Espírito. Deus Pai nos salva da condenação eterna por meio do Seu Filho encarnado, do Deus feito homem, de Jesus Cristo, nosso Senhor. Jesus a si mesmo se entrega por nós na cruz, e ressuscita para a nossa salvação pelo seu Espírito. A Criação e a Redenção são obra de Deus, e não nossa. Se já não fosse suficiente viver para a glória de Deus, por ser Ele o nosso Criador, devemos também glorificá-lo pela salvação, que não é obra nossa, mas de Deus! Nossos atos de justiça não podem trazer salvação, nem mesmo a justiça de outros homens ou mulheres, mas apenas Jesus Cristo, aquele que foi tentado em tudo, mas sem pecado se entregou na cruz, morrendo pelos nossos pecados e ressuscitando para a nossa salvação!
3) TUDO É PARA DEUS! Deus cria tudo nEle e para Ele, para nos dar o seu amor, seu perdão, sua graça, sua alegria! Tudo foi criado para Ele! Sem a sua presença, sem o seu amor, nada faz sentido, nada satisfaz, nada é suficiente. Só nEle encontramos amor, alegria e paz!
Toda a criação e toda a redenção são obra de Deus, pertencem a Deus e são para Deus. Tudo deve glorificar a Deus!

sábado, 12 de agosto de 2017

Tiradas da Letícia IX - Presente do Dia dos Pais

Olha só o presente do Dia dos Pais que eu ganhei da Letícia. Ela é ou não uma figura? Ela está com 9 anos. Imagine quando chegar na adolescência!


terça-feira, 25 de julho de 2017

Salvação: "Sou Salvo", "Estou Sendo Salvo" ou "Serei Salvo"?


Pare por um momento e responda: Se você é cristão, você acredita que "está salvo", "está sendo salvo" ou que "será salvo"? Já ouvi várias discussões a respeito. Este é o tema que eu gostaria de te convidar a refletir hoje.

Em primeiro lugar, precisamos definir o que significa "salvação". Segundo as Escrituras, a salvação é compreendida a partir do Evangelho de Jesus Cristo, ou seja, da Boa Notícia de que a nossa separação em relação ao único Deus Criador é superada não por aquilo que nós mesmos podemos realizar, mas pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo, nosso único e suficiente Senhor e Salvador. Jesus, que por amor de nós e para a nossa salvação morreu na cruz pelos nossos pecados, foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia, apareceu aos seus discípulos, enviou sobre eles o Espírito Santo e voltará em breve, para trazer Novos Céus e Nova Terra, onde habita justiça. Esta Boa Notícia de Deus, de reconciliação com Ele mesmo através da Cruz e da Ressurreição de Jesus Cristo, é o centro do Evangelho. Assim, o Evangelho não diz respeito apenas à "salvação da alma" ou "salvação do espírito", mas sim a reconciliação e restauração da pessoa inteira ("corpo, alma e espírito") no contexto da renovação da própria criação! Este Evangelho é uma Boa Notícia realizada pelo próprio Deus, por iniciativa de Deus, pela graça de Deus e para a glória de Deus. O Ser humano não realiza a salvação, mas apenas reage à ela pela graça de Deus, movido pela Palavra de Deus e pelo Espírito de Deus, numa vida constante de arrependimento dos próprios pecados e confiança no amor de Deus, realizado na Cruz e na Ressurreição de Jesus Cristo, nosso único e suficiente Senhor e Salvador. Assim, afirmamos que Salvação é a superação da separação em relação a Deus, a crise que é mãe de todas as demais crises humanas. A crise na relação com Deus nos levou à crise em relação a nós mesmos, em relação ao próximo e ao restante da criação de Deus. O pecado leva à morte, em todas as dimensões da vida. Fomos criados por Deus e para Deus; estar separado de Deus, que é o Autor da Vida, o Doador da Vida e a Fonte da Vida, é estar condenado à morte.

Sendo assim, afinal, eu "sou salvo", "estou sendo salvo" ou "serei salvo"?

A Salvação é ação de Deus, pela sua graça em Cristo Jesus, e ela diz respeito à Justificação, Santificação e à Ressurreição/Glorificação. Quando a Bíblia afirma que, pela graça de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, eu "Sou Salvo", ela está afirmando sou livre da CULPA DO PECADO. Esta é uma obra já consumada por Cristo, na cruz e na ressurreição. Quando a Bíblia afirma que "Estou sendo Salvo", ela está afirmando que o Espírito Santo, que é o sinal e a garantia da salvação, habita nos salvos, e está os livrando, dia após dia, de glória em glória, do PODER DO PECADO. Esta é uma obra que Deus está realizando continuamente na vida dos seus filhos e filhas. Quando a Bíblia afirma que "Seremos Salvos", ela está testemunhando que a obra da salvação não está completa em nós ainda. A obra da salvação só estará completa na ressurreição dos filhos de Deus, quando nossos corpos corruptíveis serão transformados e se tornarão incorruptíveis, e a glória de Deus vai tomar não apenas a nossa vida, mas toda a criação de Deus, em novos céus e nova terra, onde habita justiça. Então, seremos livres da PRESENÇA DO PECADO. É por isso que o Apóstolo Paulo afirma: "Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1.6). A obra da salvação já começou, e só será completada no Dia de Cristo, ou seja, quando Cristo voltar para completar a sua obra nos seus discípulos, através da RESSURREIÇÃO.

Sendo assim, em Cristo, "SOU SALVO", pois Jesus já morreu na cruz pelos meus pecados, já ressuscitou para a minha salvação, já enviou sobre mim o Espírito Santo para fazer habitação permanente, e assim já me livrou da CULPA DO PECADO.

"ESTOU SENDO SALVO", pois o Espírito Santo, que habita em mim, traz não apenas libertação da culpa do pecado, mas me renova dia após dia, de glória em glória, me dando vitória contra o PODER DO PECADO.

"SEREI SALVO", pois ainda não ressuscitei dentre os mortos, meu corpo corruptível não assumiu a incorruptibilidade, pois ainda não chegou o tempo. No entanto, quando Jesus voltar, Ele fará novas todas as coisas, pela Sua Graça. Na ressurreição/glorificação, seremos livres da PRESENÇA DO PECADO.

Não há SALVAÇÃO sem JUSTIFICAÇÃO, sem SANTIFICAÇÃO e sem RESSURREIÇÃO. Justificação, Santificação e Glorificação NÃO são três obras, mas são UMA SÓ E MESMA OBRA de salvação, pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo, nosso Senhor.

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