A Letícia não gosta muito de beijo e de abraço. Para dar um abraço, ela precisa estar com muitas saudades. O beijo, do mesmo modo, é bem rápido e sequinho. Receber beijo, então... não gosta muito. Mas ela é diferente com o maninho Miguel.
Hoje fui acordá-los, para passear. O Miguel levantou correndo. Já a Letícia ficou na cama. Então, ela disse:
- "Miguel, preciso de um toque especial de beijinho para acordar...".
O Miguel, seu oposto, deu um monte de beijos. Então, ela pediu um toque especial de abracinho...
Ela não é assim nem com o papai e nem com a mamãe. O Miguel deve despertar algum instinto de cuidado, já que ela tem o dobro da idade dele.
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sábado, 30 de agosto de 2014
sábado, 23 de agosto de 2014
O perigo da pretensão e o valor da perseverança (ou "só termina quando acaba").
Quem me mostrou este vídeo foi a minha amiga Verônica. O goleiro me lembrou meu amigo Tom.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Tiradas do Miguel I - A obediência
Estávamos no aeroporto. Dei um beijo na Cris e na Letícia. Então, dei um beijo no Miguel e disse prá ele:
- "Miguel, o papai vai viajar, e você será o homenzinho da casa. Cuida das meninas". Ele ficou todo cheio.
Quando eu voltei de viagem, a Cris me disse o seguinte:
- "Depois que você saiu, no dia da viagem, o Miguel, no carro, disse que eu e a Letícia deveríamos OBEDECÊ-LO, porque ele era o homenzinho da casa!".
A Cris, obviamente, não deixou que ele mandasse. Mas é engraçado.
A reação do menino seria coisa do tal cromossomo Y? Ou sugestão paterna?
Tiradas da Letícia VII - O Mundo é uma Prisão?
Estávamos no carro. De repente, não mais que de repente, uma dúvida filosófico-teológico-infantil:
- "Este mundo é uma prisão?", pergunta a Letícia.
- "Por que você pergunta?", procurando entender o que ela queria dizer.
- "Porque se a gente não consegue sair deste mundo e ir para outro, este mundo parece uma prisão!", filosofa a precoce inquisidora.
Eu pensei: - "Sim, pois ´este mundo´ é uma expressão própria da apocaliptica para indicar uma determinada cosmovisão, segundo a qual a sociedade humana está dominada pela alienação e pela violência, ou seja, pelo mal, o qual será superado por um novo eon, no qual a justiça, a paz e a felicidade triunfarão sobre o mal presente, em novos céus e nova terra!". Mas soou muito complicado. Então eu disse:
- "É, Letícia. Para muita gente que sofre, este mundo é uma prisão. Um dia Jesus, que já venceu o mal pela sua ressurreição, nos levará para outro mundo, melhor do que este".
Ela sorriu.
- "Este mundo é uma prisão?", pergunta a Letícia.
- "Por que você pergunta?", procurando entender o que ela queria dizer.
- "Porque se a gente não consegue sair deste mundo e ir para outro, este mundo parece uma prisão!", filosofa a precoce inquisidora.
Eu pensei: - "Sim, pois ´este mundo´ é uma expressão própria da apocaliptica para indicar uma determinada cosmovisão, segundo a qual a sociedade humana está dominada pela alienação e pela violência, ou seja, pelo mal, o qual será superado por um novo eon, no qual a justiça, a paz e a felicidade triunfarão sobre o mal presente, em novos céus e nova terra!". Mas soou muito complicado. Então eu disse:
- "É, Letícia. Para muita gente que sofre, este mundo é uma prisão. Um dia Jesus, que já venceu o mal pela sua ressurreição, nos levará para outro mundo, melhor do que este".
Ela sorriu.
sábado, 9 de agosto de 2014
A Arca da Aliança ontem e hoje
Hoje em dia, está na moda criar réplicas da Arca da Aliança. Por isso, eu gostaria de refletir com você sobre o tema da Arca da Aliança na Bíblia (seu lugar na Antiga e na Nova Aliança) e seu lugar na Igreja dos nossos dias.
1. A Arca da Aliança e a Antiga Aliança
A Arca da Aliança está descrita no capítulo 25 do livro do Êxodo. Era uma arca de madeira de acácia, coberta de ouro por dentro e por fora. Nos cantos da arca havia quatro argolas, nas quais duas varas eram utilizadas para transportá-la. Sobre a arca estava o propiciatório, uma peça toda de ouro, com dois querubins de ouro sobre ela. "Os querubins estenderão as asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; estarão eles de faces voltadas uma para a outra, olhando para o propiciatório" (Ex 25.20). Dentro da Arca, estavam as tábuas da Lei, que o SENHOR entregara a Moisés (Ex 25.21; 40.20; Dt 10.1-5). Segundo Hb 9.4, havia também uma urna, com um pouco do maná e com a vara de Arão, que floresceu.
A Arca da Aliança ficava na parte mais interior do Tabernáculo, o Santo dos Santos, local da presença de Deus. Portanto, ela representava a própria presença do SENHOR.
Quando os sacrifícios expiatórios eram feitos, o sangue era levado pelo sumo-sacerdote ao Santos dos Santos, onde era aspergido sobre o propiciatório (parte superior da arca). Portanto, a arca representava o perdão do SENHOR.
Quando em guerra, Israel muitas vezes levava consigo a Arca da Aliança, pois ela representava o poder de Deus, que luta em favor do seu povo.
Moisés morreu nas campinas de Moabe, antes de entrar na terra de Canaã. Josué, conduziu o povo a atravessar o rio Jordão a pé enxuto, a medida que os levitas que carregavam a Arca pararam no meio do rio, até que todos passassem. Quando Davi foi coroado rei, conquistou a cidade de Jerusalém e levou a Arca da Aliança para lá. Salomão edificou um templo, no qual introduziu a Arca da Aliança do Santo dos Santos (1Rs 8). As últimas notícias que temos desta Arca da Aliança estão registradas no livro do profeta Jeremias. O profeta, curiosamente, afirma o seguinte:
"Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra"(Jr 3.16 - grifo acrescentado).
De fato, depois que Nabucodonosor destruiu Jerusalém, não houve mais referência àquela Arca da Aliança na Bíblia. Apenas o livro Apocalipse fala da Arca da Aliança, mas do santuário celeste e não do terrestre (Ap 11.19). O templo de Jerusalém, reconstruído a partir do período persa, não conheceu mais a Arca da Aliança, inclusive nos dias do Novo Testamento.
2. A Arca da Aliança e a Nova Aliança em Cristo
No Novo Testamento não temos necessidade de uma Arca da Aliança, pois a Shekhinah (presença gloriosa de Deus) é Jesus Cristo. Jesus é o Emanuel ("Deus conosco" - Mt 1.23). Nas palavras do quarto Evangelho, Jesus Cristo é o Verbo que "se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14). Nos dias da sua carne entre nós, Jesus Cristo, o Emanuel, era a própria shekhinah.
O Evangelho segundo João narra o seguinte: "Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas? Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo" (Jo 2.18-21), deixando claro que, na Nova Aliança, Jesus mesmo é tanto a Arca da Aliança quanto o próprio templo!
Quando Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa salvação, Ele enviou aos nossos corações o seu Espírito, o Espírito da Nova Aliança. Por isso o Novo Testamento afirma que "nós somos santuário do Deus vivente" (2Co 6.16). O Corpo de Cristo é habitação do Espírito Santo; logo, cristãos não tem necessidade de uma Arca da Aliança, pois o Corpo de Cristo é a própria Arca da Aliança!
3. A Arca da Aliança e a Igreja Evangélica Brasileira
Nos últimos anos, temos visto muita gente fazendo réplica da Arca da Aliança, usando chofares, água do rio Jordão, etc. etc. etc. Cristãos devem tomar cuidado com a utilização religiosa destas coisas, para não cair na superstição ou na idolatria. Conforme o testemunho do Antigo e do Novo Testamentos, Moisés construiu uma serpente de bronze, para que os que fossem picados pelas "serpentes abrasadoras" pudessem salvar a própria vida, olhando para a de bronze (Nm 21.4-9, Jo 3.14). No entanto, o rei Ezequias destruiu aquela serpente, pois com o tempo passou a ser utilizada como objeto de culto: "e [Ezequias] fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã" (2Rs 18.4).
Cristãos não precisam de réplicas da Arca da Aliança, tocar shofares, usar água do rio Jordão, reconstruir o templo de Jerusalém... Tem muito falso profeta hoje em dia tentando conduzir o povo para a idolatria e a superstição! O Antigo Templo já foi destruído no ano 70 d.C. pelos romanos, e o novo já foi levantado! No Evangelho segundo João, enquanto Jesus purificava o templo de Jerusalém (Jo 2.13-22), perguntaram com que autoridade ele fazia aquelas coisas. Jesus, então, responde: "Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei" (Jo 2.19) - deixando claro qual é o verdadeiro santuário!
O verdadeiro santuário é o Corpo de Cristo, ou seja, a sua Igreja.
Construir réplicas da Arca da Aliança e do Templo de Jerusalém é um insulto à Palavra de Deus!
Não precisamos mais do templo de Jerusalém, da Arca da Aliança, de chofares, de água do rio Jordão, etc. etc. etc. Precisamos da graça de Deus em Cristo, conforme a Palavra de Deus (e não da manipulação de espertalhões).
(Imagem do filme "Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida").
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
O diabo colaborou com a construção do "Templo de Salomão" da IURD!
(Informação Prévia: a IURD retirou o vídeo abaixo do You Tube, por motivos óbvios. Mas vamos manter o link, bem como o texto, até porque a maior parte do "diálogo" do vídeo foi transcrito abaixo).
Recentemente, foi inaugurado o "Templo de Salomão" da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Uma construção tão importante que até mesmo o diabo colaborou com ela, incentivando a todos a contribuir!!! Pelo menos conforme o vídeo gravado pela própria IURD, em um dos seus templos (vídeo da IURD TV):
Interessante que tanto Jesus quanto os apóstolos não aceitavam testemunho do diabo, muito menos incentivo para arrecadação de ofertas!!! Jesus e os apóstolos ordenavam que os espíritos imundos se calassem, mesmo quando o que eles diziam não era falsidade (Mc 1.23-25; At 16.16-18).
Transcrevemos uma parte do "diálogo" (ou seria um "diábolo"?) do demônio com o bispo:
(bispo): "E as pessoas que ajudarem, doarem para a construção do templo? A pessoa vai doar casa, carro, dinheiro, vai doar o salário, o dinheiro guardado, vai pegar o que ela tem no banco, vai vender as roupas, vai vender o que ela tem para doação do templo. O que vai acontecer?"
("diabo"): "Eu vou ter que sair, desgraça!"
(bispo): "O que vai acontecer com a pessoa que doar o que ela tem pro templo?"
("diabo"): "Vai mudar a vida por completo!"
(bispo): "Vai o que?"
("diabo"): "Vai mudar a vida por completo! E a promessa que o Edir prometeu àquele desgraçado vai se cumprir".
Ouça o que diz a Palavra de Deus:
"Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência" (1Tm 4.1-2).
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o vídeo acima foi indicação do meu amigo Caiado.
Vivendo para a Glória de Deus e o bem do próximo: o cristão e a usura em Calvino
Texto publicado na Vivendo a Fé 16 - "Calvino para os dias de hoje", da Editora Pendão Real.
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Texto central: Ex 22.25-27
Leituras bíblicas diárias:
Seg – Lv 25.35-38
Ter – Dt 23.19-20
Qua – Sl 15.1-5
Qui – Jr 15.10-21
Sex – Ez 18.5-9
Sáb – Mt 25.14-30
Dom – Lc 6.27-36
INTRODUÇÃO
Você já recebeu juros? Já pagou? Então vai se interessar pela influência de Calvino em relação à usura. Mas o que é usura? É a cobrança de juro. Usurário é aquele que empresta para receber juro.
Nesta lição vamos refletir sobre a teologia de Calvino sobre a usura, que teve grande impacto sobre a história e que, ainda hoje, tem muito a contribuir sobre este tema, importante a todos nós. Em primeiro lugar, faremos uma breve reflexão sobre a usura na Bíblia. Em segundo lugar, sobre a usura na Igreja Antiga e Medieval. Finalmente, sobre as contribuições de Calvino sobre o tema.
1. A USURA NA BÍBLIA
A cobrança de juros, hipotecas e penhores é conhecida já no Antigo Testamento. A Bíblia apresenta vários textos acerca do assunto (Ex 22.25-27; Lv 25.35-38; Dt 23.19-20; Sl 15.1-5; Ez 18.5-9; Mt 6.9-15; ). A prática de empréstimos de bens ou de dinheiro mediante cobrança de juros era comum no Antigo Oriente, e fonte de muitos abusos (SICRE, 1990, p. 70). Por isso só pode habitar o tabernáculo do Senhor “o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente” (Sl 15.5), pois “cobrar juros em um empréstimo era estritamente proibido (...) porque isso era visto como uma extorsão”( BROWN, 2007, p. 1040.) contra o pobre e o necessitado. O fundamental na oposição bíblica à usura está na defesa do pobre e necessitado, na defesa da vida e da solidariedade.
“Para refletir”.
* Você conhece alguém que contraiu empréstimo por motivo de necessidade e foi explorado pela cobrança de altas taxas de juros?
2. A USURA NA IGREJA ANTIGA E MEDIEVAL
A cobrança de juros foi rejeitada tanto por antigos filósofos quanto por teólogos da Igreja Antiga e Medieval. Entre eles estão Aristóteles (filósofo), Ambrósio, Jerônimo e Agostinho (pais ocidentais), Atanásio, Basílio o Grande, Gregório de Nissa (pais orientais) e Pedro Lombardo e Tomás de Aquino (teólogos medievais).
O historiador Jacques Le Goff afirma que, já na Idade Média, há uma distinção entre usura e juro: “usura e juro não são sinônimos, nem usura e lucro: a usura intervém onde não há produção ou transformação material de bens concretos”( LE GOFF, 1986, p. 18). No entanto, o empréstimo destinado à produção de mercadorias continuaria, nesse caso, sendo considerado usura, pois o que está em jogo não é o que se faz com o valor emprestado, mas o juro decorrente do empréstimo.
O usurário era considerado alguém que rouba a Deus, pois ganha dinheiro ‘vendendo’ o tempo, que a Deus pertence, e é ladrão porque rouba os cristãos, a quem deveria estabelecer vínculos de fraternal solidariedade. Além disso, quebra o mandamento divino do trabalho conquistado com o suor do rosto (Gn 3.17-19). Le Goff defende inclusive a tese de que o purgatório foi criado na Idade Média diante de um dilema medieval: por um lado, a usura era proibida pela Bíblia, pela Tradição e pela própria cultura medieval, mas por outro lado, em razão do contexto sócio-político-econômico, com o desenvolvimento de uma economia de mercado, a sociedade precisava cada vez mais do usurário. Para continuar condenando a usura, mas para salvar o usurário do inferno, e assim a sua própria atividade pecadora, a Igreja Medieval cria o purgatório, que será inclusive um meio de despojar o usurário dos seus bens. Conforme afirma Le Goff, “a única probabilidade de salvação do usurário, já que todo o seu lucro é mal adquirido, é a restituição integral do que ganhou”( LE GOFF, 1986, p. 43). Para o historiador, o criador do capitalismo não é Calvino, mas é o usurário:
“Os iniciadores do capitalismo são os usurários, mercadores do futuro, mercadores do tempo que, desde o século XV, Leon Battista Alberti definirá como [mercadores] do dinheiro. Esses homens são cristãos. Aquilo que os retém no limiar do capitalismo (...) é o medo, o medo angustiante do Inferno. (...). A esperança de escapar ao Inferno, graças ao Purgatório, permite ao usurário fazer avançar a economia e a sociedade do século XIII em direção ao capitalismo”( LE GOFF, 1986, p. 90).
Assim, a Igreja Antiga, Medieval (ocidental) e Bizantina (oriental) condenava a usura. O próprio reformador Martinho Lutero rejeitava a cobrança de juros, fazendo coro aos teólogos da Igreja Antiga e Medieval.
“Para refletir”.
* A disciplina eclesiástica geralmente é aplicada em casos de pecados sexuais. O mesmo acontece se um membro da Igreja ou mesmo um ministro ganha dinheiro por meio de agiotagem, cobrando taxas de juros abusivas de pessoas necessitadas? Qual a sua opinião a respeito?
3. CALVINO E A USURA
O contexto econômico de Calvino não é o de uma economia agrária, típica da Idade Antiga e Medieval, mas sim de uma economia de mercado. A economia de mercado se desenvolveu na Europa desde meados dos séculos XII e XIII e foi nutrida pelas seguintes forças, anteriores ou contemporâneas à Calvino: o mercador itinerante (incluindo os usurários), o processo de urbanização, as cruzadas, o surgimento dos Estados nacionais e a descoberta das Américas.
Calvino sabia que novas perguntas exigem novas respostas. Por isso, apesar da elevada consideração pela doutrina dos Pais da Igreja e dos Concílios Ecumênicos da Igreja Antiga, Calvino busca compreender a usura a partir das Escrituras à luz da nova realidade sócio-político-econômica, e dá uma resposta diferente da que fora dada até então. Calvino discerne a razão pela qual a Bíblia se manifesta contrária à usura: a exploração do semelhante. Calvino entende que a proibição da usura na Bíblia visa a proteção do necessitado. Conforme afirma André Biéler, Calvino “verifica que, ao falar do juro ou da usura, a Bíblia não visa ao fenômeno relativamente recente e muito mais difundido do empréstimo de produção. Nesse caso, não se trata de socorrer alguém e, portanto, de abusar da miséria alheia exigindo a compensação em juros pelo empréstimo feito. Trata-se, antes, de emprestar certa soma a fim de constituir um capital de trabalho”( BIÉLER, 2009, p. 54). Assim Calvino declara que o dinheiro, assim como um bem imóvel ou outra mercadoria qualquer, apresenta uma “natureza produtiva”, ou seja, pode gerar lucro.
Para que se perceba a grandeza da contribuição de Calvino em relação à usura, é necessário entender essa contribuição à luz dos limites que impõe à própria usura e também à luz de outros temas de seu pensamento e prática social em Genebra.
Um dos pontos mais importantes do pensamento econômico do reformador é a sua afirmação de que o alvo da vida cristã não pode ser a busca pelo lucro, mas sim da glória de Deus. E buscar a glória de Deus é se submeter à Sua Palavra e ao Santo Espírito, que conduzem o ser humano à partilha e ao amor! Por isso “Calvino denomina os ricos ‘ministros dos pobres’, ao passo que os pobres, enviados aos ricos da parte de Deus para colocar à prova sua fé e sua caridade, são chamados ‘recebedores de Deus’, ‘vigários de Cristo’, ‘procuradores de Deus’”( BIÉLER, 2009, p. 33). É por isso que Calvino se manifesta contra o empréstimo aos necessitados: estes devem receber empréstimos sem juros, ou mesmo serem alvo da partilha de bens pelos mais abastados! Calvino é citado em muitos manuais clássicos sobre história da economia(Por exemplo, HEILBRONER, 1972, pp. 73-77) ou história das doutrinas econômicas(HUGON, 1962, pp. 73-74), mas não raro é mal interpretado. É o que Biéler vai afirmar também sobre os sociólogos, a exemplo de Max Weber. Biéler afirma que “Weber cometeu o grave erro de identificar esse protestantismo com o calvinismo das origens” (Biéler, p. 57). O autor afirma também que “se Max Weber tivesse estudado o calvinismo do século XVI, e não o do século XVIII, teria chegado a outras conclusões. Teria notado certamente que esse calvinismo das origens (...) procurava prevenir-se contra os desvios da natureza humana mediante freios que o evitavam descambar para os excessos de uma sociedade sujeita ao primado do lucro e à regra soberana de sucesso individual”(Biéler, p. 58).
Biéler aponta várias restrições à usura por parte de Calvino: o reformador “não tem por lícito o recebimento de juros, mesmo quando autorizado pela lei, no caso de empréstimo feito a pessoa pobre. Por outro lado, entende que os juros não devem ser aceitos pelo emprestador se o devedor não ganhar, com o empréstimo obtido, o equivalente a esses juros. Enfim, condena todo e qualquer juro que ultrapasse a taxa normal”( BIÉLER, 2009, p. 54).
A aprovação de Calvino às taxas de juros cobradas em Genebra, que variaram de 5% ao ano em 1538 para posteriores 6,6% ao ano em 1544, bem menores que as taxas de juros praticadas pelos reis católicos Carlos V e Philippe II, que a limitaram a 12% ao ano(BIÉLER, 2009, pp. 52-53), ao lado da defesa do controle rígido dessas taxas, deixam claro que Calvino não defendia a liberação indiscriminada (ou abusiva) das taxas de juros.
CONCLUSÃO
Calvino tem muito a ensinar ao mundo e à Igreja contemporânea!
Calvino aprova a cobrança de juros no caso de empréstimos destinados à produção, que geram emprego e renda. É contra a liberação indiscriminada da taxa de juros, a lógica da especulação financeira e a exploração do necessitado. Proíbe expressamente a cobrança de juros em empréstimos aos necessitados, para que sejam socorridos. Afirma que o alvo de uma economia não deve ser o lucro, mas o bem-estar social. Com sua teologia e prática, Calvino estava séculos à frente de seu tempo! Defendia um desenvolvimento socialmente sustentável!
Enquanto a Igreja Medieval era contrária à usura, sendo ela mesma uma grande usurária medieval, Calvino se manifesta favorável à cobrança de juros, desde que o empréstimo seja destinado à produção e não leve à exploração do próximo.
Poderíamos dizer que a usura em Calvino é permitida na perspectiva do bem do próximo e da glória de Deus.
“Para refletir”.
* Que aspectos da teologia e da prática de Calvino em relação à usura você acha que deveriam ser adotados hoje? (Cite alguns exemplos).
BIBLIOGRAFIA
BIÉLER, André. O Humanismo social de Calvino. São Paulo: Pendão Real, 2009
LE GOFF, Jacques. A bolsa e a vida: a usura na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 1986.
SICRE, José L. A Justiça social nos profetas. São Paulo: Paulinas, 1990.
BROWN, Raymond E.; FITZMYER, Joseph A.; MURPHY, Roland E. (editores). Novo Comentário Bíblico São Jerônimo. São Paulo: Academia Cristã/Paulus, 2007.
HUGON, Paul. História das doutrinas econômicas. São Paulo: Atlas, 1962.
HEILBRONER, Robert L. A Formação da sociedade econômica. Rio de Janeiro, Zahar, 1972.
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Texto central: Ex 22.25-27
Leituras bíblicas diárias:
Seg – Lv 25.35-38
Ter – Dt 23.19-20
Qua – Sl 15.1-5
Qui – Jr 15.10-21
Sex – Ez 18.5-9
Sáb – Mt 25.14-30
Dom – Lc 6.27-36
Você já recebeu juros? Já pagou? Então vai se interessar pela influência de Calvino em relação à usura. Mas o que é usura? É a cobrança de juro. Usurário é aquele que empresta para receber juro.
Nesta lição vamos refletir sobre a teologia de Calvino sobre a usura, que teve grande impacto sobre a história e que, ainda hoje, tem muito a contribuir sobre este tema, importante a todos nós. Em primeiro lugar, faremos uma breve reflexão sobre a usura na Bíblia. Em segundo lugar, sobre a usura na Igreja Antiga e Medieval. Finalmente, sobre as contribuições de Calvino sobre o tema.
1. A USURA NA BÍBLIA
A cobrança de juros, hipotecas e penhores é conhecida já no Antigo Testamento. A Bíblia apresenta vários textos acerca do assunto (Ex 22.25-27; Lv 25.35-38; Dt 23.19-20; Sl 15.1-5; Ez 18.5-9; Mt 6.9-15; ). A prática de empréstimos de bens ou de dinheiro mediante cobrança de juros era comum no Antigo Oriente, e fonte de muitos abusos (SICRE, 1990, p. 70). Por isso só pode habitar o tabernáculo do Senhor “o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente” (Sl 15.5), pois “cobrar juros em um empréstimo era estritamente proibido (...) porque isso era visto como uma extorsão”( BROWN, 2007, p. 1040.) contra o pobre e o necessitado. O fundamental na oposição bíblica à usura está na defesa do pobre e necessitado, na defesa da vida e da solidariedade.
“Para refletir”.
* Você conhece alguém que contraiu empréstimo por motivo de necessidade e foi explorado pela cobrança de altas taxas de juros?
2. A USURA NA IGREJA ANTIGA E MEDIEVAL
A cobrança de juros foi rejeitada tanto por antigos filósofos quanto por teólogos da Igreja Antiga e Medieval. Entre eles estão Aristóteles (filósofo), Ambrósio, Jerônimo e Agostinho (pais ocidentais), Atanásio, Basílio o Grande, Gregório de Nissa (pais orientais) e Pedro Lombardo e Tomás de Aquino (teólogos medievais).
O historiador Jacques Le Goff afirma que, já na Idade Média, há uma distinção entre usura e juro: “usura e juro não são sinônimos, nem usura e lucro: a usura intervém onde não há produção ou transformação material de bens concretos”( LE GOFF, 1986, p. 18). No entanto, o empréstimo destinado à produção de mercadorias continuaria, nesse caso, sendo considerado usura, pois o que está em jogo não é o que se faz com o valor emprestado, mas o juro decorrente do empréstimo.
O usurário era considerado alguém que rouba a Deus, pois ganha dinheiro ‘vendendo’ o tempo, que a Deus pertence, e é ladrão porque rouba os cristãos, a quem deveria estabelecer vínculos de fraternal solidariedade. Além disso, quebra o mandamento divino do trabalho conquistado com o suor do rosto (Gn 3.17-19). Le Goff defende inclusive a tese de que o purgatório foi criado na Idade Média diante de um dilema medieval: por um lado, a usura era proibida pela Bíblia, pela Tradição e pela própria cultura medieval, mas por outro lado, em razão do contexto sócio-político-econômico, com o desenvolvimento de uma economia de mercado, a sociedade precisava cada vez mais do usurário. Para continuar condenando a usura, mas para salvar o usurário do inferno, e assim a sua própria atividade pecadora, a Igreja Medieval cria o purgatório, que será inclusive um meio de despojar o usurário dos seus bens. Conforme afirma Le Goff, “a única probabilidade de salvação do usurário, já que todo o seu lucro é mal adquirido, é a restituição integral do que ganhou”( LE GOFF, 1986, p. 43). Para o historiador, o criador do capitalismo não é Calvino, mas é o usurário:
“Os iniciadores do capitalismo são os usurários, mercadores do futuro, mercadores do tempo que, desde o século XV, Leon Battista Alberti definirá como [mercadores] do dinheiro. Esses homens são cristãos. Aquilo que os retém no limiar do capitalismo (...) é o medo, o medo angustiante do Inferno. (...). A esperança de escapar ao Inferno, graças ao Purgatório, permite ao usurário fazer avançar a economia e a sociedade do século XIII em direção ao capitalismo”( LE GOFF, 1986, p. 90).
Assim, a Igreja Antiga, Medieval (ocidental) e Bizantina (oriental) condenava a usura. O próprio reformador Martinho Lutero rejeitava a cobrança de juros, fazendo coro aos teólogos da Igreja Antiga e Medieval.
“Para refletir”.
* A disciplina eclesiástica geralmente é aplicada em casos de pecados sexuais. O mesmo acontece se um membro da Igreja ou mesmo um ministro ganha dinheiro por meio de agiotagem, cobrando taxas de juros abusivas de pessoas necessitadas? Qual a sua opinião a respeito?
3. CALVINO E A USURA
O contexto econômico de Calvino não é o de uma economia agrária, típica da Idade Antiga e Medieval, mas sim de uma economia de mercado. A economia de mercado se desenvolveu na Europa desde meados dos séculos XII e XIII e foi nutrida pelas seguintes forças, anteriores ou contemporâneas à Calvino: o mercador itinerante (incluindo os usurários), o processo de urbanização, as cruzadas, o surgimento dos Estados nacionais e a descoberta das Américas.
Calvino sabia que novas perguntas exigem novas respostas. Por isso, apesar da elevada consideração pela doutrina dos Pais da Igreja e dos Concílios Ecumênicos da Igreja Antiga, Calvino busca compreender a usura a partir das Escrituras à luz da nova realidade sócio-político-econômica, e dá uma resposta diferente da que fora dada até então. Calvino discerne a razão pela qual a Bíblia se manifesta contrária à usura: a exploração do semelhante. Calvino entende que a proibição da usura na Bíblia visa a proteção do necessitado. Conforme afirma André Biéler, Calvino “verifica que, ao falar do juro ou da usura, a Bíblia não visa ao fenômeno relativamente recente e muito mais difundido do empréstimo de produção. Nesse caso, não se trata de socorrer alguém e, portanto, de abusar da miséria alheia exigindo a compensação em juros pelo empréstimo feito. Trata-se, antes, de emprestar certa soma a fim de constituir um capital de trabalho”( BIÉLER, 2009, p. 54). Assim Calvino declara que o dinheiro, assim como um bem imóvel ou outra mercadoria qualquer, apresenta uma “natureza produtiva”, ou seja, pode gerar lucro.
Para que se perceba a grandeza da contribuição de Calvino em relação à usura, é necessário entender essa contribuição à luz dos limites que impõe à própria usura e também à luz de outros temas de seu pensamento e prática social em Genebra.
Um dos pontos mais importantes do pensamento econômico do reformador é a sua afirmação de que o alvo da vida cristã não pode ser a busca pelo lucro, mas sim da glória de Deus. E buscar a glória de Deus é se submeter à Sua Palavra e ao Santo Espírito, que conduzem o ser humano à partilha e ao amor! Por isso “Calvino denomina os ricos ‘ministros dos pobres’, ao passo que os pobres, enviados aos ricos da parte de Deus para colocar à prova sua fé e sua caridade, são chamados ‘recebedores de Deus’, ‘vigários de Cristo’, ‘procuradores de Deus’”( BIÉLER, 2009, p. 33). É por isso que Calvino se manifesta contra o empréstimo aos necessitados: estes devem receber empréstimos sem juros, ou mesmo serem alvo da partilha de bens pelos mais abastados! Calvino é citado em muitos manuais clássicos sobre história da economia(Por exemplo, HEILBRONER, 1972, pp. 73-77) ou história das doutrinas econômicas(HUGON, 1962, pp. 73-74), mas não raro é mal interpretado. É o que Biéler vai afirmar também sobre os sociólogos, a exemplo de Max Weber. Biéler afirma que “Weber cometeu o grave erro de identificar esse protestantismo com o calvinismo das origens” (Biéler, p. 57). O autor afirma também que “se Max Weber tivesse estudado o calvinismo do século XVI, e não o do século XVIII, teria chegado a outras conclusões. Teria notado certamente que esse calvinismo das origens (...) procurava prevenir-se contra os desvios da natureza humana mediante freios que o evitavam descambar para os excessos de uma sociedade sujeita ao primado do lucro e à regra soberana de sucesso individual”(Biéler, p. 58).
Biéler aponta várias restrições à usura por parte de Calvino: o reformador “não tem por lícito o recebimento de juros, mesmo quando autorizado pela lei, no caso de empréstimo feito a pessoa pobre. Por outro lado, entende que os juros não devem ser aceitos pelo emprestador se o devedor não ganhar, com o empréstimo obtido, o equivalente a esses juros. Enfim, condena todo e qualquer juro que ultrapasse a taxa normal”( BIÉLER, 2009, p. 54).
A aprovação de Calvino às taxas de juros cobradas em Genebra, que variaram de 5% ao ano em 1538 para posteriores 6,6% ao ano em 1544, bem menores que as taxas de juros praticadas pelos reis católicos Carlos V e Philippe II, que a limitaram a 12% ao ano(BIÉLER, 2009, pp. 52-53), ao lado da defesa do controle rígido dessas taxas, deixam claro que Calvino não defendia a liberação indiscriminada (ou abusiva) das taxas de juros.
CONCLUSÃO
Calvino tem muito a ensinar ao mundo e à Igreja contemporânea!
Calvino aprova a cobrança de juros no caso de empréstimos destinados à produção, que geram emprego e renda. É contra a liberação indiscriminada da taxa de juros, a lógica da especulação financeira e a exploração do necessitado. Proíbe expressamente a cobrança de juros em empréstimos aos necessitados, para que sejam socorridos. Afirma que o alvo de uma economia não deve ser o lucro, mas o bem-estar social. Com sua teologia e prática, Calvino estava séculos à frente de seu tempo! Defendia um desenvolvimento socialmente sustentável!
Enquanto a Igreja Medieval era contrária à usura, sendo ela mesma uma grande usurária medieval, Calvino se manifesta favorável à cobrança de juros, desde que o empréstimo seja destinado à produção e não leve à exploração do próximo.
Poderíamos dizer que a usura em Calvino é permitida na perspectiva do bem do próximo e da glória de Deus.
“Para refletir”.
* Que aspectos da teologia e da prática de Calvino em relação à usura você acha que deveriam ser adotados hoje? (Cite alguns exemplos).
BIBLIOGRAFIA
BIÉLER, André. O Humanismo social de Calvino. São Paulo: Pendão Real, 2009
LE GOFF, Jacques. A bolsa e a vida: a usura na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 1986.
SICRE, José L. A Justiça social nos profetas. São Paulo: Paulinas, 1990.
BROWN, Raymond E.; FITZMYER, Joseph A.; MURPHY, Roland E. (editores). Novo Comentário Bíblico São Jerônimo. São Paulo: Academia Cristã/Paulus, 2007.
HUGON, Paul. História das doutrinas econômicas. São Paulo: Atlas, 1962.
HEILBRONER, Robert L. A Formação da sociedade econômica. Rio de Janeiro, Zahar, 1972.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Para refletir
"Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos" (Romanos 14.7-9).
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
As Árvores e o Machado - uma fábula de Esopo
Tenho dois filhos, a Letícia, de 6 anos, e o Miguel, de 3. Antes de dormir, costumo contar histórias e orar com eles. Gosto de contar histórias que ensinam valores e princípios cristãos, estejam estas histórias na Bíblia ou não. Nas férias comprei um livro de fábulas, belamente ilustrado, chamado "Fábulas de Esopo". Na verdade, eu já tinha um livro das fábulas do sábio grego, mas comprei a edição ilustrada para contar as histórias para as crianças e mostrar algumas cenas - que ajudam a entender as histórias. Cada história tem um título, a narrativa e uma conclusão (uma "moral da história"). Hoje, eu gostaria de compartilhar uma destas histórias com vocês.
AS ÁRVORES E O MACHADO
Um lenhador foi até a floresta pedir às árvores que lhe dessem um cabo para seu machado. As árvores acharam que não custava nada atender ao pedido do lenhador e na mesma hora resolveram fazer o que ele queria. Ficou decidido que o freixo, que era uma árvore comum e modesta, daria o que era necessário. Mas, assim que recebeu o que tinha pedido, o lenhador começou a atacar com seu machado tudo o que encontrava pela frente na floresta, derrubando as mais belas árvores. O carvalho, que só se deu conta da tragédia quando já era tarde demai para fazer alguma coisa, cochicou para o cedro:
- Foi um erro atender ao primeiro pedido que ele fez. Por que fomos sacrificar nosso humilde vizinho? Se não tivéssemos feito isso, quem sabe ainda viveríamos muitos e muitos anos!
Moral: Quem trai os amigos pode estar cavando a própria cova.
A moral da história lembra até o Salmo 37:
"Os maus puxam da espada e curvam os seus arcos para matar os pobres e os necessitados e para assassinarem os que são honestos. Mas os maus serão mortos pelas suas próprias espadas, e os seus arcos serão quebrados" (Salmo 37.14-15 - NTLH).
A sabedoria não é justificada pelo que pensam dela! (Mt 11.16-19)
"Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes. Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!" (Mateus 11.16-19ab)
Não dá para viver em função do que os outros pensam de nós. Não é possível agradar a todos. Para alguns, nada é suficiente, nada basta, nada está bom.
Primeiro veio João Batista, pregando o Reino de Deus no deserto:
"Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 3.1-2).
Ora,
"veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio!" (Mateus 11.18).
Depois, veio Jesus de Nazaré, pregando o Reino de Deus entre o povo:
"Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 4.17).
Ora,
"Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!" (Mateus 11.19ab)
Mas a sabedoria não é justificada por regras, fórmulas, aparência, status, marketing ou ritos... Mas a sabedoria não é justificada pela comida, pela bebida ou pelo jejum... Mas a sabedoria não é justificada pelo que a maioria pensa dela...
"Mas a sabedoria é justificada pelas suas obras" (Mt 11.19c).
Não dá para viver em função do que os outros pensam de nós. Não é possível agradar a todos. Para alguns, nada é suficiente, nada basta, nada está bom.
Primeiro veio João Batista, pregando o Reino de Deus no deserto:
"Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 3.1-2).
Ora,
"veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio!" (Mateus 11.18).
Depois, veio Jesus de Nazaré, pregando o Reino de Deus entre o povo:
"Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 4.17).
Ora,
"Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!" (Mateus 11.19ab)
Mas a sabedoria não é justificada por regras, fórmulas, aparência, status, marketing ou ritos... Mas a sabedoria não é justificada pela comida, pela bebida ou pelo jejum... Mas a sabedoria não é justificada pelo que a maioria pensa dela...
"Mas a sabedoria é justificada pelas suas obras" (Mt 11.19c).
domingo, 20 de julho de 2014
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Malévola, o Mal e a Liberdade
Semana passada a minha filha Letícia, de 6 anos, começou a falar comigo do personagem de contos de fada que estreiou recentemente no cinema, numa releitura do conto popular. Trata-se da Malévola, personagem interpretado pela atriz Angelina Jolie. A minha filha não assistiu ao filme, mas comentou o que ouviu dos amigos na escola, que o assistiram. A Letícia me disse o seguinte:
- "Papai, a Malévola não é malvada, pois ela era uma linda fada que teve as suas asas arrancadas pelos pais da Bela Adormecida. Ela não é má, pois só jogou o feitiço na Bela Adormecida porque eles é que fizeram o mal para ela!".
Esta mensagem reflete os valores da sociedade de hoje. Para auxiliar a minha filha na reflexão, fiz a ela algumas perguntas:
- "Filha, o que fizeram com Jesus?"
- "Bateram nele, prenderam, colocaram uma coroa de espinhos e prenderam Jesus para morrer na cruz", respondeu ela.
- "Isso é uma coisa boa ou ruim?"
- "Muito ruim", ela respondeu. Então, perguntei:
- "E como foi que Jesus reagiu?". Ela ficou em silêncio. Então eu respondi:
- "Jesus orou ao Pai e disse: ´Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem´" (Lc 23.34).
Então, perguntei novamente para ela:
- "Filha, a Malévola pagou o mal com o bem ou com o mal?"
- "Com o mal", ela respondeu. Então perguntei:
- "E Jesus, pagou o mal com o bem ou com o mal".
- "Com o bem!", respondeu ela. Então eu disse:
- "Quem recebe o mal e paga com o mal, foi vencido pelo mal. Quem paga o mal com o bem, mostra que o bem venceu em sua vida. Jesus é bom, por isso ele retribui o mal com o bem, e ensina que a gente deve fazer o mesmo".
A Letícia não assistiu ao filme. No filme, a "Malévola", a vilã do conto de fada, se torna a nova heroína. Ao final do filme, é dito: "No final, o reino foi unificado não por um herói ou um vilão, como previra a lenda, mas por alguém que era tanto herói como vilão. E seu nome era Malévola". E eis que, na nossa cultura, os vilões estão se tornando os novos heróis!
No Evangelho segundo João, Jesus ensina o seguinte:
"Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João 8.34,36).
Só é livre quem não é escravo do pecado, da injustiça, da maldade. Jesus é livre. E só alguém que é verdadeiramente livre pode nos libertar. Ele foi o único que, tendo sido tentado em todas as coisas, jamais pecou (Hebreus 4.15). E é poderoso para nos libertar! (Hebreus 2.18).
Para a Letícia, que não assistiu ao filme, o diálogo que tive com ela, registrado acima, continua válido, pois a informação que ela tinha era a seguinte: a Malévola lançou um feitiço contra a Aurora, mas não é má, pois apenas se vingou do mal que sofreu. Eu não havia assistido ao filme quando conversei com ela. Após o diálogo, assisti ao filme. A mensagem do filme pode ser avaliada na perspectiva do arrependimento, do perdão e do amor verdadeiro, temas legitimamente cristãos. Mas ainda me incomoda profundamente a apropriação de símbolos "malévolos" como expressão de heroismo, virtude e justiça!
Que Jesus Cristo, pelo seu amor demonstrado na cruz, pelo poder da sua ressurreição e pelo exemplo de sua vida irrepreensível de amor, graça e misericórdia, nos liberte, nos livre do mal e nos dê a verdadeira liberdade!
Liberdade é poder: poder de pagar o mal com o bem!
Fonte da imagem: http://imguol.com/c/entretenimento/2014/03/10/malevola-com-angelina-jolie-ganha-novo-cartaz-nacional-1394473284642_749x1100.jpg
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Qual é o Culto que agrada ao SENHOR? (Isaías 66.1-4)
Texto: Isaías 66.1-4 (Tradução de Almeida, Revista e Atualizada - ARA - SBB)
1 Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés;
que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso?
2 a. Porque todas estas coisas, a minha mão fez e todas vieram a existir, diz o SENHOR,
b. mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra.
3 a. O que imola um boi é como o que comete homicídio;
o que sacrifica um cordeiro, como o que quebra o pescoço a um cão;
o que oferece uma oblação, como o que oferece sangue de porco;
o que queima incenso, como o que bendiz a um ídolo.
b. Como estes escolheram os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações,
4 assim eu lhes escolherei o infortúnio e farei vir sobre eles o que eles temem;
porque clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram; mas fizeram o que era mau perante mim e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer.
INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar, vamos estudar o nosso texto de acordo com o seu contexto histórico, seu lugar no livro de Isaías, sua estrutura literária, bem como o seu lugar na literatura bíblica (contexto literário).
Contexto Histórico. O livro de Isaías está dividido em 3 grandes blocos: o primeiro, dos capítulos 1 a 39, traz profecias no contexto do reino dividido do Sul, do Reino de Judá, nos dias de Uzias, Jotã, Acaz e Ezequias, reis de Judá (século VIII a.C.). Os profetas Amós e Oséias, no Reino de Israel (Norte) e o profeta Miquéias, no Reino de Judá (Sul), são contemporâneos de Isaías. Os capítulos 40 a 55 trazem profecias que apontam para o contexto do Exílio na Babilônia (Século VI a.C.). Os capítulos 56 a 66 trazem profecias que apontam para o período do pós exílio, ou seja, do período em que o templo e a cidade de Jerusalém estavam sendo reconstruídos (aproximadamente final do Século VI a.C. - a partir de cerca de 520 a.C.).
Estrutura Literária. Nosso texto apresenta a seguinte estrutura:
A - O Criador não descansa em edifícios feitos por homens (vv. 1-2a)
B - O Criador olha para os humildes que temem a Palavra de Deus (v. 2b)
A´ - Aos que escolheram seus próprios maus caminhos e não o que agrada ao SENHOR, Deus escolherá o que é mau e desagradável (vv. 3-4).
Aqui, estamos estabelecendo uma relação entre os vv. 1-2a e vv. 3-4, em contraste com o v. 2b, em relação aos personagens do texto. Enquanto os vv. 1-2a e vv. 3-4 tratam daqueles que escolheram seus próprios caminhos, que não agradam ao SENHOR, caminhos que incluem a edificação de uma casa ao SENHOR como lugar do seu descanso e o sistema de sacrifícios deste mesmo templo, o v. 2.b trata daqueles que são humildes, oprimidos, mas que temem a Palavra de Deus - ou ainda, daquilo que agrada ao SENHOR. A estrutura aponta para um contraste claro entre o templo (juntamente com seus sacrifícios) e a Palavra de Deus enquanto caminho para o culto verdadeiro, o culto que agrada ao SENHOR.
Contexto Literário. Segundo J. Severino Croatto [1], a estrutura literária de Isaías 56-66 aponta para um centro, ou seja, o capítulo 61. Cada letra no início da linha apresenta o tema (ou eixo semântico) dos pares de textos e do texto central.
A Is 56-58 (se liga a) Is 65-66 ("críticas")
B Is 59.1-14 (se liga a ) Is 63.7-64.11 ("oração/salvação")
C Is 59.15-21 (se liga a) Is 63.1-6 ("fragmentos apocalipticos")
D Is 60 (se liga a) Is 62 ("Jerusalém e sua glória")
X Is 61 ("mensagem de libertação")
O nosso texto, Is 66.1-4, faz parte do eixo "A", "críticas", em que o profeta denuncia os pecados do povo, principalmente sobre a falta de fidelidade aos mandamentos justos e misericordiosos de Deus, as práticas idólatras, a opressão e a violência contra os fracos (56-58), bem como a denuncia contra a rebeldia do povo contra Deus e a falsa religião, alvo do juízo de Deus (65-66). Este é o contexto do nosso texto: crítica contra os pecados do povo, em específico, críticas contra a falsa religião!
Isaías 66.1-4 é citado algumas vezes no Novo Testamento: Mt 5.34-35 (v. 1); At 7.49-50 (vv. 1-2).
1) QUE CASA EDIFICAREIS PARA O MEU DESCANSO? (vv. 1-2a) - Eixo A.
Os judaítas que saíram da Babilônia agora estavam buscando edificar o templo e a cidade de Jerusalém. Neste contexto, a profecia de Isaías vem falar ao coração do povo de Deus.
"Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR" (vv. 1-2a).
Lembra as palavras de 1Reis 8.27, na qual o rei Salomão ora ao SENHOR quando da consagração do templo de Jerusalém, dizendo:
"Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei".
O profeta denuncia a ideia equivocada de que o templo de Jerusalém é a morada do SENHOR. Deus não está preocupado com edifícios, mas com a vida. O que agrada ao SENHOR não é o edifício do templo, que fora construído por Salomão, destruído pelos Babilônios em 587 a.C. e reconstruído a partir de cerca de 520 a.C.
Nos livros de Ezequiel e de Daniel, o trono do SENHOR tem rodas, para demonstrar que a glória de Deus não ficou restrita ao território de Israel, ou a cidade de Jerusalém (destruída nos dias de Ezequiel) ou mesmo ao templo (também destruído nos dias de Ezequiel). O trono do SENHOR tem rodas para demonstrar que a sua glória continua com o seu povo, mesmo no exílio, mesmo na angústia e debaixo da opressão e da violência! Ora,
"Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente" (Daniel 7.9).
Nem mesmo o universo pode conter a Deus de forma plena. Não é Deus quem está em algum lugar no universo, mas é o universo que está na palma da mão de Deus! O Criador é maior que a sua criação! Mesmo o universo inteiro não pode contê-lo! Todas as coisas foram criadas por Ele, por meio dEle e para Ele!
Portanto, o primeiro eixo descarta a ideia de que o templo de Jerusalém seja a verdadeira habitação do SENHOR, onde Ele pode descansar. Em outras palavras, não é no templo de Jersalém que está o prazer do SENHOR, não é no edifício feito por mãos o lugar da sua habitação!
2) AOS QUE ESCOLHERAM SEUS PRÓPRIOS MAUS CAMINHOS E NÃO O QUE AGRADA AO SENHOR, DEUS ESCOLHERÁ O QUE É MAU E DESAGRADÁVEL (vv. 3-4) - Eixo A´.
Está presente no capítulo 66 o contraste entre os que temem ao SENHOR e os que odeiam os que temem ao SENHOR, como pode ser observado no v. 5:
"Ouvi a palavra do SENHOR, vós, os que a temeis: Vossos irmãos, que vos aborrecem e que para longe vos lançam por causa do vosso amor ao meu nome e que dizem: Mostre o SENHOR a sua glória, para que vejamos a vossa alegria, esses serão confundidos"
Os vv. 1-2a apresentam uma ideia errada acerca do SENHOR: que Ele habita no edifício do templo. Mas quem pensa assim? O v. 3 denuncia o vazio dos sacrifícios oferecidos no templo de Jerusalém, como expressões imundas e idolátricas. Em outras palavras, o templo de Jerusalém e seu sistema de sacrifícios não expressam o verdadeiro culto ao SENHOR, mas são um caminho de falsa segurança religiosa. Mas por que? O v. 3 explica: "estes escolheram os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações". Os sacrifícios são tratados como idolatria abominável.
Vamos fazer uma pausa para refletir sobre os sacrifícios no Antigo Testamento. Ao mesmo tempo que estes sacrifícios são, por vezes, ordenados e valorizados (Levítico 23.37-38; Deuteronômio 12.1-31), outras vezes são descartados e denunciados como expressão de injustiça e idolatria (Jeremias 7.21-28). Mas por que? Por um lado, eles tem o seu valor, mas por outro são vazios. Uma afirmação não nega a outra, mas a complementa. Mas como? O Novo Testamento, em Hebreus 10.1-10, ensina o seguinte:
"1 Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. 2 Doutra sorte, não teriam cessado de ser oferecidos, porquanto os que prestam culto, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados? 3 Entretanto, nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos, 4 porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados. 5 Por isso, ao entrar no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste; antes, um corpo me formaste; 6 não te deleitaste com holocaustos e ofertas pelo pecado. 7 Então, eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade. 8 Depois de dizer, como acima: Sacrifícios e ofertas não quiseste, nem holocaustos e oblações pelo pecado, nem com isto te deleitaste (coisas que se oferecem segundo a lei), 9 então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo. 10 Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas".
Há um velho ditado que diz o seguinte: "o dedo aponta para a lua, mas ai daquele que olha para o dedo e não para a lua". Uma vez que o dedo está apontando para a lua, o objetivo é olhar para a lua, e não para o dedo! Do mesmo modo, Hebreus afirma que o templo de Jerusalém e o sistema sacrificial do templo eram como que um dedo apontando para Cristo. É por isso que, ao mesmo tempo que o sistema sacrifricial do Antigo Testamento é valorizado, enquanto "o dedo que aponta para uma realidade superior", este sistema é também denunciado como vazio, pois não é nele que a salvação é realizada! É por isso que Isaías relaciona o sistema sacrificial do templo e o próprio templo com a ideia de abominação e caminhos próprios (dos injustos). E aqueles que escolheram o que é mau, receberão o que é mau; quem escolheu o que aborrece ao SENHOR, receberá do SENHOR o que aborrece a si próprio!
O templo e seus sacrifícios não são o caminho de Deus e não agradam ao SENHOR. O prazer do SENHOR não está no templo e nos sacrifícios. Um culto que consiste simplesmente em lugares e rituais sagrados não é caminho para alegrar ao SENHOR, o Criador de todas as coisas. Então, qual é o Culto que agrada ao SENHOR? Qual é o verdadeiro culto? Uma primeira pista está ainda no início do v. 4:
"assim eu lhes escolherei o infortúnio e farei vir sobre eles o que eles temem; porque clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram". Ou seja, o que agrada ao SENHOR é algo que Ele diz, diz respeito ao seu clamor dirigido ao seu povo. Mas o que seria isso? É o que veremos a seguir:
3) O Criador olha para os humildes que temem a Palavra de Deus (v. 2b) - Eixo B.
O caminho que agrada ao SENHOR não é o templo ou os sacrifícios do templo. O caminho que agrada ao SENHOR é a Sua Palavra! (Veja Salmo 50; Isaias 1.10-20; Jeremias 7.21-28). Ora, "mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra" (v. 2b).
Em outras palavras, o SENHOR não habita em edifícios feitos por mãos humanas, mas Ele está com o "aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra". A sua alegria não está na carne e no sangue dos sacrifícios, mas sim na fidelidade daqueles que ouvem e obedecem a Sua Palavra, como fica claro no v. 4: "clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram".
O SENHOR, através de Isaías, ensina ao povo que o culto verdadeiro não está em um lugar ou em ritos externos vazios de legitimidade própria, mas sim na vida daqueles que, apesar das angústisas, provações e opressões, se mantém fiéis a Palavra de Deus, ou seja, no caminho da justiça, da misericórdia e do perdão.
Este é o ensino de Jesus:
"Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (João 4.19-24).
Jesus também ensina o seguinte:
"Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (João 14.15).
O local do culto verdadeiro não é um edifício feito por mãos, mas é a própria vida! O sacrifício a ser oferecico não é o sangue de touros ou de bodes, mas a própria vida submissa a vontade de Deus!
Jesus Cristo, o Filho de Deus, foi enviado pelo Pai ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. Jesus foi o único ser humano que, tendo sido tentado, jamais pecou, e sem pecado morreu na cruz, assumindo sobre si a condenação dos nossos pecados. Mas ele venceu e ressuscitou ao terceiro dia, vencendo a morte, o pecado, o mundo e o diabo. Após a ressurreição, Jesus enviou o Espírito Santo aos nossos corações, o qual nos transforma, de glória em glória, para o culto que deve ser celebrado não num lugar específico, não um culto restrito a ritos externos, mas o culto verdadeiro, no Espírito, na vida! Adoramos a Deus uno e trino no Espírito, pela graça do Pai em Cristo Jesus.
CONCLUSÃO
O Culto que agrada ao SENHOR é a adoração em espírito e em verdade. É a expressão de um povo que ama ao SENHOR, que ama a Sua Palavra, e que busca sempre crescer na fidelidade a Palavra de Deus, pela graça de Deus.
Hoje há "igrejas" construindo réplicas do templo de Jerusalém, réplicas da arca da aliança, tocando seus sophares e mergulhando em rituais externos e caducos de sentido, de vida. Precisamos fazer a oração do Pai Nosso, e aprender com Nosso Senhor a orar: "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu..." (Mateus 6.9-10). Não precisamos do templo de Jerusalém, dos sacrifícios de animais ou da arca da aliança, pois Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio ao mundo como a verdadeira arca da aliança, o verdadeiro tabernáculo de Deus entre os homens. Ao ressuscitar, envia sobre nós o Espírito Santo, de modo que o santuário de Deus entre os homens não são réplicas caducas de objetos sagrados, mas é o povo de Deus, homens e mulheres que se tornaram filhos e filhas de Deus em Cristo, discípulos de Jesus, nos quais Deus habita pelo seu Espírito. Ao vivermos guiados pela Palavra de Deus e orientados pelo Espírito Santo, numa vida de justiça, misericórdia e perdão, adoramos a Deus em espírito e em verdade. E viver assim, guiados pela Palavra e No Espírito, é possível apenas em Cristo. Jesus é o verdadeiro templo, o grande Sumo Sacerdote, o sacrifício único e suficiente para o perdão de todo pecado. NEle somos feitos povo de Deus no Espírito.
Que Deus nos abençoe e tenha misericórdia de nós, para a Sua glória!
BIBLIOGRAFIA
J. Severino CROATTO. Isaías - A palavra profética e sua releitura hermenêutica - vol. III: 56-66. Petrópolis: Vozes, 2002.
F. DAVIDSON (org.). O Novo Comentário da Bíblia - vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1963.
L. Alonso SCHÖKEL, J. L. SICRE DIAZ. Profetas I. São Paulo: Paulus, 1988.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Salmo 126: A Alegria, o Clamor e o Chamado da Salvação
Texto do Salmo 126 (tradução Almeida Revista e Atualizada - ARA)
1 Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha.
2 Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles.
3 Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.
4 Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe.
5 Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.
6 Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.
INTRODUÇÃO
O Salmo 126 é um cântico de romagem, ou cântico das subidas, ou seja, um cântico que os judeus cantavam enquanto se dirigiam alegremente ao Templo em Jerusalém.
O Salmo 126 foi escrito durante o período da dominação Persa, por judeus que vieram do exílio na Babilônia. A monarquia havia chegado ao fim; os babilônios haviam destruído o Templo e a cidade de Jerusalém, e levado cativos a liderança política, religiosa e militar de Jerusalém que havia sobrevivido aos conflitos.
Conforme a narrativa bíblica, o SENHOR chamou a Abração para fazer dele uma grande nação. De Abraão veio Isaque, de Isaque, Jacó, de Jacó vieram 12 filhos e uma filha. Dos filhos de Jacó vieram as 12 tribos de Israel. Os filhos de Israel foram escravizados no Egito por 400 anos, mas libertados pelo SENHOR através de Moisés, que conduziu o povo pelo deserto por 40 anos, tempo em que o SENHOR entregou a sua Lei (Torá - instrução) e manifestou a sua presença. Josué, servo de Moisés, conduziu o povo para a conquista da terra de Israel, período seguido pelos juízes, ou libertadores. Após o estabelecimento da monarquia, cujos primeiros reis foram Saul, Davi e Salomão, o reino foi dividido ao meio: o reino do norte, Israel, cuja capital era Samaria e cujo primeiro rei foi Jeroboão, por um lado, e por outro lado o reino de Judá, cuja capital era Jerusalém e o primeiro rei, Roboão, filho de Salomão. O reino do norte, Israel, foi destruído pelos Assírios em 722 a.C., e o reino do sul, Judá, chegou ao fim em 587 a.C., pelos Babilônios, liderados por Nabucodonozor.
O SENHOR havia feito um chamado claro para Israel:
Antes de subir ao Monte Sinai, para receber as tábuas da Lei, o SENHOR ordenou que Moisés dissesse aos filhos de Israel: "Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel" (Ex 19.5-6).
Jeremias, que profetizou no final da monarquia e viveu nos dias em que Jerusalém foi destruída pelos babilônios, afirma: "Naquele tempo, diz o SENHOR, serei o Deus de todas as tribos de Israel, e elas serão o meu povo. (...) Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (Jr 31.1,32-33).
Diante da infidelidade do povo, que segundo afirma Jeremias não foi fiel ao seu chamado, tendo anulado a aliança feita com o SENHOR, Deus não deixou de agir com misericórdia, graça e salvação para com o povo de Israel.
1) A ALEGRIA DA SALVAÇÃO (vv. 1-3)
Na Babilônia, os exilados suspiravam por Jerusalém: "Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do SENHOR em terra estranha?" (Sl 137.1-4).
Quando Ciro, o persa, conquista a Babilônia, ele autoriza o retorno dos judeus para a terra de Israel (Ed 1.1-4).
O livro do profeta Isaías falou acerca do persa Ciro: "Eu, na minha justiça, suscitei a Ciro e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade e libertará os meus exilados, não por preço nem por presentes, diz o SENHOR dos Exércitos" (Is 45.13).
Uma grande alegria tomou conta dos exilados na babilônia que, agora, podiam voltar para a terra de Israel: "Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles. Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres" (Sl 126.1-3). Foi como a volta do filho prógido, ou a devolução da posse da terra para a família no ano do jubileu! A alegria da salvação, o júbilo pela ação de Deus na vida do seu povo, trazendo restauração! O povo havia caído na idolatria contra Deus e na injustiça contra o próximo, mas a graça e a misericórdia de Deus são maiores que a sua ira (Dt 5.6-10!).
Como os exilados, que voltaram para a terra de Israel, precisamos aprender a nos alegrar com a ação de Deus na nossa história. Deus é vivo e age hoje na história. E nós, cristãos, temos muito maior motivo para a alegria: o SENHOR não apenas nos livrou da opressão da terra estrangeira, mas em Cristo nos fez cidadãos do Reino de Deus! Cristo morreu pelos nossos pecados, ressuscitou para a nossa salvação, derrotou todos os inimigos de Deus, e está agora a direita do Pai, reinando e intercedendo por nós, até Aquele Dia, tão aguardado por nós, quando Ele virá e fará novas todas as coisas e enxugará dos olhos toda lágrima! Esta tão grande salvação deve renovar em nós a alegria que não depende de circunstâncias, as quais mudam a todo instante, deve nos levar a confiar na graça de Deus, que nos conduz a uma vida de justiça e de resistência a toda forma de opressão e violência! " Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos" (Fl 4.4).
2) O CLAMOR POR SALVAÇÃO (v. 4)
Se o SENHOR havia manifestado sua ação salvadora para os judeus que voltaram do exílio, por que eles clamam novamente por salvação? Ora,
"Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe" (Sl 126.4).
Compare o verso 4 com o verso 1: "Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha" (Sl 126.1).
Os exilados voltaram para a terra prometida, mas a cidade e o templo estavam destruídos. Ora, algo semelhante acontece conosco! Não cremos que a graça de Deus nos livra de todos os problemas, ou que, a partir da graça, sejamos autosuficientes e não precisemos mais de Deus! Muito pelo contrário! Quem crê em Deus conforme o ensino e o testemunho das Escrituras sabe e reconhece que a nossa vida pertence a Deus e que somos dependentes de Deus, que precisamos da graça e da misericórdia de Deus a cada dia (Lm 3.21-24). Este sentimento deve produzir em nós compaixão e humildade! A compaixão e a humildade da dependência de Deus devem nos conduzir a ter compaixão do próximo!
O salmista clamara ao SENHOR, para que a sorte do povo fosse restaurada, como as torrentes do Neguebe. O Neguebe é uma região desértica, na qual os rios secam nas estações das secas, mas brotam de forma maravilhosa e surpreendente na estação das chuvas, enchendo a paisagem de vida e beleza. O salmista não esqueceu o que afirmara no verso 1, mas nos lembra que quem um dia conheceu a graça e a misericórdia de Deus continua dependente de Deus. E o SENHOR é poderoso para nos surpreender com a sua bondade, como as águas do Neguebe!
Em Cristo, cremos que somos perdoados, amados e aceitos por Deus. No entanto, durante toda a nossa vida continuamos precisando a cada dia da graça, do amor, da misericórdia e do perdão de Deus. É um processo no qual buscamos fazer não a nossa própria vontade, mas a vontade de Deus. Enquanto a vida cristã prossegue em direção a santificação, ou seja, a uma vida nova em Cristo, guiados pela Palavra e no poder do Espírito Santo, somos transformados por Deus, de glória em glória, e o caráter de Cristo é formado em nós. A salvação é uma caminhada, um processo, que já teve início com a fé em Cristo, mas só estará completa na ressurreição, quando, nas palavras do Apóstolo Paulo, "agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido" (1Co 13.12). Assim, durante a sua vida, o cristão faz suas as palavras do salmista: "Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes do Neguebe"!
3) O CHAMADO DOS SALVOS (vv. 5-6)
Todo aquele que conhece a graça e a misercórdia de Deus, do Deus amoroso que é poderoso para escrever uma página nova na história da nossa vida, apesar dos nossos erros e pecados, é também alguém chamado por Deus. Não somos chamados por Deus apenas para desfrutar da salvação, da ação generosa de Deus na nossa história, mas também para nos tornarmos seus servos, seus cooperadores (1Co 3.9).
Israel tinha consciência do seu chamado, de ser luz para as nações (Is 51.4). Israel falha na sua missão, mas o Messias, Jesus Cristo, "filho de Davi, filho de Abraão" (Mt 1.1), veio ao mundo para que a graça e a misericórdia de Deus alcançassem as nações. Hoje, o Corpo de Cristo, que é a sua Igreja, ou seja, os filhos e filhas de Deus espalhados por toda a terra, tem o chamado de seguir a Jesus, no caminho da cruz que conduz à glória de Deus.
"Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes" (Sl 126.5-6).
Quem traz consigo a alegria da salvação e o clamor contínuo por salvação é chamado pelo SENHOR da seara para tomar a cruz da semeadura e, assim, participar da colheita gloriosa! Os que voltaram do exílio agora se tornaram agentes da reconstrução daquilo que foi destruído. Neste momento novo, nesta nova etapa, precisavam da graça de Deus para reconstruir a cidade e o templo. O salmista tem consciência de que a semeadura precisava ser realizada, em meio a muitas dificuldades (lágrimas), pois houve muita oposição contra a reconstrução de Jerusalém e do templo (Ed 4.24-5.4; Ne 5.1-5). Mas o salmista tem também a fé de que o SENHOR auxiliaria o seu povo, para que Seus propósitos fossem realizados. Seu trabalho, debaixo da graça de Deus, não seria vão, mas teria como resultado a alegria da colheita!
Em Cristo, aqueles que são alvo do amor, da graça, da misericórdia e do perdão de Deus são chamados por Cristo:
"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt 28.19-20).
A alegria da salvação e a ação contínua do salvador nos conduzem para a missão que Deus confiou ao seu povo, pela graça de Deus Pai, em Cristo e no poder do Espírito Santo. Nossa preocupação hoje não deve ser com edifícios (Jerusalém, Templo), mas o edifício novo, a Igreja de Cristo, homens e mulheres que são edificados sobre a Pedra Angular, que é Cristo. Chamados a semear a Palavra de Deus num mundo hostil a Deus e a Seu Filho Jesus Cristo.
CONCLUSÃO
Os exilados tinham consciência da sua história: um povo chamado por Deus para ser luz para as nações, para testemunhar a graça e a misericórdia de Deus, mas que, na sua caminhada, tropeçou na idolatria e na injustiça. Mas os pecados do povo não afastaram a fidelidade de Deus, que age em favor do mesmo povo para restaurar a sua sorte, trazendo para a terra de Israel novamente os que foram cativos na babilônia. Na terra de Israel, o povo continua passando por lutas e dificuldades, expressando a contínua dependência da provisão de Deus. Ao mesmo tempo que desfruta da graça e da misericórdia, o povo é chamado também para servir a Deus com alegre consagração, na reconstrução da cidade santa e do templo.
Somos cristãos, participamos da graça de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. Hoje não estamos preocupados em reconstruir Jerusalém ou o seu templo, que foi destruído desde 70 d.C., mas na vida das pessoas, na edificação do Corpo de Cristo. Nosso Senhor nos trouxe amor e perdão, continua renovando e transformando a nossa vida, mas nos chama para o serviço no Reino de Deus: obedecer a Palavra de Deus, anunciar o Evangelho do Reino, fazer discípulos de Cristo entre as nações, ensinando a Palavra de Deus para que o povo de Deus seja "capacitado para toda boa obra" e, enfim, conduzindo aqueles que abraçaram a fé em Cristo ao batismo (Mt 28.19-20).
A graça de Deus que traz perdão e a alegria da salvação é a mesma graça que nos transforma e conduz a uma nova vida em Cristo, assim como é a mesma graça na qual somos chamados para sermos discípulos de Jesus, homens e mulheres que tomam a sua cruz, que semeiam com lágrimas, para participar da alegria da grande colheita, no Reino de Deus!
Que Deus, o Pai, nos abençoe, para sermos encontrados na graça do Seu Filho Jesus Cristo, servindo com fidelidade no poder do Espírito Santo!
Fonte da imagem: https://asahihair.files.wordpress.com/2011/09/alegriaaa.jpg
terça-feira, 27 de maio de 2014
Tiradas da Letícia VI - se não houvesse o casamento
Eu estava preparando a Letícia para dormir. Então, a pérola:
- "Papai, se você e a mamãe não tivessem se casado, eu seria filha de outra pessoa?".
Ela já a fez esta pergunta aos 6 anos!
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Tiradas da Letícia V - as 3 coisas mais difíceis do mundo!
A Letícia está com 6 anos.
Hoje eu a levei para a cama, conversei com ela, ela contou uma história da Bíblia (Noé), eu contei uma história da Bíblia (Jonas), oramos, agradecendo a Deus pela nossa família, e então eu saí. Fui para a sala com a Cris um pouco. Fui para a cozinha e, de repente, surge a Letícia dizendo:
- "Você sabe quais são as 3 coisas mais difíceis do mundo?".
- "Eu não", respondi, curioso.
Ela respondeu, incisiva:
- "Subir uma montanha, passear com animais selvagens e... dormir!".
A 01h30m da madrugada, a gente não sabe se ri ou se chora!
- "Vai deitar que o papai já vai prá lá...".
Pois é, se me dão licença, lá vou eu. Vim escrever esta história agora para não perder nenhum detalhe!
Um grande abraço.
Hoje eu a levei para a cama, conversei com ela, ela contou uma história da Bíblia (Noé), eu contei uma história da Bíblia (Jonas), oramos, agradecendo a Deus pela nossa família, e então eu saí. Fui para a sala com a Cris um pouco. Fui para a cozinha e, de repente, surge a Letícia dizendo:
- "Você sabe quais são as 3 coisas mais difíceis do mundo?".
- "Eu não", respondi, curioso.
Ela respondeu, incisiva:
- "Subir uma montanha, passear com animais selvagens e... dormir!".
A 01h30m da madrugada, a gente não sabe se ri ou se chora!
- "Vai deitar que o papai já vai prá lá...".
Pois é, se me dão licença, lá vou eu. Vim escrever esta história agora para não perder nenhum detalhe!
Um grande abraço.
domingo, 18 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Tiradas da Letícia IV - o novo cheiro!
Estávamos no carro, da igreja para casa, na terça feira a noite, depois da Escola de Líderes. A Letícia, então, afirma:
- "Estou sentindo 'cheiro de precisamos chegar em casa agora´".
- "Que cheiro maluco é esse, Letícia?" - perguntamos eu e a Cris.
- "Oras, vocês vivem dizendo que estão sentindo ´cheiro de sapequice´, quando não estão sentindo cheiro nenhum! Então inventei este cheiro, o 'cheiro de precisamos chegar em casa agora´!" - respondeu a menina de olfatos e argumentos aguçados.
Todos riram, menos o Miguel, que não pode sentar na cadeirinha do carro que já está dormindo!
- "Estou sentindo 'cheiro de precisamos chegar em casa agora´".
- "Que cheiro maluco é esse, Letícia?" - perguntamos eu e a Cris.
- "Oras, vocês vivem dizendo que estão sentindo ´cheiro de sapequice´, quando não estão sentindo cheiro nenhum! Então inventei este cheiro, o 'cheiro de precisamos chegar em casa agora´!" - respondeu a menina de olfatos e argumentos aguçados.
Todos riram, menos o Miguel, que não pode sentar na cadeirinha do carro que já está dormindo!
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Tiradas da Letícia III - os bombons
Depois do leite com chocolate e pão com manteiga, a Letícia fez um pedido singelo:
- "Me dá um bombom?".
Percebendo que foi fácil demais, ela pensou um pouco melhor e pediu novamente:
- "Me dá um ou dois bombons... e no máximo ONZE?".
... No máximo onze!
- "Me dá um bombom?".
Percebendo que foi fácil demais, ela pensou um pouco melhor e pediu novamente:
- "Me dá um ou dois bombons... e no máximo ONZE?".
... No máximo onze!
segunda-feira, 5 de maio de 2014
O que é aquilo?
Sobre pais e filhos...
O pai até parece um pouco o meu amigo Carlos Klein!
Ando meio emocional...
O pai até parece um pouco o meu amigo Carlos Klein!
Ando meio emocional...
Você reconheceria seus familiares na rua?
Você reconheceria a Jesus Cristo na rua?
Eu reconheceria a Jesus Cristo na rua?
(Mateus 25.40)
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Feliz descanso do dia do trabalho!
É justo não trabalhar no dia do trabalho? É sim! A primeira coisa que a Bíblia narra que aconteceu depois da primeira jornada de trabalho foi o descanso (Gn 2.1-2). A coroação do trabalho é o descanso. O descanso não significa "fazer nada", mas se dedicar aquilo que é importante e que tem prá nós significado (Deus, família, amigos). Feliz descanso do dia do trabalho!
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