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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Natal: a Festa do Amor ou do Consumismo?


INTRODUÇÃO
Quem é a figura central do Natal? Esta é uma pergunta muito importante, não apenas para nós, mas também para os nossos filhos. Quais são os valores e os princípios que temos vivido e que temos ensinado para as nossas crianças? Há duas figuras centrais que são lembradas no Natal, que tanto expressam quanto denunciam quais são nossos valores: Jesus Cristo e o Papai Noel.

1) Jesus Cristo: o Natal como expressão de amor
Qual o sentido do Natal quando a sua figura central é Jesus Cristo?
Na verdade, o Natal é simplesmente a celebração do nascimento de Jesus. Mas qual é o sentido do nascimento de Jesus, segundo a fé cristã, tal como afirmada no Novo Testamento?
A fé cristã afirma que Deus é o Criador do universo. A doutrina cristã sobre Deus é a doutrina da Santíssima Trindade: O Deus único e verdadeiro é Pai, Filho e Espírito Santo. Como diria Agostinho de Hipona, Deus é amor, pois é o Amante (Pai), o Amado (Filho) e o Amor (Espírito Santo). Deus é amor, mas apesar de não precisar de mais nada, pois Ele é pleno no amor e na comunhão de si mesmo na Trindade (entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo), Deus criou o universo por uma razão: para amar algo além de si mesmo. O amor de Deus o move para criar o universo todo e, de forma especial, o ser humano, criado à sua imagem e semelhança. Deus cria o ser humano para um relacionamento livre de amor, mas, para que o ser humano fosse de fato livre, Deus o cria com capacidade para escolher entre o bem e o mal. Segundo a Bíblia, no Éden, o ser humano resolve dar ouvidos à voz da serpente e não à voz de Deus. O pecado, esta atitude de desprezo por Deus e sua palavra, alcançou todas as pessoas, de modo que Paulo vai afirmar: "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3.23).
O pecado leva o ser humano à uma crise profunda: crise teológica (relação com Deus), crise psicológica (relação consigo mesmo), crise sociológica (relação com o próximo) e crise ecológica (relação com o restante da criação).
Mas onde é que entra Jesus? Jesus é o Filho de Deus, por meio de quem todas as coisas foram criadas (Jo 1.1-3). O Filho de Deus veio ao mundo, assumiu a nossa humanidade, nasceu de uma virgem pelo poder do Espírito Santo, para nos reconciliar Deus. É o que diz um dos textos mais conhecidos da Bíblia:
"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que jugasse o mundo mas para que o mundo fosse salvo por ele" (João 3.16).
Este é o sentido do Natal:  o amor de Deus por toda a sua criação, em especial pelo ser humano, criado à sua imagem e semelhança. O amor que leva a Deus Pai a enviar o Seu Filho para reconciliar consigo o mundo. O amor que leva a Deus Filho a se entregar a si mesmo por nós, por amor. O amor de Deus, o Espírito, que é o poder tanto da encarnação do Filho de Deus (nascimento de Jesus) quanto o poder de sua vida de amor e serviço, sua morte na cruz pelos nossos pecados e o poder da ressurreição de Jesus.
Quando cremos que Jesus é o sentido do Natal, afirmamos que o nosso valor não está naquilo que nós temos, mas sim no amor: no amor de Deus por todos nós, no amor que aprendemos com Deus para podermos amar a si próprios, ao próximo e a criação de Deus (1Jo 4.7-21).
Como diriam os anjos aos pastores:
"Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura.. E subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem" (Lc 2.10-14).
Quando o Natal é Jesus Cristo, é festa de amor, de alegria, de reconciliação!

2) Papai Noel: o Natal como consumismo
Qual o sentido do Natal, quando sua figura central é o Papai Noel? Atualmente o sentido básico é o consumismo, mas não foi sempre assim. Na verdade, o "bom velhinho era nada mais, nada menos que um cristão, cuja fé em Cristo o inspirava à generosidade. No entanto, com o tempo, foi transformado num garoto propaganda que incita ao consumismo. Vamos acompanhar esta história.
Nicolau foi arcebispo na Turquia do século IV, sendo conhecido posteriormente como "São Nicolau Taumaturgo". Diz uma tradição que Nicolau deu um saco de moedas a um pai que estava a ponto de vender a própria filha para saudar uma dívida, salvando assim a jovem.  Outra tradição afirma que Nicolau ajudava os pobres da cidade de Mira, colocando moedas de ouro nas chaminés das casas. A partir destas tradições, surge a figura do "bom velhinho", que usava, na verdade, roupas de bispo: ao invés da toca na cabeça, Nicolau usava uma mitra episcopal. Alguns séculos depois de sua morte, Nicolau é canonizado pela Igreja Católica Romana.
Na Alemanha, "São Nicolau" se transforma em símbolo natalino.
No ano de 1822 Clark Moore, um professor de literatura grega da cidade de Nova York, escreveu um poema chamado "Uma visita de São Nicolau", no qual cria alguns elementos que se popularizarão posteriormente em relação ao Papai Noel, tais como o trenó puxado por renas e a entrada pelas chaminés.
Mas quem deu ao Papai Noel outras características fundamentais foi o cartunista alemão Thomas Nast, enquanto vivia nos EUA. Thomas Nast escreveu em 1866 um encarte natalino colorido para a revista Harper´s Weekly chamado "Santa Claus and his works", no qual se encontra a figura de um velhinho gordinho chamado "Santa Claus" com longas barbas e cabelos brancos, e com uma roupa vermelha com um cinto branco. Neste encarte de Nast, outros elementos que se tornariam tradicionais na figura do "Papai Noel" já estão presentes, tais como o pinheiro decorado, a casa no Polo Norte, o livro do bem e do mal e o saco de presentes - além do trenó e da entrada pelas chaminés do poema de Clark Moore. Há vários registros de anúncios publicitários envolvendo o Papai Noel entre 1870 e 1928, para vender revistas, carros, carabinas, canetas, gramofones, creme de aveia, cigarros, pneus, lanternas, escovas de cabelo, presunto, café, meias, brinquedos, relógios, equipamentos elétricos, cobertores, combustíveis... Mas as peças publicitárias que popularizaram definitivamente a figura do Papai Noel foram os anúncios da Coca-Cola, a partir do ano de 1930.
Ou seja, enquanto Nicolau foi um cristão cuja generosidade era inspirada por Jesus Cristo, o Papai Noel (nome brasileiro) deixou há muito tempo sua ligação com o cristão Nicolau, surgindo no final do século XIX como um "garoto propaganda", cuja função é nada mais nada menos que vender produtos - ou seja, incentivar o consumismo. Mas o que é o consumismo?
 Consumismo é o apelo ao consumo de bens e produtos movido pelo significado simbólico destes bens, como aquilo que define a pessoa. Em outras palavras, no consumismo o que define o valor da pessoa são os bens e produtos que ela consome. É o verbo "ter" definindo o verbo "ser". Seu valor é definido por aquilo que você tem, por aquilo que você pode consumir ou simplesmente adquirir. Se você tem muito, você vale muito; se você tem pouco, vale pouco. O consumismo é profundamente destrutivo: é sinal e causa da crise ecológica, psicológica, social e teológica!
- Crise Ecológica: o consumismo leva as pessoas a consumirem cada vez mais produtos, mesmo que completamente supérfluos, o que leva gradualmente à exaustão dos recursos naturais, além do aumento da quantidade de lixo, que muitas vezes volta para a natureza.
- Crise Psicológica: ao invés de firmar a sua identidade naquilo que você é, esta identidade acaba se definindo por aquilo que você tem.
- Crise Sociológica: o que importa não é o amor, a compaixão, a partilha e a solidariedade, mas o consumismo egoísta.
- Crise Teológica: o Natal não é a celebração do amor de Deus, que vem em direção ao ser humano para trazer amor, reconciliação e paz, mas é a celebração do consumo!



CONCLUSÃO
É inevitável que nossos filhos entrem em contato com a figura simpática do bom velhinho. No entanto, não podemos esquecer de aproveitar todas as oportunidades para educar nossos filhos, transmitindo valores e princípios importantes. Neste sentido, devemos dar prioridade à mensagem de amor, alegria e paz que o verdadeiro Natal nos traz: O amor, a alegria e a paz vieram até nós, não através de badulaques ou cacarecos, mas através de uma criança, do Filho de Deus que veio ao mundo por amor. Jesus Cristo é o grande presente do Pai a todos nós.
Feliz Natal!
Que Deus abençoe a sua vida com muito amor, alegria e paz!

Fonte da imagem: http://felippeneri.blogspot.com.br/2011_12_01_archive.html

sábado, 14 de novembro de 2015

Os Dois Livros da Revelação - Uma Meditação no Salmo 19


[Livro da Criação]
1 Os céus proclamam a glória de Deus, 
e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.
2 Um dia discursa a outro dia, 
e uma noite revela conhecimento a outra noite.
3 Não há linguagem, nem há palavras, 
e deles não se ouve nenhum som;
4 no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, 
e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol,
5 o qual, como noivo que sai dos seus aposentos, 
se regozija como herói, a percorrer o seu caminho.
6 Principia numa extremidade dos céus, 
e até à outra vai o seu percurso; 
e nada refoge ao seu calor.

[Livro da Lei do SENHOR]
7 A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; 
o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices.
8 Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; 
o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos.
9 O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; 
os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente, justos.
10 São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; 
e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.
11 Além disso, por eles se admoesta o teu servo; 
em os guardar, há grande recompensa.
12 Quem há que possa discernir as próprias faltas? 
Absolve-me das que me são ocultas.
13 Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; 
então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão.
14 As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração 
sejam agradáveis na tua presença, SENHOR, 
rocha minha e redentor meu!

O Salmo 19 está dividido em dois grandes blocos, que tratam de dois grandes livros: o Livro da Criação (vv. 1-6) e o Livro da Lei do SENHOR (vv. 7-14). Os dois livros, o da criação e o da Lei do SENHOR, são formas diferentes da revelação de Deus.

O Livro da criação (a revelação geral)
À revelação de Deus na criação costuma-se chamar de "revelação geral", pois está acessível a todas as pessoas, de todas as línguas, raças, tribos e nações, revelando a todos que há um Deus Criador Todo-Poderoso. O apóstolo Paulo está de acordo com esta afirmação do Salmo 19, quando afirma o seguinte:

"A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homens corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis" (Rm 1.18-23).

Nos versos de 1 a 6 o Salmo 19 usa exemplos celestiais para expressar a glória de Deus refletida na sua criação (céus, o firmamento, o dia, a noite, o sol). A linguagem é poética.
Através dos céus, podemos contemplar a sua glória (v. 1a). Li certa vez uma bela lenda judaica, que ilustra muito bem a afirmação do reflexo da glória de Deus na criação.
"Alexandre, o Grande, perguntou para um judeu o seguinte: "se há um Deus Criador, por que Ele não aparece de vez para revelar a sua glória, a fim de que seja louvado pelas suas criaturas?". O judeu foi embora calado, mas voltou no dia seguinte, fazendo um convite para o grande imperador: "Alexandre, eu quero te mostrar Deus". O judeu, então, conduziu Alexandre para fora do palácio, dizendo o seguinte: "olhe para o sol fixamente por uma hora e você verá a Deus". Alexandre respondeu: "Estás louco? Se eu contemplar o sol por alguns minutos ficarei cego!". Então o judeu respondeu: "Se não consegues contemplar a glória do sol, uma de Suas criaturas, como pretende contemplar a glória do Criador do Universo?".

Tudo é obra das mãos do Criador (v. 2a). Dia e noite, sem palavras ou linguagem humana, a criação ecoa uma mensagem poderosa: Tudo é obra das mãos do SENHOR!

Os homens sempre se maravilharam diante da criação, e quanto mais a conhecemos, mais nos impressionamos com a grandeza do Criador. Durante séculos pensou-se que a superfície da terra fosse plana (chata), que o fim do oceano fosse um abismo, que o sol e as estrelas girassem no céu ao redor de nós. Galileu Galilei, Nicolau Copérnico, Johannes Kepler e Isaac Newton, todos cristãos, nos ajudaram a compreender que a terra não é plana e que ela gira em torno do sol. A sua fé não os impediu de grandes avanços na ciência, mas pelo contrário. Enquanto a Bíblia ensina QUEM criou o universo e PORQUÊ o criou, a ciência estuda COMO Deus criou.
A Bíblia diz: "No princípio criou Deus os céus e a terra" (Gênesis 1.1). Agostinho de Hipona, por volta do ano 500 d.C., disse em seu comentário do Gênesis que o tempo, o espaço e a matéria tiveram início. Até o início do século XX a maioria dos filósofos e cientistas afirmou que o tempo, a matéria e o espaço eram eternos, até que a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein demonstrou que a tese de Agostinho tinha razão. No livro "Breve História  do Tempo", Stephen W. Hawking afirmou o seguinte:
"O conceito de tempo não tem qualquer significado antes do começo do Universo. Este facto foi apontado por Santo Agostinho. Quando lhe perguntaram: "Que fazia Deus antes de criar o mundo?" Agostinho (...) respondeu que o tempo era uma propriedade do Universo que Deus tinha criado, e que não existia antes do começo do Universo" (1).
A fé no Deus Criador e na ciência se iluminam mutuamente. Como diria Albert Einstein: 
"A ciência sem a religião é aleijada; a religião sem a ciência é cega".


O Livro da Lei do SENHOR (a revelação especial)
Nos versos de 7 a 14, o salmista nos fala de outro livro, livro da Lei do SENHOR. O assunto deste bloco é a chamada Revelação Especial de Deus, ou seja, o fato de que Deus se revela à humanidade através de meios especiais, como a Palavra de Deus ou Jesus Cristo, o Deus que se fez carne (João 1.14).
Meditar e crer na mensagem da Lei do SENHOR traz muitos benefícios:

A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; 
o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices.
8 Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; 
o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos.
9 O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; 
os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente, justos.
10 São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; 
e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.
11 Além disso, por eles se admoesta o teu servo; 
em os guardar, há grande recompensa.

O Livro da Lei do SENHOR leva, inclusive, à superação do orgulho, da vaidade e da soberta. A revelação de Deus nos traz, ao mesmo tempo, fundamento para o amor próprio e para a humildade. Quanto mais contemplamos a Palavra de Deus, mas assumimos nossa humildade, diante da Sua grandeza!
O Salmo 14 termina com as seguintes palavras: "As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, SENHOR, rocha minha e redentor meu! 
Deus nos redimiu através de Seu Filho Jesus Cristo, a Rocha da nossa salvação. O Filho de Deus veio ao mundo por amor (Jo 3.16), se fez homem por amor (Jo 1.14), foi tentado em todas as coisas sem cometer pecado (Hb 4.15), morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa salvação (1Co 15.3-4). As Escrituras dão testemunho dEle (Jo 5.39), que é a forma mais completa com a qual Deus se revelou a nós (Jo 1.18). 
Quando conhecemos o amor de Deus revelado no Livro da Criação (vv. 1-6) e no Livro da Lei do SENHOR (vv. 7-14), que dá testemunho de Jesus Cristo, somos levados a superar o medo, através de uma vida cheia de amor, esperança e fé. Nesta nova vida, buscamos viver para a glória de Deus (1Co 10.31). Que nossas palavras, que o meditar do nosso coração, sejam agradáveis ao Criador!

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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Feminismo, ideologia transgênero, conceito de família...

Camille Paglia fala sobre sua própria revisão do feminismo, sobre a ideologia transgênero, conceito de família e suas definições sobre a cultura ocidental. Vídeo indicado pelo meu amigo Fabrício Fukahori. Vale a pena conferir!

domingo, 1 de novembro de 2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

William Lane Craig refuta o argumento central de Dawkins

Richard Dawkins é um dos mais celebrados representantes do chamado "neoateísmo". Neste vídeo, o filósofo cristão William Lane Craig apresenta uma refutação clara do mais recente e popular livro de Dawkins, chamado "Deus, um delírio". Confira.


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Richard Dawkins, Bertrand Russell e Lewis Wolpert foram tomar um chá!

Richard Dawkins, em "Deus, um delírio", cita uma analogia do filósofo Bertrand Russell na tentativa de desqualificar a fé em Deus: 
"Imagine um bule de chá em órbita em volta do sol. Você não pode desaprovar a existência desse bule de chá porque ele é pequeno demais ser observado pelos nossos telescópios. Ninguém seria louco em dizer: "bem, eu estou preparado para acreditar no bule porque eu não posso desaprová-lo". Dawkins conclui: "Talvez sejamos técnica e estritamente agnósticos, mas na prática todos somos ateus em relação ao bule de chá".
Assista ao vídeo abaixo e veja como o ateu Lewis Wolpert, num debate com um filósofo cristão, usa estes argumentos defendidos por Russell e Dawkins - e tire as suas próprias conclusões sobre o massacre ocorrido no debate!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Deus Existe? - Debate entre Christopher Hitchens vs William Lane Craig - Legendado

Este vídeo é de um ótimo debate entre um cristão e um ateu sobre a existência de Deus. Assista e tire as suas próprias conclusões. A minha é a seguinte: Enquanto William Lane Craig se propôs a apresentar teses e refutar as  teses do Christopher Hitchens, este nem sempre procurou refutar as teses do seu debatedor. Na minha opinião o William Lane Craig (cristão) se saiu muito melhor. O que você acha? Vamos apresentar primeiro uma parte do vídeo em destaque e, em seguida, o vídeo completo.





É possível ser uma pessoa racional e crer em Deus?



Esta é uma pergunta que  muita gente faz hoje em dia. A antiga crença iluminista (que encontra ainda hoje aqueles que acreditam nela) era de que o desenvolvimento da ciência, da economia e da cultura faria a religião desaparecer. Pois é, esta tese não tem se cumprido! Qual seria a explicação? Alguns ateus gostam de afirmar que não é possível ser uma pessoa versada em ciência, culta, inteligente e racional e, ao mesmo tempo, crer em Deus. Qual o problema desta tese? Ela é simplesmente falsa! Duvida? Então vamos lá. Vou citar alguns nomes de filósofos, cientistas, artistas e intelectuais que demonstram a falsidade da tese:

Filosofia:  Agostinho, Tomás de Aquino, Blaise Pascal, René Descartes, Leibniz, Kierkgaard, John Locke, Alvin Plantinga, Henri Bergson, etc.
Ciência: Blaise Pascal, Galileu Galilei, Nicolau Copérnico, Isaac Newton, Roger Bacon, Robert Boyle, Stephen Hales, John Mitchell, George Mendel,  Francis Collins, etc.
Literatura: Vinícius de Moraes, Dante Alighieri, John Milton, José de Anchieta, Fiodor Dostoievski, Gregório de Matos, C. S. Lewis, etc.
Prêmios Nobel: Martin Luther King Jr., Nelson Mandela, Desmond Tutu, Madre Teresa de Calcutá, Albert Schweitzer, etc.

Eis aí uma lista singela e pouco representativa, mas suficiente para demonstrar que a afirmação de que a fé cristã é incompatível com a razão e a ciência é uma superstição que pode ser facilmente refutada.

A fé cristã sempre se definiu como fé, e não como resultado científico. Isso não significa que não haja evidências claras a favor da fé cristã, mas trata-se de evidências e não provas científicas. Ou seja, a fé cristã, por sua própria natureza, não tem necessidade de provas científicas. No entanto, alguns ateus afirmam a impossibilidade de uma pessoa ser, ao mesmo tempo, inteligente, culta, instruída nas ciências e, ao mesmo tempo, ter fé em Deus. Ora, por que isso seria uma impossibilidade? Porquê este tipo de ateu afirma que a ciência e a razão são contrárias à fé em Deus. Se isso é verdade, o ônus da prova cabe a este tipo de ateu, pois eles acreditam que uma pessoa inteligente não pode ser cristã. Mas qual o problema com esta linha de raciocínio? Para começar ela é mentirosa, pois muitos intelectuais, cientistas, pensadores do  passado e do presente creem em Deus! (Veja a lista acima). Ou seja, o cristianismo não tem necessidade de provar nada, pois afirma que, apesar de todas as evidências e da compatibilidade entre fé cristã, ciência e razão, sua doutrina se fundamenta na fé. O ateísmo também é um tipo de crença, e na minha opinião, não precisa provar nada, pois é uma crença. No entanto, a partir do momento que o ateísmo (ou melhor, alguns ateus) passa a afirmar que a fé em Deus não é compatível com a ciência e a razão, ele deve provar o que afirma, pois há provas incontestáveis de que pessoas inteligentes creem em  Deus.

Conclusão: Ser uma pessoa racional e crer em Deus não é apenas possível; é comum!

sábado, 3 de outubro de 2015

Ex-Diretor do "Projeto Genoma Humano" explica os motivos do abandono do ateísmo

Francis Collins (Ex-Diretor do Projeto Genoma Humano), em uma entrevista, explica as razões pelas quais fora ateu a maior parte de sua vida, mas, já adulto e cientista conceituado, se convenceu de que há Deus!


E tem gente que continua afirmando que fé em Deus é coisa de ignorante. Na verdade, é necessário ter muita fé para ser ateu - e é necessário uma superstição grosseira para achar que crer em Deus é coisa de gente que não pensa. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Por que os teólogos não param de fazer teologia?



Por que os teólogos não param de fazer teologia? Se a fé cristã é verdadeira, por que os cristãos continuam a refletir sobre a doutrina, de geração em geração? Quando esta tarefa vai acabar?

Deus não cabe numa doutrina. Deus não cabe numa caixa. Deus não cabe num sistema fechado de teologia. No entanto, a Palavra de Deus nos diz o seguinte: `santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós` (1Pe 3.15). Deus é tão grande que não cabe nem mesmo na Bíblia! (Jo 21.25). Nem mesmo a Bíblia esgota a Deus. A Bíblia não nos diz tudo o que se pode saber sobre Deus, mas aquilo que precisamos conhecer sobre Deus.

Nós devemos estar preparados para dar a razão da nossa fé, expressando a mensagem do Evangelho numa linguagem em que as pessoas possam compreender. A Palavra de Deus não muda, mas a cultura, os valores, a linguagem, enfim, as pessoas mudam. Por isso, devemos sempre refletir sobre a Palavra de Deus em novos contextos, para desfrutar do seu conhecimento e poder anunciá-la.

As doutrinas que refletem a revelação que Deus faz de si mesmo são boas, necessárias e saudáveis. Enquanto vemos em parte (1Co 13.8-12) vamos continuar fazendo teologia, cantando teologia, respirando teologia, até Aquele Dia, em que Deus será tudo em todos (1Co 15.20-28).

Os teólogos continuam fazendo teologia pelo mesmo motivo que os poetas e cantores continuam falando e cantando sobre o amor: ele é inesgotável, sempre novo, surpreendente, arrebatador! Os teólogos continuam fazendo teologia porque Deus é amor!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A CGU não pode acabar!


A Controladoria-Geral da União – CGU – é reconhecida pelas suas ações efetivas no combate à corrupção em todo o território nacional e internacionalmente.

AGORA, O GOVERNO QUER ACABAR COM A CGU!

Contrariando as promessas de campanha relativas ao fortalecimento do combate à corrupção, o Governo quer desmontar o órgão responsável por ações de fiscalização, auditoria, ouvidoria, correição, transparência e controle social.

Atualmente, entre diversas ações, a CGU conduz os processos de responsabilização das empresas envolvidas na Operação Lava-Jato. Porém, o Governo planeja transferir para a Casa Civil a responsabilidade por tais processos.

É inaceitável que missões dessa natureza sejam atribuídas a uma estrutura política da qual ministros foram afastados seguidamente em meio a escândalos de corrupção e conflito de interesses.

Em meio a tantos problemas, durante mais de 12 anos, a CGU revelou-se um órgão íntegro, prestando dignamente os serviços públicos de sua competência à população brasileira.

Assim, nesse momento, pedimos o apoio da sociedade: não vamos deixar o governo acabar com a CGU!

Mais de 2.000 municípios fiscalizados, 182 operações especiais deflagradas com Polícia Federal e Ministério Público, mais de 16 trilhões de Reais em despesas divulgadas no Portal da Transparência, milhares de ações de auditoria, 5.000 servidores expulsos por atos de corrupção... NÃO DEIXE ISSO ACABAR!!

A CGU NÃO É DO GOVERNO! A CGU É DO POVO BRASILEIRO!

Se você não concorda com o fim da Controladoria-Geral da União, entre no site abaixo e assine!

http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=CGUedopovo

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Graça nos dá tudo e exige tudo - Lc 14.15-35


No Evangelho segundo Lucas, o bloco que vai de 9.51 a 18.14 narra a subida de Jesus para Jerusalém. Neste bloco está incluído o nosso texto, Lc 14.15-35. Para entender nosso texto, precisamos entendê-lo à luz do capítulo 14.
Lucas 14.1-6 narra a cura de um hidrópico num sábado, enquanto Jesus comia na casa de um fariseu (participava de um banquete). Os demais textos do capítulo 14 tem ligação com esta passagem. Um doente era considerado pela teologia tradicional como alguém que está debaixo da ira de Deus e, portanto, não tem a mesma dignidade religiosa de uma pessoa sã.
Após curar o hidrópico, e deixar claro que Deus acolhida aquele homem, em Lc 14.7-14 Jesus propõe uma parábola ou comparação: quando você for à um banquete, seja humilde e escolha o último lugar, para não correr o risco do anfitrião pedir para você ceder o lugar para um convidado mais digno que tu. Por outro lado, escolhendo o último lugar, você pode até ser honrado pelo anfitrião, caso peça para que você se assente num lugar melhor. Os escribas e fariseus religiosos não podiam continuar achando que no banquete do Reino de Deus eles eram melhores que os doentes! Não podemos nos considerar melhores que os outros!
Em Lc 14.15-24 Jesus continua no tema do banquete a partir de uma outra parábola. Um homem ofereceu um grande banquete e convidou a muitos. Chegando a hora do banquete, o anfitrião envia seu servo para avisar aos convidados que a hora da grande ceia havia chegado. Mas os convidados começam a declinar do convite, dando as mais diversas desculpas: comprei um campo, uma junta de bois, casei... O anfitrião se enche de ira (v. 21), e envia seus servos para convidarem os marginalizados: pobres, aleijados, cegos e coxos (como o hidrópico!). Havendo ainda lugar, manda chamar os que estão pelos caminhos e atalhos. Jesus, então, declara que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia! Enquanto os doentes, pobres e marginalizados participariam do banquete, os primeiros convidados, representados pelos escribas e fariseus, estavam se esquivando do convite! Até mesmo os gentios entrariam!
Finalmente, chegamos ao nosso texto, Lc 14.25-35. O texto tem uma relação clara com todo o restante do capítulo. Jesus veio e pregou a todos o Reino de Deus, exortando para que cada um se arrependa dos seus pecados e se submeta ao Rei. O Reino de Deus é o reinado de Deus sobre toda a criação. No Reino de Deus há espaço para apenas um Rei: o próprio Deus. Neste reino, todos se tornam servos de Deus.
Jesus dirige a palavra às multidões que o acompanhavam, e faz uma afirmação fundamental:
"Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo (...). Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo" (Lc 14.26-27,33).
O que é um discípulo? Ora, "Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos" (At 11.36c). Um discípulo é alguém que crê em Jesus Cristo e o segue no caminho da cruz.
Os Evangelhos são narrativas que apontam para a cruz e a ressurreição de Jesus. A maior parte dos evangelhos narram a atividade de Jesus em direção à Jerusalém e a última semana em Jerusalém, onde foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia. Jesus veio para nos reconciliar com Deus.
Deus nos criou com amor à sua imagem e semelhança. O ser humano deveria refletir na criação o amor e a justiça de Deus (Gn 1-2). No entanto, o homem pecou. E o que é o pecado original? Não é comer maçã, mas é querer ser como Deus e reinar no seu lugar. É isso que o primeiro casal fez quando, ao invés de dar ouvidos às palavras amorosas e cuidadoras de Deus, quis ser o próprio rei e fazer a sua própria vontade. Querendo ganhar a própria vida, a perderam! O pecado gerou 4 grandes crises de relacionamento no ser humano: a crise teológica (relação com Deus); a crise psicológica (relação consigo mesmo - auto-estima); a crise sociológica (relação com o próximo) e a crise ecológica (relação com o restante da criação de Deus). Jesus é o único ser humano que superou todas estas crises, viveu sem pecado, se submeteu completamente ao reinado de Deus, e assim pode assumir na cruz os nossos pecados, para que pudéssemos assumir a sua justiça. A graça de Deus é a manifestação do seu amor incondicional. Nós não podemos fazer nada para merecer a salvação que há em Cristo Jesus. No entanto, a graça não é uma "graça barata"; a salvação não é "de graça", mas sim "pela graça", pois Jesus pagou um alto preço. Por este motivo, o caminho da graça é a fé, que não é a capacidade em acreditar em doutrinas, mas é uma relação nova de confiança e fidelidade com Deus. A graça nos dá tudo, mas exige tudo! O cristão, o discípulo de Jesus, é alguém que, pela graça de Deus, tem seus pecados perdoados e é transformado pela glória de Deus para viver uma relação nova com Deus, na qual se submete à Ele por amor e gratidão - mas se submete à Ele! Quem está na graça faz a vontade de Deus (Mt 7.21-23)! Por isso, crer em Cristo é se abrir para a graça maravilhosa de Deus, que nos leva à uma relação nova com Deus: amor a Deus acima de todas as coisas (Mt 22.34-40), ou seja, amor que se entrega, que serve, que se submete (1Co 13.4-7). A graça de Deus nos dá tudo (amor, fé, paz, perdão), mas exige tudo (amor a Deus acima de tudo e de todos).
A todos aqueles que querem ser cristãos, Jesus dá um conselho importante: antes de se tornar discípulo, calcule os custos (vv. 28-32)! Antes de construir uma torre ou sair em guerra com outro rei, devemos refletir se temos recursos suficientes para terminar o que começamos com êxito. Do mesmo modo, quem quer se tornar cristão deve entender que a graça de Deus custa nada mais nada menos que TUDO! É como a parábola do tesouro escondido: "O reino de Deus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo" (Mt 13.44). O homem encontrou um tesouro maravilhoso! Tudo o que ele tinha era pouco, comparado com aquele tesouro. Por isso vai, entrega tudo o que tem para ficar com o tesouro. Nada ou ninguém é adequado para ocupar o trono da sua vida - inclusive você mesmo. Nós fomos criados para Deus e a nossa vida só será vida em conexão com Deus. Mas Deus é o Rei do seu Reino. Ele nos dá tudo, mas exige tudo! Isso não significa que você deva deixar de amar a sua família ou dar todo o seu dinheiro para alguma igreja, muito pelo contrário. Você deve amar a Deus de tal modo que vai amar a sua família, seus amigos e mesmo os seus inimigos. Deus te ama e te chama para amá-lo acima de todas as coisas. Deus cuida de ti e te chama para cuidar do outro. Deus te perdoa e te chama para perdoar.
Jesus, o Filho de Deus feito homem, entregou tudo ao Pai. Nós, seus discípulos, devemos fazer o mesmo. Cruz é a negação da própria vontade para fazer a vontade de Deus.
"Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á" (Mt 10.39).
Cristão que não ama a Deus acima de tudo, que não se entrega a Deus numa relação nova de amor e gratidão em Cristo, é sal que não salga.

A graça de Deus nos dá tudo e exige tudo.
Tudo é pequeno demais diante de uma graça tão grande.

Fonte da imagem: http://i0.wp.com/www.consulte-teologia-aluzdabiblia.net/wp-content/uploads/2015/09/depositphotos_23760635-Jesus-Christ-carrying.jpg

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

10 Medidas contra a Corrupção



A corrupção mata milhares de pessoas no país, todos os anos. Estima-se que mais de R$ 50.000.000.000,00 (cinquenta bilhões de reais) sejam desviados do país todos os anos através da corrupção!(1)  Dinheiro que deveria ser investido em educação, saúde, infraestrutura, cultura, esporte, etc. Por isso, o MPF (Ministério Público Federal) está encabeçando um abaixo assinado fundamental para o nosso país, uma lista de apoiamento para um Projeto de Lei de iniciativa popular, chamado "10 Medidas Contra a Corrupção".
O Projeto de Lei dispõe sobre propostas legislativas para aprimorar a prevenção e o combate à corrupção e à impunidade. As medidas estão consolidadas em 20 anteprojetos de lei e buscam, entre outros resultados, evitar a ocorrência de corrupção (via prestação de contas, treinamentos e testes morais de servidores, ações de marketing/conscientização e proteção a quem denuncia a corrupção), criminalizar o enriquecimento ilícito, aumentar penas da corrupção e tornar hedionda aquela de altos valores, agilizar o processo penal e o processo civil de crimes e atos de improbidade, fechar brechas da lei por onde criminosos escapam (via reforma dos sistemas de prescrição e nulidades), criminalizar caixa dois e lavagem eleitorais, permitir punição objetiva de partidos políticos por corrupção em condutas futuras, viabilizar a prisão para evitar que o dinheiro desviado desapareça, agilizar o  rastreamento do dinheiro desviado e fechar brechas da lei por onde o dinheiro desviado escapa (via ação de extinção de domínio e confisco alargado). A íntegra das medidas e suas justificativas também podem ser encontradas no site:

www.10medidas.mpf.mp.br

A IPI do Brasil está apoiando esta iniciativa. Nenhum membro da igreja é obrigado a assinar. Todos os que acreditam que o projeto é importante para que vivamos em um país melhor tem o dever de assinar.

Se você quiser imprimir o abaixo assinado e recolher assinaturas, deve tomar o cuidado de preencher todos os campos e, ao final, entregar ao Ministério Público Federal da sua cidade. A ficha pode ser encontrada em:

http://www.dezmedidas.mpf.mp.br/


(1) Fonte da informação: 
http://sindjufe-mt.jusbrasil.com.br/noticias/2925465/o-preco-da-corrupcao-no-brasil-valor-chega-a-r-69-bilhoes-de-reais-por-ano)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Estruturas Literárias Surpreendentes (Gênesis)


A Bíblia é um livro surpreendente. Hoje eu gostaria de compartilhar com vocês algumas estruturas impressionantes no livro de Gênesis.
Numa primeira leitura, o texto parece ser meio caótico, sem muita organização. Mas à medida que o estudamos, nos extasiamos com a sua mensagem, com sua influência em tudo que nos cerca (literatura, filosofia, pintura, música, cinema...), bem como nas estruturas literárias. Vamos apresentar abaixo as estruturas fundamentais do livro do Gênesis (1). 

1) Da Criação aos Patriarcas (Gênesis 1.1-11.32)
As letras no início das linhas apontam para os temas paralelos nas letras correspondentes (ex: A - A'; B - B'; etc.). Esta é uma estrutura alternante, em 7 divisões binárias.

A  História da criação: primeiro início; bênção divina (1.1-2.3)
   B   Pecado de Adão: nudez; ver/cobrir nudez; maldição (2.4-3.24)
      C   Nenhum descendente ao jovem assassinado; Abel, filho justo (4.1-16)
         D   Descendentes de Caim, filho pecaminoso (4.17-26)
            E   Descendentes de Sete, filho escolhido: dez gerações de Adão a Noé (5.1-32)
               F Ruína: união ilícita (6.1-4)
                  G Breve introdução a Noé (6.5-8)
A'  História do dilúvio: reversão da criação; novo início; bênção divina (6.9-9-19)
   B'  Pecado de Noé: nudez, ver/cobrir nudez; maldição (9.20-29)
      C'  Descendentes do mais jovem; Jafé, filho justo (10.1-5)
         D'  Descendentes Cam, filho pecaminoso (10.6-20)
            E'  Descendentes de Sem, filho escolhido: dez gerações de Noé a Terá (10.21-32)
               F' Ruína: união rebelde - Torre de Babel (11.1-9)
                  G'  Breve introdução de Abraão, por meio de quem Deus abençoará a humanidade (11.27-32)

Compare as letras (A - A'; B - B'; etc.). É surpreendente!


2) Ciclo de Abraão (Gênesis 11.27-22.24)
Esta é uma estrutura concêntrica, ou seja, as extremidades se encontram, até chegar ao centro do texto (seu clímax). Estrutura em 6 divisões binárias.

A   Genealogia de Terá (11.27-32)
   B   Promessa de um filho e começo da odisséia espiritual de Abração (12.1-9)
      C   Abraão mente acerca de Sara; o Senhor a protege no palácio estrangeiro (12.10-20)
         D   Ló se estabelece em Sodoma (13.1-18)
            E   Abraão intercede por Sodoma e por Ló com força militar (14.1-24)
               F   Aliança com Abraão; anúncio de Ismael (15.1-16.16)
               F'  Aliança com Abraão; anúncio de Isaque (17.1-18.15)
            E'   Abraão intercede por Sodoma e por Ló em oração (18.16-33)
         D'  Ló foge de Sodoma destruída e se estabelece em Moabe (19.1-38)
      C'  Abraão mente acerca de Sara; Deus a protege em palácio estrangeiro (20.1-18)
   B'  Nascimento do filho e clímax da odisséia espiritual de Abraão (21.1-22.19)
A'  Genealogia de Naor (22.20-24)


3) Ciclo de Jacó (Gênesis 25.19-35.22)
Outra estrutura concêntrica. Estrutura em 6 divisões binárias.

A   Busca de oráculo; luta no parto; nasce Jacó (25.19-34)
   B   Interlúdio: Rebeca em palácio estrangeiro; pacto com estrangeiros (26.1-35)
      C   Jacó teme Esaú e foge (27.1-28-9)
         D   Mensageiros (28.10-22)
            E   Chegada em Harã (29.1-30)
               F   Esposas de Jacó são férteis (29.31-30.24)
               F'  Rebanhos de Jacó são férteis (30.25-43)
            E'  Fuga de Harã (31.1-55)
         D'  Mensageiros (32.1-32)
      C'  Jacó regressa e teme Esaú (33.1-20)
   B'  Interlúdio: Diná em palácio estrangeiro; pacto com estrangeiros (34.1-31)
A'  Oráculo cumprido; luta em parto; Jacó se torna Israel (35.1-22)


4) Ciclo de José (Gênesis 37.2-50.26)
Outra estrutura concêntrica. Estrutura em 7 divisões binárias.

A   Introdução: início da história de José (37.2-11)
   B   Jacó pranteia a "morte" de José (37.12-36)
      C   Interlúdio: Judá designado líder (38.1-30)
         D   Servidão de José no Egito (39.1-23)
            E   José, salvador do Egito por meio de desaprovação na corte de Faraó (40.1-41.57)
               F   Viagem dos irmãos ao Egito (42.1-43.34)
                  G   Irmãos de José passam no teste de amor por ele (44.1-34)
                  G'  José renuncia seu poder sobre os irmãos (45.1-28)
               F'  Migração da família para o Egito (46.1-27)
            E'  José, salvador da família por meio do favor da corte de Faraó (46.28-47.12)
         D'  Servidão dos egípcios a José (47.13-31)
      C'  Interlúdio: Judá abençoado como líder (48.1-49.28)
   B'  José pranteia a morte de Jacó (49.28-50.14)
A'  Conclusão: fim da história de José (50.15-26)


Bruce Waltke afirma que um dos temas centrais em Gênesis é o da "semente".
Ao criar o ser humano, Deus abençoa "a sua semente":
"E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra" (Gn 1.28).
No jardim, o Senhor, se dirigindo à serpente, afirma:
"Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gênesis 3.15).
Após o pecado, Gênesis começa a dar destaque aos "filhos de Deus", em contraste com os "filhos dos homens". Neste sentido, o destaque está para Adão-Sete-Noé, por um lado, e para Noé-Sem-Héber-Terá-Abraão-Isaque-Jacó-os 12 filhos de Jacó.
Não é por acaso que o primeiro ciclo (1.1-11.32) culmine nas figuras de Noé e Abraão, duas "sementes" por meio de quem Deus abençoará a humanidade.
O segundo ciclo (11.27-22.24) tem como centro a aliança e o anúncio do nascimento dos filhos de Abraão, com destaque para Isaque, o filho/semente da promessa.
O terceiro ciclo (25.19-35.22) está centralizado na afirmação da "fertilidade" tanto das esposas quanto do rebanho de Jacó.
O quarto ciclo (37.2-50.26) está centralizado nos 12 filhos de Jacó, ou ainda, no relacionamento de amor que serve, capaz de trazer reconciliação. A narrativa bíblica relaciona os 12 filhos de Jacó às 12 tribos de Israel, povo chamado para ser um "reino de sacerdotes" (Ex 19.1-6).
O tema da semente aponta para Cristo. Por um lado, a Igreja antiga leu Gn 3.15 como uma promessa cumprida em Jesus Cristo, que pisou a cabeça da serpente. Por outro lado, do mesmo modo que Deus salva Noé e sua família através do madeiro da arca, Cristo traz salvação a partir do madeiro da cruz. Além disso, a promessa de Deus para Abraão, de bênção a todas as nações/famílias da terra (Gn 12.1-3; 18.18) é cumprida em Jesus Cristo, "filho de Davi, filho de Abraão" (Mt 1.1; Gl 3.16). Por meio de Cristo, somos feitos filhos de Deus (Jo 1.12; Gl 3.26).

Gênesis é ou não um livro extraordinário? E pensar que ele foi escrito há milhares de anos, num contexto em que não havia computadores (que poderiam facilitar a sua edição), e as pessoas não dispunham de bibliotecas e métodos literários como nós temos hoje! Qual é o gênio literário que poderia escrever uma obra como esta? Mas o Gênesis faz parte de um texto maior, a Bíblia, e está inserido numa estrutura ainda maior. O Gênesis é fruto de uma grande inspiração!


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Fonte das Estruturas: Bruce K. WALTKE. Comentário do Antigo Testamento: Gênesis. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, pp. 18-20.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Ela


Tive um sonho maravilhoso esta noite... Você estava nele!
Ouvi uma música linda... Ela dizia o seu nome!
Fui conversar com meus amigos... Eles me falaram de você!
Não resisti, fui à uma lanchonete e comprei você!
Eu te amo, barra de chocolate!

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Ourizona, Paraná, 1990.

O Confuso


Estou confuso,
Pois não sei se estou confuso.
Mas como não saber se estou confuso,
Se estou confuso?

Se estou confuso,
Sei que estou confuso,
E, se sei que estou confuso,
Não estou mais confuso!
Mas, como não estar confuso,
Se eu sei que estou confuso?



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Marcio Marques
Ourizona, Paraná, 1991.

sábado, 2 de maio de 2015

A Igreja guarda o sábado ou o domingo? (síntese)


A Igreja Antiga, nos séculos I, II, III e IV, observava o sábado ou o domingo? Como muita gente tem preguiça de ler todo o post anterior e fica pedindo a base bíblica, estou postando hoje a base bíblica abreviada. O link do post completo está no final deste texto.

Você é judeu? Pois o primeiro gentio (não-judeu) crente em Atos dos Apóstolos é Cornélio que, juntamente com alguns familiares e amigos, recebem o Espírito Santo enquanto ouvem a pregação de Pedro (Atos 10). Alguns judeus cristãos "dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão" chegaram até Antioquia, ondem começaram a evangelizar gentios, que se converteram a Cristo (Atos 11). Posteriormente, alguns judeus cristãos ligados aos fariseus passaram a afirmar que os gentios que se converteram a Cristo deveriam guardar a lei de Moisés: "Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés"(Atos 15.5). Os Apóstolos e Presbíteros se reuniram em conselho e decidiram o seguinte: Não! Os cristãos não precisam guardar a lei de Moisés! Confira:
"Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde" (Atos 15.28-29).
Entre Atos 15.30 e Atos 18.6, o sábado é citado 3 vezes, não como prática cristã ou mandamento, mas como referência gratuita, uma vez que Paulo estava evangelizando judeus nas sinagogas, e os judeus iam às sinagogas no sábado; logo, quem guardava o sábado não era Paulo, mas os judeus que ele queria evangelizar na sinagoga (At 16.13; 17.2; 18.4). Destas 3 passagens, Atos 18.4 é a última vez que o sábado é citado em Atos, e você sabe por que? Porquê Paulo deixa de procurar os judeus e, a partir de então procurará apenas os gentios (Atos 18.1-6). Quando Paulo deixa de evangelizar judeus, ele deixa de ir na sinagoga aos sábados! Além disso, entre Atos 18.7 até o final do Apocalipse o sábado é citado apenas uma vez, em Colossenses 2.16-17, que afirma o seguinte: "Portanto, que ninguém faça para vocês leis sobre o que devem comer ou beber, ou sobre os dias santos, e a Festa da Lua Nova, e o sábado. Tudo isso é apenas uma sombra daquilo que virá; a realidade é Cristo". Ou seja, de Romanos a Apocalipse, o único texto bíblico que fala do sábado afirma que os cristãos não devem ser jugados por não guardar o sábado (apenas uma sombra que aponta para Cristo).

Você é judeu? Pois Paulo, que era judeu, não estava debaixo dos mandamentos da lei de Moisés, mas debaixo apenas da graça de Deus em Cristo (Romanos 6.14-15). Veja o testemunho de Paulo a respeito:

"Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça. E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!" (Rm 6.14-15),
"Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei." (1Co 9.20-21).

Quem está debaixo da lei está debaixo de maldição, pois está obrigado a guardar toda a lei sem falha alguma:
"Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las" (Gl 3.10).

Agora, se por um lado, o único verso que fala do sábado entre Romanos e Apocalipse fala contra o sábado (Cl 2.16-17), o Novo Testamento testemunha que os cristãos observavam o domingo não como dia de descanso, mas como dia especial de celebração do culto e da Ceia do Senhor:

Evangelhos e Atos
- Lc 24.13-35 (Os discípulos no caminho de Emaús). Jesus ressuscita num domingo, e "naquele mesmo dia" se encontra com dois discípulos, lhes anuncia o Evangelho e celebra com eles a Ceia do Senhor. A partir de então, a celebração da Ceia do Senhor passa a ser uma prática dominical.
- Jo 20.19-29 (Relatos do encontro do Ressuscitado com seus discípulos). Jesus ressuscita em um domingo e aparece aos seus discípulos no domingo da ressurreição e ao oitavo dia (Jo 20.26), ou seja, no próximo domingo! Três aparições em oito dias, e todas no domingo.
- At 2.1-4. Os discípulos reunidos receberam o dom do Espírito "ao cumprir-se o dia de Pentecoste", ou seja, após o 50º dia depois da Páscoa, ou seja, um domingo - inferência provável segundo Allmen (Allmen:1968, p. 265).
- At 20.7-12. Testemunho da prática da Igreja primitiva em celebrar a Ceia do Senhor no domingo, o "primeiro dia da semana".
Epístolas
- 1Co 16.1-4. Quando Paulo fala das normas que deu para as igrejas da Galácia sobre a coleta para a Igreja de Jerusalém, e que agora dá as mesmas normas para as igrejas em Corinto, o apóstolo afirma que estas deveriam ser feitas "no primeiro dia da semana", por uma razão óbvia: era o dia em que a Igreja se reunia para o culto a Deus e a celebração da Ceia do Senhor. Caso contrário, não faria sentido estabelecer o domingo como dia da coleta, caso os cristãos não estivessem reunidos!

Se não bastasse, a literatura cristã dos séculos I, II, III e IV testemunham que, desde o período em que o Novo Testamento estava sendo escrito, os cristãos, inclusive judeus (a exemplo de Paulo) observavam o domingo como dia especial de culto de celebração da Ceia do Senhor, e não o sábado.
Para ler o texto completo, clique no link abaixo:

http://marcio-marques.blogspot.com.br/2014/11/a-igreja-antiga-sabado-ou-o-domingo.html

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