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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Você sabe mesmo quais são os 10 mandamentos?


Um dos textos mais conhecidos e influentes da Bíblia é o dos chamados 10 mandamentos, dado pelo SENHOR a Moisés no Sinai, para orientar a relação de todos e de cada um com Deus e com o próximo. Os primeiros mandamentos dizem respeito a nossa relação com Deus e, os últimos, com a nossa relação com o próximo. Você sabe quais são eles? Pois há várias versões dos 10 mandamentos.

Você pode encontrá-los na Bíblia em Êxodo 20.1-17 e em Deuteronômio 5.6-21. Vamos, abaixo, apresentar as diferentes interpretações dos Dez Mandamentos dentro de várias tradições religiosas (judaicas e cristãs), a partir de Ex 20.1-17.


Os 10 Mandamentos (Ex 20.1-17)

Mandamento
Judaísmo
Igrejas Reformadas e Ortodoxas
Igrejas Luterana e Católica Romana
O SENHOR é o único Deus
(Dt 5.6)
(Introdução)
-
Não ter outros deuses além do SENHOR
(vv. 2-6)
(vv. 2-3)
(vv. 3-6)
Não fazer imagem de escultura
-
(vv. 4-6)
-
Não tomar o nome do SENHOR em vão
(v. 7)
(v. 7)
(v. 7)
Guardar o dia do SENHOR
(vv. 8-11)
(vv. 8-11)
(vv. 8-11)
Honrar pai e mãe
(v. 12)
(v. 12)
(v. 12)
Não matar
(v. 13)
(v. 13)
(v. 13)
Não adulterar
(v. 14)
(v. 14)
(v. 14)
Não furtar
(v. 15)
(v. 15)
(v. 15)
Não dar falso testemunho contra o próximo
(v. 16)
(v. 16)
(v. 16)
Não cobiçar coisa alguma do próximo
10º
(v. 17)
10º
(v. 17)
-
Não cobiçar a mulher do próximo
-
-
(v. 17a)
Não cobiçar nada que pertença ao teu próximo
-
-
10º
(v. 17b)


Jesus, no Sermão do Monte, não desprezou os dez mandamentos, mas pelo contrário, trouxe mandamentos ainda mais radicais! Ora, "não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará  da Lei, até que tudo se cumpra" (Mt 5.17-18). Em Mt 5.21-48 Jesus comenta alguns mandamentos da Lei e, no seu comentário, os mandamentos não são deixados de lado, mas pelo contrário: são radicalizados! Não matar? (Ex 20.21; Dt 5.17) Não apenas não matar, mas não odiar e se reconciliar! (Mt 5.21-26) Não adulterar? (Ex 20.14; Dt 5.18)  É pouco! Não se pode olhar com intenção impura! (Mt 5.28). Os mandamentos expressam a vontade de Deus, a qual não conseguimos alcançar por nós mesmos, mas apenas pela graça de Deus que há em Cristo Jesus, nosso Senhor. Como diria Paulo, " a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom" (Rm 7.12), mas "ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado" (Rm 3.20). Sendo assim, toda a Lei, inclusive os Dez Mandamentos, nos convencem da falência humana diante dos santos mandamentos de Deus e, assim, nos conduzem à graça de Deus mediante a fé em Cristo. Jesus nos enviou o seu Santo Espírito, para que, santificados pela Palavra de Deus (Jo 17.17), transformados pela graça de Deus tendo sido feitos novas criaturas em Cristo e no Espírito, façamos a vontade de Deus, plena de boas obras (Ef 2.8-10). Na Nova Aliança em Cristo, a lei não está escrita em pedras, mas nos nossos corações (Jr 31.31-34). Por isso, Jesus anunciou que o Amor, que é fruto do Espírito Santo, é o caminho para o cumprimento dos mandamentos, resumindo toda a Lei em dois mandamentos fundamentais:
"Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas" (Mateus 22.36-40).

Sobre o 4º mandamento (questão da guarda do sábado ou do domingo), confira um estudo aprofundado em http://marcio-marques.blogspot.com.br/2014/11/a-igreja-antiga-sabado-ou-o-domingo.html

A Deus toda a glória!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pensamento


Ninguém pode dar o que não tem. Alguém só pode dar amor se tem amor; só pode perdoar se tem perdão; só pode levar paz se tem paz!
Tem gente que oferece, mas não entrega.
Jesus tem amor, perdão e paz para cada um de nós, não apenas porque ninguém os tem como Ele, mas porque Ele mesmo é o amor, o perdão e a paz!

Fonte da imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxxJXGoQ2-45Gj73-ovGi8cwtZbKn65UzlzQXYYmIuA-gvCs0Ds7VG5exMvaa9BAQx9Ul3goBdfxAAFXpWoYbZ8py_LYr9lAS8LcwWFmSgj9oaEsn4ufAomEoRD5brj8SLIilb5MHVHhzy/s1600/pobre-maos11.jpg

domingo, 23 de novembro de 2014

Bono Vox do U2 diz o que pensa sobre Jesus Cristo

Bono Vox, do U2, em duas entrevistas é questionado sobre a sua fé... e manda muito bem. Confira os vídeos abaixo.







sábado, 22 de novembro de 2014

O Sistema Solar em escala (ou o tamanho dos planetas em relação ao sol)

O artista plástico Roberto Ziche criou uma reprodução do sistema solar em escala. O resultado podemos ver abaixo:




Atrás vemos "parte" do sol. À frente, da esquerda para direita, vemos os planetas Mercúrio, Vênus, Terra (com a lua), Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e planetas anões, Plutão, Haumea, Makemake e Eris.

Em comparação, o sol tem um volume 1.300.000 vezes maior que a Terra, e uma massa 332.900 vezes maior! Quando você acorda muito cedo (sic!) e vê o "sol nascer", pode perceber que a luz do sol demora mais ou menos 8 minutos e 18 segundos para percorrer a distância até nosso planeta.

A distância entre o sol e a terra varia no decorrer do ano: vai de 147,1 milhões de quilômetros no perélio (dia em que a terra está mais próxima do sol, por volta do dia 04 de janeiro) até 152,1 milhões de quilômetros no afélio (dia em que a terra está mais distante do sol, por volta do dia 4 de julho).

Nosso sol é uma estrela entre centenas de milhões de outras, apenas na nossa galáxia, a Via Láctea. Estima-se que existam cerca de 170 bilhões de galáxias espalhadas pelo universo, tendo cada galáxia cerca de 10 milhões a 100 trilhões de estrelas!

Quando olhamos para o macrocosmo pelo telescópio (para aquilo que é maior que nós), ficamos tão impressionados quanto quando olhamos para o microcosmo pelo microscópio (para aquilo que é menor que nós, como as criaturas unicelulares, os vírus, as bactérias...). E tudo isso é obra do Criador, que nos criou com amor à sua imagem e semelhança, para a Sua glória. Na época em que a Bíblia foi escrita, as pessoas não tinham acesso a este tipo de informação científica. Mas, hoje, juntamente com nossos irmãos do passado, podemos fazer coro, recitando o Salmo 19:

"Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som;  no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo" (Salmo 19.1-14a).

O SENHOR se revela como o único Deus verdadeiro, seja através da revelação geral na criação, seja através de sua revelação especial, nas Escrituras e, principalmente, em Seu Filho, Jesus Cristo, por meio de quem tudo o que existe foi criado:

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.  A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela" (João 1.1-5).

E Deus não apenas nos criou, mas nos ama e deseja nos dar uma nova vida, uma vida plena, através de Seu Filho amado, que viveu sem pecado por amor de nós, morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa salvação.

"Disse Jesus: Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (João 10.4b).

Fonte da imagem: http://www.theinspiration.com/2014/11/accurate-scale-3d-rendering-solar-system-roberto-ziche/

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Igreja é open bar?


Certa vez, ouvi o relato da conversa de um amigo com um mendigo alcoólatra. O mendigo havia dito o seguinte: "Eu bebo sim, e sou feliz assim. E eu bebo porque a Bíblia diz: ´Dai bebida forte aos que estão sofrendo, para esquecer do seu sofrimento'. Falou?".

De fato, o homem citou dois versos da Bíblia, que estão no livro de Provérbios:

"Dai bebida forte aos que perecem e vinho, aos amargurados de espírito; para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e de suas fadigas não se lembrem mais" (Pv 31.6-7).

Já sei, já sei, tem gente que até se animou a ler mais a Bíblia, depois destes versos!
É fato que algumas pessoas querem ser mais santas que Jesus. Jesus comia e bebia com pubicanos e pecadores, atraindo a ira dos religiosos da época (Mt 11.16-19; Mc 2.15-17). Aliás, o primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho numa festa de casamento (Jo 2.1-11). E mais: Jesus afirma que no Reino de Deus haverá vinho
"Em verdade vos digo que jamais beberei vinho, até àquele dia em que o hei de beber, novo, no reino de Deus. Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras" (Mc 14.25-26).

Ou seja, enquanto bebia vinho, afirmou que beberá um vinho novo no Reino de Deus.

Há três reações em relação à bebida e a fé em Cristo:
a) Há os que vão querer justificar os excessos usando a Bíblia para isso, afirmando que não há limite para a bebida (posição "liberdade sem responsabilidade");
b) Há os que vão querer justificar a proibição completa de bebida alcoólica (posição "responsabilidade sem liberdade);
c) Há os que vão justificar a utilização moderada da bebida, (posição "liberdade com responsabilidade").

Vivemos em um país onde muita gente sofre com o vício da bebida, o qual prejudica nossos relacionamentos profissionais, familiares, religiosos e, até mesmo, nosso equilíbrio emocional. Nestes casos, quando a bebida é um problema para a pessoa, ela deve se abster. Um dia, conversando com um amigo (Massao Kojo), perguntei a ele por que havia jogado pelo ralo da pia todas as bebidas alcoólicas que tinha em sua casa, quando ele creu em Cristo. Sua resposta foi a seguinte: 
"Você não precisou fazer isso, pois nunca teve problema com bebida; no meu caso, eu precisei, pois eu bebia demais". 
Por outro lado, alguns radicalizam na proibição da bebida, assumindo uma posição que Jesus e a Igreja antiga nunca assumiram (Mt 11.19; 1Tm 5.23). A Bíblia nunca proibiu a bebida alcoólica em si, mas sim o seu excesso, que podemos chamar de "embriaguez" - aquele estado em que a pessoa perde o domínio de si, fala e faz o que não deve e colhe o que não quer (Lc 21.34; Ef 5.18).
Não podemos nos esquecer que a nossa liberdade em Cristo é limitada também pelo nosso amor ao próximo: 
"Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros. Não destruas a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo. É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar [ou se ofender ou se enfraquecer]. A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado" (Rm 14.19-23).

Mas, e o texto de Provérbios?
Lembra da história do mendigo alcoólatra? Eu ouvi esta história junto com um outro amigo, o Edivalgo Romagnoli, o qual fez, na ocasião, a seguinte (sábia) observação:
"O mendigo alcoólatra é amado por Deus e, por isso, a pessoa que ouviu estas palavras deveria ter falado e demonstrado que Deus tem algo melhor do que bebida para os cansados e amargurados de espírito: Jesus Cristo, o pão da vida, a água da vida, que sacia a nossa fome e a nossa sede, que nos liberta de uma vida de escravidão para uma vida plena de alegria e paz no Espírito".

Ora: "Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede" (João 6.35).

Recentemente, estavamos conversando num grupo de amigos, quando alguém disse que todos deveriam ir à igreja. Um deles, com muito humor, perguntou o seguinte: "A Igreja é open bar?". Open bar é quando ocorre uma festa com bebida à vontade, sem limite por pessoa. A igreja, enquanto instituição com CNPJ e nome fantasia, não é open bar. Mas a Igreja de Cristo, enquanto Corpo de Cristo, é open bar, pois Jesus disse: "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mt 18.20). E Jesus é o pão da vida, que mata a fome e sacia a sede. Ele abre seus braços para acolher, para matar a fome e a sede de todo aquele que nEle crê! Quem está em Cristo tem verdadeira comida e verdadeira bebida, que sacia a fome e a sede do coração, sem limite por pessoa!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Igreja primitiva guardava o sábado ou o domingo?


INTRODUÇÃO
Quem conhece um pouco de história da Igreja sabe que os três grandes ramos do cristianismo (Ortodoxos Gregos, Católicos Romanos e Protestantes/Evangélicos) honram de maneira especial o domingo e não o sábado. Mas há fundamentação bíblica para isso, ou seria esta prática uma inovação do Imperador Constantino ou mesmo do Papa, como afirmam alguns?
Vamos proceder a pesquisa da seguinte maneira: 1) Vamos estudar o tema da guarda do sábado ou do domingo à luz da Bíblia (até o século I); 2) Vamos estudar um pouco da documentação da Igreja Antiga a respeito (séculos I, II e III e IV); 3) Vamos apresentar algumas considerações finais.
No entanto, antes do nosso estudo, vamos apresentar dois argumentos importantes da escritora Ellen G. White, autora do livro "O Grande Conflito", sobre a guarda do sábado: a) O mundo está dividido entre os adoradores da besta e os adoradores de Deus, sendo a marca distintiva dos adoradores de Deus a guarda do sábado, e dos adoradores da besta, a guarda do domingo (White: 1996, [446-447] p. 256); b) O Imperador Constantino e o papado substituíram o sábado pelo domingo, como expressão da falsa religião dos adoradores da Besta. A "supremacia do papado" teria ocorrido, segundo White, no ano 538 d.C. (White: 1996, [438-440], p. 252). Constantino, por sua vez, "promulgou um decreto fazendo do domingo uma festividade pública em todo o Império Romano (...). O dia do Sol era venerado por seus súditos pagãos e honrado  pelos cristãos; era política do imperador unir os interesses em conflito do paganismo e cristianismo" (White: 1996, [50-52], p. 32).
Nossos objetivos com esta pesquisa são os seguintes: 1) Verificar as bases bíblicas para a guarda do sábado ou do domingo; 2) Verificar se a tese de Ellen White, a saber, de que o sábado foi substituído pelo domingo por obra do Papa e do Imperador Constantino, tem fundamentação histórica, ou se a mudança já é testemunhada pelo próprio Novo Testamento, bem como pela literatura cristã primitiva.


1) O SÁBADO NO ANTIGO TESTAMENTO
Vamos estudar o sábado de acordo com os vários períodos da história de Israel, com os textos bíblicos correspondentes com cada uma destas fases.
a) Êxodo e Confederação das tribos
Fica claro que, no Antigo Testamento, é afirmado o dia de sábado como um dia especial, sagrado:
"E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera" (Gênesis 2.2-3).
Segundo a Torá, o sábado é observado pelos hebreus a partir da Aliança com Moisés. O relato de Gênesis 1.1-2.4a, que encerra com a afirmação do sábado, não influenciou a narrativa bíblica até Moises. Por outro lado, Gênesis faz parte da Torá (Lei de Moisés), de modo que podemos afirmar que, na narrativa bíblica, o sábado tem início com Moisés. Não estamos afirmando aqui que, historicamente, ninguém observou o sábado antes de Moisés, mas que a narrativa bíblica só afirma a guarda do sábado a partir de Moisés.
Segundo a Lei de Moisés, alguns ritos deveriam ser observados todo sábado no tabernáculo/templo:
a) havia ofertas que deveriam ser entregues no templo: "No dia de sábado, oferecerás dois cordeiros de um ano, sem defeito, e duas décimas de um efa de flor de farinha, amassada com azeite, em oferta de manjares, e a sua libação; é holocausto de cada sábado, além do holocausto contínuo e a sua libação" (Nm 28.9-10); b) os pães da proposição deveriam ser renovados pelos sumos sacerdotes no templo (Lv 24.8;1Cr 9.32).
A Lei de Moisés enfatiza o sábado, apresentando-o como um dos dez mandamentos:
"Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro;  porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou" (Êxodo 20.8-11 - 4o mandamento).
Em relação ao período da Confederação das Tribos, ou seja, da conquista de Canaã até a instituição da Monarquia em Israel, simplesmente não há referência ao sábado na narrativa bíblica correspondente (Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel).
b) Monarquia
No período da monarquia, não há referência ao sábado em 1Samuel e 1Reis. Entre os profetas, Isaías denuncia que muitos passaram a guardar o sábado não como expressão da fé e do compromisso com o Senhor, mas como um mero costume associado a uma vida sem santificação, uma vida de injustiça e pecado (Is 1.13 - única referência ao sábado em Isaías 1-39). É importante destacar que, entre os profetas do período, apenas Isaías e Jeremias ("profetas maiores"), juntamente com Oséias e Amós ("profetas menores"), fazem referência direta ao sábado. Os demais profetas "escritores" do período da monarquia não fazem referência ao sábado (inluindo Sofonias e Habacuque).
Resumo das referências bíblicas sobre o sábado:
- 2Samuel: não há referência;
- 1Reis: não há referência;
- 2Reis: há 5 referências em 2Reis, das quais duas são acidentais (2Rs 11.5,7,9) e duas fazem referência religiosa ao sábado (2Rs 4.23;16.18);
- 1 e 2Crônicas: Escritos no contexto do pós-exílio, fazem 8 afirmações sobre o sábado (1Cr 9.32;23.31; 2Cr 2.4; 8.13; 23.4,8; 31.3;36.21), todas destacando o aspecto religioso;
- Há uma referência ao sábado em Amós: Am 8.5;
- Há uma referência ao sábado em Oséias: Os 2.11;
- No livro do Profeta Jeremias há 4 referências ao sábado, mas no mesmo texto (Jr 17.21,22,24,27).
c) Exílio e Pós-Exílio
Durante o Exílio na Babilônia e o Pós-Exílio, os profetas insistem com o mandamento do sábado, afirmando que a sua observância corresponderia a bênçãos, e sua violação corresponderia à ira de Deus (Is 56.2; 58.13; Ez 20.13).
Depois que o templo foi destruído pelos Babilônios (587 a.C.), os judaítas tiveram a necessidade de organizar a sua vida de acordo com a nova realidade - daí a origem da sinagoga. Fora de Jerusalém, no pós-exílio, os sacrifícios e a renovação dos pães da proposição são substituídos por reuniões na sinagoga, as quais surgiram após a destruição do primeiro templo, e nas quais os judeus se reuniam para oração e a leitura comentada das Escrituras.
Os persas dominam o antigo império (539 a.C.) e autorizam a reconstrução do templo, quando Neemias promove a restauração da guarda do sábado (Ne 13.15-22).
Durante e após o exílio, não encontramos referência ao sábado na narrativa bíblica nos livros de Ageu, Zacarias, Joel e Malaquias. É importante destacar também que, em toda a literatura poética e sapiencial bíblica, não encontramos sequer uma referência ao sábado!
O livro dos Salmos apresenta uma única referência ao sábado, e isto no título do Salmo 92 (Sl 92.1).
O livro de Lamentações, escrito na perspectiva dos judaítas que permaneceram na terra de Israel durante o exílio, também cita o sábado como instituição divina (Lm 2.6), mas uma única vez.
O profeta Ezequiel faz referência ao sábado em 14 versos: Ez 20.12,13,16,20,21,24; 22.8,26; 23.38; 44.24; 45.17; 46.1,3,4,12).
O Trito-Isaías faz 5 referências ao sábado (Is 56.2,4,6; 58.13; 66.23).
No livro de Neemias encontramos 10 versos sobre o sábado (Ne 9.14; 10.31,33; 13.15,16,17,18,19,21,22).
Referências diretas ao sábado no Antigo Testamento
Gênesis: Gn 2.2-3.
Êxodo: Ex 16.23,25,26,29; 20.8,10,11; 31.13,14,15,16; 35.2,3.
Levítico: Lv 16.31; 19.3,30; 23.3,12,1516,32,38; 24.8; 25.2,4; 26.2,34,35,43.
Números: Nm 15.32; 28.9-10.
Deuteronômio: Dt 5.12,14,15.
2Reis: 2Rs 11.5,7,9.
1Crônicas: 1Cr 9.32;23.31.
2Crônicas: 2Cr 2.4; 8.13; 23.4,8; 31.3;36.21.
Neemias: Ne 9.14; 10.31,33; 13.15,16,17,18,19,21,22.
Salmos: Sl 92.1 (título)
Isaías: Is 1.13; Is 56.2,4,6; 58.13; 66.23.
Jeremias: Jr 17.21,22,24,27.
Lamentações: Lm 2.6.
Ezequiel: Ez 20.12,13,16,20,21,24; 22.8,26; 23.38; 44.24; 45.17; 46.1,3,4,12
Oséias: Os 2.11.
Amós: Am 8.5.
Ausência de referências ao sábado no Antigo Testamento
Josué, Juízes, Rute, 1Samuel, 2Samuel, 1Reis, Esdras, Ester, Jó, Provérbios, Eclesiastes, Cantares, Daniel, Joel, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias: não há referência direta ao sábado.
d) Período Intertestamentário
O livro deuterocanônico dos Macabeus narra a fuga de um grupo de judeus para o deserto, fugindo das autoridades reais gregas, quando são surpreendidos pelos soldados num sábado. Os judeus, por guardarem o sábado, não "lhes atiraram uma pedra sequer, nem se entricheiraram nos esconderijos, mas disseram: - 'morramos todos com a consciência limpa!'" (1Mc 2.31-37). A família de Matatias, no entanto, fez o seguinte voto, a luz do que aconceteu com seus patrícios:
"'Se todos nós fizermos como nossos irmãos, não lutando contra os pagãos pela vida e por nossa Lei, em breve eles vão nos eliminar do país'. Nesse mesmo dia se reuniram e tomaram a seguinte decisão: 'Responderemos lutando a quem nos atacar no sábado; assim não pereceremos todos, como nossos irmãos nos esconderijos" (1Mc 2.40-41).
Em 2Macabeus 8.25-28, com a chegada do sábado, os judeus abandonam uma perseguição em que estavam alcançando grande triunfo.
Em Jubileus 50.8-12, o preparo de alimentos e as relações conjugais são proibidos no sábado.
Entre os Essênios, grupo sacerdotal que rompeu com a sociedade maior, não se podia carregar qualquer objeto no sábado.
Podemos observar que no judaísmo tardio há uma radicalização em relação a guarda do sábado como não se observava no Antigo Testamento (Bíblia Hebraica). Esta radicalização será apresentada no Novo Testamento através da chamada Tradição dos Anciãos.
CONCLUSÃO SOBRE O SÁBADO NO ANTIGO TESTAMENTO
Antigo Testamento apresenta as seguintes razões para o seguimento do sábado: a) O ser humano segue o exemplo do Criador, que descansou no sétimo dia da obra da criação (Gn 2.2-3); b) A santificação do sábado é um mandamento ordenado na Lei (Ex 20.8-11); c) O sábado possibilitava o descanso do trabalho semanal do ser humano, bem como dos animais (Ex 23.12-13; Dt 5.12-15); d) O sábado servia  de sinal entre o Senhor e seu povo, para que todos soubessem que o Senhor santifica o seu povo (Ez 20.12).
Podemos observar que, num primeiro momento, o sábado estava ao lado de outros dias sagrados, apesar da ênfase dada ao sábado nos mandamentos. Apesar disso, não há evidência de uma ênfase no sábado no período da Confederação das Tribos (Josué, Juízes, Rute) ou da Monarquia (1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas). Por exemplo, não há sequer uma referência ao sábado nos livros de Josué, Juízes, Rute e 1 e 2 Samuel e 1 Reis. O livro de 2 Reis cita o sábado, mas sem muita ênfase. Faz-se maior referência ao sábado em 1 e 2 Crônicas, escritos no pós-exílio - momento da história do Antigo Testamento em que o sábado assumiu especial importância na identidade religiosa dos judeus. É apenas no Exílio e no Pós-Exílio que vemos o sábado assumindo uma grande importância no dia a dia do povo de Israel. Mas é no chamado "período intertestamentário" que o sábado passa a ser observado com mais radicalidade.
Apesar das observações acima, fica claro que o Antigo Testamento afirma, com clareza, a santificação do sábado, conforme a lei. No AT, observar o sábado significa "descansar" no sábado.

2) O SÁBADO NO NOVO TESTAMENTO
O tema do Sábado e do Domingo no Novo Testamento tem, para nós, uma significação especial. Por isso, vamos citar e comentar todas as ocorrências do sábado no Novo Testamento, dividindo todas as passagens em grupos, de acordo com a importância para a discussão do tema.

Evangelhos. Nos textos sublinhados não há referência direta ao sábado, apesar de serem paralelos aos demais na mesma linha. Estamos organizando os textos bíblicos (perícopes) de acordo com a sequencia Mateus, Marcos, Lucas, João, a não ser que no texto anterior não haja referência ao sábado.
- Mt 12.1-8/Mc 2.23-28/Lc 6.1-5 (polêmica com fariseus pela colheita de espigas pelos discípulos em dia de sábado);
- Mt 12.9-14/Mc 3.1-6/Lc 6.6-11 (polêmica com fariseus sobre a cura num sábado);
- Mt 24.15-22/Mc 13.14-23/Lc 21.20-24 (sobre a grande tribulação em Jerusalém);
- Mt 28.1-8/Mc 16.1-8/Lc 24.1-10 (narrativa da ressurreição/túmulo vazio);
- Mc 1.21-28/Mt 4.12-17/Lc 4.14-15 (Jesus ensina com autoridade);
- Mc 6.1-6/Lc 4.16-30/Mt 13.53-58 (Jesus visita Nazaré);
- Mc 15.42-47/Lc 23.50-55/Mt 27.57-61/Jo 19.38-42 (o sepultamento de Jesus);
- Mc 16.1-2/Mt 28.1-8/Lc 24.1-10/Jo 20.1-2 (o sepulcro encontrado vazio);
- Lc 4.16-19/Mc 6.1-6/Mt 13.53-58 (Jesus visita Nazaré);
- Lc 4.31-37/Mc 1.21-28 (Jesus ensina e cura um endemoninhado em Cafarnaum);
- Lc 13.10-17 (cura de uma mulher encurvada em dia de sábado);
- Lc 14.1-6 (cura de um hidrópico num sábado);
- Jo 5.1-18 (Cura de um enfermo na piscina de Betesda);
- Jo 7.14-24 (Jesus sobe a Jerusalém para a festa e ensina);
- Jo 9.1-17 (cura de um cego de nascença);
- Jo 19.31-37 (o golpe da lança).

Atos dos Apóstolos
- At 1.12-14 (o grupo dos apóstolos);
- At 13.13-52 [vv. 13-15, 42-45] (Paulo chega em Antioquia da Pisídia, onde prega aos judeus);
- At 15.13-21 (Discurso de Tiago);
- At 16.11-15 (Chegada a Filipos);
- At 17.1-9 (Em Tessalônica, dificuldades com os judeus);
- At 18.1-4 (Fundação da Igreja em Corinto).

Das Epístolas Paulinas ao Apocalipse
- Cl 2.16-19 (sombras da lei que apontam para Cristo - sua realidade).

Podemos dividir os textos bíblicos do Novo Testamento que falam sobre o sábado nos seguintes grupos:
a) Textos em que o sábado é citado casualmente, sem implicações doutrinárias. Mc 15.42-47 par. (Sexta como véspera do sábado); At 1.12-14 ("jornada de um sábado" é referência não ao dia, mas à distância).
b) Textos que relacionam o sábado com judeus e/ou a sinagoga (sejam praticantes do "judaísmo" ou "judeus cristãos"). Mt 24.15-22  (par.) - sobre a destruição do templo de Jerusalém e o cerco de Tito; Mc 1.21-28 (par.) - Jesus prega na sinagoga; Mc 6.1-6 (par.) - Jesus prega numa sinagoga; Mc 15.42-47 (par.) - contexto do sepultamento de Jesus; Mc 16.1-2 (par.) - passado o sábado, as mulheres foram ao sepulcro; Lc 4.16.19 (par.) - Jesus foi na sinagoga pregar; Lc 4.31-37 (par.) -  Jesus prega e cura um endemoninhado no sábado; Jo 19.31-37 (os soldados "apressam" a morte dos crucificados por causa do sábado); At 13.13-52 [vv. 13-15, 42-45] (Paulo chega em Antioquia da Pisídia, onde prega aos judeus); At 15.13-21 (Discurso de Tiago - onde as recomendações aos gentios dizem respeito ao testemunho diante dos judeus, que ouvem a Lei de Moisés nos sábados); At 16.11-15 (Cegada a Filipos, ao redor da qual Lídia ouve o Evangelho e é batizada, com toda a sua casa); At 17.1-9 (Em Tessalônica, Paulo prega na sinagoga, encontrando resistência por parte dos judeus); At 18.1-4 (Paulo prega na sinagoga em Corinto).
c) Textos sobre a originalidade de Jesus e os doze em relação ao sábado. Mt 12.1-8 (par.) - polêmica com fariseus pela colheita de espigas pelos discípulos em dia de sábado; Mt 12.9-14 (par.) polêmica com fariseus sobre a cura num sábado; Mt 28.1-8 (par.) - narrativa da ressurreição/túmulo vazio; Lc 13.10-17 - polêmica sobre a cura de uma endemoninhada em dia de sábado; Lc 14.1-6 - polêmica sobre a cura de um hidrópico num sábado; Jo 5.1-18 - polêmica sobre a cura de um paralítico num sábado; Jo 7.14-24 - Jesus sobe a Jerusalém para a festa e ensina, polemizando sobre a cura no sábado; Jo 9.1-17 - Jesus cura um cego num sábado e gera polêmica.
d) Textos sobre cristãos não judeus guardando o sábado. Simplesmente não há!  Pelo contrário, confira:
Cl 2.16-19. Paulo afirma que restrições alimentares por motivo religioso, dias de festa religiosa em geral, a festa da lua nova e, especificamente, os sábados "tem sido sombra das coisas que haviam de vir"; porém "a realidade é Cristo"(NTLH). Ou seja, "sábados" são "sombras" que apontam para a sua realidade, que é "Cristo".
Podemos considerar também, neste contexto, Rm 14.1-12. Não devemos julgar uns aos outros pautados na distinção de alimentos ou dia de descanso obrigatório. Estas questões são secundárias e, portanto, não devem ser exigidas dos outros, pois o que importa é que "cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente" (Rm 14.5). Portanto, a afirmação de Ellen White de que o sábado é marca dos adoradores de Deus e o domingo é marca dos adoradores da Besta contraria claramente a Palavra de Deus.
Outro texto bíblico importante é Gl 4.8-11. Paulo, falando aos cristãos da Galácia contra os "judaizantes", ou seja, pessoas que afirmavam que os cristãos deveriam recorrer à circuncisão e a guarda dos sábados e festas judaicas, afirma o seguinte: "Guardar dias, e meses, e tempos, e anos" é voltar aos "rudimentos fracos e pobres" que, na verdade, só produzem "escravidão". Ou seja, as antigas festas judaicas, esvaziadas de Cristo, não fazem sentido na Nova Aliança! A Páscoa e o Pentecostes continuam sendo celebrados por não serem mais festas judaicas, mas agora festas cristãs, tendo na cruz e na ressurreição de Cristo o seu fundamento.
Ver também At 15.1-35, quando o concílio (apóstolos e presbíteros) se reúne em Jerusalém para discutir a seguinte questão: os gentios (não judeus) precisam ser circuncidados como os judeus, quando crêem em Cristo? A resposta é não, e entre as recomendações importantes, simplesmente não há menção na guarda do sábado - apesar de que a recomendação de que "vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como o sangue, da carne de animais sufocados" seja um testemunho diante dos judeus, que lêem a Lei de Moisés nas sinagogas nos sábados (At 15.20-21. 28-29). Neste texto, o sábado é muito importante exatamente pela sua ausência - o que demonstra sua falta de importância para quem já está em Cristo - a realidade para a qual a sombra do sábado aponta.
CONCLUSÃO SOBRE O SÁBADO NO NOVO TESTAMENTO.
Podemos perceber claramente que:  a) São poucas as passagens que fazem referência "acidental" ao sábado; b) a maior parte das referências do Novo Testamento ao sábado estão no contexto judaico, ou seja, ou fazem referência ao costume judaico de frequentar a sinagoga no sábado, ou mesmo dos judeus cristãos. Portanto, estas passagens são de pouca importância na discussão da guarda do sábado para cristãos gentios (não judeus); c) Jesus e seus primeiros discípulos eram judeus e, como tais, guardavam o sábado, mas não sem demonstrar liberdade em relação a interpretação legalista dos escribas e fariseus. É importante notar que este grupo de passagens é marcado pela polêmica em relação a forma dos escribas e fariseus (ou pelos "judeus" de modo geral) guardavam o sábado; d) A ausência do sábado no contexto do cristianismo gentílico é digno de nota, principamente a ausência na decisão do concílio de Jerusalém (Atos 15) ou a afirmação, tanto de Paulo quanto do autor de Hebreus, de que o sábado é "sombra" que aponta para a sua realidade, que é Cristo (Cl 2.16-17; Hb 10.1ss). Chama a atenção também o fato da ausência do sábado a partir dos Evangelhos e Atos dos Apóstolos, com exceção de Cl 2.16-17 (que fala justamente contra a guarda do sábado), bem como de Gl 4.8-11 (que afirma que "guardar dias, e meses, e tempos, e anos" é voltar aos "rudimentos fracos e pobres" que, na verdade, só produzem "escravidão")! Neste sentido, não existe nem mesmo um único verso na Bíblia que afirme a guarda do sábado pelos cristãos não judeus, principalmente onde mais se esperaria esta orientação ou mandamento, ou seja, em At 15.1-35!

3) DOMINGO NO NOVO TESTAMENTO
Se, por um lado, não encontramos sequer um simples verso do Novo Testamento que afirma a guarda do sábado por cristãos não judeus, encontramos várias referências do domingo como dia especial de assembleia, de culto, de celebração da Ceia do Senhor. No entanto, a atitude cristã em relação ao domingo é diferente da atitude judaica em relação ao sábado: enquanto no judaísmo o sábado está ligado ao descanso e ao jejum, o domingo cristão está ligado desde o princípio da Igreja à celebração festiva da ressurreição e à Ceia do Senhor. As principais passagens são as seguintes:
Evangelhos e Atos
- Lc 24.13-35 (Os discípulos no caminho de Emaús). Jesus ressuscita num domingo, e "naquele mesmo dia" se encontra com dois discípulos, lhes anuncia o Evangelho e celebra com eles a Ceia do Senhor. A partir de então, a celebração da Ceia do Senhor passa a ser uma prática dominical.
- Jo 20.19-29 (Relatos do encontro do Ressuscitado com seus discípulos). Jesus ressuscita em um domingo e aparece aos seus discípulos no domingo da ressurreição e ao oitavo dia (Jo 20.26), ou seja, no próximo domingo! Três aparições em oito dias, e todas no domingo.
- At 2.1-4. Os discípulos reunidos receberam o dom do Espírito "ao cumprir-se o dia de Pentecoste", ou seja, após o 50º dia depois da Páscoa, ou seja, um domingo - inferência provável segundo Allmen (Allmen:1968, p. 265).
- At 20.7-12. Testemunho da prática da Igreja primitiva em celebrar a Ceia do Senhor no domingo, o "primeiro dia da semana".
Epístolas
- 1Co 16.1-4. Quando Paulo fala das normas que deu para as igrejas da Galácia sobre a coleta para a Igreja de Jerusalém, e que agora dá as mesmas normas para as igrejas em Corinto, o apóstolo afirma que estas deveriam ser feitas "no primeiro dia da semana", por uma razão óbvia: era o dia em que a Igreja se reunia para o culto a Deus e a celebração da Ceia do Senhor. Caso contrário, não faria sentido estabelecer o domingo como dia da coleta, caso os cristãos não estivessem reunidos!
- Hb 4.1-11. O autor de Hebreus faz uma leitura paralela entre Gn 2.1-3, o Salmo 95.7-11 e a nova aliança em Cristo. A conclusão é a seguinte: Deus descansou no sétimo dia, mas este descanso não é realizado no dia do sábado, por um motivo muito simples: o Salmo 95.7-11, posterior a Moisés e a Josué, afirma: "Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração, como em Meribá, como no dia de Massá, no deserto, quando vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, não obstante terem visto as minhas obras. Durante quarenta anos, estive desgostado com essa geração e disse: é povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos. Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso". Ou seja, se o descanso de Deus no sétimo dia correspondesse ao sábado, Deus não estaria afirmando no tempo de Davi que "não entrarão no meu descanso". O descanso de Deus na criação não é o sábado, mas é a nova realidade em Cristo!
Apocalipse
- Ap 1.10. O "dia do Senhor", aqui, não é o dia escatológico da consumação, mas um dia da semana, no qual João recebeu a revelação. O testemunho da literatura da Igreja Antiga (séculos II e III) é de que a expressão "dia do Senhor" em Apocalipse 1.10 seja, claramente, uma referência ao domingo, dia da semana em que o Senhor ressuscitou (como veremos, em detalhes, a seguir).

Além destes textos fundamentais, gostaríamos de comentar  os seguintes:
- Mt 5.17-20; Rm 6.14, 10.1-4. Jesus não veio para anular a Lei, mas para cumpri-la, de modo que "até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til passará da Lei, até que tudo se cumpra" (Mt 5.18). Mas a questão é exatamente esta: Jesus veio para cumprir a Lei, e uma vez que Ele já a cumpriu, ela passou, foi superada. Mas foi superada pelo quê? Por Cristo, "porque o fim da Lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê" (Rm 10.4). Nossa lei não foi escrita em tábuas de pedra, como no Sinai, mas foi escrita no coração (Jr 31.31-33), ou seja, não estamos debaixo da "Lei do pecado e da morte", mas sim debaixo da "Lei do Espírito da Vida" (Rm 8.4). O fruto do Espírito (Gl 5.22ss) inclui o amor, que é o cumprimento da Lei (Mt 22.36-40; Rm 13.10). Ora, a lei, incluindo o sábado, é apenas sombra, mas a realidade é Cristo (cf. Cl 2.16-17; Hb 8.5, 10.1-10).
Cristo removeu a "lei do pecado e da morte" (da qual o sábado faz parte!) para estabelecer a "Lei do Espírito da Vida em Cristo Jesus" (Rm 8.4; Hb 10.10).
CONCLUSÃO SOBRE O DOMINGO  NO NOVO TESTAMENTO
Como pudemos analisar, se por um lado não há sequer uma referência a guarda do sábado por parte de cristãos gentios, por outro lado o Novo Testamento afirma a guarda do domingo, do dia do Senhor, do dia da semana em que o culto e, em especial a Ceia do Senhor, eram celebrados (Lc 24.13-35; At 20.7-14; 1Co 16.1-4; Ap 1.10). No entanto, ao contrário do sábado, que era dia de descanso e jejum, o domingo é dia de celebração alegre e Ceia do Senhor.

4) O SÁBADO E O DOMINGO NA LITERATURA DA IGREJA ANTIGA (SÉCs. I, II, III e IV):
Após a reflexão bíblica sobre o sábado e o domingo, vamos fazer agora citações de textos cristãos até o início do século IV d.C., logo após a assinatura do Edito de Milão (313 d.C.). Apenas lembrando, como vimos na introdução, que a tese do livro "O Grande Conflito", de Ellen G. White, é de que o sábado foi substituído pelo domingo pelo Imperador Constantino e pelo papado. Se a tese de Ellen White é verdadeira, não pode haver testemunho da guarda do domingo antes de Constantino e da instituição do papado.
- Inácio de Antioquia (35 d.C. a 98/107 d.C.) foi bispo de Antioquia, e escreveu o seguinte:
"Se, então, aqueles que eram educados na antiga ordem das coisas se apossaram da nova esperança, não mais observando o sábado, mas observando o Dia do Senhor, no qual também a nossa vida foi libertada por Ele e por Sua morte - alguns negam que por tal mistério obtemos a fé e que nele perseveramos para serem contados como discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre - como seremos capazes de viver longe Dele, cujos discípulos e os próprios profetas esperaram no Espírito para que Ele fosse o Instrutor deles? Era Ele que certamente esperavam, pois vindo, os libertou da morte" (Inácio de Antioquia, Magnésios 9 - grifo acrescentado).
O Didaquê (ou Didascalia dos Doze Apóstolos), documento cristão escrito entre 60 e 90 d.C., afirma:
"Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro" (Didaque, XIV.1);
- Epístola de Barnabé (entre 70 e 131 d.C.)
"Ele finalmente lhes disse: "Não suporto vossas neomênias e vossos sábados". Vede como ele diz: não são os sábados atuais que me agradam, mas aquele que eu fiz e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao repouso, farei o início do oitavo dia, isto é, o começo de outro mundo. Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus" (Epístola de Barnabé 15 - grifo acrescentado).
- Plínio, o jovem (c. 112 d.C.). Escrevendo sobre a "culpa" dos cristãos:
"Foram unânimes em reconhecer que sua culpa se reduzia apenas a isso: em determinados dias, costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo, como a um deus; obrigavam-se por juramento não a algum crime, mas à abstenção de robuso, rapindas, adultérios, perjúrios e sonegação de depósitos reclamados pelos donos. Concluído este rito, costumavam distribuir e comer seu alimento. Este, aliás, era um alimento comum e inofensivo" (BETTENSON: 1998, pp. 29-30). 
A citação acima aponta para o domingo pelo "comer antes da alvorada", lembrando a ressurreição de Cristo, referência confirmada pela refeição, que aponta para a Ceia do Senhor.
- Evangelho de Pedro. Segundo Bauer, este evangelho apócrifo, escrito antes de 150 d.C., "designa o dia da ressurreição já com o nome kuriakh "dominica", "Dia do Senhor" (BAUER, 1988, p. 312).
- Justino, o Mártir (100-165 d.C.)
"No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos (...) Celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame" (JUSTINO, 1995, [I.67], p. 83).
- Tertuliano (160-220 d.C.). Segundo Bauer, Tertuliano e Justino "atestam igualmente a celebração do Domingo, ao qual designam, quando se dirigem a pagãos, como "dia do Sol" (dies solis) e quando se dirigem a cristãos, como "dia do Senhor" (BAUER, 1988,  p. 312);
- Melitão de Sardes, bispo na Lídia "escreve logo depois da metade do século II um tratado especial sobre o Domingo" (BAUER, 1988, p. 312).
- Literatura Rabínica. No século II d.C., a expressão "dia dos Nazarenos" na literatura rabínica aponta para o domingo dos cristãos (BAUER, 1988, p. 312);
Eusébio de Cesaréia escreveu a sua História Eclesiástica por volta de 323 d.C. O autor escreve o seguinte sobre os Ebionitas, um grupo de judeus cristãos da antiguidade:
"Da mesma forma que aqueles, observavam o sábado e tudo o mais da disciplina judaica. No entanto, aos domingos celebravam ritos semelhantes aos nossos em memória da ressurreição do Salvador" (EUSÉBIO, 2002, [III, XXVII, 5]).
Sobre a prática cristã em relação à circuncisão e ao sábado, não observados por cristãos:
"Não se preocuparam com a circuncisão corporal, como tampouco nós; nem da guarda do sábado, como tampouco nós; nem da abstenção destes ou daqueles alimentos, nem de afastar-se de tantas outras coisas, como Moisés deixou por tradição para que se cumprissem como símbolos, e que nós, os cristão de agora, tampouco guardamos. Em troca, claramente conheceram ao Cristo de Deus que, como demonstramos antes, apareceu a Abraão, tratou com Isaac, falou a Israel e conversou com Moisés e com os profetas posteriores" (EUSÉBIO, 2002, [I, IV, 8]).
CONCLUSÃO SOBRE O SÁBADO E O DOMINGO NA LITERATURA ANTIGA
Desde o século I, ou seja, desde o período de formação do próprio Novo Testamento, a literatura cristã antiga testemunha a prática cristã de guardar o domingo, dia do Senhor, dia da ressurreição do Senhor, como dia especialmente consagrado a Deus, não para jejum e descanso, mas para celebração da Ceia do Senhor e celebração do culto comunitário. O argumento de que o sábado foi trocado por Constantino ou pelo Papa cai por terra, bem como o argumento de que o "dia do Senhor" em Apocalipse 1.10 possa significar outra coisa, que não o domingo.

5) CITAÇÃO DE TRÊS ESTUDOS ESPECIALIZADOS
J.-J. von Allmen:
"No domingo a proclamação da Páscoa é muito mais importante do que o descanso, e tentar justificar o domingo "socialmente" pelo descanso, ao invés de "liturgicamente" pelo culto é algo de falso e inadmissível. Se o repouso fosse mais  importante do que o memorial da vitória de Cristo, a Igreja nascente não teria adotado um dia de culto diferente do sábado. A mudança do dia de culto por parte da Igreja apostólica é a prova mais eloquente de que não é possível entender o sentido do domingo se o interesse social em relação a um dia de descanso semanal se torna mais importante do que a comemoração da alegria pascal evocada pelo domingo" (Allmen, 1968, p. 270).
Johannes B. Bauer:
"Assim se vê que o Domingo não tem sua origem no judaísmo, mas também não no paganismo. Os pagãos, os romanos não celebravam festividade especial nos dies solis. Era o dia de Saturno (sábado) que se assemelhava ao Sábado dos judeus, porque no dia de Saturno, por ser o dia de desgraça, não se queria iniciar nenhum negócio e por isto se descansava (...). O "Domingo" (dies solis) dos cristãos não era dia de descanso, mas dia de celebração do culto, de alegria, da ressurreição do Senhor" (Bauer, 1988, p. 312).
J.-J. von Allmen:
"Com relação ao texto de Colossenses 2.16, citado no início deste artigo, pode-se perguntar se ele não contradiz o ensino neotestamentário, que reintroduz as festas na vida da Igreja. Lembre-se, contudo, que São Paulo protesta contra a manutenção de festas judaicas, e não contra a presença de festas cristãs. Poder-se-ia extrair daí a seguinte regra: é legítimo celebrar festas na Igreja, com a condição de que elas salientem que em Jesus veio o Messias e, portanto, a presença do Reino de Deus; as festas tornam-se ilegítimas quando deixam de lembrar a obra salvadora de Jesus (o Pentecostes sendo a obra de Jesus enviando o Espírito, Jo 15.26), ou quando deixam de anunciar sua volta gloriosa. Em  outras palavras, as festas cristãs devem ser primeiramente e antes de tudo cristológicas. Elas se tornam parasitárias a partir do momento em que afastam a pessoa e obra do Cristo do centro da fé e da alegria da Igreja" (ALLMEN. 2001, p. 205).

CONCLUSÃO
A partir da análise do tema do sábado e do domingo na Bíblia, concluímos que:
a) Aos que não crêem em Cristo, mas crêem no Deus de Israel e no Antigo Testamento como Palavra de Deus, o sábado deve ser observado em razão da lei de Moisés, que é testificada pelos profetas. E observar o sábado está ligado à prática de jejuar e "descansar".
b) Aos que crêem em Cristo, o Novo Testamento deixa claro que: 1) A lei é sombra que aponta para Cristo; A vontade de Deus não foi escrita em tábuas de pedra (Jr 31.31-33), mas pela graça de Deus em Cristo e no Espírito, na Nova Aliança (Rm 10.4; Cl 2.16-17; Hb 10.1ss) ; 2) Não há sequer uma referência à obrigatoriedade da guarda do sábado para cristãos, mas pelo contrário, todas as controvérsias acerca do sábado afirmam que o sábado é sombra, mas que a realidade é Cristo, de modo que o verdadeiro sábado é Cristo; 3) O Novo Testamento, assim como a literatura cristã primitiva, deixam claro que a Igreja no Novo Testamento já guardava o domingo como dia especial de culto e de celebração da Ceia do Senhor, pois é o dia da ressurreição, o dia do Senhor (Ap 1.10). O argumento de que o sábado é mandamento obrigatório para o cristão, parte da ideia completamente equivocada e sem a mínima fundamentação histórica de que foi Constantino ou o Papado, a partir do século IV d.C., quem mudou o sábado para o domingo, desconhecendo tanto as afirmações claras do Novo Testamento quanto a literatura cristã primitiva.
Observar o sábado está ligado à ideia de "descanso" e de "jejum", enquanto observar o domingo, de forma bem diferente, está ligado à ideia de "celebrar a alegria da ressurreição" e "Celebrar o sacramento da Ceia do Senhor". Tudo isso fica mais claro quando entendemos que foi apenas no dia 07 de março de 321 d.C. que o domingo se tornou um feriado, a partir da assinatura de um decreto pelo imperador Constantino. Ou seja, em seus primeiros três séculos, a Igreja observou o domingo, não como dia de descanso! E o motivo é simples: Entre os séculos I a III d.C., a Igreja nunca entendeu que o sábado e o domingo fossem a mesma coisa em dias diferentes.
Assim, Jesus Cristo é o Senhor do sábado, pois o sábado é sombra e Cristo é a sua realização (Rm 10.4; Cl 2.16-17). Quem está em Cristo já vive o sábado (Mt 11.29). Jesus Cristo é o nosso sábado, e nele todo dia é sagrado, mas o domingo é um dia especial para a fé do povo de Deus, pois é o Dia do Senhor, é o dia da celebração da ressurreição de Jesus. A Igreja, guiada pelo Espírito e orientada pela Palavra de Deus, vive na Nova Aliança e tem guardado, desde o Novo Testamento, o domingo (At 20.7-12; 1Co 16.1-4; Ap 1.10). Como diria J.-J. von Allmen, "o dia do culto cristão é, portanto, um memorial da ressurreição de Cristo" (ALLMEN: 1968.p. 267).
Aos fracos na fé, que acreditam que o sábado é necessário para a salvação ou que seja obrigatório para os salvos, ou mesmo que tenha a primazia sobre o domingo, devemos amar, com paciência e respeito (Rm 14.1-12).


BIBLIOGRAFIA
ALLMEN, J.-J. von. O Culto Cristão. São Paulo: Aste, 1968.
ALLMEN, J.-J. von.(org). Vocabulário Bíblico. São Paulo: Aste, 2001.
BAUER, J. B.(org.). Dicionário de Teologia Bíblica (2vols.). São Paulo: Loyola, 1988.
BETTENSON, H. Documentos da Igreja Cristã. São Paulo: Aste, 1998, pp. 29-30
BUCKLAND, A. R. e Williams, Lukyn. Dicionário Bíblico Universal. São Paulo: Vida, 1998.
Didaque (http://www.eetad.com.br/v3/bacharel/textos/18/Didaque.pdf).
Epístola de Barnabé (texto digitalizado).
EUSÉBIO de Cesaréia. História Eclesiástica. São Paulo: Novo Século, 2002.
INÁCIO de Antioquia. Magnésios (http://pt.scribd.com/doc/7120001/Cartas-de-Santo-Inacio-de-Antioquia).
JUSTINO de Roma. I e II Apologias e Diálogo com Trifão. São Paulo: Paulus, 1995.
LEÓN-DUFOUR, Xavier(org.). Vocabulário de Teologia Bíblica. Petrópolis: Vozes, 2002.
SICRE, José Luís. Profetismo em Israel: o profeta, os profetas e a mensagem. Petrópolis: Vozes, 1996.
WHITE, Ellen G. O Grande Conflito. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1996.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Intervenção Militar ou Golpe Militar?



Um amigo meu, o Tom, postou a imagem acima no Facebook.
Pessoal, a maioria da população votou na Presidente Dilma Rousseff. Se você votou a favor ou contra, não importa, a maioria da população votou. Que povo votou? Do Sul, do Norte, do Nordeste, do Centro-Oeste, do Sudeste? Não importa, pois quem votou foi o povo.
"Ah, mas se a gente considerar os votos em branco e nulos, não foi a maioria que votou na Dilma!". Foi a maioria sim, pois omissão também é uma decisão política: é deixar a responsabilidade de decisão para o outro. Ou seja, os que votaram em branco e nulo são os primeiros que deveriam parar de falar bobagem, pois se estão insatisfeitos com o resultado da eleição, deveriam ter votado "direito". Pilatos lavou as mãos, mas sua omissão não o livrou da culpa, sendo lembrado, até hoje, toda vez que cristãos citam o Credo Apostólico ("padeceu sob Pôncio Pilatos...").
"Ah, mas a Dilma, no passado, foi terrorista". Concordo com a luta contra o regime militar no Brasil, apesar de não concordar com grupos que, apesar de "bem intencionados" (sic!) na luta contra o regime, se tornaram tão criminosos quanto o regime que procuraram derrubar. No entanto, quer eu concorde quer não com o passado da Presidente Dilma, a maioria votou nela, e ponto final.

Concluindo, neste contexto, "Intervenção Militar" é "Golpe Militar" sim!

Fonte da imagem:  https://www.facebook.com/YahooNoticias/photos/a.371465532877171.88256.169590426398017/873222216034831/?type=1

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

30.000 Acessos

No dia da celebração da Reforma Protestante, 31 de Outubro, quando celebramos a atitude de Lutero ao afixar 95 teses contra a venda de indulgências, chegamos aos 30.000 acessos. Muito obrigado!

sábado, 18 de outubro de 2014

Um desabafo político...

É muito triste. Os profetas na Bíblia denunciam a injustiça, mesmo que seja pelo próprio rei. No Brasil, ficamos num jogo de empurra-empurra, tentando demonstrar que "o diabo é o outro". Precisamos acordar. Eleitores do PT deveriam ser os primeiros a denunciar os casos de injustiça, improbidade e desonestidade no partido. Do mesmo modo, eleitores do PSDB deveriam denunciar a podridão que existe entre os próprios políticos. Gente, vamos acordar! Se não houver arrependimento sincero acerca do que é injusto, não há esperança para o Brasil, nem "pela direita" e nem "pela esquerda"! Levante-se, em primeiro lugar, contra a injustiça e o roubo cometidos pelos políticos da sua legenda!

domingo, 12 de outubro de 2014

Encontros com Jesus: Pilatos - O desafio da pressão

O texto abaixo foi publicado no devocionário 2014 dos 35 dias de Jejum e Oração, organizado e publicado pela Igreja Presbiteriana Independente do Estreito, de Florianópolis (SC).


TEXTO BÍBLICO

"E Pilatos disse pela terceira vez: — Mas qual foi o crime dele? Não vejo neste homem nada que faça com que ele mereça a pena de morte. Vou mandar que ele seja chicoteado e depois o soltarei.  Porém eles continuaram a gritar bem alto, pedindo que Jesus fosse crucificado; e a gritaria deles venceu. Pilatos condenou Jesus à morte, como pediam. E soltou o homem que eles queriam [Barrabás] — aquele que havia sido preso por causa de revolta e de assassinato. E entregou Jesus para fazerem com ele o que quisessem" (Lucas 23.22-25NTLH).


REFLEXÃO

Pilatos era governador da Judéia, durante o governo do imperador Tibério. Era um homem que vivia debaixo de muita pressão, pois precisava manter a paz romana na Judéia, onde movimentos de judeus que queriam a independência de Israel (especialmente os zelotas) muitas vezes recorriam à violência, principalmente durante as grandes festas. Jesus atraiu desde cedo à oposição dos líderes religiosos judaicos, sobretudo após a “purificação do templo” em Jerusalém (Mc 11.15-19). Pilatos sabia que Jesus era inocente das acusações dos principais sacerdotes e anciãos (que formavam o Sinédrio), os quais manipularam a multidão, a qual se voltou contra Jesus. Pilatos, pressionado pelo império, pelas autoridades judaicas e pela multidão, entregou Jesus para ser crucificado, libertando o zelota Barrabás, preso por causa de revolta e assassinato. Em nome da paz do Império Romano, Pilatos liberta o zelota assassino e entrega a morte o Príncipe da Paz!

Pilatos nos ensina que o encontro com Cristo pode nos expor a pressões. Todos nós sofremos muitas pressões para não viver os valores do Reino de Deus (amor, justiça, fé, esperança, perdão). A pressão pode vir de familiares, amigos, emprego, cultura, grupo de amigos, opinião pública, e até mesmo das instituições religiosas. Pilatos lava suas mãos, querendo se justificar de sua injustiça, mas omissão não traz justificação. Os discípulos de Cristo não podem se tornar discípulos daqueles que cometem injustiça por causa de pressões, ou mesmo que condenam pessoas inocentes ou deixarão de viver os valores do Reino em favor da opinião pública, do Estado, do partido político, da empresa ou mesmo do conforto, da segurança e do prazer.


PENSE NISSO

Temos seguido o exemplo de Cristo, de resistência pacífica contra a injustiça, ou pensamos que o caminho é agir contra a Palavra de Deus, nos sujeitando as pressões políticas, econômicas e ideológicas?
Estamos na condição de justo sofredor, injusto opressor ou massa de manobra?


ORAÇÃO

Pai, tem misericórdia de nós, que apesar de sermos chamados para seguir ao Teu Filho amado, que resistiu pacificamente contra a violência, muitas vezes queremos ser como Pilatos, que cometeu injustiça por causa da pressão, ou como a multidão, que serviu de massa de manobra para os interesses de grupos poderosos, ou mesmo como o Sinédrio, que deveria cuidar dos injustiçados, mas que, de maneira hipócrita, acabou promovendo a injustiça. Conduze-nos, pela Tua graça, a uma vida de amor, justiça e perdão, em nome de Jesus. Amém.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Divulgando blogs de amigos: tecnologia e música

Hoje eu gostaria de divulgar os Blogs de dois amigos:

O primeiro, está ligado a música brasileira, de modo geral, e a cultura da nossa Ilha de Florianópolis, em particular.
http://josueviolao.blogspot.com.br/
http://www.mixcloud.com/josuesilvajisueviolao/

O segundo é do meu amigo Thomas, sobre novidades tecnológicas.
http://thomaslindig.blogspot.com.br/


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Não Transforme um Tesouro num Peso de Porta (ou "Jesus é Senhor do Sábado")


INTRODUÇÃO
(Sobre Mc 2.23-3.6).
O que é o sábado? É um dia de descanso. O sábado foi criado para o cuidado do cansado, a cura do doente, a libertação do oprimido, enfim, o bem-estar do ser humano. Mas o que a Lei de Deus trouxe como dádiva, como expressão de vida e liberdade, o legalismo farisaico transformou em peso!
Hoje vamos refletir sobre o sábado, a luz de Marcos 2.23-28, relato da discusão dos fariseus com Jesus acerca da atitude dos discípulos em colher espigas para matar a fome num sábado, e a luz de Marcos 3.1-6, relato da cura de um homem num sábado.


1) O SÁBADO FOI FEITO PARA VIDA E A LIBERDADE E NÃO PARA A MORTE E A OPRESSÃO
Os fariseus começaram a questionar a Jesus pelo fato dos discípulos colherem espigas num sábado, para matar a fome. O sábado foi estabelecido para o descanso, para a cura, a saúde, enfim, o sábado deveria ser um instrumento de vida e paz, mas os fariseus estavam adulterando o sábado numa regra fria e legalista, que ao invés de promover a vida, passou a ser um problema para a vida. O questionamento dos fariseus se deve a sua tradição, ou seja, os fariseus tinham uma tradição oral sobre a interpretação da Lei de Moisés, tradição que estabelecia várias regras proibitivas sobre o sábado. Em sua resposta ao legalismo dos fariseus, Jesus responde não com tradições humanas, mas com a Palavra de Deus, a partir do exemplo de Davi.
Davi, o rei de Israel, comeu os pães da proposição enquanto fugia de Saul, pães sagrados que só os sacerdotes podiam comer. Davi não apenas come os pães, mas os dá aos seus companheiros. Uma lei foi quebrada visando proteger a vida, sagrada por excelência. Matar a fome é mais importante que regras religiosas. Do mesmo modo que Davi comeu os pães sagrados e os deu aos seus companheiros, pães que não deveriam ser comidos por eles segundo as regras da lei, Jesus demonstra que seus discípulos não estavam errados em colher, debulhar e comer as espigas da plantação, apesar do sábado. Ora, Jesus, o filho de Davi (Mt 1.1), é o Messias. Seus discípulos puderam colher e debulhar espigas no sábado, pois a vida é mais importante que regras religiosas. Além disso, "o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado", ou seja, o sábado, de acordo com a Palavra de Deus, deveria ser instrumento de descanso, vida e paz, e não uma regra legalista que escraviza e produz fome, miséria e morte!
Do mesmo modo, em Marcos 3.1-6, havia, no sábado, um homem com a mão atrofiada numa sinagoga. A preocupação dos fariseus e dos herodianos na situação não era a vida do homem enfermo, não era seu bem, sua saúde, seu bem-estar, mas simplesmente seus próprios interesses: fariseus estão preocupados não com pessoas, mas com regras caducas que não agradam a Deus e não promovem o amor ao próximo; os herodianos estavam preocupados com ameaças a sua ideologia política, ou seja, a manutenção da família dos Herodes no poder. Jesus, novamente, ensina que o sábado deve ser instrumento de promoção da vida, do bem do próximo, de cura, e nnão uma regra legalista que castra, oprime e mata.
Para Jesus, a vida dos discípulos e a cura do enfermo são a realização do sábado e não a sua contradição, pois "o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado!


2) CRISTO É O VERDADEIRO SÁBADO
O sábado passa a ser parte integrante na vida judaica principalmente com Moisés. Apesar da presença do sábado nos relatos da criação, a observância do sabado não pode ser observada antes com a mesma intensidade, pois o sábado é um mandamento da Lei de Moisés.
Ora, o que é que faz parte da Lei de Moisés? Quais instituições judaicas são ordenadas na lei de Moisés? Alguns exemplos principais são os seguintes:
- Tabernáculo/Templo de Jerusalém como habitação de Deus;
- Sacerdócio levítico, Sumo Sacerdócio aarônico;
- Sistema de Sacrifícios;
- Leis diversas do cotidiano;
- Circuncisão, Páscoa judaica, dias de festa e sábado.

Mas o que é que a Bíblia diz sobre todas estas coisas?

Sobre o verdadeiro templo: "Os judeus interpelaram-no, então, dizendo: 'Que sinal nos mostras para agires assim?' Respondeu-lhes Jesus: 'Destruí este templo, e em três dias o levantarei'. Disseram-lhe, então, os judeus: '46 anos foram precisos para se construir este Templo, e tu o levantarás em 3 dias?' Ele, porém, falava do templo do seu corpo. Assim, quando ele ressuscitou dos mortos seus discípulos lembraram-se de que dissera isso, e creram na Escritura e na palavra dita por Jesus" (Jo 2.18-22). Em outras palavras, o templo, presente na Lei de Moisés, não tem parte na Nova Aliança em Cristo, pois nesta O CORPO DE JESUS É O NOVO TEMPLO! Quando Jesus morre na cruz pelos nossos pecados e ressuscita para a nossa salvação, Ele envia para a sua Igreja o Seu Espírito: "Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1Co 3.16).

Sobre o verdadeiro Sacrifício:
"Possuindo apenas a sombra dos bens futuros, e não a expressão própria das realidades, a lei é totalmente incapaz, apesar dos mesmos sacrifícios sempre repetidos, oferecidos sem fim a cada ano, de levar á perfeição aqueles que deles participam. Se não fosse assim, não se teria deixado de oferecê-los, se os que prestam culto, uma vez por todas purificados, já não tivessem nenhuma consciência dos pecados. Mas, ao contrário, é por meio destes sacrifícios que, anualmente, se renova a lembrança dos pecados. Além do mais, é impossível que o sangue de touros e bodes elimine os pecados. (...) Assim, ele declara, primeiramente: Sacrifícios oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado, tu não os quiseste, e não te agradaram. Trata-se, notemo-lo bem, de oferendas prescritas pela Lei! Depois, ele assegura: Eis que eu vim para fazer a tua vontade. Portanto, ele suprime o primeiro para estabelecer o segundo. E graças a esta vontade é que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas" (Hb 10.1-4,8-10).
Em outras palavras, o sistema sacrificial da Antiga Aliança foi superado pelo sacrifício único e suficiente de Cristo, pelos nossos pecados. O verdadeiro sacrifício não é oferecido de acordo com a Lei de Moisés ou da Antiga Aliança, mas é oferecido por Cristo na Nova Aliança em Cristo.

Sobre o verdadeiro Sacerdócio:
"Tal é precisamente o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, elevado mais alto do que os céus. Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios a cada dia, primeiramente por seus pecados, e depois pelos do povo. Ele já o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo. A Lei, com efeito, estabeleceu sacerdotes sujeitos à fraqueza. A palavra do juramento, porém, posterior à Lei, estabeleceu um Filho eternamente perfeito" (Hb 7.26-28).
"Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem. Pois todo sumo sacerdote é constituído para oferecer tanto dons como sacrifícios; por isso, era necessário que também esse sumo sacerdote tivesse o que oferecer. Ora, se ele estivesse na terra, nem mesmo sacerdote seria, visto existirem aqueles que oferecem os dons segundo a lei, os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz ele: Vê que faças todas as coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte. Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas"(Hebreus 8.1-6)

Sobre a verdadeira Aliança (Aliança Antiga com Moisés e Aliança Nova em Cristo):
"Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei"(Jeremias 31.31-34).
"Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer" (Hb 8.13 - Comentando Jr 31.31-34).
"Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim" (1Co 11.23-25).

Sobre os Sábados, Festas e Dias Sagrados:
"Portanto, ninguém vos julgue por questões de comida e de bebida, ou a respeito de festas anuais ou de lua nova ou de sábados, que são apenas sombra de coisas que haviam de vir, mas a realidade é o corpo de Cristo" (Cl 2.16-17).
Portanto, na perspectiva bíblica, o sábado deveria ser instrumento de vida, de cura, de liberdade, de alegria, mas a religião legalista reduziu o sábado a regras miseráveis que iam contra a vida, agravavam a doença e aprisionavam no legalismo! Além disso, o sábado, bem como as demais festas religiosas judaicas, são apenas sombras, cuja realidade não são elas próprias, mas Cristo!

Para nós, cristãos, o sábado, assim como os sacrifícios, o sacerdócio levítico, o templo e a própria aliança antiga, eram sombras de bens futuros (Cl 2.16-17), e estas sombras apontam para Cristo, que é a sua realização.
"Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem" (Hebreus 10.1).

Sendo assim, Jesus é o nosso sábado:
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviareiTomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." (Mt 11.28-30).
Jesus aboliu a religião legalista, a religião que procurava se aproximar de Deus através de regras, a pregou na cruz, junto com as outras expressões de pecado. Jesus destruiu a religião legalista pela Sua Pessoa!
"O fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê"(Romanos 10.4).
Jesus é Senhor do sábado porquê Ele é o verdadeiro Sábado!


3) NÃO TRANSFORME UM TESOURO EM PESO DE PORTA
Conheci uma irmã, uma senhora humilde e de idade bem avançada, que certa vez me contou uma história:
"Havia um homem bem simples, que tinha na porta da sua sala uma pedra pesada, mas muito bonita. Um dia, o homem recebeu uma visita, de um professor, que ofereceu R$ 50,00 naquela pedra. O homem, prontamente, a vendeu, feliz por poder comprar um pouco mais de carne naquele mês. O que o homem não sabia é que aquela pedra era muito preciosa, e enriqueceu o seu comprador, o esperto professor!".

Como é possível, alguém usar um tesouro para segurar uma porta?
Como é possível, tranformar os presentes de Deus em peso?
Como é possível, transformar o sábado, uma dádiva de vida, liberdade e cura, num peso miserável que produz morte, prisão e enfermidade?
Como é possível, o ser humano transformar a família, uma dádiva de Deus para o nosso bem, numa gaiola de loucos, em que cada um vai para um lado, quando não estão todos brigando?
Como é possível, oser humano transformar a igreja em meio de ganhar dinheiro, em palco de disputa de poder, na tentativa de dominar sobre o outro, mandar no outro, ao invés de servir a Deus e ao próximo, para a glória de Deus?
Como é que os fariseus transformaram o sábado em uma instituição falida e alienante, que ao invés de trazer descanso, liberdade e vida, passou a trazer escrvidão, morte e opressão?
Como é que nós vivemos reduzindo tesouros em peso de porta?

A resposta para todas as perguntas acima é: vivendo sem conhecer e sem viver de acordo com a Palavra de Deus! O legalismo é informação sem entendimento. Um cristão maduro aprende, mas vive de acordo com a Palavra de Deus e com o Espírito da Vida.


CONCLUSÃO
Jesus, ao perguntar se "é lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la?", estava ensinamdo que "o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado", pois "o Filho do Homem é Senhor do sábado". Na Nova Aliança, Jesus é o próprio sábado: nEle é que nós encontramos descanso para a nossa alma (Mt 11.28-30). O sábado da Lei, assim como o Templo, o Sacerdócio, os Sacrifícios, enfim, toda a Lei de Moisés apontavam para Cristo. Quando Cristo veio, nos libertou do peso da Lei para o verdadeiro cumprimento da Lei: O AMOR - ou seja, o Fruto do Espírito (Gl 5.22ss).
Guarde o sábado. Não o velho sábado da lei, a regra religiosa que era sombra a apontar para Cristo (Cl 2.16-17), mas o novo sábado, Jesus Cristo, que não veio para anular o sábado, mas veio para realizá-lo em nós, através da nova vida no Espírito, da "lei do Espírito da vida" (Rm 8.2).

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Pronunciamento das Igrejas Evangélicas Históricas sobre as eleições gerais do Brasil - 2014



As igrejas evangélicas históricas do Brasil, em virtude da realização das eleições gerais em 5 de outubro (1º turno) e em 26 de outubro (2º turno) e considerando o papel de seus membros no exercício pleno da cidadania, bem como o comprometimento dessas igrejas com o Estado democrático de direito e o seu reconhecimento e apoio às instituições democráticas, expressas nos Poderes constituídos da República, vêm junto a seus membros e à sociedade brasileira em geral fazer o seguinte


PRONUNCIAMENTO

Nenhum sistema ideológico de interpretação da realidade social, inclusive em termos políticos, pode ser aceito como infalível ou final nem é capaz de interpretar os conceitos bíblicos da história e do reino de Deus, no entanto, cremos que Deus, Senhor da história, realiza a Sua vontade de várias maneiras, inclusive por meio da ação política;
As eleições são parte do processo de busca permanente de equidade social, de garantia dos direitos fundamentais à pessoa humana, de vivência ética e comunitária, às quais estimulamos o protagonismo de homens e mulheres cristãos, comprometidos com os valores do Evangelho de Cristo;
A democracia é um valor universal, bem como o governo representativo dela decorrente e a sociedade democrática pressupõe pluralidade de ideias e a livre expressão do pensamento político, alternância do poder, em forma republicana de participação popular;
Os chamados mensalões, julgados e ainda não julgados pelo STF, expuseram, na esfera partidária, a dualidade de forças políticas de matizes ideológicas distintas, que se digladiam eleitoralmente, visando o acesso ao poder, mas revelam a fragilidade dos partidos majoritários na elaboração de suas amplas alianças partidárias que, em muitos casos, não são de natureza político-ideológica, mas se constituem em verdadeiro fisiologismo;
O sistema de financiamento de campanhas admitido no Brasil é perverso, indutor e retroalimentador da corrupção e termina por eleger, majoritariamente, verdadeiros representantes do poder econômico e não dos interesses da maioria da população;
O atual sistema político reflete partidos políticos que não têm identidade e realizam alianças que não fidelizam ideais, mas denunciam conveniências e interesses corporativistas. De igual modo, o modelo presidencialista de coalizão compromete a ética e a democracia cujos pressupostos são a fiscalização e a alternância no poder;
Candidatos/as frutos de estratégias de marketing e alianças comprometedoras não são dignos de voto;
Ninguém deve receber voto simplesmente por expressar a fé evangélica, antes, deve-se recordar que “a fé, se não tiver obras, por si só estará morta” (Tg 2.1). Entretanto candidatos e partidos que defendem em seus programas posições que se oponham a valores cristãos tais como justiça e paz; integridade da vida e da criação; preservação da família; honestidade e respeito ao bem público não podem merecer nosso voto.
O processo político não se esgota com as eleições e os valores da cidadania, marcados por gestões públicas transparentes e probas, têm correspondência na vida de integridade cotidiana de cada cidadão e cidadã brasileira, na participação, nas reivindicações e na projeção de ações que visem o bem comum.
Repudiamos o “voto de cabresto”; o chamado “curral eleitoral”, bem como a troca do voto por favores sejam pessoais ou coletivos, exortando seus integrantes a exercerem o direito do voto de maneira consciente e bem fundamentado cientes da delegação de poder que o sufrágio nas urnas confere aos eleitos.
Conclamamos o povo de Deus que se reúne em nossas igrejas à participação na escolha das futuras lideranças: Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais e, para isso, também o convocamos à oração e à reflexão, que possam nos orientar para que nossas escolhas se traduzam no bem comum de todos os brasileiros e brasileiras.
igrejas historicas manifesto eleicoes 2014Fonte: http://www.ipib.org/o-estandarte-online/996-pronunciamento-das-igrejas-evangelicas-historicas-sobre-as-eleicoes-gerais-do-brasil-2014

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