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sábado, 18 de outubro de 2014

Um desabafo político...

É muito triste. Os profetas na Bíblia denunciam a injustiça, mesmo que seja pelo próprio rei. No Brasil, ficamos num jogo de empurra-empurra, tentando demonstrar que "o diabo é o outro". Precisamos acordar. Eleitores do PT deveriam ser os primeiros a denunciar os casos de injustiça, improbidade e desonestidade no partido. Do mesmo modo, eleitores do PSDB deveriam denunciar a podridão que existe entre os próprios políticos. Gente, vamos acordar! Se não houver arrependimento sincero acerca do que é injusto, não há esperança para o Brasil, nem "pela direita" e nem "pela esquerda"! Levante-se, em primeiro lugar, contra a injustiça e o roubo cometidos pelos políticos da sua legenda!

domingo, 12 de outubro de 2014

Encontros com Jesus: Pilatos - O desafio da pressão

O texto abaixo foi publicado no devocionário 2014 dos 35 dias de Jejum e Oração, organizado e publicado pela Igreja Presbiteriana Independente do Estreito, de Florianópolis (SC).


TEXTO BÍBLICO

"E Pilatos disse pela terceira vez: — Mas qual foi o crime dele? Não vejo neste homem nada que faça com que ele mereça a pena de morte. Vou mandar que ele seja chicoteado e depois o soltarei.  Porém eles continuaram a gritar bem alto, pedindo que Jesus fosse crucificado; e a gritaria deles venceu. Pilatos condenou Jesus à morte, como pediam. E soltou o homem que eles queriam [Barrabás] — aquele que havia sido preso por causa de revolta e de assassinato. E entregou Jesus para fazerem com ele o que quisessem" (Lucas 23.22-25NTLH).


REFLEXÃO

Pilatos era governador da Judéia, durante o governo do imperador Tibério. Era um homem que vivia debaixo de muita pressão, pois precisava manter a paz romana na Judéia, onde movimentos de judeus que queriam a independência de Israel (especialmente os zelotas) muitas vezes recorriam à violência, principalmente durante as grandes festas. Jesus atraiu desde cedo à oposição dos líderes religiosos judaicos, sobretudo após a “purificação do templo” em Jerusalém (Mc 11.15-19). Pilatos sabia que Jesus era inocente das acusações dos principais sacerdotes e anciãos (que formavam o Sinédrio), os quais manipularam a multidão, a qual se voltou contra Jesus. Pilatos, pressionado pelo império, pelas autoridades judaicas e pela multidão, entregou Jesus para ser crucificado, libertando o zelota Barrabás, preso por causa de revolta e assassinato. Em nome da paz do Império Romano, Pilatos liberta o zelota assassino e entrega a morte o Príncipe da Paz!

Pilatos nos ensina que o encontro com Cristo pode nos expor a pressões. Todos nós sofremos muitas pressões para não viver os valores do Reino de Deus (amor, justiça, fé, esperança, perdão). A pressão pode vir de familiares, amigos, emprego, cultura, grupo de amigos, opinião pública, e até mesmo das instituições religiosas. Pilatos lava suas mãos, querendo se justificar de sua injustiça, mas omissão não traz justificação. Os discípulos de Cristo não podem se tornar discípulos daqueles que cometem injustiça por causa de pressões, ou mesmo que condenam pessoas inocentes ou deixarão de viver os valores do Reino em favor da opinião pública, do Estado, do partido político, da empresa ou mesmo do conforto, da segurança e do prazer.


PENSE NISSO

Temos seguido o exemplo de Cristo, de resistência pacífica contra a injustiça, ou pensamos que o caminho é agir contra a Palavra de Deus, nos sujeitando as pressões políticas, econômicas e ideológicas?
Estamos na condição de justo sofredor, injusto opressor ou massa de manobra?


ORAÇÃO

Pai, tem misericórdia de nós, que apesar de sermos chamados para seguir ao Teu Filho amado, que resistiu pacificamente contra a violência, muitas vezes queremos ser como Pilatos, que cometeu injustiça por causa da pressão, ou como a multidão, que serviu de massa de manobra para os interesses de grupos poderosos, ou mesmo como o Sinédrio, que deveria cuidar dos injustiçados, mas que, de maneira hipócrita, acabou promovendo a injustiça. Conduze-nos, pela Tua graça, a uma vida de amor, justiça e perdão, em nome de Jesus. Amém.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Divulgando blogs de amigos: tecnologia e música

Hoje eu gostaria de divulgar os Blogs de dois amigos:

O primeiro, está ligado a música brasileira, de modo geral, e a cultura da nossa Ilha de Florianópolis, em particular.
http://josueviolao.blogspot.com.br/
http://www.mixcloud.com/josuesilvajisueviolao/

O segundo é do meu amigo Thomas, sobre novidades tecnológicas.
http://thomaslindig.blogspot.com.br/


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Não Transforme um Tesouro num Peso de Porta (ou "Jesus é Senhor do Sábado")


INTRODUÇÃO
(Sobre Mc 2.23-3.6).
O que é o sábado? É um dia de descanso. O sábado foi criado para o cuidado do cansado, a cura do doente, a libertação do oprimido, enfim, o bem-estar do ser humano. Mas o que a Lei de Deus trouxe como dádiva, como expressão de vida e liberdade, o legalismo farisaico transformou em peso!
Hoje vamos refletir sobre o sábado, a luz de Marcos 2.23-28, relato da discusão dos fariseus com Jesus acerca da atitude dos discípulos em colher espigas para matar a fome num sábado, e a luz de Marcos 3.1-6, relato da cura de um homem num sábado.


1) O SÁBADO FOI FEITO PARA VIDA E A LIBERDADE E NÃO PARA A MORTE E A OPRESSÃO
Os fariseus começaram a questionar a Jesus pelo fato dos discípulos colherem espigas num sábado, para matar a fome. O sábado foi estabelecido para o descanso, para a cura, a saúde, enfim, o sábado deveria ser um instrumento de vida e paz, mas os fariseus estavam adulterando o sábado numa regra fria e legalista, que ao invés de promover a vida, passou a ser um problema para a vida. O questionamento dos fariseus se deve a sua tradição, ou seja, os fariseus tinham uma tradição oral sobre a interpretação da Lei de Moisés, tradição que estabelecia várias regras proibitivas sobre o sábado. Em sua resposta ao legalismo dos fariseus, Jesus responde não com tradições humanas, mas com a Palavra de Deus, a partir do exemplo de Davi.
Davi, o rei de Israel, comeu os pães da proposição enquanto fugia de Saul, pães sagrados que só os sacerdotes podiam comer. Davi não apenas come os pães, mas os dá aos seus companheiros. Uma lei foi quebrada visando proteger a vida, sagrada por excelência. Matar a fome é mais importante que regras religiosas. Do mesmo modo que Davi comeu os pães sagrados e os deu aos seus companheiros, pães que não deveriam ser comidos por eles segundo as regras da lei, Jesus demonstra que seus discípulos não estavam errados em colher, debulhar e comer as espigas da plantação, apesar do sábado. Ora, Jesus, o filho de Davi (Mt 1.1), é o Messias. Seus discípulos puderam colher e debulhar espigas no sábado, pois a vida é mais importante que regras religiosas. Além disso, "o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado", ou seja, o sábado, de acordo com a Palavra de Deus, deveria ser instrumento de descanso, vida e paz, e não uma regra legalista que escraviza e produz fome, miséria e morte!
Do mesmo modo, em Marcos 3.1-6, havia, no sábado, um homem com a mão atrofiada numa sinagoga. A preocupação dos fariseus e dos herodianos na situação não era a vida do homem enfermo, não era seu bem, sua saúde, seu bem-estar, mas simplesmente seus próprios interesses: fariseus estão preocupados não com pessoas, mas com regras caducas que não agradam a Deus e não promovem o amor ao próximo; os herodianos estavam preocupados com ameaças a sua ideologia política, ou seja, a manutenção da família dos Herodes no poder. Jesus, novamente, ensina que o sábado deve ser instrumento de promoção da vida, do bem do próximo, de cura, e nnão uma regra legalista que castra, oprime e mata.
Para Jesus, a vida dos discípulos e a cura do enfermo são a realização do sábado e não a sua contradição, pois "o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado!


2) CRISTO É O VERDADEIRO SÁBADO
O sábado passa a ser parte integrante na vida judaica principalmente com Moisés. Apesar da presença do sábado nos relatos da criação, a observância do sabado não pode ser observada antes com a mesma intensidade, pois o sábado é um mandamento da Lei de Moisés.
Ora, o que é que faz parte da Lei de Moisés? Quais instituições judaicas são ordenadas na lei de Moisés? Alguns exemplos principais são os seguintes:
- Tabernáculo/Templo de Jerusalém como habitação de Deus;
- Sacerdócio levítico, Sumo Sacerdócio aarônico;
- Sistema de Sacrifícios;
- Leis diversas do cotidiano;
- Circuncisão, Páscoa judaica, dias de festa e sábado.

Mas o que é que a Bíblia diz sobre todas estas coisas?

Sobre o verdadeiro templo: "Os judeus interpelaram-no, então, dizendo: 'Que sinal nos mostras para agires assim?' Respondeu-lhes Jesus: 'Destruí este templo, e em três dias o levantarei'. Disseram-lhe, então, os judeus: '46 anos foram precisos para se construir este Templo, e tu o levantarás em 3 dias?' Ele, porém, falava do templo do seu corpo. Assim, quando ele ressuscitou dos mortos seus discípulos lembraram-se de que dissera isso, e creram na Escritura e na palavra dita por Jesus" (Jo 2.18-22). Em outras palavras, o templo, presente na Lei de Moisés, não tem parte na Nova Aliança em Cristo, pois nesta O CORPO DE JESUS É O NOVO TEMPLO! Quando Jesus morre na cruz pelos nossos pecados e ressuscita para a nossa salvação, Ele envia para a sua Igreja o Seu Espírito: "Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1Co 3.16).

Sobre o verdadeiro Sacrifício:
"Possuindo apenas a sombra dos bens futuros, e não a expressão própria das realidades, a lei é totalmente incapaz, apesar dos mesmos sacrifícios sempre repetidos, oferecidos sem fim a cada ano, de levar á perfeição aqueles que deles participam. Se não fosse assim, não se teria deixado de oferecê-los, se os que prestam culto, uma vez por todas purificados, já não tivessem nenhuma consciência dos pecados. Mas, ao contrário, é por meio destes sacrifícios que, anualmente, se renova a lembrança dos pecados. Além do mais, é impossível que o sangue de touros e bodes elimine os pecados. (...) Assim, ele declara, primeiramente: Sacrifícios oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado, tu não os quiseste, e não te agradaram. Trata-se, notemo-lo bem, de oferendas prescritas pela Lei! Depois, ele assegura: Eis que eu vim para fazer a tua vontade. Portanto, ele suprime o primeiro para estabelecer o segundo. E graças a esta vontade é que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas" (Hb 10.1-4,8-10).
Em outras palavras, o sistema sacrificial da Antiga Aliança foi superado pelo sacrifício único e suficiente de Cristo, pelos nossos pecados. O verdadeiro sacrifício não é oferecido de acordo com a Lei de Moisés ou da Antiga Aliança, mas é oferecido por Cristo na Nova Aliança em Cristo.

Sobre o verdadeiro Sacerdócio:
"Tal é precisamente o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, elevado mais alto do que os céus. Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios a cada dia, primeiramente por seus pecados, e depois pelos do povo. Ele já o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo. A Lei, com efeito, estabeleceu sacerdotes sujeitos à fraqueza. A palavra do juramento, porém, posterior à Lei, estabeleceu um Filho eternamente perfeito" (Hb 7.26-28).
"Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem. Pois todo sumo sacerdote é constituído para oferecer tanto dons como sacrifícios; por isso, era necessário que também esse sumo sacerdote tivesse o que oferecer. Ora, se ele estivesse na terra, nem mesmo sacerdote seria, visto existirem aqueles que oferecem os dons segundo a lei, os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz ele: Vê que faças todas as coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte. Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas"(Hebreus 8.1-6)

Sobre a verdadeira Aliança (Aliança Antiga com Moisés e Aliança Nova em Cristo):
"Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei"(Jeremias 31.31-34).
"Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer" (Hb 8.13 - Comentando Jr 31.31-34).
"Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim" (1Co 11.23-25).

Sobre os Sábados, Festas e Dias Sagrados:
"Portanto, ninguém vos julgue por questões de comida e de bebida, ou a respeito de festas anuais ou de lua nova ou de sábados, que são apenas sombra de coisas que haviam de vir, mas a realidade é o corpo de Cristo" (Cl 2.16-17).
Portanto, na perspectiva bíblica, o sábado deveria ser instrumento de vida, de cura, de liberdade, de alegria, mas a religião legalista reduziu o sábado a regras miseráveis que iam contra a vida, agravavam a doença e aprisionavam no legalismo! Além disso, o sábado, bem como as demais festas religiosas judaicas, são apenas sombras, cuja realidade não são elas próprias, mas Cristo!

Para nós, cristãos, o sábado, assim como os sacrifícios, o sacerdócio levítico, o templo e a própria aliança antiga, eram sombras de bens futuros (Cl 2.16-17), e estas sombras apontam para Cristo, que é a sua realização.
"Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem" (Hebreus 10.1).

Sendo assim, Jesus é o nosso sábado:
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." (Mt 11.28-30).
Jesus aboliu a religião legalista, a religião que procurava se aproximar de Deus através de regras, a pregou na cruz, junto com as outras expressões de pecado. Jesus destruiu a religião legalista pela Sua Pessoa!
"O fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê"(Romanos 10.4).
Jesus é Senhor do sábado porquê Ele é o verdadeiro Sábado!


3) NÃO TRANSFORME UM TESOURO EM PESO DE PORTA
Conheci uma irmã, uma senhora humilde e de idade bem avançada, que certa vez me contou uma história:
"Havia um homem bem simples, que tinha na porta da sua sala uma pedra pesada, mas muito bonita. Um dia, o homem recebeu uma visita, de um professor, que ofereceu R$ 50,00 naquela pedra. O homem, prontamente, a vendeu, feliz por poder comprar um pouco mais de carne naquele mês. O que o homem não sabia é que aquela pedra era muito preciosa, e enriqueceu o seu comprador, o esperto professor!".

Como é possível, alguém usar um tesouro para segurar uma porta?
Como é possível, tranformar os presentes de Deus em peso?
Como é possível, transformar o sábado, uma dádiva de vida, liberdade e cura, num peso miserável que produz morte, prisão e enfermidade?
Como é possível, o ser humano transformar a família, uma dádiva de Deus para o nosso bem, numa gaiola de loucos, em que cada um vai para um lado, quando não estão todos brigando?
Como é possível, oser humano transformar a igreja em meio de ganhar dinheiro, em palco de disputa de poder, na tentativa de dominar sobre o outro, mandar no outro, ao invés de servir a Deus e ao próximo, para a glória de Deus?
Como é que os fariseus transformaram o sábado em uma instituição falida e alienante, que ao invés de trazer descanso, liberdade e vida, passou a trazer escrvidão, morte e opressão?
Como é que nós vivemos reduzindo tesouros em peso de porta?

A resposta para todas as perguntas acima é: vivendo sem conhecer e sem viver de acordo com a Palavra de Deus! O legalismo é informação sem entendimento. Um cristão maduro aprende, mas vive de acordo com a Palavra de Deus e com o Espírito da Vida.


CONCLUSÃO
Jesus, ao perguntar se "é lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la?", estava ensinamdo que "o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado", pois "o Filho do Homem é Senhor do sábado". Na Nova Aliança, Jesus é o próprio sábado: nEle é que nós encontramos descanso para a nossa alma (Mt 11.28-30). O sábado da Lei, assim como o Templo, o Sacerdócio, os Sacrifícios, enfim, toda a Lei de Moisés apontavam para Cristo. Quando Cristo veio, nos libertou do peso da Lei para o verdadeiro cumprimento da Lei: O AMOR - ou seja, o Fruto do Espírito (Gl 5.22ss).
Guarde o sábado. Não o velho sábado da lei, a regra religiosa que era sombra a apontar para Cristo (Cl 2.16-17), mas o novo sábado, Jesus Cristo, que não veio para anular o sábado, mas veio para realizá-lo em nós, através da nova vida no Espírito, da "lei do Espírito da vida" (Rm 8.2).

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Pronunciamento das Igrejas Evangélicas Históricas sobre as eleições gerais do Brasil - 2014



As igrejas evangélicas históricas do Brasil, em virtude da realização das eleições gerais em 5 de outubro (1º turno) e em 26 de outubro (2º turno) e considerando o papel de seus membros no exercício pleno da cidadania, bem como o comprometimento dessas igrejas com o Estado democrático de direito e o seu reconhecimento e apoio às instituições democráticas, expressas nos Poderes constituídos da República, vêm junto a seus membros e à sociedade brasileira em geral fazer o seguinte


PRONUNCIAMENTO

Nenhum sistema ideológico de interpretação da realidade social, inclusive em termos políticos, pode ser aceito como infalível ou final nem é capaz de interpretar os conceitos bíblicos da história e do reino de Deus, no entanto, cremos que Deus, Senhor da história, realiza a Sua vontade de várias maneiras, inclusive por meio da ação política;
As eleições são parte do processo de busca permanente de equidade social, de garantia dos direitos fundamentais à pessoa humana, de vivência ética e comunitária, às quais estimulamos o protagonismo de homens e mulheres cristãos, comprometidos com os valores do Evangelho de Cristo;
A democracia é um valor universal, bem como o governo representativo dela decorrente e a sociedade democrática pressupõe pluralidade de ideias e a livre expressão do pensamento político, alternância do poder, em forma republicana de participação popular;
Os chamados mensalões, julgados e ainda não julgados pelo STF, expuseram, na esfera partidária, a dualidade de forças políticas de matizes ideológicas distintas, que se digladiam eleitoralmente, visando o acesso ao poder, mas revelam a fragilidade dos partidos majoritários na elaboração de suas amplas alianças partidárias que, em muitos casos, não são de natureza político-ideológica, mas se constituem em verdadeiro fisiologismo;
O sistema de financiamento de campanhas admitido no Brasil é perverso, indutor e retroalimentador da corrupção e termina por eleger, majoritariamente, verdadeiros representantes do poder econômico e não dos interesses da maioria da população;
O atual sistema político reflete partidos políticos que não têm identidade e realizam alianças que não fidelizam ideais, mas denunciam conveniências e interesses corporativistas. De igual modo, o modelo presidencialista de coalizão compromete a ética e a democracia cujos pressupostos são a fiscalização e a alternância no poder;
Candidatos/as frutos de estratégias de marketing e alianças comprometedoras não são dignos de voto;
Ninguém deve receber voto simplesmente por expressar a fé evangélica, antes, deve-se recordar que “a fé, se não tiver obras, por si só estará morta” (Tg 2.1). Entretanto candidatos e partidos que defendem em seus programas posições que se oponham a valores cristãos tais como justiça e paz; integridade da vida e da criação; preservação da família; honestidade e respeito ao bem público não podem merecer nosso voto.
O processo político não se esgota com as eleições e os valores da cidadania, marcados por gestões públicas transparentes e probas, têm correspondência na vida de integridade cotidiana de cada cidadão e cidadã brasileira, na participação, nas reivindicações e na projeção de ações que visem o bem comum.
Repudiamos o “voto de cabresto”; o chamado “curral eleitoral”, bem como a troca do voto por favores sejam pessoais ou coletivos, exortando seus integrantes a exercerem o direito do voto de maneira consciente e bem fundamentado cientes da delegação de poder que o sufrágio nas urnas confere aos eleitos.
Conclamamos o povo de Deus que se reúne em nossas igrejas à participação na escolha das futuras lideranças: Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais e, para isso, também o convocamos à oração e à reflexão, que possam nos orientar para que nossas escolhas se traduzam no bem comum de todos os brasileiros e brasileiras.
igrejas historicas manifesto eleicoes 2014Fonte: http://www.ipib.org/o-estandarte-online/996-pronunciamento-das-igrejas-evangelicas-historicas-sobre-as-eleicoes-gerais-do-brasil-2014

sábado, 27 de setembro de 2014

Você quer conhecer o seu futuro?


Você gostaria de conhecer o seu futuro? Você gostaria de saber tudo o que vai acontecer com você? Se todos nós soubéssemos o que vai acontecer no futuro, a ansiedade tomaria conta de muita gente. Mas muita gente mesmo. Muitos deixariam de viver no presente por causa do futuro. Você já saberia quando passaria no vestibular, quando conheceria o amor da sua vida (se não conheceria também...), enfim, a vida seria muito chata.
Deus conhece o nosso futuro, mas ele não nos revela o futuro... não completamente. Algumas coisas, às vezes, Deus até pode revelar sobre o futuro. Um destes casos está narrado em Mateus 16.21-23:
"Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens".
Jesus revelou o seguinte sobre o futuro:
a) Jesus iria para Jerusalém, sofreria muito e seria assassinado;
b) Jesus ressuscitaria no terceiro dia.
Mas qual foi a reação dos discípulos, expressa por Pedro? Ora, ele só prestou atenção na notícia ruim! Ele só ouviu sobre o sofrimento e a morte, mas foi incapaz de dar ouvidos para a boa notícia, ou seja, de que Jesus venceria a morte e o pecado e viria a ressuscitar ao terceiro dia! A reação de Pedro ilustra muito bem o sentimento geral!

Deus é bom e é sábio. Ele poderia revelar tudo sobre o futuro para todos nós, mas Ele não o faz, não todo o futuro. Mas Deus revela muitas coisas sobre o futuro de todos nós! Recentemente, recebi um e-mail de um astrólogo, fazendo a seguinte proposta:

"Percebo em você uma grande preocupação. Trata-se de algo que não deseja comentar com quase ninguém. Será que estou errado? Pois, então, deixe-me dizer-lhe uma coisa: Vejo um momento muito preciso em que sua vida vai melhorar de forma radical. E para sempre! Como cheguei a esta conclusão, sem dúvida, vital para você? De forma muito simples: faz parte de um conjunto de visões que tive em relação à sua situação em 2014. Isto não é jogar conversa fora: o que lhe ofereço GRATUITAMENTE é um verdadeiro Estudo Astrológico Pessoal para 2014. Um documento detalhado no qual se abrirão diante de você todas as oportunidades e riscos que lhe estão esperando ao longo do novo ano. Por exemplo... Até meados do ano, os astros projetam uma luz dourada sobre você. Será que significa uma melhoria financeira? Cuide-se muito este mês. Noto algumas tensões em seu redor. E vejo também que até final do ano a felicidade vai invadir sua vida. Sabe porquê? Eu tenho todas as respostas. Mas, espere! Meu Estudo Astrológico Pessoal 2014 não é uma série de predições tiradas ao acaso. É um verdadeiro guia que lhe ajudará a encontrar o caminho, a contornar as dificuldades e, sobretudo, a aproveitar as oportunidades.Para você pode significar a diferença entre felicidade e infortúnio!"

Apesar de recusar a oferta irrecusável, retribuí a oferta com a seguinte resposta ao e-mail:

"Olá, Extraordinário Chris [era assim que o astrólogo se apresentava]. Obrigado pela oferta generosa. Eu não sou um astrólogo, médium ou parapsicólogo, muito menos uma pessoa extraordinária, mas eu também gostaria de te fazer uma oferta generosa. Eu conheço um pouco sobre o passado, o presente e o futuro, tanto meu quanto seu. No passado, todos pecamos e carecemos da glória de Deus. No presente, precisamos da graça de Deus, que Ele mesmo nos oferece gratuitamente em Cristo Jesus. No futuro, Deus vai julgar os vivos e os mortos, e condenar toda maldade e injustiça das pessoas, inclusive aquelas que enriquecem pela exploração da boa fé das pessoas".

Não tenho nada contra astrólogos, videntes, médiuns, etc. Cada um tem liberdade para crer no que bem entende. No entanto, uma vez que ele se propôs a oferecer os seus conhecimentos religiosos, sem perguntar sobre a minha fé, entendi que ele abriu as portas para que eu compartilhasse com ele sobre o Evangelho, no qual creio, que tem transformado e renovado a minha vida, pela graça de Deus. Aliás, o astrólogo já cometeu um erro na sua primeira "previsão": eu não estou com nenhuma "grande preocupação, que eu tenha medo de compartilhar com alguém". Na verdade, o Evangelho da graça de Deus é que tem me livrado do medo, da ansiedade e do desespero. O Evangelho de Jesus Cristo é boa nova de amor, reconciliação, esperança e paz!

Creio que a Palavra de Deus apresenta tudo o que precisamos saber sobre o nosso futuro, e não apenas o futuro, mas revelações importantes sobre nosso passado e nosso presente. A Bíblia não é apenas um livro que nós lemos: é também um livro que nos lê, que revela a nós quem somos e quem podemos ser, pela graça de Deus. Ora, "a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração." (Hebreus 4.12). No final da Bíblia é feita outra revelação importante sobre o nosso futuro:

"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho" (Apocalipse 21.1-7).

O futuro pertence a Deus. Viva o presente, aprendendo com o passado, olhando para o futuro. Creia em Deus e ame - e seu futuro será glorioso.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Um livro que marcou a minha vida: Trindade e Reino de Deus (Moltmann)

A teologia é uma ciência fascinante, emocionanete e, por que não dizer, perigosa. Os cursos universitários não costumam marcar as pessoas da mesma maneira. Tenho a impressão que os cursos de teologia, psicologia e sociologia estão entre aqueles que mais afetam a vida dos alunos, por uma razão muito específica: eles mexem com nossa identidade e nosso sistema de crenças e valores.
No terceiro ano do curso de teologia, eu estava me sentindo num deserto árido, seco, solitário. Na teologia acadêmica, estudamos temas importantes, mas difíceis de digerir. No meio deste processo, havia um livro na bibliografia de Teologia Sistemática chamado "Trindade e Reino de Deus", do teólogo reformado alemão Jürgen Moltmann. É um texto de linguagem difícil, acadêmica, mas carregado de tanta beleza, apresentando a Deus de maneira tão apaixonada, dialogando com a Bíblia, a história da teologia e, mesmo, com o mundo contemporâneo, que várias vezes chorei de emoção, prostrado diante da glória e da beleza do Deus Triúno (único e trino). Nem todos o considerarão fácil de ler, mas sua leitura atenta e cuidadosa vale todo o esforço. Li adorando e orando, rindo e chorando.
Abaixo, gostaria de compartilhar com você algumas citações do livro:

Sobre a entrega do Filho
"O Evangelho de S. João resume o significado da entrega na seguinte frase: 'De tal modo Deus amou o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todos os que nele crerem não pereçam, mas tenham a vida eterna' (Jo 3.16). Com a expressão 'de tal modo' quer-se dizer: 'dessa maneira', ou seja, da maneira que 'por nós' padeceu o abandono da morte na cruz. E 1Jo 4.16 define Deus assim: 'Deus é amor'. Significa; Deus não ama do mesmo modo como às vezes também pode irar-se. Não, ele é amor. A sua essência é amor. Ele se constitui de amor. E isso aconteceu na cruz. Essa definição somente alcança todo o seu significado quando se procura permanentemente reavivar o caminho que leva a ela, a saber, o abandono de Jesus na cruz, a entrega do Filho pelo Pai, e o amor que tudo faz, tudo concede e tudo sofre pelo homem que se perdeu. Deus é amor, i. é, Deus é doação, i. é, Deus existe por nós: na cruz. Exprimindo isso trinitariamente: O Pai deixa o Filho imolar-se através do Espírito. 'O Pai é o amor que crucifica; o Filho é o amor crucificado; o Espírito Santo é a força invencível da cruz'. A cruz está colocada no meio da Trindade. Isso foi exposto pela tradição, que se apóia no Apocalipse de S. João, mediante a imagem do 'cordeiro imolado (desde o início do mundo)' (Ap 5.12). Antes que existisse o mundo, existia em Deus a imolação. Não há pensamento trinitário possível sem o Cordeiro, sem a imolação do amor, sem o Filho crucificado. Pois ele é o Cordeiro sacrificado, que será glorificado por toda a eternidade" (1).

Sobre "Trindade e liberdade"
"A experiência da liberdade tem sempre uma dimensão religiosa. Por isso, o conceito de liberdade tem também uma dimensão teológica. Isso inclusive é demonstrado pela fundamentação atéia da liberdade nos tempos modernos. Para se afirmar a liberdade do homem, e querê-la, Deus deve ser negado. Ou impera Deus, e nesse caso o homem não é livre: ou o homem é livre, e nesse caso não pode haver um Deus. Nessa alternativa primitiva, a liberdade atéia contrapôe-se à dependência monoteística. Vice-versa, a ordenação político-religiosa do mundo coloca-se contra a liberdade e a responsabilidade do homem.
A doutrina trinitária (...) supera a dependência monarquista e oferece o fundamento para a liberdade humana em mais de uma dimensão. Um Deus imóvel e apático não pode ser colocado com fundamento da liberdade humana. Um soberano absolutista no céu não encoraja nenhuma liberdade sobre a terra. Somente o Deus sofredor e apaixonado, e por força da sua paixão pelo homem, é capaz de fazer com que exista a liberdade humana. Ele oferece à liberdade humana o seu divino espaço vital. O Deus uno e trino, que realiza o reino da sua glória em sua história da criação, libertação e glorificação, deseja a liberdade humana, alicerça a liberdade humana e dispõe o homem incessantemente para a liberdade. A teologia trinitária oferece a possibilidade de fundamentar uma doutrina da liberdade abrangente e pluridimensional. Nós propomos, assim, a seguinte concepção:
A doutrina trinitária do reino é a doutrina teológica da liberdade. O conceito teológico da liberdade é o conceito da história trinitária de Deus: Deus deseja constantemente a liberdade da sua criação. Deus é a liberdade incriada da sua criatura". (2)
"A liberdade em si mesma é abrangente e indivisa. Por isso é que toda experiência parcial da liberdade impele para a liberedade plena e para a liberdade de toda a criação. A sede de liberdade não pode contentar-se com uma satisfação parcial. Ela não conhece limites. Por esse motivo também a liberdade doa amigos de Deus ainda não é liberdade plena. Historicamente, ela é a melhor de todas as liberdades possíveis no relacionamento com Deus. Mas, por sua vez, ela aponta para aquela liberdadeque está além e acima, e que somente no reino da glória alcança a sua beatitude consumada em Deus. No reconhecimento de Deus face a face é que a liberdade dos servos, dos filhos e dos amigos de Deus chega finalmente à sua perfeição última em Deus. Ela consistirá então na participação ilimitada na vida eterna, na plenitude inesgotável e na glória do Deus uno e trino. "Nosso coração está irrequieto dentro de nós, até encontrar o repouso junto a ti", disse Agostinho. Quanto à liberdade, poder-se-ia dizrer: Nosso coração não se sente livre dentro de nós, até tornar-se livre na glória do Deus uno e trino"(3).

Espero que estas breves citações possam despertar em você um pouco da alegria e da adoração que despertaram em mim, pela graça de Deus.


Notas:
(1) Jürgen Moltmann. Trindade e Reino de Deus: uma contribuição para a teologia. Petrópolis: Vozes, 2000,  p. 95.
(2) Idem, p. 221.
(3) Idem, p. 224.

A quem devemos orar e adorar?


INTRODUÇÃO
A Bíblia nos ensina, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, que há apenas um Deus verdadeiro (Dt 6.4; 2Rs 5.15; Is 44.6; Jo 17.3; Rm 16.27; 1Co 8.4; 1Tm 2.5), Criador de tudo e de todos (Gn 1.1; Jo 1.1-3). Todas as demais coisas e pessoas são criação de Deus. Além disso, os três grandes ramos do Cristianismo (Católicos Romanos, Protestantes/Evangélicos e Ortodoxos Gregos) creem na doutrina da Trindade, segundo a qual "o Deus uno é, por toda a eternidade, Pai, Filho e Espírito Santo"(1).
Sendo assim, de acordo com a Bíblia, apenas Deus pode receber oração e culto, ou a criatura também pode ser cultuada e receber oração de forma legítima?

1. ADORAÇÃO E CULTO, APENAS A DEUS
Alguns cultuam ou adoram anjos, por serem seres celestiais. Mas a Bíblia nos ensina que anjos não podem e não devem ser cultuados ou adorados (Ap 19.9-10; Ap 22.8-9). Alguns cultuam ou adoram pessoas que viveram uma vida santa neste mundo, mas este não é o ensino da Bíblia. Por exemplo, Pedro e Paulo recusaram ser cultuados e adorados. O apóstolo Pedro, inclusive, além de recusar ser adorado e cultuado, ensina que o culto e a adoração são devidos apenas a Deus (At 10.25-26). O mesmo aconteceu com o apóstolo Paulo e com Barnabé (At 14.11-18).  A Bíblia nos dá alguns exemplos de culto que Deus não aceita (Ex 20.3-6; Dt 4.15-20; Jr 7.16-20).  O culto e a adoração só devem ser oferecidos a Deus, e jamais à criatura, seja a anjos, seres humanos vivos ou mortos, ou qualquer outra criatura (Mt 4.8-10).  A Bíblia afirma a divindade de Jesus Cristo e, assim, aprova a atitude de adorá-lo (Mt 9.18-19; Mt 15.25-26; Mc 5.6-7; Jo 9.38-39), ao contrário do que aconteceu com a adoração a Paulo, a Pedro e ao anjo no Apocalipse.
Ora,
"Somente Javé (SENHOR) tem direito à adoração. (...) Para 'escândalo dos judeus' (1Co 1.23), proclama-se que a adoração reservada ao Deus único é devida a Jesus crucificado, confessado como Senhor e Cristo (At 2.36). 'Ao seu nome se dobra todo joelho no céu, na terra e nos infernos' (Fp 2.9ss; Ap 15.4). Esse culto tem por objetivo o Cristo ressuscitado e exaltado (Mt 28.9-17; Lc 24.52), mas no homem ainda destinado à morte (Mt 14.33; Jo 9.38), e  mesmo no recém-nascido (Mt 2.2-11; cf. Is 49.7) a fé já reconhece o Filho de Deus e o adora"(2).
Ou seja, adoração e culto, apenas a Deus.
Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, é o único ser humano que pode receber adoração e culto, pois Ele é humano e divino.

2. ORAÇÃO, APENAS A DEUS
Do mesmo modo que o culto e a adoração, a oração deve ser dirigida apenas a Deus. A Bíblia não aprova oração alguma dirigida a algo ou alguém que não seja o Criador. Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, jamais mencionou que podemos orar à criatura alguma, mas apenas a Deus (Mt 6.5-15). A Bíblia ensina que devemos orar ao Deus Triúno (uno e trino). Alguns exemplos: Sl 65,2; Is 65.24; Mt 6.7-8; Lc 18.1-8; Jo 14.13-14; Ap 22.20.
Neste sentido, a Bíblia também não aprova orações a anjos. A Bíblia registra diálogos com anjos, mas não orações que sejam aceitas. É lícito orar a Deus e pedir que Ele nos guarde com seus anjos, mas não orar aos anjos!
Ou seja, oração, apenas a Deus.
Novamente, o único ser humano que pode receber oração, segundo o testemunho bíblico, é Jesus Cristo, o Deus encarnado (At 7.59-60; Ap 5.13; Ap 22.20).

3. QUEM INTERCEDE POR NÓS DIANTE DE DEUS? 
A Bíblia é nossa regra de fé e prática. Segundo a Bíblia, quem intercede por nós junto a Deus Pai é o próprio Filho de Deus (Rm 8.34) e o Espírito Santo (Rm 8.26-27). Aqueles que já partiram não podem interceder por nós, pois o autor de Hebreus, após citar a galeria dos heróis da fé (Hb 11.1-38), afirma o seguinte: "Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados" (Hb 11.39-40). Em outras palavras, aqueles que partiram em Cristo antes de nós ainda não alcançaram a "a concretização da promessa", ou seja, a ressurreição (cf. 1Ts 4.13-18).
Sendo assim, cremos que, "nos céus", apenas o Filho e o Espírito intercedem por nós junto ao Pai, segundo o testemunho das Escrituras.

4. QUAL É A DIFERENÇA ENTRE "ADORAR" e "VENERAR"?
Uma das diferenças fundamentais entre protestantes e católicos romanos está na doutrina romana da "veneração das relíquias, dos santos e de Maria", bem como na "oração aos santos e à Maria".
A Igreja Católica Romana (ICAR) afirma o seguinte:
"A Igreja, segundo a tradição, venera os santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens. É que as festas dos santos proclamam as grandes obras de Cristo nos seus servos e oferecem aos fiéis os bons exemplos a imitar" (3).
"Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas exercícios de piedade para com Ela, aprovados no decorrer dos séculos  pelo magistério, e que mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos" (4).
A Igreja Romana faz distinção entre latria ("culto" - devido apenas a Deus), dulia ("veneração" - devida , por exemplo, aos santos e à Bíblia) e hiperdulia ("alta-veneração" - devida à "Nossa Senhora"). No entanto, a distinção entre latria, dulia e hiperdulia NÃO TEM COMO BASE A BÍBLIA, MAS APENAS A TRADIÇÃO/MAGISTÉRIO DA ICAR. Por exemplo, no excelente "Vocabulário de Teologia Bíblica", dirigido pelo biblista francês católico romano Xavier Léon-Dufour, não encontramos nem mesmo sinal das expressões "dulia" e "hiperdulia". No verbete "Maria", em momento algum é afirmado que ela deva receber oração ou veneração! Mas por que? O motivo é simples: A obra trata de "Teologia Bíblica" e não de "Tradição" ou "Magistério Eclesiástico".
Se você consultar, por exemplo, o "Sinopse dos documentos conciliares Vaticano II" citado acima, documento oficial da Igreja Católica Romana, em que os textos conciliares são reunidos na forma de um dicionário, vai perceber, por exemplo, no verbete "Maria", o seguinte: toda vez que o verbete faz uma afirmação que está de acordo com a doutrina protestante, a Bíblia é citada para fundamentar a afirmação. Quando o verbete faz uma afirmação que está em desacordo com a doutrina protestante, a Bíblia não é citada (pois não é possível!), mas citam-se textos da Tradição/Magistério da ICAR. Nossa intenção aqui não é polêmica, mas apenas didática. A Igreja Católica Romana fundamenta algumas de suas doutrinas exclusivamente na Tradição ou no Magistério, como é o caso da veneração ou da alta-veneração às relíquias, aos santos e à Maria, bem como a oração aos "santos" e à "Maria". Os protestantes, por outro lado, não aceitam estas doutrinas, pois elas não tem como fundamento a Bíblia, mas apenas a Tradição e o Magistério da Igreja de Roma.
Um dia, enquanto estava estudando a Bíblia com uma família, alguém me perguntou: "Você não ora mesmo para Maria ou para algum santo?". Eu respondi: "Eu posso me ajoelhar e orar agora mesmo para Maria ou algum santo, mas só depois que você abrir a Bíblia e me mostrar uma oração a algo ou alguém que não seja Deus que a Bíblia aprova". Obviamente, estou até hoje sem fazer este tipo de oração, pois a Bíblia não a autoriza em hipótese alguma!


CONCLUSÃO
As nossas orações, nosso culto, nossa adoração, só podem ter como alvo o único Deus verdadeiro, Criador de tudo e de todos. A Bíblia nos ensina que não devemos orar ou adorar a nenhuma criatura, o que inclui seres humanos e anjos (At 10.24- 26; Rm 1.18-23; Ap 19.9-10; Ap 22.9). Não devemos sequer contar com a intercessão de quem quer que seja na presença de Deus, além da intercessão do Filho e do Espírito (Rm 8.26-27; 33-34). O único ser humano que pode receber adoração, culto e oração é Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem (Jo 1.14). A adoração, o culto e a oração só podem ter como alvo o único Deus verdadeiro (Dt 6.5; Mt 4.10; Mt 6.5-15).


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Notas
(1) Comissão de Fé e Ordem do CMI. A Confissão da Fé Apostólica. São Paulo: Conic/IEPG, 1993, p. 30.
(2). Marc-François LACAN. "Adoração". In: Xavier Léon-Dufour (dir.). Vocabulário de Teologia Bíblica (7a ed.). Petrópolis: Vozes, 2002, p. 14.
(3) J. Barbosa Pinto (org.). Sinopse dos documentos conciliares Vaticano II. Braga (Portugal) - Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, 1979, p. 240.
(4) J. Barbosa Pinto (org.). Sinopse dos documentos conciliares Vaticano II. Braga (Portugal) - Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, 1979, p. 239.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Deus faz acepção de pessoas? (ou "Eleição é exclusão?")


Deus não faz acepção de pessoas. Mas como, se Ele elege alguns? A eleição não é exclusão?

Deus não faz acepção de pessoas, pois quando elege alguém, como fez com a pessoa do Abraão e com Israel, escolhe não para excluir os demais, mas pelo contrário, escolhe para INCLUIR: "em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3). Seria como a lógica da política: a eleição de políticos não poderia se tornar um meio de distribuir privilégios, mas sim um meio de servir e beneficiar toda a população. Do mesmo modo, a eleição de Israel ou da Igreja não pode ser confundida com distribuição de privilégios exclusivos, mas sim um plano divino para abençoar "todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7.9) . Este é o projeto de Deus e, por extensão, da Igreja de Cristo: abençoar a todos. Jesus Cristo, o eleito de Deus por excelência, veio ao mundo para realizar o projeto de Deus com a eleição: abençoar a todas as famílias da terra.

Alguns dizem: "Deus faz acepção de pessoas, pois primeiro Ele elegeu um homem chamado Abraão, depois,  entre Esaú e Jacó Ele escolhe Jacó e rejeita Esaú, depois Ele escolha a nação de Israel. No final, os cristãos dão um passo a mais e afirmam que Deus escolheu a Igreja. Sendo assim, Deus faz acepção entre uma pessoa e outra e escolhe uma pessoa e não outra".
Na verdade, citar a Bíblia não é sinônimo de pensar biblicamente. Quando lemos a Bíblia, precisamos entender a sua mensagem e o que ela expressa sobre Deus e sobre os seus propósitos. Quando Deus chama Abração, Ele diz o seguinte:
"Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei;de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gênesis 12.1-3).
Fica claro que Deus não escolheu Abraão para excluir os outros, mas pelo contrário, Deus escolheu Abraão para incluir a todas as famílias da terra, ou seja, a toda a humanidade! De Abraão vem Isaque, de Isaque, Jacó, de Jacó 12 filhos que dão origem as 12 tribos de Israel. Quando Deus chamou Israel, o propósito continua o mesmo:
"Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do SENHOR será estabelecido no cimo dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos.  Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do SENHOR, de Jerusalém. Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.  Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do SENHOR" (Isaías 2.2-5).
Ou seja, fica claro que quando Deus escolhe ou elege, a eleição não é um privilégio exclusivo, mas inclusivo, ou seja, Deus elege Abraão para que seja instrumento de bênção para todos, assim como Israel deveria ser. Israel, como povo eleito, deveria ser fiel ao SENHOR e assumir seu chamado de luz das nações, mas escolheu o caminho da injustiça e do pecado:
"Ouvi a palavra que o SENHOR fala contra vós outros, filhos de Israel, contra toda a família que ele fez subir da terra do Egito, dizendo:  De todas as famílias da terra, somente a vós outros vos escolhi; portanto, eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades" (Amós 3.1-2).
A eleição é um privilégio e uma responsabilidade, mas é um privilégio não apenas para deleite próprio, mas para testemunhar a santidade, o amor e a justiça de Deus para que todas as nações conheçam ao SENHOR.
Assim, Israel falhou, mas o SENHOR afirma que faria uma NOVA ALIANÇA, na qual a Lei seria escrita não em tábuas de pedra, como no Sinai, mas no coração, e na qual haveria perdão dos pecados:
"Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei" (Jeremias 31.31-34).
A eleição de Abraão e de Israel, que visava a inclusão de toda a humanidade, tinha como alvo a vinda do próprio Deus ao mundo, através de Seu Filho Jesus Cristo, que veio trazer reconciliação. Jesus é "filho de Davi, filho de Abraão" (Mateus 1.1), ou seja, a promessa de Deus na eleição de Abraão foi cumprida em Jesus Cristo, filho de Abraão.
Jesus é o eleito de Deus por excelência:
"E dela veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi" (Lucas 9.35). 
Jesus não é o eleito para excluir os demais, mas eleito para que todas as famílias da terra sejam abençoadas. É o que Paulo deixa claro em Gálatas:
"Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão" (Gálatas 3.7-9).
Assim, a eleição não pode ser compreendida fora da missão do povo de Deus, que não é missão que o povo mesmo escolheu: é missão de Deus para trazer reconciliação, paz e salvação, para restaurar todas as coisas, através do Seu Eleito, Jesus Cristo.

Deus não faz acepção de pessoas: Ele chama a todos ao arrependimento dos seus pecados, para que creiam no Evangelho da graça: Deus se reconcilia conosco através do Seu Filho Jesus Cristo, o Eleito, por meio de quem vai renovar todas as coisas. 



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Viver ou Juntar Dinheiro? - Max Gehringer

Quem é o Senhor da tua vida? Administrar bem o dinheiro é importante, mas saber viver é fundamental. 
Este eu li no Facebook e estou repassando. 
Fonte da imagem:
 https://www.facebook.com/quercafe/photos/a.480793065274802.107485.177537108933734/539191966101578/?type=1&theater


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O que nós podemos oferecer a Deus?


Você tem algo a oferecer a Deus?
O Evangelho, definida a partir das Escrituras Sagradas, vai na contramão das religiões em geral.
As religiões afirmam que você tem algo a oferecer a Deus, que você pode ter "crédito" com Deus. Através de boas obras, de ritos, de conhecimento preciso de doutrinas, de orações, rezas e mantras... enfim, as religiões afirmam a possibilidade do ser humano alcançar créditos com a divindade a partir da sua própria fé, esforço ou dedicação.
O Evangelho, tal como definida na Bíblia, afirma a bondade de Deus, pela sua graça. Nós não apenas não temos crédito com Deus, mas não podemos ter crédito com ele pautado na nossa fé, esforço ou dedicação. O Evangelho não é uma receita de como oferecer a Deus o que Ele precisa, mas sim o anúncio das Boas Novas de que o próprio Deus, em Cristo, veio nos trazer tudo o que nós realmente precisamos - o que a Bíblia costuma chamar de salvação. O fundamento da salvação não são nossas boas obras, fé ou realizações, mas a graça de Deus, mediante a fé em Cristo. A salvação é obra divina e não humana, de modo que nós só podemos entregar a Deus aquilo que Ele mesmo nos deu primeiro.

Quando eu era criança, costumava comprar presentes para o meu pai numa pequena loja. Eu comprava o presente e mandava marcar na conta dele. Eu era apenas um garoto e não tinha condição de comprar um presente por conta própria; por isso, eu comprava na própria conta do meu pai. Ele pagava pelo próprio presente. O mesmo acontece na nossa relação com Deus. Tudo o que nós oferecemos a Deus nós recebemos dEle primeiro. Nós só podemos entregar algo a Deus porque Ele nos deu! Ele nos criou, Ele nos deu dons e talentos (inteligência, força, sabedoria, capacidades, saúde...), Ele é quem nos concede boas dádivas... Além disso, nós nunca poderíamos agradar a Deus, por causa dos nossos pecados, que azedam mesmo as nossas boas obras (Is 64.6). Tudo o que Deus encontra de agradável em nós é fruto da Sua própria graça, amor e misericórdia em Cristo!

"O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada" (João 3.27).
"Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Romanos 11.36).
"Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança" (Tiago 1.17).
"Nós amamos porque ele nos amou primeiro" (1João 4.19).

Deus não precisa de mais nada. Deus não precisa de nós! Mas Ele nos ama, nos criou por amor, nos chama à reconciliação com Ele por amor, nos perdoa, transforma e renova em Cristo por amor. Tudo o que somos e temos de bom é um dom (presente) que Ele mesmo nos dá! Só podemos dar a Deus aquilo que Ele mesmo nos deu antes! Tudo de bom que nós podemos oferecer a Deus foi Ele mesmo quem nos deu! E Deus nos ama, perdoa, aceita, transforma e salva através do Seu Filho Jesus Cristo, que morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa salvação.

Assim, que nossa relação com Deus seja fruto de AMOR e GRATIDÃO!

"Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome" (Hebreus 13.15).

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Você sabe qual é a origem da palavra SPAM?

Spam é aquela mensagem publicitária que voce recebe por e-mail, que fica roubando o seu tempo e enchendo a sua paciência. Segundo a Wikipédia, "o Termo de spam pode significar Sending and Posting Advertisement in Mass, ou ´enviar e postar publicidade em massa´, ou também: Stupid Pointless Annoying Messages, que significa mensagem rídicula, sem propósito, e irritante". Uma das teorias sobre a origem da palavra está relacionada a um quadro do grupo de humor Monthy Python. Quer assistir ao vídeo?



sábado, 30 de agosto de 2014

Tiradas da Letícia VIII - o toque especial de beijinho

A Letícia não gosta muito de beijo e de abraço. Para dar um abraço, ela precisa estar com muitas saudades. O beijo, do mesmo modo, é bem rápido e sequinho. Receber beijo, então... não gosta muito. Mas ela é diferente com o maninho Miguel.
Hoje fui acordá-los, para passear. O Miguel levantou correndo. Já a Letícia ficou na cama. Então, ela disse:
- "Miguel, preciso de um toque especial de beijinho para acordar...".
O Miguel, seu oposto, deu um monte de beijos. Então, ela pediu um toque especial de abracinho...
Ela não é assim nem com o papai e nem com a mamãe. O Miguel deve despertar algum instinto de cuidado, já que ela tem o dobro da idade dele.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Tiradas do Miguel I - A obediência

Estávamos no aeroporto. Dei um beijo na Cris e na Letícia. Então, dei um beijo no Miguel e disse prá ele:
- "Miguel, o papai vai viajar, e você será o homenzinho da casa. Cuida das meninas". Ele ficou todo cheio.
Quando eu voltei de viagem, a Cris me disse o seguinte:
- "Depois que você saiu, no dia da viagem, o Miguel, no carro, disse que eu e a Letícia deveríamos OBEDECÊ-LO, porque ele era o homenzinho da casa!".

A Cris, obviamente, não deixou que ele mandasse. Mas é engraçado. 
A reação do menino seria coisa do tal cromossomo Y? Ou sugestão paterna?

Tiradas da Letícia VII - O Mundo é uma Prisão?

Estávamos no carro. De repente, não mais que de repente, uma dúvida filosófico-teológico-infantil:
- "Este mundo é uma prisão?", pergunta a Letícia.
- "Por que você pergunta?", procurando entender o que ela queria dizer.
- "Porque se a gente não consegue sair deste mundo e ir para outro, este mundo parece uma prisão!", filosofa a precoce inquisidora.

Eu pensei: - "Sim, pois ´este mundo´ é uma expressão própria da apocaliptica para indicar uma determinada cosmovisão, segundo a qual a sociedade humana está dominada pela alienação e pela violência, ou seja, pelo mal, o qual será superado por um novo eon, no qual a justiça, a paz e a felicidade triunfarão sobre o mal presente, em novos céus e nova terra!". Mas soou muito complicado. Então eu disse:
- "É, Letícia. Para muita gente que sofre, este mundo é uma prisão. Um dia Jesus, que já venceu o mal pela sua ressurreição, nos levará para outro mundo, melhor do que este".

Ela sorriu.

sábado, 9 de agosto de 2014

A Arca da Aliança ontem e hoje


Hoje em dia, está na moda criar réplicas da Arca da Aliança. Por isso, eu gostaria de refletir com você sobre o tema da Arca da Aliança na Bíblia (seu lugar na Antiga e na Nova Aliança) e seu lugar na Igreja dos nossos dias.

1. A Arca da Aliança e a Antiga Aliança
A Arca da Aliança está descrita no capítulo 25 do livro do Êxodo. Era uma arca de madeira de acácia, coberta de ouro por dentro e por fora. Nos cantos da arca havia quatro argolas, nas quais duas varas eram utilizadas para transportá-la. Sobre a arca estava o propiciatório, uma peça toda de ouro, com dois querubins de ouro sobre ela. "Os querubins estenderão as asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; estarão eles de faces voltadas uma para a outra, olhando para o propiciatório" (Ex 25.20). Dentro da Arca, estavam as tábuas da Lei, que o SENHOR entregara a Moisés (Ex 25.21; 40.20; Dt 10.1-5). Segundo Hb 9.4, havia também uma urna, com um pouco do maná e com a vara de Arão, que floresceu.
A Arca da Aliança ficava na parte mais interior do Tabernáculo, o Santo dos Santos, local da presença de Deus. Portanto, ela representava a própria presença do SENHOR.
Quando os sacrifícios expiatórios eram feitos, o sangue era levado pelo sumo-sacerdote ao Santos dos Santos, onde era aspergido sobre o propiciatório (parte superior da arca). Portanto, a arca representava o perdão do SENHOR.
Quando em guerra, Israel muitas vezes levava consigo a Arca da Aliança, pois ela representava o poder de Deus, que luta em favor do seu povo.
Moisés morreu nas campinas de Moabe, antes de entrar na terra de Canaã. Josué, conduziu o povo a atravessar o rio Jordão a pé enxuto, a medida que os levitas que carregavam a Arca pararam no meio do rio, até que todos passassem. Quando Davi foi coroado rei, conquistou a cidade de Jerusalém e levou a Arca da Aliança para lá. Salomão edificou um templo, no qual introduziu a Arca da Aliança do Santo dos Santos (1Rs 8). As últimas notícias que temos desta Arca da Aliança estão registradas no livro do profeta Jeremias. O profeta, curiosamente, afirma o seguinte:
"Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra"(Jr 3.16 - grifo acrescentado).
De fato, depois que Nabucodonosor destruiu Jerusalém, não houve mais referência àquela Arca da Aliança na Bíblia. Apenas o livro Apocalipse fala da Arca da Aliança, mas do santuário celeste e não do terrestre (Ap 11.19). O templo de Jerusalém, reconstruído a partir do período persa, não conheceu mais a Arca da Aliança, inclusive nos dias do Novo Testamento.


2. A Arca da Aliança e a Nova Aliança em Cristo
No Novo Testamento não temos necessidade de uma Arca da Aliança, pois a Shekhinah (presença gloriosa de Deus) é Jesus Cristo. Jesus é o Emanuel ("Deus conosco" - Mt 1.23). Nas palavras do quarto Evangelho, Jesus Cristo é o Verbo que "se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14). Nos dias da sua carne entre nós, Jesus Cristo, o Emanuel, era a própria shekhinah.
O Evangelho segundo João narra o seguinte: "Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas? Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo" (Jo 2.18-21), deixando claro que, na Nova Aliança, Jesus mesmo é tanto a Arca da Aliança quanto o próprio templo!
Quando Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa salvação, Ele enviou aos nossos corações o seu Espírito, o Espírito da Nova Aliança. Por isso o Novo Testamento afirma que "nós somos santuário do Deus vivente" (2Co 6.16). O Corpo de Cristo é habitação do Espírito Santo; logo, cristãos não tem necessidade de uma Arca da Aliança, pois o Corpo de Cristo é a própria Arca da Aliança!

3. A Arca da Aliança e a Igreja Evangélica Brasileira
Nos últimos anos, temos visto muita gente fazendo réplica da Arca da Aliança, usando chofares, água do rio Jordão, etc. etc. etc. Cristãos devem tomar cuidado com a utilização religiosa destas coisas, para não cair na superstição ou na idolatria. Conforme o testemunho do Antigo e do Novo Testamentos, Moisés construiu uma serpente de bronze, para que os que fossem picados pelas "serpentes abrasadoras" pudessem salvar a própria vida, olhando para a de bronze (Nm 21.4-9, Jo 3.14). No entanto, o rei Ezequias destruiu aquela serpente, pois com o tempo passou a ser utilizada como objeto de culto: "e [Ezequias] fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã" (2Rs 18.4).
Cristãos não precisam de réplicas da Arca da Aliança, tocar shofares, usar água do rio Jordão, reconstruir o templo de Jerusalém... Tem muito falso profeta hoje em dia tentando conduzir o povo para a idolatria e a superstição! O Antigo Templo já foi destruído no ano 70 d.C. pelos romanos, e o novo já foi levantado! No Evangelho segundo João, enquanto Jesus purificava o templo de Jerusalém (Jo 2.13-22), perguntaram com que autoridade ele fazia aquelas coisas. Jesus, então, responde: "Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei" (Jo 2.19) - deixando claro qual é o verdadeiro santuário!
O verdadeiro santuário é o Corpo de Cristo, ou seja, a sua Igreja.
Construir réplicas da Arca da Aliança e do Templo de Jerusalém é um insulto à Palavra de Deus!

Não precisamos mais do templo de Jerusalém, da Arca da Aliança, de chofares, de água do rio Jordão, etc. etc. etc. Precisamos da graça de Deus em Cristo, conforme a Palavra de Deus (e não da manipulação de espertalhões).

(Imagem do filme "Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida").

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O diabo colaborou com a construção do "Templo de Salomão" da IURD!

(Informação Prévia: a IURD retirou o vídeo abaixo do You Tube, por motivos óbvios. Mas vamos manter o link, bem como o texto, até porque a maior parte do "diálogo" do vídeo foi transcrito abaixo).

Recentemente, foi inaugurado o "Templo de Salomão" da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Uma construção tão importante que até mesmo o diabo colaborou com ela, incentivando a todos a contribuir!!! Pelo menos conforme o vídeo gravado pela própria IURD, em um dos seus templos (vídeo da IURD TV):


Interessante que tanto Jesus quanto os apóstolos não aceitavam testemunho do diabo, muito menos incentivo para arrecadação de ofertas!!! Jesus e os apóstolos ordenavam que os espíritos imundos se calassem, mesmo quando o que eles diziam não era falsidade (Mc 1.23-25; At 16.16-18).

Transcrevemos uma parte do "diálogo" (ou seria um "diábolo"?) do demônio com o bispo:
(bispo): "E as pessoas que ajudarem, doarem para a construção do templo? A pessoa vai doar casa, carro, dinheiro, vai doar o salário, o dinheiro guardado, vai pegar o que ela tem no banco, vai vender as roupas, vai vender o que ela tem para doação do templo. O que vai acontecer?"
("diabo"): "Eu vou ter que sair, desgraça!"
(bispo): "O que vai acontecer com a pessoa que doar o que ela tem pro templo?"
("diabo"): "Vai mudar a vida por completo!"
(bispo): "Vai o que?"
("diabo"): "Vai mudar a vida por completo! E a promessa que o Edir prometeu àquele desgraçado vai se cumprir".

Ouça o que diz a Palavra de Deus:
"Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência" (1Tm 4.1-2).

Portanto, não é boa opção dar ouvidos a um espírito enganador, seja ele de um "possesso" ou de um malandro. A verdade continua sendo verdade, mesmo na boca de um mentiroso. No entanto, você não precisa do mentiroso para encontrar a verdade. Ore, medite na Palavra de Deus, e não se deixe enganar por pessoas sem escrúpulos.
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o vídeo acima foi indicação do meu amigo Caiado.

Vivendo para a Glória de Deus e o bem do próximo: o cristão e a usura em Calvino

Texto publicado na Vivendo a Fé 16 - "Calvino para os dias de hoje", da Editora Pendão Real.
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Texto central:  Ex 22.25-27

Leituras bíblicas diárias:
Seg – Lv 25.35-38
Ter – Dt 23.19-20
Qua – Sl 15.1-5
Qui – Jr 15.10-21
Sex –  Ez 18.5-9
Sáb – Mt 25.14-30
Dom – Lc 6.27-36


INTRODUÇÃO

         Você já recebeu juros? Já pagou? Então vai se interessar pela influência de Calvino em relação à usura. Mas o que é usura? É a cobrança de juro. Usurário é aquele que empresta para receber juro.
         Nesta lição vamos refletir sobre a teologia de Calvino sobre a usura, que teve grande impacto sobre a história e que, ainda hoje, tem muito a contribuir sobre este tema, importante a todos nós. Em primeiro lugar, faremos uma breve reflexão sobre a usura na Bíblia. Em segundo lugar, sobre a usura na Igreja Antiga e Medieval. Finalmente, sobre as contribuições de Calvino sobre o tema.



1. A USURA NA BÍBLIA

         A cobrança de juros, hipotecas e penhores  é conhecida já no Antigo Testamento. A Bíblia apresenta vários textos acerca do assunto (Ex 22.25-27; Lv 25.35-38; Dt 23.19-20; Sl 15.1-5; Ez 18.5-9; Mt 6.9-15; ). A prática de empréstimos de bens ou de dinheiro mediante cobrança de juros era comum no Antigo Oriente, e fonte de muitos abusos (SICRE, 1990, p. 70). Por isso só pode habitar o tabernáculo do Senhor “o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente” (Sl 15.5), pois “cobrar juros em um empréstimo era estritamente proibido (...) porque isso era visto como uma extorsão”( BROWN, 2007, p. 1040.) contra o pobre e o necessitado. O fundamental na oposição bíblica à usura está na defesa do pobre e necessitado, na defesa da vida e da solidariedade.

“Para refletir”.
* Você conhece alguém que contraiu empréstimo por motivo de necessidade e foi explorado pela cobrança de altas taxas de juros?


2. A USURA NA IGREJA ANTIGA E MEDIEVAL

         A cobrança de juros foi rejeitada tanto por antigos filósofos quanto por teólogos da Igreja Antiga  e Medieval. Entre eles estão Aristóteles (filósofo), Ambrósio, Jerônimo e Agostinho (pais ocidentais), Atanásio, Basílio o Grande, Gregório de Nissa (pais orientais) e Pedro Lombardo e Tomás de Aquino (teólogos medievais).
         O historiador Jacques Le Goff afirma que, já na Idade Média, há uma distinção entre usura e juro: “usura e juro não são sinônimos, nem usura e lucro: a usura intervém onde não há produção ou transformação material de bens concretos”( LE GOFF, 1986, p. 18). No entanto, o empréstimo destinado à produção de mercadorias continuaria, nesse caso, sendo considerado usura, pois o que está em jogo não é o que se faz com o valor emprestado, mas o juro decorrente do empréstimo.
         O usurário era considerado alguém que rouba a Deus, pois ganha dinheiro ‘vendendo’ o tempo, que a Deus pertence, e é ladrão porque rouba os cristãos, a quem deveria estabelecer vínculos de fraternal solidariedade. Além disso, quebra o mandamento divino do trabalho conquistado com o suor do rosto (Gn 3.17-19). Le Goff defende inclusive a tese de que o purgatório foi criado na Idade Média diante de um dilema medieval: por um lado, a usura era proibida pela Bíblia, pela Tradição e pela própria cultura medieval, mas por outro lado, em razão do contexto sócio-político-econômico, com o desenvolvimento de uma economia de mercado, a sociedade precisava cada vez mais do usurário. Para continuar condenando a usura, mas para salvar o usurário do inferno, e assim a sua própria atividade pecadora, a Igreja Medieval cria o purgatório, que será inclusive um meio de despojar o usurário dos seus bens. Conforme afirma Le Goff, “a única probabilidade de salvação do usurário, já que todo o seu lucro é mal adquirido, é a restituição integral do que ganhou”( LE GOFF, 1986, p. 43). Para o historiador, o criador do capitalismo não é Calvino, mas é o usurário:
“Os iniciadores do capitalismo são os usurários, mercadores do futuro, mercadores do tempo que, desde o século XV, Leon Battista Alberti definirá como [mercadores] do dinheiro. Esses homens são cristãos. Aquilo que os retém no limiar do capitalismo (...) é o medo, o medo angustiante do Inferno. (...). A esperança de escapar ao Inferno, graças ao Purgatório, permite ao usurário fazer avançar a economia e a sociedade do século XIII em direção ao capitalismo”( LE GOFF, 1986, p. 90).

         Assim, a Igreja Antiga, Medieval (ocidental) e Bizantina (oriental) condenava a usura.  O próprio reformador Martinho Lutero rejeitava a cobrança de juros, fazendo coro aos teólogos da Igreja Antiga e Medieval.

“Para refletir”.
* A disciplina eclesiástica geralmente é aplicada em casos de pecados sexuais. O mesmo acontece se um membro da Igreja ou mesmo um ministro ganha dinheiro por meio de agiotagem, cobrando taxas de juros abusivas de pessoas necessitadas? Qual a sua opinião a respeito?



3. CALVINO E A USURA

         O contexto econômico de Calvino não é o de uma economia agrária, típica da Idade Antiga e Medieval, mas sim de uma economia de mercado. A economia de mercado se desenvolveu na Europa desde meados dos séculos XII e XIII e foi nutrida pelas seguintes forças, anteriores ou contemporâneas à Calvino: o mercador itinerante (incluindo os usurários), o processo de urbanização, as cruzadas, o surgimento dos Estados nacionais e a descoberta das Américas.
         Calvino sabia que novas perguntas exigem novas respostas. Por isso, apesar da elevada consideração pela doutrina dos Pais da Igreja e dos Concílios Ecumênicos da Igreja Antiga, Calvino busca compreender a usura a partir das Escrituras à luz da nova realidade sócio-político-econômica, e dá uma resposta diferente da que fora dada até então. Calvino discerne a razão pela qual a Bíblia se manifesta contrária à usura: a exploração do semelhante. Calvino entende que a proibição da usura na Bíblia visa a proteção do necessitado. Conforme afirma André Biéler, Calvino “verifica que, ao falar do juro ou da usura, a Bíblia não visa ao fenômeno relativamente recente e muito mais difundido do empréstimo de produção. Nesse caso, não se trata de socorrer alguém e, portanto, de abusar da miséria alheia exigindo a compensação em juros pelo empréstimo feito. Trata-se, antes, de emprestar certa soma a fim de constituir um capital de trabalho”( BIÉLER, 2009, p. 54). Assim Calvino declara que o dinheiro, assim como um bem imóvel ou outra mercadoria qualquer, apresenta uma “natureza produtiva”, ou seja, pode gerar lucro.
         Para que se perceba a grandeza da contribuição de Calvino em relação à usura, é necessário entender essa contribuição à luz dos limites que impõe à própria usura e também à luz de outros temas de seu pensamento e prática social em Genebra.
         Um dos pontos mais importantes do pensamento econômico do reformador é a sua afirmação de que o alvo da vida cristã não pode ser a busca pelo lucro, mas sim da glória de Deus. E buscar a glória de Deus é se submeter à Sua Palavra e ao Santo Espírito, que conduzem o ser humano à partilha e ao amor! Por isso “Calvino denomina os ricos ‘ministros dos pobres’, ao passo que os pobres, enviados aos ricos da parte de Deus para colocar à prova sua fé e sua caridade, são chamados ‘recebedores de Deus’, ‘vigários de Cristo’, ‘procuradores de Deus’”( BIÉLER, 2009, p. 33). É por isso que Calvino se manifesta contra o empréstimo aos necessitados: estes devem receber empréstimos sem juros, ou mesmo serem alvo da partilha de bens pelos mais abastados! Calvino é citado em muitos manuais clássicos sobre história da economia(Por exemplo, HEILBRONER, 1972, pp. 73-77) ou história das doutrinas econômicas(HUGON, 1962, pp. 73-74), mas não raro é mal interpretado. É o que Biéler vai afirmar também sobre os sociólogos, a exemplo de Max Weber. Biéler afirma que “Weber cometeu o grave erro de identificar esse protestantismo com o calvinismo das origens” (Biéler, p. 57). O autor afirma também que “se Max Weber tivesse estudado o calvinismo do século XVI, e não o do século XVIII, teria chegado a outras conclusões. Teria notado certamente que esse calvinismo das origens (...) procurava prevenir-se contra os desvios da natureza humana mediante freios que o evitavam descambar para os excessos de uma sociedade sujeita ao primado do lucro e à regra soberana de sucesso individual”(Biéler, p. 58).
         Biéler aponta várias restrições à usura por parte de Calvino: o reformador “não tem por lícito o recebimento de juros, mesmo quando autorizado pela lei, no caso de empréstimo feito a pessoa pobre. Por outro lado, entende que os juros não devem ser aceitos pelo emprestador se o devedor não ganhar, com o empréstimo obtido, o equivalente a esses juros. Enfim, condena todo e qualquer juro que ultrapasse a taxa normal”( BIÉLER, 2009, p. 54).
         A aprovação de Calvino às taxas de juros cobradas em Genebra, que variaram de 5% ao ano em 1538 para posteriores 6,6% ao ano em 1544, bem menores que as taxas de juros praticadas pelos reis católicos Carlos V e Philippe II, que a limitaram a 12% ao ano(BIÉLER, 2009, pp. 52-53), ao lado da defesa do controle rígido dessas taxas, deixam claro que Calvino não defendia a liberação indiscriminada (ou abusiva) das taxas de juros.



CONCLUSÃO

         Calvino tem muito a ensinar ao mundo e à Igreja contemporânea!
         Calvino aprova a cobrança de juros no caso de empréstimos destinados à produção, que geram emprego e renda. É contra a liberação indiscriminada da taxa de juros, a lógica da especulação financeira e a exploração do necessitado. Proíbe expressamente a cobrança de juros em empréstimos aos necessitados, para que sejam socorridos. Afirma que o alvo de uma economia não deve ser o lucro, mas o bem-estar social. Com sua teologia e prática, Calvino estava séculos à frente de seu tempo! Defendia um desenvolvimento socialmente sustentável!
         Enquanto a Igreja Medieval era contrária à usura, sendo ela mesma uma grande usurária medieval, Calvino se manifesta favorável à cobrança de juros, desde que o empréstimo seja destinado à produção e não leve à exploração do próximo.
         Poderíamos dizer que a usura em Calvino é permitida na perspectiva do bem do próximo e da glória de Deus.

“Para refletir”.
* Que aspectos da teologia e da prática de Calvino em relação à usura você acha que deveriam ser adotados hoje? (Cite alguns exemplos).



BIBLIOGRAFIA

BIÉLER, André. O Humanismo social de Calvino. São Paulo: Pendão Real, 2009
LE GOFF, Jacques. A bolsa e a vida: a usura na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 1986.
SICRE, José L. A Justiça social nos profetas. São Paulo: Paulinas, 1990.
BROWN, Raymond E.; FITZMYER, Joseph A.; MURPHY, Roland E. (editores). Novo Comentário Bíblico São Jerônimo. São Paulo: Academia Cristã/Paulus, 2007.
HUGON, Paul. História das doutrinas econômicas. São Paulo: Atlas, 1962.
HEILBRONER, Robert L. A Formação da sociedade econômica. Rio de Janeiro, Zahar, 1972.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Para refletir

"Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos" (Romanos 14.7-9).


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

As Árvores e o Machado - uma fábula de Esopo

Tenho dois filhos, a Letícia, de 6 anos, e o Miguel, de 3. Antes de dormir, costumo contar histórias e orar com eles. Gosto de contar histórias que ensinam valores e princípios cristãos, estejam estas histórias na Bíblia ou não. Nas férias comprei um livro de fábulas, belamente ilustrado, chamado "Fábulas de Esopo". Na verdade, eu já tinha um livro das fábulas do sábio grego, mas comprei a edição ilustrada para contar as histórias para as crianças e mostrar algumas cenas - que ajudam a entender as histórias. Cada história tem um título, a narrativa e uma conclusão (uma "moral da história"). Hoje, eu gostaria de compartilhar uma destas histórias com vocês.

AS ÁRVORES E O MACHADO
Um lenhador foi até a floresta pedir às árvores que lhe dessem um cabo para seu machado. As árvores acharam que não custava nada atender ao pedido do lenhador e na mesma hora resolveram fazer o que ele queria. Ficou decidido que o freixo, que era uma árvore comum e modesta, daria o que era necessário. Mas, assim que recebeu o que tinha pedido, o lenhador começou a atacar com seu machado tudo o que encontrava pela frente na floresta, derrubando as mais belas árvores. O carvalho, que só se deu conta da tragédia quando já era tarde demai para fazer alguma coisa, cochicou para o cedro:
- Foi um erro atender ao primeiro pedido que ele fez. Por que fomos sacrificar nosso humilde vizinho? Se não tivéssemos feito isso, quem sabe ainda viveríamos muitos e muitos anos!
Moral: Quem trai os amigos pode estar cavando a própria cova.

A moral da história lembra até o Salmo 37:
"Os maus puxam da espada e curvam os seus arcos para matar os pobres e os necessitados e para assassinarem os que são honestos. Mas os maus serão mortos pelas suas próprias espadas, e os seus arcos serão quebrados" (Salmo 37.14-15 - NTLH).

A sabedoria não é justificada pelo que pensam dela! (Mt 11.16-19)

"Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:  Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes. Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!" (Mateus 11.16-19ab)

Não dá para viver em função do que os outros pensam de nós. Não é possível agradar a todos. Para alguns, nada é suficiente, nada basta, nada está bom.

Primeiro veio João Batista, pregando o Reino de Deus no deserto:
"Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 3.1-2).
Ora,
"veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio!" (Mateus 11.18).

Depois, veio Jesus de Nazaré, pregando o Reino de Deus entre o povo:
"Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 4.17).
Ora,
"Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!" (Mateus 11.19ab)

Mas a sabedoria não é justificada por regras, fórmulas, aparência, status, marketing ou ritos... Mas a sabedoria não é justificada pela comida, pela bebida ou pelo jejum... Mas a sabedoria não é justificada pelo que a maioria pensa dela...

"Mas a sabedoria é justificada pelas suas obras" (Mt 11.19c).

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